quinta-feira, 16 de setembro de 2021

‘Paulo Freire: a prática da liberdade, para além da alfabetização”. Um exemplo, na Aracaju dos anos de 1980.


Um dos equívocos que atrapalhou  maior  difusão do pensamento de Paulo Freire no Brasil, foi a redução do seu significado a “método de alfabetização de adultos”, sem negar que isso foi  um elemento bastante importante na trajetória do mestre, porém, quem se debruçar sobre os seus escritos e entrevistas em meio audiovisual, perceberá uma filosofia e uma pedagogia que oferece contribuições a uma série de ramos do conhecimento, além da própria filosofia e da pedagogia, também a comunicação, a cultura, a arte-educação, a saúde,  a teologia, ao direito, ao serviço social, ao extensionismo rural, a economia solidária, a psicologia e etc..

Neste sentido, o livro do professor  Venício Artur de Lima  é uma ferramenta que vem em boa hora, e colaborará na ampliação da visão de muitos  brasileiros sobre o legado de  Paulo Freire. O que fica claro a partir do próprio nome ‘Paulo Freire: a prática da liberdade, para além da alfabetização”.  

O professor Venício é um dos pioneiros no estudo da obra de Freire, enfatizando as relações com a cultura e a comunicação. Neste centenário de Paulo Freire, o livro é um convite a refletir sobre sua obra e os tempos atuais. O livro é fruto de uma coedição entre a Fundação Perseu Abramo e a Editora Autêntica. A versão digital está disponível no portal da @fpabramo https://fpabramo.org.br/publicacoes/wp-content/uploads/sites/5/2021/09/Paulo-Freire-web.pdf    e os exemplares impressos são distribuídos pela @autenticaeditora https://grupoautentica.com.br/autentica/livros/paulo-freire-a-pratica-da-liberdade-para-alem-da-alfabetizacao/2013

 


 Em Outubro também estaremos lançando o livro “AMABA: O Esquecido Circulo de Cultura da Aracaju dos anos de1980" É um livro sobre práxis freireana no bairro américa, o qual foi também influenciada na época  por leituras  do campo da Teologia da Libertação e dos estudos culturais, em especial os ligados a  ação cultural, como é o caso de Teixeira Coelho, Edgar Rodrigues e Jorge Cláudio.

Sobre o conceito de práxis em Paulo Freire, vale a pena lermos  a definição cunhada no artigo abaixo, da autoria de Sandra Maria Gadelha de Carvalho e Paulo Martins Pio

“A práxis em Freire remete à ideia de um conjunto de práticas visando à transformação da realidade e à produção da história. O que nos leva a crer que é sobre o tripé formado pela transformação de uma realidade injusta, pela transformação baseada na crítica dessa realidade e pelo seu conhecimento que Freire, a exemplo de Sánchez Vázqeuez (1977), elabora uma noção de práxis histórica e social.

https://www.scielo.br/j/rbeped/a/zpsDMKRZvTM3BwNSZLb8Cqp/?lang=pt

Os dois trabalhos dialogam na medida em que o livro do professor Venicio  desce a reflexão em camadas mais profundas acerca das  relações  existentes entre o trabalho de educação, cultura e comunicação, o que é apresentado no livro da nossa autoria com grande descrição, com seus avanços e dificuldades, assim como uma uma reflexão inicial, em alguns casos realizada no próprio calor dos acontecimentos.

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