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segunda-feira, 3 de março de 2025

O Carnaval em meio ao ataque dos fundamentalistas religiosos e da violência do mercado capitalista



 Obs. Quando nos referimos a religiosos fundamentalistas não estamos nos referindo a Frei Almir, abaixo,  nos pouparemos de trazê-lo para cá, Os discursos de discriminação e preconceitos da parte deles são bastantes conhecidos. O que não é o caso de Frei Almir, o qual   tem opinião que converge com o que estamos dizendo anos seguidos, partindo da fala conhecida de Dom Hélder em 1975, mas refletindo a relação dela com os tempos atuais... 


terça, 05 de fevereiro de 2013
Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Estive recordando sambas e frevos, do disco do Baile da Saudade: ô jardineira por que estas tão triste? Mas o que foi que aconteceu....Tú és muito mais bonita que a camélia que morreu. BRINQUE MEU POVO POVO QUERIDO! MINHA GENTE QUERIDÍSSIMA. É VERDADE QUE 4a FEIRA A LUTA RECOMEÇA. MAS, AO MENOS, SE PÔS UM POUCO DE SONHO NA REALIDADE DURA DA VIDA!" Dom Helder Câmara, 01 de fevereiro de 1975 durante sua crônica radiofônica "um olhar sobre a cidade"da Rádio Olinda AM.


Quando Dom Hélder escreveu o  texto acima,  a realidade do carnaval era bastante diferente daquilo que em regra temos hoje. Nestes idos de 1975,  o mercado  não tinha se apropriado das festas e dos corpos na proporção como acontece nos dias atuais.
Quando digo em "regra", quero acreditar  que ainda existam espaços ou ambientes em que o carnaval seja comemorado de forma aproximada ao  exemplo citado por  Dom Hélder.
Não me refiro aqui, as caricaturas de carnavais das "antigas" promovidas por escolas e grupos de idosos.
Nas propostas para uma gestão cultural transformadora, inclusiva e saudável elaborada como complemento a Carta Cultural da Periferia(2005), foram formuladas algumas sugestões na perspectiva proposta por Dom Hélder. 
Leia mais aqui




Há quem pense que o Brasil de hoje, do modo como está organizado e com a sociedade dividida em polaridades opostas,  não está para Carnaval. A desigualdade social aumenta de forma escandalosa. A violência toma conta de nossas cidades. A maioria da classe política se comporta de forma insensata e oportunista. Apesar disso tudo, nesses dias, em todo o Brasil, já se respira o clima de Carnaval. No Rio de Janeiro, Olinda, Salvador e outras cidades tradicionais, os blocos estão nas ruas e as pessoas superam as dores e angústias do cotidiano através da dança, das brincadeiras e da alegria do Carnaval.

Alguns grupos religiosos condenam o que consideram mundanismo. Julgam o Carnaval como produto do diabo. Trata-se de um julgamento moral que olha a vida de forma dualista, opõe o material ao espiritual, o corpo ao espírito e faz um julgamento moralista do clima de liberdade que reina em muitos ambientes do Carnaval. O senso crítico é importante, mas ele nos leva a olhar não apenas os frutos da árvore, mas a raiz. É preciso compreender que, por trás de toda essa imensa iniciativa do Carnaval há enormes estruturas econômicas que estão por trás e que favorecem empresas e grupos sociais. O Capitalismo intenta transformar a vida e as relações humanas em mercadoria e explora um erotismo meramente comercial. Fomenta o uso exagerado de bebidas e mesmo de drogas. Isso cria um circulo vicioso com a violência urbana que explode em alguns fenômenos de massa não bem canalizados. No entanto, apesar de todos esses problemas, toda festa, mesmo a mais aparentemente mundana, pelo fato de congregar as pessoas em uma expressão de alegria já é positiva. Tem uma dimensão nobre e, podemos dizer: espiritual.

Em geral, as culturas antigas valorizam a festa como sinal e antecipação do pleno e definitivo encontro com a Divindade. No evangelho, Jesus afirmou que o reinado divino vem ao mundo, qual música deliciosa que convida todos a dançarem. Ele se queixa de sua geração que parece com pessoas que, mesmo ao som da música, não reagem e ficam indiferentes (Lc 7, 31- 32). Ninguém deveria ficar apático diante dos sinais do amor e da comunhão humana que tornam a vida, mesmo sofrida, festa de alegria, inspirada pelo Espírito. Jesus começou a anunciar o reinado divino no mundo, transformando água em vinho simplesmente para que não faltasse alegria em uma festa de casamento (Jo 2).

As pessoas e comunidades marcam a vida pela cadência das festas. Cada ano, o aniversário natalício recorda o dom da vida. Conquistas importantes, como conclusão de um curso, obtenção de novo trabalho e casamentos são celebrados com festas. Todo país tem festas cívicas e cada religião, festividades litúrgicas. O que caracteriza a festa é a liberdade de brincar, o direito de subverter a rotina e de expressar alegria e comunhão, através de uma comida gostosa, a música contagiante e a dança que unifica corpo e espírito.

A fé faz parte da vida e da cultura do povo. Por isso, é normal que nos símbolos escolhidos como temas de desfile carnavalesco e mesmo nas letras dos sambas-enredos de escolas de samba, apareçam composições que tragam mensagens de caráter religioso. Neste 2025, várias Escolas de Samba do Rio de Janeiro, assim como blocos importantes de outras cidades tomam como tema elementos das culturas religiosas afrodescendentes, em nossos dias, ainda discriminadas, injustamente atacadas e vítimas de racismo religioso.

Nos anos 70, Chico Buarque compôs a melodia para o filme “Quando o Carnaval chegar”. Essa comédia musical de Cacá Diegues tomava o Carnaval como parábola da festa da libertação. Hoje, vivemos uma democracia formal, mas ainda falta muito para alcançarmos igualdade social e uma justiça que signifique verdadeira libertação para todo o povo. Por isso, continua válida a esperança proposta na música que, no filme, Chico canta junto com Maria Bethânia e Nara Leão: “Quem me vê assim, tão parado e distante, parece que eu nem sei sambar. Tou me guardando pra quando o Carnaval chegar”.

Nesses Carnavais que passam, é importante que não deixemos de esperar e nos preparar para o Carnaval definitivo, mais profundo e transformador da vida.

Irmão Marcelo Barros

quarta-feira, 13 de março de 2019

A politização do carnaval e a culturalização da politica e da educação de base.(8)

LIGANDO OS PONTOS. UM MOMENTO FORTE DO PROJETO RECULTURARTE EM 1990 COM O CARNAVAL 2019.

Bastante curioso como os  dois tempos em que  estou imerso nesse momento, dialogam  de forma intensa. O  ano de 1990, quando escrevo sobre a organização do primeiro encontro de menores do bairro américa e a passeata  de protesto “culturalizada”,  realizada como culminância do referido encontro que aconteceu neste ano, e o tempo propriamente em que estou inserido agora, o ano de 2019  com seu  carnaval, considerado um dos mais politizados.


Da parte dos setores mais tradicionais e conservadores  de direita,  leio critica quanto aos aspectos imorais e violentos do carnaval, resumindo o carnaval a isso, tão somente. 


Como é do conhecimento de quem nos lê, o  exemplo mais eloquente  nesse sentido foi a postagem do vídeo pornográfico realizada pelo presidente Bolsonaro, como resposta a avalanche de criticas que recebeu dos  foliões de norte a sul do país. 


Também quem assistiu a cobertura do  carnaval 2019 realizado pela  TV Record, só viu cenas de violência associadas aos  festejos de Momo.  


Já do lado dos setores mais tradicionais e conservadores de esquerda, leio a reiteração da antiga  critica aos aspectos alienantes e de fuga do carnaval, resumindo o carnaval a isso, tão somente.

Como exemplo, temos a postagem abaixo que recebi no whatzap, compartilhada depois por mim com o adendo que está ao final.


“Já que o Carnaval acabou, vamos acordar pra vida.

"Vamos amigo, lute!
Vamos amigo, ajude!
Senão
A gente acaba perdendo o que já conquistou...
Vamos levante e lute!
Vamos levante e ajude!
Vamos levante e grite!
Vamos levante agora!
Que a vida não parou
A vida não pára aqui
A luta não acabou
E nem acabará
Só quando a liberdade raiar... "

(Edson Gomes) Lutar com arte! O carnaval 2019 deu a pista. Mas não esqueçamos o investimento necessário. ZdO


Também no rol de acontecimentos  próximos da semana do carnaval 2019, incluímos o gesto “carnavalizado” do ator José de Abreu que se autoproclamou presidente do Brasil, mesmo que este não   tenha sido parte da programação para este período, mas que acabou se conectando.  


E esse gesto “carnavalizado” recebeu criticas, à direita, ameaça de processo por parte de Bolsonaro e à esquerda, com comentários do tipo:   “A esquerda é  capaz de lotar um aeroporto pra brincar de “ Zé de Abreu na presidência”, mas não consegue  lotar as ruas  do Rio para protestar contra o Bozo e a Reforma da Previdência. Estamos bem! Bom sábado a todos.”


E o que tem a ver o micro  acontecimento, com alguns pormenores apresentado  abaixo, cuja pesquisa e escrita do texto foi concluída no dia de hoje, 10 de março de 2013, com o macro acontecimento do carnaval de 2019?


O depoimento de Paulo Sergio, na época educador e coordenador administrativo do projeto Reculturarte, nos mostra o quanto  a metodologia utilizada, se assemelha  ao processo pedagógico e cultural da construção de um carnaval de escola de samba ou de bloco afro.

Encontro que marcou o lançamento do projeto Reculturarte em Sergipe e da campanha nacional "Não Matem Nossas Crianças."

“O encontro muito bonito aconteceu no Bairro América,  na Escola Santa Rita de Cássia nos dias 23 , 24 e 25 de novembro de 1990. Depois, abrindo a programação do dia 26, tivemos a  missa que deu o ponta pé da mobilização de rua . Esta foi  celebrada pelo Pe. Didiu e pelo Pe. Gabriel, que eram salesianos,  na Igreja de São José,   o que  foi muito bom. Assim como foi  toda a concentração na Pça. Tobias Barreto, em frente a Secretaria de Segurança que ficava próximo a igreja, depois tivemos a caminhada até o centro da cidade, nos levando a crer que as autoridades de Sergipe iriam tomar posição  em relação as chacinas de crianças, ainda mais com o envolvimento do procurador geral da república,   na época Aristides Junqueira, da Anistia Internacional e da secção sergipana da  OAB, que  entrou de cheio, com o presidente Clóvis Barbosa. Naquela época a OAB era mais envolvida com a questão social. Depois,  continuando uma caminhada muito boa pelas ruas do centro da cidade. Me  recordo da presença de  Ivanir Santos, que era o coordenador do Centro de Apoio às Populações Marginalizadas (CEAP) do Rio de Janeiro  e que  veio a Aracaju lançar a campanha nacional “Não Matem Nossas Crianças”. Sobre o primeiro encontro,  acolhemos pela manhã as crianças e  os pais, a educadora Rosangela Souza  cantou, teve a palestra com Rosana do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Zé da Guia e Zezito de Oliveira fizeram a abertura,  representando o CESEP e a AMABA respectivamente.  Frei Florêncio Pecorari, o pároco da Igreja São Judas Tadeu,  apareceu, deu uma palavrinha.  Teve  uma apresentação do próprio projeto  Reculturarte, por meio de um esquete de teatro e uma apresentação do grupo de dança FAMA, cujo responsável era o professor Henrique. Teve também  gincanas e brincadeiras, e  não poderia faltar o lanche e o  almoço. O almoço me marcou, porque quase todas as crianças do nosso projeto passavam por situações difícieis ,  por necessidade,  e algumas até  fome e o almoço foi bom, porque vimos a alegria e a felicidade dos pais dizerem, poxa em nosso bairro  tem uma entidade que promoveu um encontro esclarecedor, de educação, sobre cultura,  nos oferece um lanche e um  almoço desse. Estamos  num bairro bom. Não existia somente a guerra da maconha, razão,  segundo a policia, da morte de tantos  adolescentes e jovens.  Também existia projetos sociais que precisavam ser vistos pela comunidade, para estimular a comunidade a resistir, para  levantar a auto estima da comunidade e o encontro serviu para isso. Foi  graças ao encontro que  tivemos sucesso com a caminhada no centro. O encontro foi em três dias e no encontro mobilizamos toda comunidade para participar da caminhada. Muitas crianças que estavam na caminhada, eram do projeto Reculturarte, e já estavam participando de atividades como teatro, capoeira, escolinha de esporte e lazer, cooperativa dos guardadores de carros.  O encontro fez  o  lançamento da caminhada acontecer em grande estilo.”

Cena da caminhada de protesto contra o assassinato de crianças e adolescentes por grupos de exterminio em 1990.


Em síntese, preparação de uma caminhada de protesto em alguns dias,  imersos em um local, mesmo que não totalmente, já que as pessoas iam dormir em casa, e contando com estrutura  de apoio e formação pedagógica e cultural. 

E depois isso prossegue  de maneira permanente, não mais episódica ou pontual, isso por conta do apoio financeiro e técnico recebido das  agências  de cooperação Coordenadoria Ecumênica (CESE) e Visão Mundial e que se estenderam até o final da década de 1990. As oficinas culturais e a criação de grupos culturais, assim como o reforço escolar e a escolinha de esportes. Os  retiros/acampamentos como   momentos privilegiados para a formação humana integral.  Os encontros para formação de educadores com base na pedagogia de Paulo Freire. Os encontros com pais e familiares dos educandos. Os  festivais infantis e a festa Kizomba, momento anual de apresentação dos trabalhos produzidos pelos grupos culturais, que lembravam um pouco o clima e a apoteose que significa um desfile de grandes blocos ou escolas de samba.


E isso não lembra o  barracão e a quadra?  Espaços que escolas de samba e alguns blocos carnavalescos dispõem,  com a estrutura mínima necessária para que pessoas possam estudar, debater e criar materiais cênicos e cenográficos, entre outros tipos, para narrar uma história ou para construir uma espécie de ópera popular.


Mas há que querermos sempre mais , como bem disse a colega ativista e pesquisadora  do campo das culturas populares,  Marina Ribeiro, respondendo à  uma questão proposta pelo colega também pesquisador e ativista cultural, Jhonatam Vasconcelos. Disse Marina Ribeiro: “o desfile é emocionante,  mas não sei se os bastidores daquela construção também é. Conheço pouco do carnaval carioca, mas, do pouco que sei, cada vez menos cargos de comando são de pessoas pretas ou de pessoas da comunidade; as rainhas de baterias que muitas vezes têm que ser artistas; carnavalecxs tão distantes do berço do samba; necessidade de se ter muito muito, muito dinheiro para competir com o samba-enredo, etc etc etc. Não sei como estas críticas sociais desfilando na avenida são vividas no dia-a-dia das escolas e, principalmente, da comunidade que a escola ocupa. O quanto realmente se investe na comunidade para que seus/suas moradorxs possam ocupar (voltar a ocupar) espaços de lideranças, criação, de decisão, de poder dentro do núcleo ativo das escola/comunidade. Não sei mesmo sobre o carnaval carioca. Mas o canto de Nelson Sargento pra mim está sendo superior aos emocionantes desfiles: "mudaram toda sua estrutura, te impuseram outra cultura e você não percebeu" (Samba, Agoniza Mas Não Morre, 1978).”


E foi por isso não ter sido feito suficientemente, que a AMABA/Projeto Reculturarte chegou ao fim. Porém,  mais detalhes, tanto sobre isso, como a respeito do encontro e caminhada constarão no livro.


Não fosse assim,  a AMABA/Projeto Reculturarte, como tantas outras iniciativas de base comunitária que não conseguiram sobreviver, poderiam estar dando nesse momento  importantes contribuições para enfrentarmos os monstros e vampiros que querem devorar os nossos direitos e a nossa dignidade.


Mas ficaram as lições e resta-nos aprender. Tanto  a ´partir das que sucumbiram, como das que não sucumbiram. Por isso, vale conhecer, registrar, sistematizar, estudar, recuperar a história e difundir as melhores iniciativas dentre milhares de caráter social, educativo e cultural que colaboraram/colaboram  para os avanços e as conquista obtidas pelo povo brasileiro.


Como diz os palavras iniciais do capitulo 3 do livro bíblico Eclesiastes. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu."  Decerto,  nestes tempos da onda conservadora fascista que pensa poder nos afogar, uma outra maneira de utilizar o tempo, para quem quer combate-la é viajar ao passado, tanto distante, como recente, para descobrir as luzes que ajudaram a descortinar os sóis do direito, da justiça,  da esperança, da alegria, do bem viver. E se puder,  transformar isso em uma grande narrativa de resistência e de superação como fizeram as escolas de samba Paraiso do Tuiuti e Mangueira.



quinta-feira, 7 de março de 2019

O Carnaval dá a pista. Com criatividade, irreverência e humor a massa vai às ruas para protestar e o país "freve".




06 de março de 2019, 18h07 - Revista Fórum

Vitória da Mangueira sacramenta derrota de Bolsonaro no Carnaval

Enquanto nas ruas os protestos contra Bolsonaro dominaram os blocos, na Sapucaí a Estação Primeira de Mangueira lavou a alma dos brasileiros ao desconstruir os heróis e as ideias defendidas pelo presidente e contar a verdadeira história do país

Foto: RioTur
A Estação Primeira de Mangueira conquistou, nesta quarta-feira (6), seu 20º título do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro.

A  vitória da escola de samba sacramentou a derrota do presidente Jair Bolsonaro neste Carnaval. Enquanto nas ruas os protestos contra o presidente dominaram os blocos, transformando a festividade em um verdadeiro ato nacional de resistência ao governo autoritário, a Mangueira, na Sapucaí, lavou a alma dos brasileiros ao desconstruir os heróis e as ideias defendidas pelo presidente e contar a verdadeira história do país. 

 A agremiação, com o enredo “História pra ninar gente grande”, fez um desfile histórico em que homenageou heróis esquecidos como lideranças negras, indígenas e mulheres – segmentos que Bolsonaro historicamente procura marginalizar. 

 Entre os “heróis esquecidos” homenageados pela escola, estão, por exemplo, o lendário Sepé Tiaraju, guerreiro indígena que lutou contra a dominação portuguesa e espanhola no Brasil, e mulheres negras do Quilombo dos Palmares, como Acotirene e Dandara. 

 A homenagem a Marielle Franco, citada no enredo, foi um dos destaques do desfile. O rosto da vereadora e ativista dos direitos humanos foi estampado em bandeiras e faixas na última ala, que contou com a presença, na avenida, do deputado federal Marcelo Freixo e do vereador Tarcísio Motta, ambos do PSOL, partido de Marielle, além da viúva da vereadora, a arquiteta Mônica Benício. 

Outro destaque do desfile da verde e rosa foi o carro que representou os assassinatos e                                perseguições da ditadura militar, em uma verdadeira provocação ao capitão da reserva que, além de um entusiasta do período, tem entre seus ídolos militares torturadores.

Representando a memória dos mortos e desaparecidos da ditadura, estava a jornalista Hildegard Angel,  filha de Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel, ambos assassinados pelo aparelho repressor dos anos de chumbo. Ela estava em cima de um livro gigante e a frente de um em que se lia “ditadura assassina”.

Em tempos de “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, a Mangueira ainda ousou ao apresentar uma bandeira do Brasil com as cores da escola onde, no lugar de “Ordem e Progresso”, se lia “Índios, Negros e Pobres”.

“Na luta é que a gente se encontra”, dizia o enredo da escola de samba. De fato, o Brasil se encontrou na luta deste carnaval.


Marielle presente, um grito que ecoou no Carnaval 2019

 

Em Olinda, casas têm bandeiras "Lula Livre", e foliões xingam Bolsonaro

 Foto acima: Olinda - Alto da Sé

Boneco de Bolsonaro desfila em Olinda sob vaias



Em alguns dos momentos de maior exaltação, na tentativa de conter a reação popular, a PM interveio para dar apoio a seguranças particulares

Mangueira vence carnaval no Rio louvando heróis dos 'porões' e Marielle Franco


Na comemoração, carnavalesco Leandro Vieira mandou recado para Bolsonaro: "O carnaval não é o que ele acha que é. O carnaval é isso e ele devia mostrar para o mundo o carnaval da Mangueira"
por Redação RBA publicado 06/03/2019 18h44, última modificação 06/03/2019 19h41

 Samba da Mangueira 2019 traz Marielle, Dandara e a história que a história não conta


"Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento (...) Eu quero um país que não está no retrato", diz enredo da Estação Primeira. Vice em 2018, Tuiuti voltou ousada com mensagem social
por Paulo Donizetti de Souza, da RBA publicado 04/03/2019 19h33, última modificação 05/03/2019 11h32

No carnaval de SP, cresce a força da cultura negra. Na passarela, deu Mancha Verde


Carnaval de São Paulo aos poucos foi se moldando pelas tradições afro-brasileiras, e as escolas de samba se tornaram espaços de resistência. Este ano, enredo de negras raízes deu título à Mancha Verde

O SAMBA DA MANGUEIRA (2019) E “O PERIGO DA HISTÓRIA ÚNICA” DE CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE  




 
   Que a nossa alegria sobreviva! Salvemos o melhor do carnaval! Coloquemos o nosso coração na arte popular. ZdO












O sonho de carnaval na canção "Baianidade Nagô" e nas iniciativas culturais de base comunitária.

 A canção Baianidade Nagô, abaixo em cinco versões diferentes e dois vídeos explicando o seu nascimento, representa uma das melhores criações da música pop baiana.

É uma das canções que às vezes coloco como fundo musical,  ao escrever  capítulos  sobre o livro Amaba-Projeto  Reculturarte, ou às vezes, quando  realizo  leituras para contribuir com  a compreensão de algumas questões mais complexas  que aparecem nas pesquisas e para melhorar a redação do texto.

Na época quando a canção foi lançada, a recepção que tive foi muito boa, por aspectos ligados a beleza da melodia, o andamento tranquilo, até meio “zen”, assim como a letra simples e que nos remetia e ainda remete a questão da alegria de chegada do carnaval, a começar pelo verão, em dezembro.

E melhor  a canção ficou nestes tempos que correm,  com um significado mais legal ou mais bacana para mim, por  perceber a ligação do último verso com alguns momentos de fala dos entrevistados.



"Eu queria que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz vence a guerra
E viver será só festejar."

Em outro momento fiz a ligação somente com uma fala, no momento de publicação desse post, e agora me lembrei de outras duas falas. Deve ter outras, mas estas duas, são bem representativas.

As novas duas falas são estas:  "Para mim, este momento em que o retiro está chegando ao fim, é como se estivesse acabando de viver um sonho." 

Frase dita por um menino participante de um retiro de carnaval em 1995.

"Um dia cheguei na porta da Amaba e vi tudo fechado, aí o meu coração veio de água abaixo, porque tinha vida ali, tinha amizade, e o meu foco estava ali. Olhei para um lado e para o outro, e nada. Como é que uma coisa tão boa assim pode acabar? Lá dentro, eu me sentia alegre e em harmonia. Hoje estou muito triste, procuro a Amaba e não encontro mais, procuro porque me lembra coisas boas, grandes recordações. Certa vez, ao passar em frente, fiquei quase meia hora em pé, em silêncio, olhando para o prédio. Era um dia de manhã bem cedo, poucas pessoas passavam pela rua naquele momento. Depois de algum tempo, os meus olhos se encheram de lágrimas. (Informação verbal)[1].

O fim da banda afro Menino do B.A., descrito de forma emotiva e poética por Valtenisson dos Santos, hoje músico profissional e trabalhador da construção civil.

Por outro lado, deixo a sugestão para a  utilização dessa canção, para quem gosta de utilizá-las como recurso metodológico no campo da educação popular e da educação regular. 

Sugestões de perguntas para nortear.. 1 - O que impede de realizarmos os nossos sonhos, tanto em termos de comportamento/atitude individual, como em termos de questões ligadas a politica, a economia e a cultura em geral.  2 - O que favorece a realização de nossos sonhos, tanto em termos de comportamento/atitude individual, como em termos de questões ligadas a politica, a economia e a cultura em gerla? 3- Em que medida o carnaval representa um espaço para experimentarmos o sonho de um mundo de alegria, paz e felicidade? 4- Quais os países que possibilitam viver um estado de alegria, paz e felicidade com mais permanência? 5 - Quais os fatores que fazem com que isso seja possivel em alguns países, ao contrário da maioria.
Para as perguntas 4 e 5 sugerimos consultar sites que tragam informações sobre os países que possuem maiores indices de felicidade.  Um exemplo,  aqui    


Zezito de Oliveira
24 de fevereiro de 2020

ABAIXO, O PRIMEIRO TEXTO DESSA POSTAGEM


 O sonho de quem já viveu e/ou de quem vive iniciativas culturais de base comunitária espalhadas Brasil a fora, como o projeto Reculturarte. 


"Todos em um só pensamento; QUE não acabe outros projetos desse tipo ou melhor que sejam melhor aproveitados... Pois teríamos pessoas melhores sempre, não é que não haja falhas,  há e sempre houve! Mas o intuíto é poder ressocializar o máximo possível de crianças, jovens e até adultos. "  

José Cosme de Oliveira. Integrante do projeto Reculturarte quando menino e hoje colaborador do projeto do  livro sobre a história da AMABA/Projeto Reculturarte. 2019

"  Já pintou verão, calor no coração
A festa vai começar
Salvador se agita numa só alegria
Eternos Dodô e Osmar
Na avenida Sete
Da paz eu sou tiete
Na barra o farol a brilhar
Carnaval na Bahia
Oitava maravilha
Nunca irei te deixar, meu amor
Eu vou atrás do trio elétrico vou
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo minha baianidade nagô, ô-ô-ô-ô
Eu queria que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz vence a guerra
E viver será só festejar."