Obs. Quando nos referimos a religiosos fundamentalistas não estamos nos referindo a Frei Almir, abaixo, nos pouparemos de trazê-lo para cá, Os discursos de discriminação e preconceitos da parte deles são bastantes conhecidos. O que não é o caso de Frei Almir, o qual tem opinião que converge com o que estamos dizendo anos seguidos, partindo da fala conhecida de Dom Hélder em 1975, mas refletindo a relação dela com os tempos atuais...
informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
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segunda-feira, 3 de março de 2025
O Carnaval em meio ao ataque dos fundamentalistas religiosos e da violência do mercado capitalista
terça, 05 de fevereiro de 2013
Há quem pense que o Brasil de hoje, do modo como está organizado e com a sociedade dividida em polaridades opostas, não está para Carnaval. A desigualdade social aumenta de forma escandalosa. A violência toma conta de nossas cidades. A maioria da classe política se comporta de forma insensata e oportunista. Apesar disso tudo, nesses dias, em todo o Brasil, já se respira o clima de Carnaval. No Rio de Janeiro, Olinda, Salvador e outras cidades tradicionais, os blocos estão nas ruas e as pessoas superam as dores e angústias do cotidiano através da dança, das brincadeiras e da alegria do Carnaval.
Alguns grupos religiosos condenam o que consideram mundanismo. Julgam o Carnaval como produto do diabo. Trata-se de um julgamento moral que olha a vida de forma dualista, opõe o material ao espiritual, o corpo ao espírito e faz um julgamento moralista do clima de liberdade que reina em muitos ambientes do Carnaval. O senso crítico é importante, mas ele nos leva a olhar não apenas os frutos da árvore, mas a raiz. É preciso compreender que, por trás de toda essa imensa iniciativa do Carnaval há enormes estruturas econômicas que estão por trás e que favorecem empresas e grupos sociais. O Capitalismo intenta transformar a vida e as relações humanas em mercadoria e explora um erotismo meramente comercial. Fomenta o uso exagerado de bebidas e mesmo de drogas. Isso cria um circulo vicioso com a violência urbana que explode em alguns fenômenos de massa não bem canalizados. No entanto, apesar de todos esses problemas, toda festa, mesmo a mais aparentemente mundana, pelo fato de congregar as pessoas em uma expressão de alegria já é positiva. Tem uma dimensão nobre e, podemos dizer: espiritual.
Em geral, as culturas antigas valorizam a festa como sinal e antecipação do pleno e definitivo encontro com a Divindade. No evangelho, Jesus afirmou que o reinado divino vem ao mundo, qual música deliciosa que convida todos a dançarem. Ele se queixa de sua geração que parece com pessoas que, mesmo ao som da música, não reagem e ficam indiferentes (Lc 7, 31- 32). Ninguém deveria ficar apático diante dos sinais do amor e da comunhão humana que tornam a vida, mesmo sofrida, festa de alegria, inspirada pelo Espírito. Jesus começou a anunciar o reinado divino no mundo, transformando água em vinho simplesmente para que não faltasse alegria em uma festa de casamento (Jo 2).
As pessoas e comunidades marcam a vida pela cadência das festas. Cada ano, o aniversário natalício recorda o dom da vida. Conquistas importantes, como conclusão de um curso, obtenção de novo trabalho e casamentos são celebrados com festas. Todo país tem festas cívicas e cada religião, festividades litúrgicas. O que caracteriza a festa é a liberdade de brincar, o direito de subverter a rotina e de expressar alegria e comunhão, através de uma comida gostosa, a música contagiante e a dança que unifica corpo e espírito.
A fé faz parte da vida e da cultura do povo. Por isso, é normal que nos símbolos escolhidos como temas de desfile carnavalesco e mesmo nas letras dos sambas-enredos de escolas de samba, apareçam composições que tragam mensagens de caráter religioso. Neste 2025, várias Escolas de Samba do Rio de Janeiro, assim como blocos importantes de outras cidades tomam como tema elementos das culturas religiosas afrodescendentes, em nossos dias, ainda discriminadas, injustamente atacadas e vítimas de racismo religioso.
Nos anos 70, Chico Buarque compôs a melodia para o filme “Quando o Carnaval chegar”. Essa comédia musical de Cacá Diegues tomava o Carnaval como parábola da festa da libertação. Hoje, vivemos uma democracia formal, mas ainda falta muito para alcançarmos igualdade social e uma justiça que signifique verdadeira libertação para todo o povo. Por isso, continua válida a esperança proposta na música que, no filme, Chico canta junto com Maria Bethânia e Nara Leão: “Quem me vê assim, tão parado e distante, parece que eu nem sei sambar. Tou me guardando pra quando o Carnaval chegar”.
Nesses Carnavais que passam, é importante que não deixemos de esperar e nos preparar para o Carnaval definitivo, mais profundo e transformador da vida.
Irmão Marcelo Barros
quarta-feira, 13 de março de 2019
A politização do carnaval e a culturalização da politica e da educação de base.(8)
LIGANDO OS PONTOS. UM MOMENTO FORTE DO PROJETO RECULTURARTE EM 1990 COM O CARNAVAL 2019.
Cena da caminhada de protesto contra o assassinato de crianças e adolescentes por grupos de exterminio em 1990.
Bastante curioso como os dois tempos em que estou imerso nesse
momento, dialogam de forma intensa. O ano de 1990, quando escrevo
sobre a organização do primeiro encontro de menores do bairro américa e a
passeata de protesto “culturalizada”, realizada como culminância do
referido encontro que aconteceu neste ano, e o tempo propriamente em que
estou inserido agora, o ano de 2019 com seu carnaval, considerado um
dos mais politizados.
Da parte dos setores mais tradicionais e conservadores de direita,
leio critica quanto aos aspectos imorais e violentos do carnaval,
resumindo o carnaval a isso, tão somente.
Como é do conhecimento de quem nos lê, o exemplo mais eloquente
nesse sentido foi a postagem do vídeo pornográfico realizada pelo
presidente Bolsonaro, como resposta a avalanche de criticas que recebeu
dos foliões de norte a sul do país.
Também quem assistiu a cobertura do carnaval 2019 realizado pela TV
Record, só viu cenas de violência associadas aos festejos de Momo.
Já do lado dos setores mais tradicionais e conservadores de esquerda,
leio a reiteração da antiga critica aos aspectos alienantes e de fuga
do carnaval, resumindo o carnaval a isso, tão somente.
Como exemplo, temos a postagem abaixo que recebi no whatzap, compartilhada depois por mim com o adendo que está ao final.
“Já que o Carnaval acabou, vamos acordar pra vida.
"Vamos amigo, lute!
Vamos amigo, ajude!
Senão
A gente acaba perdendo o que já conquistou...
Vamos levante e lute!
Vamos levante e ajude!
Vamos levante e grite!
Vamos levante agora!
Que a vida não parou
A vida não pára aqui
A luta não acabou
E nem acabará
Só quando a liberdade raiar... "
Vamos amigo, ajude!
Senão
A gente acaba perdendo o que já conquistou...
Vamos levante e lute!
Vamos levante e ajude!
Vamos levante e grite!
Vamos levante agora!
Que a vida não parou
A vida não pára aqui
A luta não acabou
E nem acabará
Só quando a liberdade raiar... "
(Edson Gomes)
Lutar com arte! O carnaval 2019 deu a pista. Mas não esqueçamos o investimento necessário. ZdO
Também no rol de acontecimentos próximos da semana do carnaval 2019,
incluímos o gesto “carnavalizado” do ator José de Abreu que se
autoproclamou presidente do Brasil, mesmo que este não tenha sido
parte da programação para este período, mas que acabou se conectando.
E esse gesto “carnavalizado” recebeu criticas, à direita, ameaça de
processo por parte de Bolsonaro e à esquerda, com comentários do tipo:
“A esquerda é capaz de lotar um aeroporto pra brincar de “ Zé de
Abreu na presidência”, mas não consegue lotar as ruas do Rio para
protestar contra o Bozo e a Reforma da Previdência. Estamos bem! Bom
sábado a todos.”
E o que tem a ver o micro acontecimento, com alguns pormenores
apresentado abaixo, cuja pesquisa e escrita do texto foi concluída no
dia de hoje, 10 de março de 2013, com o macro acontecimento do carnaval
de 2019?
O depoimento de Paulo Sergio, na época educador e coordenador
administrativo do projeto Reculturarte, nos mostra o quanto a
metodologia utilizada, se assemelha ao processo pedagógico e cultural
da construção de um carnaval de escola de samba ou de bloco afro.
Encontro que marcou o lançamento do projeto Reculturarte em Sergipe e da campanha nacional "Não Matem Nossas Crianças."
Encontro que marcou o lançamento do projeto Reculturarte em Sergipe e da campanha nacional "Não Matem Nossas Crianças."
“O encontro muito bonito aconteceu no Bairro América, na Escola
Santa Rita de Cássia nos dias 23 , 24 e 25 de novembro de 1990. Depois,
abrindo a programação do dia 26, tivemos a missa que deu o ponta pé da
mobilização de rua . Esta foi celebrada pelo Pe. Didiu e pelo Pe.
Gabriel, que eram salesianos, na Igreja de São José, o que foi muito
bom. Assim como foi toda a concentração na Pça. Tobias Barreto, em
frente a Secretaria de Segurança que ficava próximo a igreja, depois
tivemos a caminhada até o centro da cidade, nos levando a crer que as
autoridades de Sergipe iriam tomar posição em relação as chacinas de
crianças, ainda mais com o envolvimento do procurador geral da
república, na época Aristides Junqueira, da Anistia Internacional e da
secção sergipana da OAB, que entrou de cheio, com o presidente Clóvis
Barbosa. Naquela época a OAB era mais envolvida com a questão social.
Depois, continuando uma caminhada muito boa pelas ruas do centro da
cidade. Me recordo da presença de Ivanir Santos, que era o coordenador
do Centro de Apoio às Populações Marginalizadas (CEAP) do Rio de
Janeiro e que veio a Aracaju lançar a campanha nacional “Não Matem
Nossas Crianças”. Sobre o primeiro encontro, acolhemos pela manhã as
crianças e os pais, a educadora Rosangela Souza cantou, teve a
palestra com Rosana do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua,
Zé da Guia e Zezito de Oliveira fizeram a abertura, representando o
CESEP e a AMABA respectivamente. Frei Florêncio Pecorari, o pároco da
Igreja São Judas Tadeu, apareceu, deu uma palavrinha. Teve uma
apresentação do próprio projeto Reculturarte, por meio de um esquete de
teatro e uma apresentação do grupo de dança FAMA, cujo responsável era o
professor Henrique. Teve também gincanas e brincadeiras, e não
poderia faltar o lanche e o almoço. O almoço me marcou, porque quase
todas as crianças do nosso projeto passavam por situações difícieis ,
por necessidade, e algumas até fome e o almoço foi bom, porque vimos a
alegria e a felicidade dos pais dizerem, poxa em nosso bairro tem uma
entidade que promoveu um encontro esclarecedor, de educação, sobre
cultura, nos oferece um lanche e um almoço desse. Estamos num bairro
bom. Não existia somente a guerra da maconha, razão, segundo a policia,
da morte de tantos adolescentes e jovens. Também existia projetos
sociais que precisavam ser vistos pela comunidade, para estimular a
comunidade a resistir, para levantar a auto estima da comunidade e o
encontro serviu para isso. Foi graças ao encontro que tivemos sucesso
com a caminhada no centro. O encontro foi em três dias e no encontro
mobilizamos toda comunidade para participar da caminhada. Muitas
crianças que estavam na caminhada, eram do projeto Reculturarte, e já
estavam participando de atividades como teatro, capoeira, escolinha de
esporte e lazer, cooperativa dos guardadores de carros. O encontro fez
o lançamento da caminhada acontecer em grande estilo.”
Cena da caminhada de protesto contra o assassinato de crianças e adolescentes por grupos de exterminio em 1990.

Em síntese, preparação de uma caminhada de protesto em alguns dias,
imersos em um local, mesmo que não totalmente, já que as pessoas iam
dormir em casa, e contando com estrutura de apoio e formação pedagógica
e cultural.
E depois isso prossegue de maneira permanente, não mais episódica ou pontual, isso por conta do apoio financeiro e técnico recebido das agências de cooperação Coordenadoria Ecumênica (CESE) e Visão Mundial e que se estenderam até o final da década de 1990. As oficinas culturais e a criação de grupos culturais, assim como o reforço escolar e a escolinha de esportes. Os retiros/acampamentos como momentos privilegiados para a formação humana integral. Os encontros para formação de educadores com base na pedagogia de Paulo Freire. Os encontros com pais e familiares dos educandos. Os festivais infantis e a festa Kizomba, momento anual de apresentação dos trabalhos produzidos pelos grupos culturais, que lembravam um pouco o clima e a apoteose que significa um desfile de grandes blocos ou escolas de samba.
E depois isso prossegue de maneira permanente, não mais episódica ou pontual, isso por conta do apoio financeiro e técnico recebido das agências de cooperação Coordenadoria Ecumênica (CESE) e Visão Mundial e que se estenderam até o final da década de 1990. As oficinas culturais e a criação de grupos culturais, assim como o reforço escolar e a escolinha de esportes. Os retiros/acampamentos como momentos privilegiados para a formação humana integral. Os encontros para formação de educadores com base na pedagogia de Paulo Freire. Os encontros com pais e familiares dos educandos. Os festivais infantis e a festa Kizomba, momento anual de apresentação dos trabalhos produzidos pelos grupos culturais, que lembravam um pouco o clima e a apoteose que significa um desfile de grandes blocos ou escolas de samba.
E isso não lembra o barracão e a quadra? Espaços que escolas de
samba e alguns blocos carnavalescos dispõem, com a estrutura mínima
necessária para que pessoas possam estudar, debater e criar materiais
cênicos e cenográficos, entre outros tipos, para narrar uma história ou
para construir uma espécie de ópera popular.
Mas há que querermos sempre mais , como bem disse a colega ativista e
pesquisadora do campo das culturas populares, Marina Ribeiro,
respondendo à uma questão proposta pelo colega também pesquisador e
ativista cultural, Jhonatam Vasconcelos. Disse Marina Ribeiro: “o
desfile é emocionante, mas não sei se os bastidores daquela construção
também é. Conheço pouco do carnaval carioca, mas, do pouco que sei, cada
vez menos cargos de comando são de pessoas pretas ou de pessoas da
comunidade; as rainhas de baterias que muitas vezes têm que ser
artistas; carnavalecxs tão distantes do berço do samba; necessidade de
se ter muito muito, muito dinheiro para competir com o samba-enredo, etc
etc etc. Não sei como estas críticas sociais desfilando na avenida são
vividas no dia-a-dia das escolas e, principalmente, da comunidade que a
escola ocupa. O quanto realmente se investe na comunidade para que
seus/suas moradorxs possam ocupar (voltar a ocupar) espaços de
lideranças, criação, de decisão, de poder dentro do núcleo ativo das
escola/comunidade. Não sei mesmo sobre o carnaval carioca. Mas o canto
de Nelson Sargento pra mim está sendo superior aos emocionantes
desfiles: "mudaram toda sua estrutura, te impuseram outra cultura e você
não percebeu" (Samba, Agoniza Mas Não Morre, 1978).”
E foi por isso não ter sido feito suficientemente, que a
AMABA/Projeto Reculturarte chegou ao fim. Porém, mais detalhes, tanto
sobre isso, como a respeito do encontro e caminhada constarão no livro.
Não fosse assim, a AMABA/Projeto Reculturarte, como tantas outras
iniciativas de base comunitária que não conseguiram sobreviver, poderiam
estar dando nesse momento importantes contribuições para enfrentarmos
os monstros e vampiros que querem devorar os nossos direitos e a nossa
dignidade.
Mas ficaram as lições e resta-nos aprender. Tanto a ´partir das que
sucumbiram, como das que não sucumbiram. Por isso, vale conhecer,
registrar, sistematizar, estudar, recuperar a história e difundir as
melhores iniciativas dentre milhares de caráter social, educativo e
cultural que colaboraram/colaboram para os avanços e as conquista
obtidas pelo povo brasileiro.
Como diz os palavras iniciais do capitulo 3 do livro bíblico
Eclesiastes. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o
propósito debaixo do céu." Decerto, nestes tempos da onda conservadora
fascista que pensa poder nos afogar, uma outra maneira de utilizar o
tempo, para quem quer combate-la é viajar ao passado, tanto distante,
como recente, para descobrir as luzes que ajudaram a descortinar os sóis
do direito, da justiça, da esperança, da alegria, do bem viver. E se
puder, transformar isso em uma grande narrativa de resistência e de
superação como fizeram as escolas de samba Paraiso do Tuiuti e
Mangueira.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
Amostra grátis do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte (1). A ser lançado em 2019. Cena de um retiro/acampamento Reculturarte.
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O Reculturarte vai à Bahia. Um recorte do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte a ser lançado em 2019.(3) Cena sobre a viagem a Bahia e texto descritivo analitico sobre a presença da religião na Amaba/Projeto Reculturarte
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quarta-feira, 6 de março de 2019
O Carnaval e a Amaba/Projeto Reculturarte. Um pouco do que estará no livro com previsão de lançamento para o ano de 2019.(7) O carnaval da Bahia e a influência na Banda Afro Meninos do B.A
Mais informações sobre a AMABA/Projeto Reculturarte AQUI
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quinta-feira, 7 de março de 2019
O Carnaval dá a pista. Com criatividade, irreverência e humor a massa vai às ruas para protestar e o país "freve".
06 de março de 2019, 18h07 - Revista Fórum
Vitória da Mangueira sacramenta derrota de Bolsonaro no Carnaval
Enquanto nas ruas os protestos contra
Bolsonaro dominaram os blocos, na Sapucaí a Estação Primeira de
Mangueira lavou a alma dos brasileiros ao desconstruir os heróis e as
ideias defendidas pelo presidente e contar a verdadeira história do país
Foto: RioTur
A Estação Primeira de Mangueira
conquistou, nesta quarta-feira (6), seu 20º título do Grupo Especial do
Carnaval do Rio de Janeiro.
A
vitória da escola de samba sacramentou a derrota do presidente Jair
Bolsonaro neste Carnaval. Enquanto nas ruas os protestos contra o presidente
dominaram os blocos, transformando a festividade em um verdadeiro ato nacional
de resistência ao governo autoritário, a Mangueira, na Sapucaí, lavou a alma
dos brasileiros ao desconstruir os heróis e as ideias defendidas pelo
presidente e contar a verdadeira história do país.
A agremiação, com o enredo “História pra ninar
gente grande”, fez um desfile histórico em que homenageou heróis esquecidos
como lideranças negras, indígenas e mulheres – segmentos que Bolsonaro
historicamente procura marginalizar.
Entre os “heróis esquecidos” homenageados pela
escola, estão, por exemplo, o lendário Sepé Tiaraju, guerreiro indígena que
lutou contra a dominação portuguesa e espanhola no Brasil, e mulheres negras do
Quilombo dos Palmares, como Acotirene e Dandara.
A homenagem a Marielle Franco, citada no
enredo, foi um dos destaques do desfile. O rosto da vereadora e ativista dos
direitos humanos foi estampado em bandeiras e faixas na última ala, que contou
com a presença, na avenida, do deputado federal Marcelo Freixo e do vereador
Tarcísio Motta, ambos do PSOL, partido de Marielle, além da viúva da vereadora,
a arquiteta Mônica Benício.
Outro destaque do desfile da
verde e rosa foi o carro que representou os assassinatos e perseguições da
ditadura militar, em uma verdadeira provocação ao capitão da reserva que, além
de um entusiasta do período, tem entre seus ídolos militares torturadores.
Representando a memória dos
mortos e desaparecidos da ditadura, estava a jornalista Hildegard Angel, filha de Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel,
ambos assassinados pelo aparelho repressor dos anos de chumbo. Ela estava em
cima de um livro gigante e a frente de um em que se lia “ditadura assassina”.
Em tempos de “Brasil acima de
tudo, Deus acima de todos”, a Mangueira ainda ousou ao apresentar uma bandeira
do Brasil com as cores da escola onde, no lugar de “Ordem e Progresso”, se lia
“Índios, Negros e Pobres”.
“Na luta é que a gente se
encontra”, dizia o enredo da escola de samba. De fato, o Brasil se encontrou na
luta deste carnaval.
Marielle presente, um grito que ecoou no Carnaval 2019Em Olinda, casas têm bandeiras "Lula Livre", e foliões xingam BolsonaroFoto acima: Olinda - Alto da SéBoneco de Bolsonaro desfila em Olinda sob vaiasEm alguns dos momentos de maior exaltação, na tentativa de conter a reação popular, a PM interveio para dar apoio a seguranças particularesMangueira vence carnaval no Rio louvando heróis dos 'porões' e Marielle Franco
Na comemoração, carnavalesco
Leandro Vieira mandou recado para Bolsonaro: "O carnaval não é o que ele
acha que é. O carnaval é isso e ele devia mostrar para o mundo o
carnaval da Mangueira"
por Redação RBA
publicado
06/03/2019 18h44,
última modificação
06/03/2019 19h41
Samba da Mangueira 2019 traz Marielle, Dandara e a história que a história não conta
"Desde 1500 tem mais invasão do
que descobrimento (...) Eu quero um país que não está no retrato", diz
enredo da Estação Primeira. Vice em 2018, Tuiuti voltou ousada com
mensagem social
por Paulo Donizetti de Souza, da RBA
publicado
04/03/2019 19h33,
última modificação
05/03/2019 11h32
No carnaval de SP, cresce a força da cultura negra. Na passarela, deu Mancha Verde
Carnaval de São Paulo aos poucos
foi se moldando pelas tradições afro-brasileiras, e as escolas de samba
se tornaram espaços de resistência. Este ano, enredo de negras raízes
deu título à Mancha Verde
O SAMBA DA MANGUEIRA (2019) E “O PERIGO DA HISTÓRIA ÚNICA” DE CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE |
O sonho de carnaval na canção "Baianidade Nagô" e nas iniciativas culturais de base comunitária.
A canção Baianidade Nagô, abaixo em cinco versões diferentes
e dois vídeos explicando o seu nascimento, representa uma das melhores criações da
música pop baiana.
É uma das canções que às vezes coloco como fundo
musical, ao escrever capítulos
sobre o livro Amaba-Projeto
Reculturarte, ou às vezes, quando realizo leituras para contribuir com a compreensão de algumas questões mais
complexas que aparecem nas pesquisas e
para melhorar a redação do texto.
Na época quando a canção foi lançada, a recepção que tive
foi muito boa, por aspectos ligados a beleza da melodia, o andamento tranquilo,
até meio “zen”, assim como a letra simples e que nos remetia e ainda remete a questão da
alegria de chegada do carnaval, a começar pelo verão, em dezembro.
E melhor a canção ficou nestes tempos que correm, com um
significado mais legal ou mais bacana para mim, por perceber a ligação do último verso com alguns
momentos de fala dos entrevistados.
"Eu queria que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz vence a guerra
E viver será só festejar."
Em outro momento fiz a ligação somente com uma fala, no
momento de publicação desse post, e agora me lembrei de outras duas falas. Deve
ter outras, mas estas duas, são bem representativas.
As novas duas falas são estas: "Para mim, este momento em que o retiro está chegando ao fim, é como se estivesse acabando de viver um sonho."
Frase dita por um menino participante de um retiro de carnaval em 1995.
"Um dia cheguei na porta da Amaba e vi tudo fechado, aí o meu coração veio de água abaixo, porque tinha vida ali, tinha amizade, e o meu foco estava ali. Olhei para um lado e para o outro, e nada. Como é que uma coisa tão boa assim pode acabar? Lá dentro, eu me sentia alegre e em harmonia. Hoje estou muito triste, procuro a Amaba e não encontro mais, procuro porque me lembra coisas boas, grandes recordações. Certa vez, ao passar em frente, fiquei quase meia hora em pé, em silêncio, olhando para o prédio. Era um dia de manhã bem cedo, poucas pessoas passavam pela rua naquele momento. Depois de algum tempo, os meus olhos se encheram de lágrimas. (Informação verbal)[1].
O fim da banda afro Menino do B.A., descrito de forma emotiva e poética por Valtenisson dos Santos, hoje músico profissional e trabalhador da construção civil.
Por outro lado, deixo a sugestão para a utilização dessa canção, para quem gosta de
utilizá-las como recurso metodológico no campo da educação popular e da
educação regular.
Sugestões de perguntas para nortear.. 1 - O que impede de realizarmos os nossos sonhos, tanto em termos de comportamento/atitude individual, como em termos de questões ligadas a politica, a economia e a cultura em geral. 2 - O que favorece a realização de nossos sonhos, tanto em termos de comportamento/atitude individual, como em termos de questões ligadas a politica, a economia e a cultura em gerla? 3- Em que medida o carnaval representa um espaço para experimentarmos o sonho de um mundo de alegria, paz e felicidade? 4- Quais os países que possibilitam viver um estado de alegria, paz e felicidade com mais permanência? 5 - Quais os fatores que fazem com que isso seja possivel em alguns países, ao contrário da maioria.
Para as perguntas 4 e 5 sugerimos consultar sites que tragam informações sobre os países que possuem maiores indices de felicidade. Um exemplo, aqui
Sugestões de perguntas para nortear.. 1 - O que impede de realizarmos os nossos sonhos, tanto em termos de comportamento/atitude individual, como em termos de questões ligadas a politica, a economia e a cultura em geral. 2 - O que favorece a realização de nossos sonhos, tanto em termos de comportamento/atitude individual, como em termos de questões ligadas a politica, a economia e a cultura em gerla? 3- Em que medida o carnaval representa um espaço para experimentarmos o sonho de um mundo de alegria, paz e felicidade? 4- Quais os países que possibilitam viver um estado de alegria, paz e felicidade com mais permanência? 5 - Quais os fatores que fazem com que isso seja possivel em alguns países, ao contrário da maioria.
Para as perguntas 4 e 5 sugerimos consultar sites que tragam informações sobre os países que possuem maiores indices de felicidade. Um exemplo, aqui
Zezito de Oliveira
24 de fevereiro de 2020
ABAIXO, O PRIMEIRO TEXTO DESSA POSTAGEM
O sonho de quem já viveu e/ou de quem vive iniciativas culturais de base comunitária espalhadas Brasil a fora, como o projeto Reculturarte.
"Todos
em um só pensamento; QUE não acabe outros projetos desse tipo ou melhor
que sejam melhor aproveitados... Pois teríamos pessoas melhores sempre,
não é que não haja falhas, há e sempre houve! Mas o intuíto é poder
ressocializar o máximo possível de crianças, jovens e até adultos. "
" Já pintou verão, calor no coração
A festa vai começar
Salvador se agita numa só alegria
Eternos Dodô e Osmar
Na avenida Sete
Da paz eu sou tiete
Na barra o farol a brilhar
Carnaval na Bahia
Oitava maravilha
Nunca irei te deixar, meu amor
Eu vou atrás do trio elétrico vou
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo minha baianidade nagô, ô-ô-ô-ô
Eu queria que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz vence a guerra
E viver será só festejar."
Salvador se agita numa só alegria
Eternos Dodô e Osmar
Na avenida Sete
Da paz eu sou tiete
Na barra o farol a brilhar
Carnaval na Bahia
Oitava maravilha
Nunca irei te deixar, meu amor
Eu vou atrás do trio elétrico vou
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo minha baianidade nagô, ô-ô-ô-ô
Eu queria que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz vence a guerra
E viver será só festejar."
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