informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
Ao Papa Leão XIV vem se oferecendo uma chance rara neste mundo atual. Talvez por sorte ou acaso. Obviamente, um desses mais católicos que o Papa (tipo: o vice-presidente dos EUA, por exemplo) pode objetar dizendo que Papa não pode acreditar em acaso porque tem a “providência divina” a seu favor. Mas pode não ser essa providência que o mundo de não-católicos espera. Discussão inútil diante das urgências do mundo contemporâneo. No campo da geopolítica mundial, percebemos que “homens sem qualidades mas com poder” se destacam e mandam… E lideram. Figuras depravadas em todos os sentidos ou sem grandeza alguma (mas com imenso poder!) se destacam e se tornam “exemplo” para o mundo. E nem precisa insistir que isto é um desastre e que coloca quase que diariamente o mundo em risco.
Digo isto pensando no filme: “Papa Francisco: um homem de palavra”. Um documentário que demonstra a grandeza de um Papa numa quadra histórica em que a própria figura de Papa estava em grande desgaste devido aos predecessores de Francisco. Nesse filme podemos ver como uma liderança religiosa conseguiu ser em um determinado momento da história, o único estadista de uma velha Europa devastada por suas contradições e pela desqualificação total de suas lideranças políticas e laicas. A secular Europa da revolução francesa e de seus grandes filósofos, estava perdida e totalmente refém da política dos EUA quando pontificava no Vaticano o Papa Francisco. Vejo que o Francisco de Roma aproveitou o momento e se tornou uma grande liderança. Pena que num curto papado de 12 anos.
Leão XIV tem sua chance(s). Ainda mais com esse nome nada humilde de “Leão” (animal conhecido vulgarmente como “rei da selva” e nada mais atual do que selva para pensarmos neste mundo). Penso cá com meus botões, este Papa leonino tem três chances de se colocar perante o mundo como uma liderança diferente dos modelos de plantão.
Primeiro. Recuperar humildemente algumas “intuições” de seu predecessor na condição de estadista. Leão XIV não precisa deixar de ser ele, de ter sua personalidade. Aprender com Francisco apenas e seguir. Aprender o que? se diferenciar dessa forma de ser e fazer dos políticos de plantão que mandam no mundo e que Trump é o ponto alto. Há um nítido fracasso triunfante em políticos como Trump e seus apoiadores. O mundo inteiro vive um vazio de “Grande Ser” em termos geopolíticos (pode ser homem ou mulher!). Uma figura que possa empunhar uma bandeira que traga sentido às existências vulneráveis diante de tanto horror e iniquidade que assola os mundos. Tudo isto em seu conjunto pode ser uma grande chance para um Papa que afirma não fazer política como a que já temos. Leão XIV disse não fazer política como Trump e disse mais: não ter medo dele. Foi um bom sinal. Mas só, por enquanto.
Segundo. Leão XIV tem chance de olhar com mais cuidado e se deter mais nos vulneráveis deste mundo cansado de guerras, fome e abandono total. Se o Papa fizer destas questões a razão de sua missão neste mundo, já se tornará um homem necessário e um aliado aos que restam nesta empreitada no mundo e que não têm o mesmo poder e liderança religiosa do pontífice. No vazio deixado pelos discursos protocolares ou cansativos destes políticos de plantão do mundinho apequenado deles, Leão XIV tem a grande chance de se destacar e liderar. Agora com uma ressalva: Leão XIV não é Lênin e nem se quisesse, seria. Papa não é revolucionário. Papa é Papa e a história tem demonstrado (em tempo. Vale a leitura de: “Santos e pecadores: história dos Papas” de Eamon Duffy).
Terceiro. Aproveitar a bandeira da paz para desmoralizar mundialmente Donald Trump. O presidente/empresário que vem desse esgoto de uma burguesia decadente e poderosa. Essa burguesia está devastando o mundo. Leão XIV tem a chance de transformar a luta pela paz numa luta contra a cultura trumpista que vem se tornando modelo para gerações. Em termos teológicos, Trump encarna uma triste “teologia do domínio”. O Papa deveria se colocar diametralmente oposto a essa “teologia”. Uma teologia do humanismo radical contra uma teologia do domínio. Uma paz que não se limite a palavras protocolares e sem engajamento. Uma paz nítida e com profundo sentido. Toda guerra é devastação e morte. Nada mais.
Estaria Leão XIV a altura de um grande projeto num mundo como o que estamos vivendo? não saberia responder. Apenas sei disto: a chance ele tem…
Do editor do blog, abaixo
Quando vi pela primeira vez a imagem do novo Papa , tive um sentimento de paz e tranquilidade. O porquê eu não sei dizer, mas fiquei com a confiança de que não seria como Francisco, mas tampouco decepcionaria. Para quem almejou reformas mais profundas , como as que Francisco desejou e até buscou, mas sem conseguir realizar, Robert Prevost poderia ser menos do que o esperado, mas como acredito no tempo como campo de presença do espírito santo, não me abalei, e nem me abalo. Ao final estamos aqui nessa quadra histórica tão bem desenhada pelo professor Romero Venâncio, um papa Leão que não esperava rugir com a força moral que tem. Deus Pai/Mãe, como afirmou o papa sorriso, João Paulo I, continue abençoando o Papa Leo e todos àqueles que carregam a bandeira da paz e da justiça.. Até porque são indissociáveis...
Zé Vicente - É bonita demais
Beth Carvalho - Eu Só Peço a Deus (Solo Le Pido a Dios)
"Nos Estado Unidos, as pessoas trabalham até a exaustão. Para nós do PL, o maior trabalho social que o governo poderia fazer para o ser humano, é dar a ele mais trabalho. E nos declaramos contra."
Essa foi a declaração do deputado Marco Feliciano (PL - SP), que trabalha na escala 3x4, na Câmara dos Deputados, durante uma votação de propostas legislativas sobre o fim da escala 6x1.
O deputado ainda afirmou, "Eu acho isso uma excrescência”, Na mesma fala, Feliciano defendeu um modelo de desenvolvimento baseado na intensificação do trabalho.
A declaração sustenta a ideia de que a exaustão do trabalhador seria um motor de crescimento econômico, em contraste com o debate atual sobre produtividade, saúde mental e reorganização do tempo de trabalho.
De um lado, propostas e uma luta que buscam reduzir a jornada de trabalho, do outro, a extrema direita e o bolsonarismo em defesa de um modelo baseado na ampliação da carga horária e exploração do trabalhador.
O episódio evidencia, mais uma vez, que representantes da extrema direita estão se posicionando fortemente contra o fim da escala 6x1.
Fonte ICL
Presidente Lula participa de reunião com Centrais Sindicais
Embora pareça uma opinião estapafúrdia aos olhos de um pensamento moderno e humanista, a fala de Feliciano faz todo o sentido quando aplicamos a lógica da teologia do domínio. Como isso acontece?
A declaração de Marco Feliciano parece contraditória ou mesmo desumana sob uma ótica humanista e moderna, que valoriza o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, saúde mental e produtividade sustentável. No entanto, ao aplicar a lógica da teologia do domínio, é possível compreender como essa visão faz sentido internamente para seus defensores.
A teologia do domínio (ou Dominion Theology) é uma corrente teológica cristã, especialmente influente em setores do neopentecostalismo e do fundamentalismo protestante nos Estados Unidos e, por extensão, no Brasil. Ela defende que os cristãos têm o dever bíblico de “dominar” a Terra e todas as instituições humanas (governo, economia, cultura) para instaurar uma sociedade baseada na lei de Deus antes do retorno de Cristo. Dentro dessa lógica:
O trabalho é visto como instrumento de dominação e ordenança divina – Não como meio de autorrealização ou lazer, mas como cumprimento do mandato cultural de Gênesis 1:28 (“sujeitai a terra e dominai sobre ela”). Quanto mais trabalho, mais se cumpre esse mandato. A exaustão, nessa ótica, não é um problema social, mas um sinal de dedicação máxima à ordem divina.
O governo deve maximizar o trabalho, não o descanso – A ideia humanista de “menos trabalho para mais qualidade de vida” é vista como preguiça ou influência secular. Para a teologia do domínio, o Estado é um instrumento de disciplina moral e econômica. Dar mais trabalho é um “favor” porque mantém o trabalhador ocupado no seu papel ordenado por Deus, evitando o ócio (visto como porta para o pecado).
A exaustão é reinterpretada como virtude sacrificial – Assim como mártires cristãos sofreram por sua fé, o trabalhador exausto estaria “oferecendo seu corpo” como sacrifício vivo para o crescimento da nação cristã. O sofrimento no trabalho se torna uma forma de ascese econômica. Nesse sentido, a fala de Feliciano (“o maior trabalho social é dar mais trabalho”) ecoa a ideia de que o trabalho é um bem em si mesmo, independentemente de seu impacto na saúde.
O crescimento econômico é sinal de bênção divina – Na teologia do domínio, riqueza e produtividade são evidências do favor de Deus sobre uma nação. Portanto, intensificar o trabalho até a exaustão é justificado porque gera crescimento, e crescimento é sinal de que a sociedade está alinhada com a vontade divina. O debate sobre saúde mental e tempo livre é secundário ou irrelevante, pois pertence a uma visão antropocêntrica (humanista) e não teocêntrica.
Contradição aparente (Feliciano trabalhar em escala 3x4) – Pela mesma lógica, parlamentares e líderes são vistos como “instrumentos de Deus” que não estão sujeitos às mesmas regras dos trabalhadores comuns. Eles têm a missão de governar e decidir, não de se exaurir no trabalho braçal. Há uma hierarquia clara: os que dominam (políticos, pastores, empresários cristãos) têm o dever de dirigir; os que são dominados (trabalhadores) têm o dever de trabalhar até o limite. A escala 3x4 de Feliciano não é hipocrisia nessa lógica, mas privilégio de função.
Assim, quando Feliciano chama o fim da escala 6x1 de “excrescência”, ele está, no quadro da teologia do domínio, defendendo que a exaustão é parte da ordem criada por Deus para o trabalhador comum. Reduzir o trabalho seria afrouxar o domínio humano sobre a Terra e desagradar a Deus. O humanismo moderno, que vê isso como absurdo, é justamente o alvo a ser combatido por essa visão teológica.
Portanto, a declaração faz sentido internamente porque substitui os valores de bem-estar, saúde e lazer pelos valores de dominação, sacrifício produtivo e ordenança divina. O que para um humanista é exploração, para o adepto da teologia do domínio é obediência religiosa.
Como isso tem relação com o aumento do rebanho das igrejas neopentecostais considerando o cansaço fisico e a ausência de tempo para os trabalhadores pobres poderem pensar e se permitirem a participação em outros espaços de socialização e lazer?
Excelente pergunta. Você toca no ponto central da engenharia social implícita na aliança entre a teologia do domínio e o modelo de exploração da força de trabalho. A relação que você descreve não é acidental — é funcional e sistêmica.
Vamos conectar os pontos entre o cansaço extremo, a ausência de tempo e o crescimento do rebanho neopentecostal entre trabalhadores pobres:
1. O cansaço físico como redutor da capacidade crítica
A lógica é simples e brutal: uma pessoa exausta não tem energia para questionar. O trabalho 6x1, jornadas duplas, transporte público precário e salários baixos consomem não apenas o tempo, mas a vitalidade mental e emocional do trabalhador.
Sem tempo para ler, estudar, discutir política ou filosofia.
Sem energia para frequentar sindicatos, centros comunitários, partidos ou movimentos sociais.
Sem repertório cultural ou intelectual para comparar diferentes visões de mundo.
Nesse vácuo de reflexão, entra a oferta neopentecostal: soluções emocionais imediatas, linguagem simples, promessas de milagres e, crucialmente, um espaço de pertencimento que não exige esforço intelectual, apenas presença e entrega emocional.
2. O culto como único espaço de socialização possível
Para o trabalhador exausto, o lazer é um luxo inacessível. Ir ao cinema, praticar esportes, frequentar bibliotecas ou bares exige dinheiro, tempo e disposição. O culto neopentecostal, por outro lado:
É gratuito (ou aceita contribuições simbólicas).
Ocorre em horários flexíveis (muitas igrejas têm cultos à noite, madrugada ou fins de semana inteiros).
Não exige preparo prévio (diferente de um clube do livro ou uma aula).
Oferece acolhimento emocional imediato (música alta, pregação envolvente, toque, choro coletivo).
Além disso, o culto substitui outras formas de sociabilidade: ali o trabalhador encontra amigos, pares românticos, conselheiros, até serviços básicos (como cesta básica ou ajuda para remédios). É um ecossistema completo que preenche o vazio deixado pela ausência do Estado e pela destruição das redes comunitárias laicas.
3. A teologia da prosperidade como válvula de escape para a frustração
O trabalhador exausto que não vê saída na política ou no sindicato encontra na teologia da prosperidade uma explicação para seu sofrimento:
“Deus está te provando.”
“Você trabalha muito porque será recompensado no céu — ou aqui, se tiver fé.”
“Seu patrão é um instrumento de Deus para te disciplinar.”
Essa narrativa desloca a culpa do sistema econômico para a falta de fé individual. O cansaço deixa de ser um problema estrutural (exploração) e vira um teste espiritual. A consequência: em vez de lutar por redução de jornada ou aumento salarial, o trabalhador ora, jejua e dizima — o que fortalece a igreja e mantém intacta a lógica da exploração.
4. A igreja como polícia da subjetividade
O neopentecostalismo não apenas ocupa o tempo livre do trabalhador — ele modela o que o trabalhador pode pensar, sentir e desejar. Através da pregação constante:
Desestimula o pensamento crítico (“a razão é mundana, confie no espírito”).
Combate outras formas de lazer (dança, teatro, música popular, futebol em certos casos — tudo pode ser “coisa do diabo”).
Cria inimigos simbólicos (macumbeiros, comunistas, gays, feministas) que desviam a atenção da exploração real.
Com isso, o trabalhador exausto não apenas não tem tempo ou energia para ocupar outros espaços — ele também perde o interesse, pois foi convencido de que esses espaços são imorais ou perigosos.
5. Retroalimentação do sistema: exploração alimenta igreja, igreja justifica exploração
Observe o ciclo completo:
Etapa Mecanismo
1 Jornada exaustiva (6x1, horas extras, salário baixo)
2 Trabalhador sem tempo/espaço para organização política ou lazer crítico
3 Igreja neopentecostal oferece acolhimento imediato e gratuito
4 Trabalhador se torna fiel e dízimista.
5 Pastor prega que trabalhar até a exaustão é virtude cristã (teologia do domínio)
6 Trabalhador aceita a exploração como vontade de Deus
7 Empregador mantém ou intensifica a exploração (afinal, trabalhador não reclama)
8 Políticos como Feliciano (ligados a essas igrejas) impedem mudanças na legislação trabalhista
9 Ciclo recomeça, mais forte do que antes
Conclusão
O cansaço físico e a ausência de tempo não são efeitos colaterais indesejados do sistema — são sua principal ferramenta de manutenção. Ao destruir a capacidade do trabalhador pobre de pensar, organizar-se e ocupar espaços laicos de socialização, o modelo 6x1 combinado com a teologia do domínio cria uma população dócil, disponível para o culto e indisponível para a revolta.
A igreja neopentecostal, nesse arranjo, funciona como o braço espiritual da superexploração do trabalho: ela oferece o único lazer possível, ocupa o tempo que sobra, justifica o sofrimento como virtude e coleta os dízimos — tudo enquanto políticos alinhados garantem que a lei não mude.
Por isso, quando Marco Feliciano defende “mais trabalho” e chama a redução da jornada de “excrescência”, ele está, na prática, defendendo também o crescimento do rebanho das igrejas que o apoiam. O trabalhador exausto e sem tempo é o fiel ideal.
A tarde de Páscoa estendia-se sobre a aldeia quando o Pe. António fechou o computador com um suspiro. Acabara de ler um artigo no Expresso que o deixou inquieto. O título ecoava na sua cabeça como um alarme: "A geração dos rapazes zangados: conservadorismo e misoginia crescem entre os mais jovens". Falava-se de redes sociais, de frustração, de crise de identidade. Especialistas apontavam "um fracasso na mensagem passada aos rapazes". E os sinais já se viam nas salas de aula.
O padre levantou-se e foi à janela. Lá fora, os miúdos brincavam na rua, indiferentes às guerras ideológicas que se travavam nos ecrãs. Mas ele sabia que aquela aparente tranquilidade escondia um problema profundo. Ele via os sinais. Nas conversas com os jovens da catequese, nos comentários soltos durante as atividades, nas piadas que alguns rapazes faziam sobre as raparigas, na forma como olhavam para as colegas, na adesão a discursos agressivos que ecoavam o que consumiam online.
Precisava de falar com alguém. Pegou no telefone e ligou à Dora, uma psicóloga da terra, especializada em adolescência, que já várias vezes o ajudara a compreender o que se passava no coração dos mais novos. Encontraram-se numa esplanada, ao fim da tarde.
Jesus consola Maria e Marta nesta cena dos Vídeos da Bíblia. | The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints
— Li o artigo do Expresso — disse o Pe. António, mal se sentaram. — Fiquei perturbado. Isto confirma o que temos visto por aqui?
A Dora suspirou, apoiando os cotovelos na mesa.
— Confirma e agrava. Não é só em Lisboa ou no Porto. Chega cá, às aldeias. Pelas redes sociais, pelos grupos de WhatsApp, pelos canais do YouTube que os miúdos consomem sem supervisão. Há uma crise de identidade entre os rapazes, padre. Eles sentem-se perdidos. Por um lado, crescem a ouvir que os privilégios dos homens estão a ser questionados, que o feminismo veio para equilibrar a balança. Por outro, veem nos pais e nos avós modelos de masculinidade que já não se usam. Ficam sem referências.
O Pe. António coçou a barba.
— E a resposta deles a essa crise é virar-se para o conservadorismo e para a misoginia?
— Para alguns, sim. É uma falsa segurança. Agarrar-se a discursos que dizem que "os homens é que mandam", que "as mulheres é que sabem cozinhar", que "o lugar da menina é em casa". É uma forma de recuperar um controle que sentem que estão a perder. E há influencers nas redes sociais que alimentam isso, com discursos agressivos, com piadas machistas, com uma visão distorcida do que é ser homem.
O padre passou a mão pelo rosto, preocupado.
— E na escola? No dia a dia?
— Vê-se. Rapazes que gozam com as meninas porque são boas a matemática. Rapazes que se recusam a trabalhar em grupo com colegas do sexo feminino. Rapazes que dizem piadas sobre violência doméstica como se fosse normal. E, pior, meninas que começam a achar que isso é aceitável. É um retrocesso, padre. Um retrocesso perigoso.
O Pe. António ficou em silêncio por um momento. Lembrou-se das conversas que tinha tido com alguns jovens na catequese. Das piadas que ouviu e que, na altura, julgou serem brincadeiras sem importância. Agora percebia que eram sintomas de algo maior.
— E o que podemos fazer, Dora? Nós, que estamos no terreno? A família, a escola, a igreja?
— A primeira coisa é não fingir que não vemos. Muitos adultos preferem ignorar, dizem que "são coisas da idade". Não são. São coisas da sociedade, e a idade só as amplifica. A segunda coisa é falar com eles. Não de cima para baixo, mas ao lado. Perguntar o que andam a ver, o que andam a ouvir. Mostrar que há outras formas de ser homem. Que a força não está no punho fechado, mas no respeito. Que a masculinidade não se mede pela submissão das mulheres, mas pela capacidade de cuidar e de se deixar cuidar.
O padre ouvia atentamente.
— E a igreja, como é que entra nisto?
— A igreja tem um papel fundamental, padre. Porque pode oferecer uma alternativa. Mostrar que Jesus tratava as mulheres como iguais, que as incluía no seu círculo, que as respeitava. Mostrar que Maria Madalena foi apóstola dos apóstolos. Mostrar que a santidade não tem género. Mas é preciso dizê-lo. É preciso ensinar. É preciso desmontar, com palavras e com exemplos, a ideia de que o cristianismo não é uma religião de machismo.
O Pe. António assentiu, convicto.
— E as famílias? Os pais?
— Os pais têm de dar o exemplo. Um pai que respeita a mãe, que divide as tarefas domésticas, que não faz comentários machistas à frente dos filhos, está a educar. Um pai que chama a atenção quando ouve uma piada ofensiva, que não compactua com gozação às colegas, está a formar. Mas muitos pais estão perdidos também. Cresceram com outros valores, outros discursos. Precisam de ser ajudados.
O silêncio instalou-se entre eles. O sol começava a descer, pintando o céu de laranja.
— E o que podemos fazer, Dora? — perguntou o Pe. António. — Concretamente. A curto prazo.
A psicóloga olhou-o nos olhos.
— O que podemos fazer, padre, é não nos calarmos. Em casa, na catequese, na escola, na rua. Sempre que ouvirmos um comentário machista, chamar a atenção. Sempre que virmos um comportamento desrespeitoso, intervir. Sempre que um rapaz disser uma piada ofensiva, explicar porque é que não tem piada. E, sobretudo, dar espaço para que os rapazes falem. Para que digam o que sentem. Para que chorem, se precisarem. A raiva é muitas vezes a única emoção que lhes permitem sentir. Se lhes devolvermos a tristeza, o medo, a vulnerabilidade, talvez a raiva diminua.
O Pe. António respirou fundo.
— Vou falar com os meus catequistas. Vou incluir este tema nas conversas com os jovens. E vou falar com os pais. Eles precisam de saber o que se passa. Precisam de estar atentos.
— É um bom começo, padre. Mas não chega. É preciso continuidade. É preciso não desistir ao fim do primeiro mês. A mudança é lenta. É de formiguinha. Mas é possível.
O padre despediu-se da Dora com um aperto de mão mais demorado que o habitual. No caminho para casa, ia pensando no artigo, na conversa, nos rapazes que via na aldeia. Os que já estavam perdidos em discursos de ódio. Os que ainda estavam a tempo de ser salvos.
Chegou a casa, sentou-se na poltrona, e pegou no Evangelho. Leu a passagem em que Jesus encontra a mulher samaritana. Falou com ela. Respeitou-a. Deu-lhe água viva. "É assim que se trata uma mulher", pensou. "É assim que se constrói um mundo diferente."
Naquela noite, antes de se deitar, escreveu um pequeno plano para as próximas semanas: uma conversa com os catequistas, uma reunião com os pais dos adolescentes, um encontro específico com os rapazes da catequese para falar sobre masculinidade e fé. Sabia que não era muito. Mas era um começo.
O que podemos fazer, Senhor, é não ficar indiferente. Não deixar que o silêncio dos adultos seja cúmplice do crescimento do ódio. Podemos ensinar, com a Tua palavra e com o Teu exemplo, que a força não está na opressão, mas no serviço. Que a grandeza não está na dominação, mas no amor. E que, aos Teus olhos, homens e mulheres são iguais em dignidade, chamados a caminhar juntos, não uns contra os outros. Comecemos por aí. Pela conversa que não foge. Pelo exemplo que não se cala. Pela esperança de que, mesmo no século XXI, ainda vamos a tempo de formar corações para o respeito e para a igualdade.
E para começar essa caminhada, aquela noite de reflexão era mais que suficiente.
A geração dos rapazes zangados: conservadorismo e misoginia crescem entre os mais jovens
Redes sociais, frustração e crise de identidade estão a fazer crescer ideias misóginas entre os jovens do sexo masculino 02 ABRIL 2026 22:57 Joana Pereira Bastos Jornalista Leia AQUI
A turma do audiovisual foi dividida em três grupos para produzir três minidocs com pessoas representativas do Bairro Industrial no atual momento. Na semana passado foram entrevistados o Padre Soares e o músico Rafael. Nesta semana, o entrevistado foi Antônio Vieira (Brasinha)
Natural de Aquidabã (SE), o artista mudou-se para Aracaju, bem criança, em 31 de março de 1964, data do golpe militar – memória vívida que o acompanhou desde a infância. Aos 9 anos, ingressou no Instituto de Música de Sergipe, estudando violino e depois violão. Descoberto por Josa “O Vaqueiro do Sertão”, viveu um conflito geracional ao aderir à Jovem Guarda, sendo criticado por abandonar as raízes, mas seguiu seu caminho. Em 1969, venceu o prêmio de “Revelação do Ano” no concurso “A Melhor Voz de Sergipe”. Sua mãe, Edvalda, costurava suas roupas inspiradas na Jovem Guarda e organizava sua rotina de estudos e ensaios. Em 1972, estreou como compositor no II Festival Estudantil de Música, conquistando o 3º prêmio de melhor intérprete com sua canção Estrela Guia. Destaque ainda para o encontro com Luiz Gonzaga em 1967, quando acompanhou o cortejo do músico até a Praça Fausto Cardoso.
A vida no SAME?
A minha mãe foi quem primeiro veio morar aqui. Eu sempre a visitava, fiz algumas amizades e fui infectado pela Covid duas vezes. Com tudo isso, os meus recursos financeiros se esgotaram. Depois de curado da segunda contaminação por Covid, eu vim morar aqui, já que tinha perdido toda a minha família, que eram minha mãe e minha tia. Tenho quarto individual aqui no SAME, que foi remodelado, e tenho uma vida minimalista. Sinto muita falta dos meus amores que partiram (mãe e tia), mas que estão no meu coração.
Foto Marcel Magalhães
5° Encontro - Oficina de Audiovisual [14/04/26]
Iasmin:
Iniciei à tarde com meu grupo no SAME - Lar de Idosos. Infelizmente, a chuva diminuiu nossas opções de lugares para gravar, mas o espaço pessoal de Antônio trouxe elementos muito bons pra gente captar. A preparação para a gravação foi muito bem direcionada por Marcel.
Mais tarde, durante a aula na Paróquia São Pedro Pescador, as dicas sobre assistir antecipadamente as gravações antes de editá-las foi um elemento chave. Iniciando com o CapCut, espero poder me adaptar bem ao uso desse aplicativo, e me aprimorar para impressionar na edição do documentário.
Foto Marcel Magalhães
A encíclica Fratelli Tuttido Papa Francisco propõe uma mudança de mentalidade e de atitude para que crianças, adolescentes e jovens deixem de ser meros espectadores e se tornem protagonistas na construção de um mundo fraterno.
Para engajá-los nessa prática, o documento destaca:
•Educação para o Diálogo: Francisco enfatiza que a educação deve capacitar os jovens a irem além do "senso comum" e desenvolverem um senso crítico. Isso envolve aprender a escutar e dialogar com quem pensa de forma diferente, vendo a diversidade não como ameaça, mas como riqueza.
•Protagonismo Social e Político: A encíclica incentiva os jovens a participarem ativamente da vida pública, promovendo uma "política melhor" voltada para o bem comum e para o serviço aos mais frágeis, em oposição ao individualismo.
•Cultura do Encontro: O Papa convida as novas gerações a saírem de si mesmas e a criarem redes de amizade social que ultrapassem fronteiras geográficas e digitais. Ele alerta contra o isolamento digital e o "salve-se quem puder", propondo o cuidado concreto com os "caídos à beira do caminho", inspirando-se na parábola do Bom Samaritano.
•Formação na Família e Comunidade: O documento reforça o papel vital da família e das comunidades na missão primária de educar para a solidariedade, a benevolência e o respeito à dignidade inalienável de cada pessoa.
Em uma realidade marcada pelo individualismo, pelo distanciamento social, pelo ressentimento e pelo ódio, tal iniciativa torna-se uma necessidade urgente. Afinal, a Fratelli Tutti (Todos Irmãos) fundamenta-se nos conceitos de "Amizade Social" e "Fraternidade Universal", inspirando-se na parábola bíblica do Bom Samaritano.
"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."
Projeto contemplado no Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva. Ministério da Cultura e Governo Federal, com participação da Funcaju, Prefeitura de Aracaju.
Donald J. Trump investe contra o Papa Leão XIV. E com isso denuncia um profundo mal-estar. Quando o poder político se ensaia contra uma voz moral, é porque não consegue contê-la. Trump não discute com Leão: implora-lhe que retorne a uma linguagem que possa dominar. Mas o Papa fala outro idioma, que não se deixa reduzir à gramática da força, da segurança, do interesse nacional.
"Ao não poder assimilar essa voz, o poder tenta deslegitimá-la."
O artigo é de António Spadaro SJ, jesuíta, publicado por Religión Digital, 13-04-2026.
António Spadaro (Messina, 1966) licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Messina em 1988 e doutorou-se em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana em 2000, onde lecionou na Faculdade de Teologia e no Centro Interdisciplinar de Comunicação Social. Participa como membro da lista papal no Sínodo dos Bispos desde 2014 e integra a comitiva papal nas Viagens Apostólicas do Papa Francisco desde 2016. Foi editor da revista La Civiltà Cattolica de 2011 a setembro de 2023. Desde janeiro de 2024, exerce o cargo de subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação e é braço direito do prefeito, o português José Tolentino.
Ataque sem precedentes de Trump contra Leão: "Ele não seria Papa sem mim." Bispos dos EUA: "Doloroso"
O presidente dos EUA insulta o Papa ao partir para uma viagem histórica à África, depois que Prevost elevou a voz e convocou uma vigília de oração pela paz na Basílica de São Pedro. Bispo Coakley: "Estou com o coração partido por palavras tão depreciativas." Padre jesuíta Martin: "Anticristão."
A reportagem é de IacopoScaramuzzi, publicada por La Repubblica, 13-04-2026.
Numa atitude sem precedentes, Donald Trump atacou Leão XIV pelas crescentes críticas à guerra no Irã e no Líbano feitas pelo primeiro Papa americano da história. O presidente dos EUA atacou o Pontífice diretamente com uma publicação em sua plataforma de mídia social, Truth, e com declarações diante das câmeras na véspera da histórica viagem de Prévost à África, a primeira vez que o Papa pisa em solo argelino.
Del Roio analisa ataques e ofensas de Trump ao papa e reação de Leão 14
Não sei o nome que dão hoje, mas antigamente os cristãos chamariam isso de blasfêmia
O Presidente do Irã ao Papa, "Condeno o insulto a Vossa Excelência em nome da grande nação do Irã, e declaro que a profanação de Jesus, o profeta da paz e da fraternidade, não é aceitável para qualquer pessoa livre. Desejo-te glória por Alá. " - Masoud Pezeshkian - Presidente do Irã
Papa na Grande Mesquita de Argel: podemos aprender a nos respeitar mutuamente
Foto: Lusa/EPA
Um dos maiores locais de culto islâmico do mundo recebeu a visita de Leão XIV no contexto da terceira viagem apostólica do pontificado que o levou à África nesta segunda-feira (13/04). O Papa permaneceu por alguns breves instantes em reflexão silenciosa. Em diálogo com o reitor, reiterou o apelo à promoção da “paz” e do “perdão”, incentivou o valor do estudo e o respeito por cada pessoa humana. AQUI
Tradução da reflexão do Papa Leão no final da Vigília pela Paz. As referências do texto são múltiplas, diretas e indiretas. Vão desde a Guerra do Iraque, passam pelas rezas na Casa Branca de Pete Hegseth, os ultimatos de Trump, a análise de Hanna Arendt (banalidade do mal) e todo o Magistério recente da Igreja. Um texto para ser meditado e multiplicado.
Caros irmãos e irmãs:
A vossa oração é uma expressão daquela fé que, segundo as palavras de Jesus, move montanhas (cf. Mt 17,20). Agradeço-vos por terem aceitado este convite, reunindo-se aqui no túmulo de São Pedro e em tantos outros lugares do mundo para invocar a paz. A guerra divide, a esperança une. A arrogância esmaga, o amor eleva. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina. Um pouco de fé, uma pequena faísca de fé, queridos irmãos e irmãs, basta para enfrentarmos juntos, como humanidade e com a humanidade, esta hora dramática da história. A oração, de fato, não é um refúgio para fugirmos das nossas responsabilidades, nem um analgésico para evitar a dor desencadeada por tanta injustiça. É, antes, a resposta mais livre, universal e transformadora à morte: somos um povo que já se levanta! Em cada um de nós, em cada ser humano, o Mestre interior educa para a paz, impele-nos ao encontro e inspira as nossas orações. Levantemos, então, os nossos olhos! Levantemo-nos novamente dos escombros! Nada pode nos confinar a um destino predeterminado, nem mesmo neste mundo onde os túmulos parecem insuficientes, porque a vida continua sendo crucificada e aniquilada sem justiça ou misericórdia.
São João Paulo II, incansável testemunha da paz, no contexto da crise do Iraque em 2003, disse com profunda emoção: “Eu pertenço à geração que viveu a Segunda Guerra Mundial e sobreviveu. Sinto o dever de dizer a todos os jovens, àqueles mais jovens do que eu, que não têm essa experiência: ‘Nunca mais a guerra!’, como disse Paulo VI em sua primeira visita às Nações Unidas. Devemos fazer tudo o que for possível. Sabemos muito bem que a paz a qualquer custo não é possível. Mas todos sabemos quão grande é essa responsabilidade” ( Angelus , 16 de março de 2003). Nesta tarde, faço eco ao seu apelo, tão relevante hoje.
A oração nos ensina a agir. As capacidades humanas limitadas se unem na oração às capacidades infinitas de Deus. Dessa forma, pensamentos, palavras e ações rompem a corrente demoníaca do mal e são colocados a serviço do Reino de Deus; um Reino onde não há espada, nem drones, nem vingança, nem banalização do mal, nem lucro injusto, mas apenas dignidade, compreensão e perdão. Nisso, temos uma barreira contra essa ilusão de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressiva ao nosso redor. O equilíbrio dentro da família humana está gravemente desestabilizado. Até mesmo o Santo Nome de Deus — o Deus da vida — é arrastado para discursos de morte. Assim, um mundo de irmãos e irmãs com um só Pai celestial desaparece e, como em um pesadelo, a realidade se enche de inimigos. Ameaças são percebidas em todos os lugares, em vez de chamados para ouvir e encontrar. Irmãos e irmãs, aqueles que oram estão cientes de suas próprias limitações; eles não matam nem ameaçam com a morte. Por outro lado, aquele que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do seu próprio poder um ídolo mudo, cego e surdo (cf. Sl 115,4-8), ao qual sacrifica todo o valor e pretende que o mundo inteiro se prostre diante dele, está sujeito à morte.
Basta de idolatria do ego e do dinheiro! Basta de demonstrações de força! Basta de guerra! A verdadeira força se manifesta no serviço à vida. São João XXIII, com simplicidade evangélica, escreveu que a paz beneficia a todos, “isto é, cada pessoa, cada família, cada nação, toda a família humana”. E, repetindo as palavras categóricas de Pio XII, acrescentou: “Nada se perde com a paz; tudo se perde com a guerra” (Carta Encíclica Pacem in Terris , 116).
Unamos, então, as energias morais e espirituais de milhões, de bilhões de homens e mulheres, de idosos e jovens, que hoje acreditam na paz, que hoje escolhem a paz, que curam as feridas e reparam os danos causados pela loucura da guerra. Recebo muitas cartas de crianças em zonas de conflito; ao lê-las, percebe-se, com a verdade da inocência, todo o horror e a desumanidade de ações das quais alguns adultos se vangloriam com orgulho. Ouçamos a voz das crianças!
Caros irmãos e irmãs, os líderes das nações carregam, sem dúvida, responsabilidades inescapáveis. A eles clamamos: Basta! É tempo de paz! Sentem-se às mesas de diálogo e mediação, não às mesas onde se planeja o rearme e se deliberam atos de morte. Contudo, há uma responsabilidade igualmente importante para todos nós, homens e mulheres de tantos países diferentes: uma imensa multidão que rejeita a guerra, com ações, não apenas com palavras. A oração nos compromete a transformar o que resta da violência em nossos corações e mentes: convertamo-nos a um Reino de paz que se constrói dia a dia, em lares, escolas, bairros, comunidades civis e religiosas, substituindo a controvérsia e a resignação pela amizade e por uma cultura de encontro. Voltemos a acreditar no amor, na moderação, na boa governança. Eduquemo-nos e comprometamo-nos pessoalmente, cada um respondendo à sua própria vocação. Todos têm o seu lugar no mosaico da paz!
O Rosário, como outras formas antigas de oração, uniu-nos esta tarde em seu ritmo regular, baseado na repetição; assim, a paz avança, palavra por palavra, gesto por gesto, como uma rocha sendo esculpida gota a gota, como o tecido em um tear avançando movimento a movimento. Estas são as longas etapas da vida, um sinal da paciência de Deus. Não precisamos nos deixar levar pela aceleração de um mundo que não sabe o que busca, para que possamos retornar a servir ao ritmo da vida, à harmonia da criação, e curar suas feridas. Como nos ensinou o Papa Francisco, “precisamos de artesãos da paz que estejam prontos para gerar processos de cura e reconciliação com engenhosidade e ousadia” (Carta Encíclica Fratelli tutti , 225). De fato, “existe uma ‘arquitetura’ da paz, na qual as diversas instituições da sociedade intervêm, cada uma segundo sua competência, mas existe também um ‘arte’ da paz que nos envolve a todos” ( ibid ., 231).
Queridos irmãos e irmãs, voltemos para casa com este compromisso de orar sempre, incansavelmente e com profunda conversão de coração. A Igreja é um grande povo a serviço da reconciliação e da paz, avançando sem hesitação, mesmo quando rejeitar a lógica da guerra pode lhe custar incompreensão e desprezo. Ela proclama o Evangelho da paz e nos ensina a obedecer a Deus antes que aos homens, especialmente quando se trata da infinita dignidade do outro ser humano, ameaçada pelas contínuas violações do direito internacional. “Em todo o mundo, é desejável que cada comunidade se torne uma ‘casa de paz’, onde aprendamos a dissipar a hostilidade pelo diálogo, onde a justiça seja praticada e o perdão seja preservado. Hoje, mais do que nunca, é necessário mostrar que a paz não é uma utopia” ( Mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz , 1 de janeiro de 2026).
Irmãos e irmãs de todas as línguas, povos e nações: somos uma só família que chora, que espera e que se levanta. “Nunca mais a guerra, uma aventura da qual não há retorno; nunca mais a guerra, uma espiral de luto e violência” (cf. São João Paulo II, Oração pela Paz , 2 de fevereiro de 1991).
Queridos irmãos e irmãs, a paz esteja convosco! É a paz de Cristo ressuscitado, fruto do seu amoroso sacrifício na cruz. Por isso, dirigimos a Ele as nossas orações:
Senhor Jesus,
vós vencestes a morte sem armas nem violência:
dissolvestes o seu poder com a força da paz.
Concedei-nos a vossa paz,
como a concedestes às mulheres que ficaram admiradas na manhã da Páscoa,
como a concedestes aos discípulos que se escondiam e temiam.
Enviai o vosso Espírito,
o sopro que dá vida, que reconcilia,
que transforma adversários e inimigos em irmãos e irmãs.
Inspirai em nós a confiança de Maria, vossa mãe,
que com o coração partido permaneceu aos pés da vossa cruz,
firme na fé de que ressuscitareis.
Que a loucura da guerra chegue ao fim
e que a terra seja cuidada e cultivada por aqueles que ainda
sabem dar à luz, proteger e amar a vida.
Ouvi-nos, Senhor da vida!
Live. Conjuntura religiosa
TRUMP contra LEÃO XIV. ou A PELEJA DO DIABO COM O DONO DO CÉU
Na Live desta segunda às 20h no Instagram romerojunior4503 discutiremos a posição do Papa Leão XIV sobre a geopolítica internacional diante da fúria alucinada de Trump... Partimos desse livro.
Zé Vicente - É bonita demais
CNBB une-se ao Papa Leão XIV em defesa da paz e do diálogo
13/04/2026
Notas|Presidência
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nesta segunda-feira, 13 de abril, uma nota de apoio ao Papa Leão XIV em razão da defesa firme do Evangelho, pelo Santo Padre, no contexto das guerras no Oriente Médio. Confira, abaixo, a íntegra da Nota da CNBB.
CNBB une-se ao Papa Leão XIV em defesa da paz e do diálogo
A autoridade espiritual e moral do Papa não se orienta pela lógica do confronto político, mas pela fidelidade ao Evangelho, que continuamente eleva a voz em defesa da paz, da dignidade humana e do diálogo entre os povos. Nesse espírito, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil une-se a Sua Santidade, Papa Leão XIV, reafirmando a comunhão e a unidade em torno desses valores evangélicos que iluminam a consciência cristã e sustentam a esperança da humanidade.
Cardeal Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB
Dom João Justino de Medeiros
Arcebispo de Goiânia – GO
1º vice-presidente da CNBB
Dom Paulo Jackson
Arcebispo de Olinda e Recife – PE
2ª vice-presidente da CNBB
Dom Ricardo Hoepers
Bispo auxiliar de Brasília – DF
Secretário-geral da CNBB
Mensagem da Conferência Episcopal Panamenha
Pelo respeito ao ministério petrino e à missão da Igreja Católica
A Igreja que peregrina no Panamá adere, com afeto filial e firme comunhão, ao Santo Padre, o Papa Leão XIV, diante das recentes declarações de um alto dirigente político contra sua pessoa e seu ministério petrino.
O Papa, Sucessor de Pedro, não é um ator político nem responde a interesses ideológicos. Sua missão é essencialmente espiritual: confirmar na fé, guardar a unidade da Igreja e ser voz profética no meio do mundo.
Quando o Santo Padre se pronuncia sobre a paz, a dignidade humana, a justiça ou o sofrimento dos povos, não entra no terreno da confrontação política, mas exerce fielmente sua responsabilidade evangélica.
O Evangelho não se submete a agendas humanas nem a interesses de poder.
Ao contrário, ilumina todas as realidades a partir da verdade do amor e da Misericórdia de Deus, recordando que nenhuma nação, sistema ou liderança pode se colocar acima da dignidade da pessoa humana nem do bem comum.
Por isso, toda palavra do Papa Leão XIV que convide à paz, que questione a violência ou que chame à responsabilidade ética das nações, deve ser compreendida em seu verdadeiro sentido; não como uma intromissão política, mas como um serviço à consciência da humanidade.
A Igreja não busca confrontar nem competir com qualquer autoridade. Sua missão é outra: ser sinal de unidade, promotora do diálogo e construtora da paz.
Nesse caminho, o respeito mútuo, a prudência na linguagem e a abertura ao encontro são condições indispensáveis para uma convivência autenticamente humana.
Convidamos todos — especialmente aqueles que têm responsabilidades públicas — a elevar o nível do diálogo, a evitar expressões que dividem e a reconhecer que o bem dos povos se constrói a partir da verdade, da justiça e da fraternidade.
Neste tempo pascal, no qual proclamamos que a vida venceu a morte, renovamos nossa confiança de que o Senhor continua guiando sua Igreja e sustentando a história, mesmo em meio a tensões e desafios.
“Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).
Cidade do Panamá, 13 de abril de 2026.
† José Domingo Ulloa Mendieta, O.S.A.
Arcebispo Metropolitano do Panamá
Presidente da CEP
Chico Alencar
O DETURPADOR GENOCIDA DO EVANGELHO
O papa Leão XIV, ao ser atacado de forma vil por Trump, lembrou que"a mensagem do Evangelho vem sendo deturpada".
(E como vemos isso, em "lideranças" cristãs que amam bem mais o dinheiro que a Deus...)
Trump, o pretenso onipotente dono do mundo, adora a si mesmo e a um Deus belicoso, que ele julga encarnar: "o Deus Senhor dos Exércitos" (1Samuel, 17:45), do Antigo Testamento.
Já o generoso "Deixai vir a mim as criancinhas"(Mateus, 19:14, pedido de Jesus no Novo Testamento) é o oposto, na sua pureza, do que Trump fez junto com Epstein, seu parceiro de orgias pedófilas.
Depois de tentar se passar calhordamente por Jesus, Trump disse que se considerou apenas "um médico", na vergonhosa postagem por IA, que correu mundo.
Pois vale pra esse insano mais uma sentença do Cristo que ele tanto deturpa:"Médico, cura-te a ti mesmo"(Lucas 4:23).
E tem gente no Brasil - como Flávio Bolsonaro - que declara querer entregar nossas riquezas pra esse imperialista tresloucado...
O grande Miguel Paiva dá cor e expressão crítica ao absurdo
Entre fé e poder: o analfabetismo teológico no ataque ao Papa Leão XIV
"Os padres cantores midiáticos bem que poderiam seguir
os exemplos proféticos de Francisco e Leão XIV. Na verdade, é o mesmo exemplo
de Jesus nos Evangelhos; como diz Atos 1:11: 'Homens da Galileia, por que
ficais aqui parados, olhando para o céu?'. O texto nos convoca a sair de uma
posição passiva e alienada — obviamente, sem os exageros de uma atuação
religiosa focada apenas em aspectos econômicos e
sociais. Com isso, poucos sofreriam de tédio ou depressão. Ficamos à espera de
que esses padres reajam à blasfêmia dos governantes dos EUA e do Estado de
Israel. Isso inclui não apenas o desrespeito a símbolos sagrados, como a
própria imagem de Cristo no primeiro caso e a proibição da missa de Sexta-feira
da Paixão na Igreja do Santo Sepulcro no segundo, mas também a violência contra
milhões de vítimas inocentes das guerras no Oriente Médio perpetradas pelos países acima citados." Andrea Grillo é um filósofo e teólogo italiano, leigo, com especialização em liturgia e pastoral. Nascido em 28 de agosto de 1961, em Savona, Itália, é pai de dois filhos. de Oliveira - editor do blog da cultura.
Por Andrea Grillo. Filósofo e teólogo italiano, leigo, com especialização em liturgia e pastoral. Nascido em 28 de agosto de 1961, em Savona, Itália.
Ataque de Trump ao papa alerta católicos do mundo sobre seu caráter antidemocrático, diz Frei Betto
"Governo Trump retira US$ 11 mi de doações de instituições de caridade católicas após ataque a Leão XIV. Artigo de Christopher Hale" - Leia mais AQUI
Padre, que já fez falas machistas no púlpito, se cala na hora de defender a igreja católica
Quem reza não mata nem ameaça com a morte, mas tem consciência dos próprios limites. Em vez disso, é escravo da morte aquele que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo (Sl 115, 4-8), ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe. Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a ostentação da força! Basta com a guerra! A verdadeira força manifesta-se no serviço à vida. #Paz