terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mudando Paradigmas na Educação (Dublado) - RSA Animate





Animação adaptada de uma palestra dada na RSA por Sir Ken Robinson, especialista em educação e criatividade mundialmente reconhecido. Dublagem em português: Blog Brasil Acadêmico.

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Leia mais:

A Educação atrasa o século XXI, AQUI

A escola dos meus sonhos, AQUI

 

domingo, 7 de outubro de 2012

A Potência da CULTURA – ensaio com sugestões para programas de governo

04/09/2012 | Publicado por celioturino em Sem categoria






A Potência da CULTURA

E se a Cultura fosse prioridade em programas de governo? Ela seria reconhecida como o fio condutor que une o direito à saúde, ao transporte, à moradia, à educação, ao trabalho, à cidade… à cidadania. Cultura como arte, habilidades humanas, mas para além das artes e da expressão simbólica, Cultura como comportamento, como atitudes e valores que se expressam desde as mínimas relações no cotidiano à economia. Assim, teríamos programas de candidatos e candidatas às prefeituras que tratariam a Cultura em toda sua Potência, central e transversal.
Como primeira medida, o fortalecimento das Secretarias e órgãos de gestão da Cultura. Não é possível que a Cultura continue sendo tratada como mero ornamento, com políticas públicas acanhadas e concentradas, tanto no espaço geográfico, quanto social, ou restritas à realização de eventos e atividades artísticas pontuais. Em São Paulo, por exemplo, se de um lado houve a positiva e necessária recuperação de espaços como o Teatro Municipal e a Biblioteca Mário de Andrade, além da incorporação da Virada Cultural (que, em meu modo de ver, deve ser mantida e aperfeiçoada) ao calendário da cidade; de outro, o investimento em Cultura, para além do centro da cidade ou para além de um grande evento anual, ficou praticamente abandonado. E este é o retrato de praticamente todo o país, em Campinas a mediocrização da gestão cultural vem desde o final do século passado (e, infelizmente, enquanto paro para pensar em alguma exceção positiva, poucos exemplos me vêem à cabeça, talvez Suzano, na grande São Paulo, não muito mais que isso). Ao menos em cidades mais dinâmicas, como São Paulo, outros agentes e instituições assumem um papel mais ativo que as prefeituras na vida cultural da cidade; como o SESC paulista e sua programação de vanguarda, ou a iniciativa privada financiada com recursos de renúncia fiscal (mas neste caso reduzindo a Cultura à dimensão Mercadoria), além de manifestações e organizações autônomas da sociedade (como os saraus literários de periferia ou os pequenos teatros de grupo). Sem dúvida, em cidades com as dimensões de São Paulo esta pluralidade de agentes culturais, pode e deve ser estimulada; todavia, o que não pode mais continuar acontecendo é o fraco protagonismo do poder público municipal, não somente em São Paulo como em quase todos municípios do Brasil.
Tanta coisa boa poderia acontecer se as gestões municipais fossem estruturadas a partir de uma visão ampla integradora da Cultura, sob o conceito da cidadania cultural. Aqui exercito um ensaio de como isso poderia se realizar na prática, em programas de governo. Penso em quatro macro-programas, interligados e transversais, não somente entre si, no âmbito de atuação das secretarias de Cultura, mas em inter-relação com as demais secretarias e programas do governo municipal. Estes programas matriciais deveriam se desdobrar em Ações e Iniciativas, conforme apresento a seguir.

Programas e Ações

CULTURA em REDE

Um retrato da desigualdade: abundância e escassez na distribuição dos equipamentos culturais. No caso de São Paulo, há regiões da cidade, ou mesmo uma única avenida ou parque público, que concentram diversos equipamentos culturais da mais alta qualidade, enquanto regiões inteiras, com centenas de milhares de habitantes, ou mesmo milhões, sequer dispõem de um único teatro ou biblioteca adequados. Fazer uma política democrática de Cultura pressupõe reverter este quadro, que se repete em milhares de cidades brasileiras, boa parte delas com ausência total de equipementos culturais, contando, no máximo, com alguma biblioteca funcionando em condições precárias.
Em São Paulo esta situação começou a ser modificada quando da implantação dos CEUs, no governo da prefeita Marta Suplicy; porém, com a mudança de governo houve uma descontinuidade, com o apequenamento do projeto original; e os novoss CEUs, que perderam espaços de lazer e cultura, como teatro, área para oficinas culturais ou mesmo instrumentos musicais para orquestra e demais equipamentos indispensáveis para o bom desenvolvimento de uma ação cultural. Repetindo o vício de se privilegiar o invólucro no lugar do conteúdo (ou a estrutura no lugar do fluxo, ou a casca no lugar da gema), o máximo que as propostas de governo alcançam é propor a construção de novos (e custosos) equipamentos culturais. Sim, eles são necessários, mas o principal objetivo de um programa Cultura em Rede não seria a construção, mas a articulação (por isso Cultura em Rede) dos espaços culturais já existentes, qualificando sua estrutura e potencializando sua programação. Há tantos espaços desperdiçados por aí, por vezes um teatro em escola, barracões, salas de ensaio; por que não utilizar-los de forma mais intensa? Inclusive os privados e com pouco uso, que poderiam ser incorporados à rede via conveniamento. Não é possível que uma cidade com 93 distritos, cada qual com população média de 100.000 pessoas, como no caso de São Paulo, não contem com, ao menos, um teatro, uma biblioteca, um cinema, um museu e um espaço para oficinas culturais, cursos de iniciação artística e exposições. Isto poderia acontecer a partir da construção de equipamentos integrados com a educação (a exemplo das Bibliotecas Parque, de Medellin, ou dos primeiros Parques Infantis na gestão Mário de Andrade), sobretudo com a expansão, dinamização e retomada do projeto original dos CEUs, requalificação de Espaços e Casas de Cultura, recuperação de edifícios históricos, integração com equipamentos esportivos ou praças e parques públicos, ou mesmo o melhor aproveitamento de espaços culturais privados. Desnecessário dizer que esta situação se repete em praticamente todos municípios do país.
Menos obras físicas e mais articulação e requalificação dos equipamentos já existentes, menos fachadas e mais conteúdos, pois o fundamental para a Cultura é o relacionamento em rede e de maneira complementar. Com isto, de forma rápida -e a um custo relativamente baixo-, as cidades poderiam contar com Sistemas Integrado de Centros Culturais permitindo que, para além da custosa construção física, seja possível disponibilizar recursos específicos para sua manutenção e programação, compreendendo todo ciclo da produção cultural (patrimônio, formação, produção e difusão). E este Sistema poderia funcionar tanto em grandes, médios ou pequenos municípios, diretamente administrados por uma prefeitura ou através de consórcios intermunicipais.
Para integrar e consolidar o Sistema de Centros Culturais – Cultura em Rede, devem ser adotadas duas ações:
a) Assegurar ao menos uma grande Instituição Cultural (Centro Cultural, Museu ou Biblioteca Parque) em cada macroregião da cidade (no caso de grandes cidades, ou ao menos uma Instituição de referência em caso de cidades médias ou pequenas, neste caso via consórcio intermunicipal), funcionando como Centros de Referência, integrando e complementando programação em centros menores, promovendo intercâmbio, interações estéticas e programação de qualidade variada;
b) Cultura em rede pressupõe articulação e integração entre estrutura física, programação integrada e ação digital. É neste campo que “Casas e Praças da Cultura Digital” poderiam atuar. Uma ação de Cultura Digital é indispensável para o funcionamento de Cultura em rede e deve ser compreendida de maneira ampla, envolvendo desde a disponibilização de banda larga pública até inovadoras experiências que integram comunidades de software livre, metareciclagem de computadores e equipamentos eletrônicos e trabalhos colaborativos com o desenvolvimento de novas práticas econômicas sob os princípios da economia solidária – trabalho colaborativo, comércio justo, consumo consciente, generosidade intelectual e gestão em rede-. As Casas de Cultura Digital integrariam estas iniciativas e as Praças de Cultura Digital seriam praças públicas dotadas de internet em alta velocidade, espaços de convivência para as comunidades digitais e centros de coleta e reciclagem de computadores e aparelhos eletrônicos, funcionando como pólos públicos da rede.

CULTURA e EDUCAÇÃO

Quando a Educação se afasta da Cultura ela perde sua alma. Quando a Cultura se afasta da Educação ela perde seu corpo. Reaproximar Cultura e Educação é reaproximar corpo e alma.
Um programa de integração entre Cultura e Educação deveria ser estruturante para todo programa de governo. Há acúmulo teórico e experiência prática, comprovando que este encontro entre Cultura e Educação não somente dá certo como é indispensável para uma cultura cidadã e uma educação emancipadora, como o movimento mundial pelas Cidades Educadoras, ou o conceito das Escola-Parque, formulado pelo pedagogo brasileiro Anísio Teixeira, ou dos Parques Infantis, implantados na década de 1930 em São Paulo, por Mário de Andrade.. Aqui não se trata da pedagogização da cultura e das artes, mas da integração entre cultura e educação, em um processo permanente, que aconteça em todos os lugares, com todas as gerações e por toda vida. A base da cidadania cultural está neste sutil exercício.
Integrado Cultura e Educação (e também esportes, lazer e meio ambiente) é possível implantar, paulatinamente, a Educação em Tempo Integral, mas não em tempo integral na escola e sim utilizando toda a rede de Cultura da cidade (não somente a municipal, como também de demais instituições a partir de parcerias). Fora do horário na escola os alunos poderiam participar:
a) Cursos de iniciação artística em Escolas Municipais de Iniciação Artística (em Campinas, lamentavelmente, a prefeitura fechou a única escola pública de música);
b) Formação de público com freqüência a teatros, museus, centros culturais e cinemas;
c) Projetos especiais como o Recreio nas Férias – assegurando programação cultural e esportiva de férias para todas as crianças e adolescentes da cidade;
d) Corpos Artísticos Juvenis (ou vocacionais), como orquestras e corais, grupos de teatro, dança, circo e coletivos em artes visuais ou audiovisual.
O objetivo seria assegurar a todas crianças e jovens o acesso a, pelo menos, um curso de iniciação artística e freqüência mensal em, no mínimo, uma programação em teatro, cinema ou exposição e uma semana de férias nas atividades do Recreio nas Férias (com atividades de cultura, esporte e lazer nos pólos de férias, passeios e visitas a áreas de lazer – quando desenvolvi esta experiência em Campinas, no início dos anos 90 e em São Paulo, no governo Marta Suplicy, conseguimos atender a mais de 100.000 crianças e jovens por edição).
Quanto aos Corpos Artísticos Juvenis, faço um exercício para demonstrar o quanto é viável. Imaginemos uma cidade que contasse com 50 Orquestras e Corais Infantis e Juvenis, com participação entre 60 e 100 jovens em cada um. O custo de manutenção de cada orquestra seria de R$ 400 mil/ano, garantindo contratação de regente e professores por naipe (violino, violoncelo, percussão, etc…); um sistema de orquestras jovens com este porte asseguraria 1.000 apresentações de música de câmera por ano (2 por mês, durante 10 meses, por cada orquestra), envolvendo diretamente entre 3 a 5 mil jovens músicos, além de gerar postos de trabalho para músicos recém formados, que atuariam como regentes e professores de orquestra (aproximadamente 500 no total). Há que contabilizar também o público beneficiado com a série de concertos, alcançando centenas de milhares, ou até milhões, de pessoas. O custo total desta ação seria de R$ 20 milhões/ano (numa cidade que assumisse 50 orquestras jovens), pouco para o alcance educacional e cultural da iniciativa. A Orquestra de Heliópolis, em São Paulo, é um exemplo de transformação social e beleza que resulta de um trabalho como este. Por que as cidades do Brasil não podem contar com tantas mais experiências como a surgida na favela de Heliópolis, em São Paulo? O mesmo poderia acontecer com grupos de teatro, dança, coral, etc… (neste caso a um custo menor por grupo constituído). Como parâmetro de eficácia, devemos observar o Sistema de Orquestras Jovens da Venezuela, conhecido como El Sistema (atualmente a Venezuela é o país que mais forma músicos eruditos no mundo – em relação à população); com 30 milhões de habitantes, o país conta com mil orquestras e 300 mil músicos em atividade (em proporção, a cidade de São Paulo deveria contar com 100 mil músicos e mais de 300 orquestras jovens). Todo município brasileiro pode e deve ter seu Sistema de Corpos Artísticos Juvenis, seja uma banda de coreto ou orquestra, um grupo de teatro, dança ou circo, ou vários. Investindo muito ou pouco, mas investindo e cuidando de sua gente, este deveria ser o principal objetivo de todo governo.
Sistema Municipal de Bibliotecas, livro e leitura, outra ação indispensável. Biblioteca é patrimônio cultural e, sobretudo, formação. Além de assegurar, ao menos, uma biblioteca por município ou distrito, cabe integrar a rede de bibliotecas públicas com as bibliotecas escolares, bibliotecas comunitárias e demais iniciativas de difusão do livro e da leitura. E ir além da integração e disponibilização de acervos. É preciso atualizar o conceito de bibliotecas, transformando-as em espaços convidativos e agradáveis, com acervo atualizado e livros ao alcance direto do leitor (ao menos o acervo mais atual), espaços iluminados e aconchegantes, atividades lúdicas em brinquedotecas e constante programação cultural e artística. Há diversos bons exemplos de como a instituição Biblioteca pode assumir um novo papel de estimulador social e cultural, que vai muito além da guarda e consulta de acervos. A cidade de Medellin, na Colômbia, é um belo exemplo de como potentes bibliotecas se transformam em âncora para a regeneração urbana e o exercício de uma cultura cidadã; isso também pode acontecer em qualquer cidade do Brasil.
E para além das Bibliotecas. Há a necessidade de políticas de difusão do livro e da leitura, levando-o mais próximo ao público, com iniciativas que vão desde a distribuição gratuita de livros de baixo custo no sistema de transporte público (a exemplo do programa “Para ler de boleto en el metro”, na cidade do México) até a organização de bancas/estantes em praças e pontos de ônibus (a exemplo da cidade de Bogotá, ou da bela iniciativa de um Ponto de Cultura em um açougue, na cidade de Brasília, que disponibiliza 100.000 livros nos pontos de ônibus da cidade). E difusão se faz com gente, Agentes de Leitura (jovens da Cultura Viva, que difundem a leitura em casas, ruas e espaços comunitários) e o próprio incentivo à criação literária. Enfim, não há Cultura e Educação sem a devida prioridade às bibliotecas, livros e leitura.

CULTURA VIVA

Cultura Viva, um conceito de cultura que se desenvolveu no Brasil e se espalha por toda América Latina. A Cultura entendida como processo e não produto, feita pela gente, pelas pessoas, sem hierarquias ou controle. Cultura como expressão simbólica, como construção de valores e cidadania e como economia. Uma Cultura que se desenvolve com autonomia e protagonismo, potencializados na articulação em rede. Cultura como fluxo, potência, afeto, desejo e encantamento.
As cidades formam o melhor ambiente para a Cultura Viva. Mil povos, mil fazeres e mil sonhos. Tudo junto (e misturado). Para sedimentar a rede Cultura Viva (ou: o “fazer cultural” autônomo e protagonista) há os Pontos de Cultura; no Brasil eram mais de 3.000 em 2010, em 1.100 municípios. Os Pontos de Cultura são entidades culturais da sociedade, com personalidade jurídica própria, selecionadas por edital público e que já desenvolvem trabalhos em suas comunidades; tem atuação das mais diversas, das linguagens artísticas às ações sócio-culturais em territórios de vulnerabilidade social, de grupos eruditos a populares, do fortalecimento de laços identitários e tradições à experimentação estética e à vanguarda da cultura digital em software livre. São os mais diversos recortes, cada qual à sua maneira. Ao se potencializarem em rede vão se desenvolvendo, tanto do ponto de vista ético, estético ou econômico. E o fazem em uma relação horizontal, entre iguais (uma igualdade que se realiza na diferença), rompendo com processos formativos de cima para baixo, ou de fora para dentro.
Cada Ponto de Cultura recebe um recurso anual de R$ 60 mil e desenvolve seu plano de trabalho conforme suas necessidades, empoderando-se no processo. Até o momento esta rede acontece em convênio com o Ministério da Cultura; mas por que não assumi-la como política municipal? Custa pouco, por vezes menos que uma festa patrocinada pela prefeitura, com a diferença de que acontece em processo contínuo, por todo o ano.
Mas Cultura Viva vai além dos Pontos de Cultura e também envolve ações como “Cultura Digital”, “Cultura e Saúde”, “Economia Solidária e Cultura”, “Agentes Jovens de Cultura”, “Griôs e Mestres da Cultura tradicional transmitida pela Oralidade”, “Interações Estéticas”, “Escola Viva”, “Pontos de Leitura”, “Pontos de Memória”, “Pontos de Mídia livre”, “Pontinhos (para cultura da infância e lúdica)” e “Pontões (articuladores, capacitadores e difusores na rede)” de Cultura. Todas estas ações – e outras- devem ser desenvolvidas junto com os Pontos de Cultura. Há tanta cultura tradicional, tantos mestres, tantos Griôs e tanto conhecimento que podem contribuir para o desenvolvimento da cidade; há tantos Pontos de Mídia Livre, rádios e TVs comunitárias, sites, blogs, fanzines e revistas independentes que contribuem para difundir o que de mais profundo e esquecido se produz por aí; tantos artistas, fazendo coisas belas e dispostos a interagir com comunidades em efetivas Interações Estéticas, ensinando e aprendendo com elas; a Cultura e Saúde com terapias alternativas e a arte como elemento de desenvolvimento das pessoas com deficiências intelectuais ou físicas, a medicina tradicional e a busca da cura em ambientes saudáveis; Pontos de Memória, com memoriais e museus comunitários, de vizinhança, temáticos, afetivos, em escolas; e Pontos de Leitura e suas bibliotecas comunitárias, as biciclotecas construídas a partir de tanta idéia boa surgida da mente de gente igualmente boa, por vezes moradores de rua, catadores de papel que reciclam livros e vidas. Tanta coisa boa e bela que pode se desenconder por aí, isso é Cultura Viva.
E que pode ir além. Há que desenvolver ações e programas de arte pública, em apoio à artes e aos artistas de rua, que tanto humanizam as cidades. E os grupos de teatro e dança, que na falta de apoio governamental foram abrindo seus espaços próprios, gerando pólos autônomos de arte, inovação e convivência; mas a manutenção destes espaços é custosa, cabendo a criação de um arcabouço de apoio (redução ou isenção de impostos) e financiamento público para Espaços Culturais de Grupos que assegure a manutenção dos custos fixos; como contrapartida, esses espaços poderiam oferecer sua própria programação e uso em atividades e programas como Cultura e Educação e outros. O apoio ao Circo e aos artistas circenses e todas as suas especificidades, da regulação do uso de espaços à formação, do circo tradicional ao novo circo. E as Iniciativas Culturais da Juventude ou grupos culturais não formalizados, a exemplo do programa paulistano, VAI; ou a Agentes Jovens de Cultura, para jovens artistas e articuladores culturais; ou o apoio à ações e manifestações (a exemplo da parada Gay) de combate à discriminação, sejam de caráter religioso, gênero, étnico ou cultural; ou às Culturas tradicionais e populares, há tantas, em todas as cidades, as mais surpreendentes, como em São Paulo, em que os índios Pankararu redescobrem suas raízes na favela do Real Parque, ou jovens do Hip Hop que se reencontram com o repente de seus avós; as festas populares, seja em grandes ou pequenos municípios, sempre presentes. Tanta coisa bela e sensível, que passa na frente de nossos olhos e que nos diz que a Cultura continua Viva, não porque é feita pelo Estado ou governos, nem porque se deixa transformar em mercadoria, mas porque é feita pela gente e para a gente. E vai além.

CULTURA: direito do povo, dever do Estado

O objetivo: a Arte. E só. Arte como habilidade, criação, beleza. Convivência.Arte de bem viver. Uma cultura cidadã só pode acontecer se as pessoas conviverem em estado de Arte, cultivando forma e o espírito e, no espaço da liberdade de criação, aprenderem a viver com liberdade e respeito. Arte, conceito difícil de definir e ao mesmo tempo tão presente em nossas vidas. Por isso mesmo a arte deve permear o conjunto dos programas de toda política cultural.
Arte necessita de fomento que ative e impulsione o processo criativo. Nos últimos 20 anos as políticas de fomento em vigor no país estiveram, basicamente, concentradas em instrumentos da renúncia fiscal, transferindo recursos públicos para um processo de decisão privada, submetida à lógica do mercado. Houve iniciativas que caminharam em outro sentido, apresentando resultados consideráveis, como as iniciadas no movimento Arte contra a Barbárie, que resultou na lei do Fomento em São Paulo ou a experiência do programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura, disseminada pela ação do Ministério da Cultura no governo Lula, bem como os editais específicos de fomento para os campos da identidade e diversidade e das artes. São contrapontos ao modelo que reduz a Cultura e a Arte apenas à dimensão produto ou mercadoria. Programas de Cultura com sentido emancipador deveriam caminhar nesta mesma lógica, em que Cultura e Arte são consideradas direitos inalienáveis, que devem ser realizados pelas pessoas, pela sociedade, em ambientes de liberdade criativa, cabendo ao Estado assegurar meios para que aconteçam em toda sua potencialidade, com critérios públicos e sem dirigismo, seja do Estado ou do Mercado.
O principal meio para efetivação desta política deve ser o Fundo Municipal de Cultura, com dotação orçamentária própria e destinada diretamente ao fazer cultural e artístico da sociedade, das pessoas. Como meta: 1% do orçamento municipal diretamente destinado ao Fundo de Cultura. Para as necessidades de manutenção e investimento direto do município, as Secretarias de Cultura devem contar com orçamento próprio; ou, em linguagem técnica: os Fundos Municipais de Cultura devem contar com rubrica específica, com fonte de recursos assegurada e mecanismos públicos na definição de acesso a estes recursos.
Chega-se ao valor de 1% do orçamento a partir de que, no mínimo 5% do PIB nacional (dados do IBGE) advém da economia da cultura. Toda essa economia gera recursos para as cidades que retornam na forma de tributos diretos (ISS sobre atividades culturais) e indiretos (arrecadação em bares, restaurantes, hotéis e demais atividades econômicas diretamente impactadas pela economia da cultura), nada mais justo que parte destes recursos seja aplicada na própria atividade que os gerou (permitindo, inclusive, a ampliação destes recursos com o motor da própria atividade econômica). Diversas cidades já contam com Fundos Municipais de Cultura, algumas há décadas (Campinas, por exemplo) e outras começam a implantar (Campo Grande, recentemente, aprovou lei criando o Fundo e definindo piso de 1% do orçamento municipal); não faz sentido que grandes ou pequenas cidades ainda não disponham de algo semelhante. Cabe salientar que a criação de Fundos Municipais de Cultura está prevista na lei que cria o Sistema Nacional de Cultura e em poucos anos esta será a única forma de acesso a recursos nacionais de cultura, que serão transferidos “fundo a fundo”, a exemplo do Sistema Único de Saúde. Outra fonte de recursos do Fundo deve ser a receita própria dos equipamentos municipais de cultura (borderô de ingressos, eventuais locações, doações diversas), evitando que este recurso se perca no caixa único das prefeituras.
Com o Fundo Municipal de Cultura é possível manter e ampliar as ações de fomento; nos grandes municípios podem existir Fundos Setoriais (Artes, Diversidade e Cidadania Cultural, Patrimônio e Memória, Audiovisual, Livro e Leitura e Projetos Especiais), seguindo a mesma lógica do projeto de lei que institui o Pró-Cultura (reforma da lei Rouanet) em nível nacional – ainda em tramitação no Congresso. Somente com um Fundo efetivamente estruturado e com recursos suficientes será possível realizar uma efetiva política de fomento à cultura nos municípios.
Mas para além de uma política de editais para acesso público a recursos públicos, cabe assegurar uma série de mecanismos de fomento às artes e à preservação do patrimônio histórico e cultural. As cidades precisam contar com Conselhos do Patrimônio Histórico e Cultural, bem como com regras estáveis de preservação, que possam conviver com as necessidades da expansão imobiliária, sem prejuízo à preservação de nossas referências históricas, ambientais e afetivas. Cabe a estes Conselhos assegurar a inventário das áreas envoltórias de patrimônios tombados e regras prévias e claras para os proprietários do entorno, tornando sustentável a preservação e até criando compensações, no caso de grandes e médios municípios, com uma lei da troca do potencial construtivo (em que o proprietário de um imóvel tombado poderá negociar o potencial construtivo de seu imóvel em outras áreas da cidade, assegurando recursos para preservação do bem tombado).
Junto a estas medidas de Fomento e Regulação, cabe, igualmente, manter Instituições e Programas de Preservação e Memória, que vão desde a manutenção de Museus e Arquivos à realização e inventários, cartografias culturais, mapas e roteiros, histórico, ambientais, afetivos e artísticos.
Medidas institucionais de gestão da Cultura
Os quatro programas aqui apresentados dão conta, ao meu ver, das diversas dimensões e necessidades de uma efetiva política cultural para o século XXI, porém, para que aconteçam em plenitude, serão necessárias medidas institucionais, basicamente previstas na lei que cria o Sistema Nacional de Cultura, a exemplo do SUS. São elas:
a) Adesão das cidades ao Sistema Nacional de Cultura;
b) Plano Municipal de Cultura, com objetivos, metas e indicadores para os próximos 10 ou 20 anos;
c) Criação, fortalecimento e democratização dos Conselhos Municipais de Cultura (e criação de conselhos por subprefeituras, quando houver);
d) Criação do Fundo Municipal de Cultura (com dotação orçamentária própria e repasse de recursos por editais públicos);
e) Fortalecimento da capacidade de gestão e formulação das Secretarias de Cultura (ampliação orçamentária e concurso público para quadro funcional especializado);
f) Sistema de Informações e Mapeamento Cultural;

E para os candidatos a vereador, fica a sugestão para abraçarem as leis Cultura Viva e Griô, ora em tramitação no Congresso Nacional e que também podem ser adaptadas à legislações municipais. Além da Carta Compromisso com a Cultura, que deveria ser assinada por todo candidato ou candidata que percebe na Cultura a potência de seu povo.


Vídeo com Célio Turino no Café JAMAC, AQUI

Outro vídeo com Célio Turino, AQUI


Entrevista escrita com Célio Turino, AQUI

Mais artigos de Célio Turino sobre politicas culturais,  AQUI

sábado, 6 de outubro de 2012

SCDC apresenta balanço de ações

 Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC/MinC) apresentou à nova titular do Ministério da Cultura, ministra Marta Suplicy, um balanço das principais ações desenvolvidas no âmbito dos Programas Brasil Plural e Cultura Viva. O documento destaca como uma das prioridades da SCDC o fomento à Rede Nacional dos Pontos de Cultura.
A secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg, informou que atualmente está trabalhando na qualificação das parcerias e na pactuação com os gestores das 25 redes estaduais e uma do DF, das 44 redes municipais com convênios vigentes, e das duas redes intermunicipais. Segundo ela, “a prioridade foi honrar os compromissos, buscar soluções jurídicas e administrativas, adequando instrumentos e procedimentos para a sustentabilidade do Programa Cultura Viva, que integra 3.703 Pontos de Cultura fomentados nos 26 estados e no DF, com relevante impacto social”.
Pagamentos
Honra ndo seus compromissos financeiros, a SCDC efetuou o pagamento de convênios de 34 pontos e 31 pontões diretos, além de 19 redes estaduais, 35 redes municipais e uma intermunicipal. Em2012, aSCDC assinou convênio com o Rio Grande do Sul para o fomento de 160 pontos de cultura. Esses pontos vão se reunir numa TEIA estadual nos próximos dias16 a18 de novembro. Também foi estabelecida uma parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC) para o desenvolvimento de ações em oito pontões de bens registrados.
A sistematização do acompanhamento e fiscalização de convênios, e organização das informações e do atendimento dos convenentes, também se apresentou como ações estruturantes. Uma das iniciativas de diálogo e acompanhamento é realizada por meio da ação “Caravana da Cidadania e da Diversidade Cultural”, que promove encontros com gestores públicos – incluindo as secretarias estaduais e municipais de cultura â �“, parceiros e rede de Pontos de Cultura. Também são aproveitadas as participações em fóruns e teias estaduais, para articular a Teia 2013. A Secretária esteve presente em 18 estados.

Cultura Viva

O diálogo também foi retomado com os parceiros e Redes de Pontos de Cultura, por meio do Grupo de Trabalho Cultura Viva, criado para discutir o Redesenho do Programa, que está sendo realizado em parceria com o IPEA.
Foi apresentado o número de pagamentos realizados em relação às ações de valorização da expressão cultural da diversidade brasileira. A Secretaria realizou o Prêmio Arte e Cultura Inclusiva 2011, contemplando 30 iniciativas, e fez o pagamento de 394 prêmios relativos aos editais de 2009 e 2010: ASA I e II, Cultura Digital, Economia Viva, Tuxaua, Mídia Livre, Cultura e Saúde, Cultura Popular e Cultura Ciganana.
Culturas Indígenas
Na área de fomento às culturas indígenas, foram efetivadas parcerias com organizações da sociedade civil para a implementação de 79 novos pontos de cultura em 67 terras indígenas, o que beneficia 83 etnias. Além disso, estão sendo desenvolvidas iniciativas com as universidades para formação acadêmica, projetos de extensão, difusão e valorização dos conhecimentos tradicionais indígenas. Outro destaque é a realização da 4ª edição do Prêmio Culturas Indígenas, que vai premiar 100 comunidades. Lançado no Seminário Nacional de Culturas Indígenas que aconteceu na Cúpula dos Povos durante a Conferência Rio+20, o prêmio homenageia este ano a liderança indígena Raoni Metuktire.

Infância e Juventude

A Secretaria também investiu no fomento à política cultural para a infância, com a realização do 1º Encontro Nacional de Cultura da Infância, em julho de 2011 no Rio de Janeiro, quando foram estabelecidas parcerias e diretrizes, com o fortalecimento da articulação da Rede Pontinhos de Cultura, e a efetivação do pagamento de 250 prêmios, em 25 estados e no DF.
Com relação ao fomento à política cultural para a juventude, está em curso o Prêmio Agente Jovem de Cultura – já fase de seleção das propostas habilitadas – para reconhecer 500 iniciativas de jovens entre 15 e 29. O prêmio é uma parceria do Ministério da Cul tura, por meio da SCDC, com o Ministério da Saúde, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Secretaria Nacional de Juventude da Secretaria-Geral da Presidência da República. Essa parceria estabelece uma perspectiva de ação mais integrada e permanente nesse campo.
 


Comunidades Tradicionais


Dentre as ações desenvolvidas para o fomento das culturas dos povos tradicionais, a Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural realizou, de27 a30 de novembro,em São Luis(MA), a Oficina Nacional de Elaboração de Políticas Públicas de Cultura para Povos Tradicionais de Terreiros.
Realizado em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR/PR), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC) e a Fundação Cultural Palmares (FCP/MinC), o encontro resultouem um Documentode Diretrizes com subsídios para o 1º Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicio nais.
Também nessa área, por meio de parceria com a Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MinC) e a SEPPIR, foi promovida a implantação de 10 pontos de leitura temáticos da ancestralidade africana no Brasil, com uma meta de implementação de mais 20 pontos no próximo semestre.


Identidades Étnicas


Para a valorização das identidades étnicas, foi realizado em 2011, no Paraguai, o 2º Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, com a participação de representantes da Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai.
Também foram realizados com o apoio da Secretaria: a comemoração do Dia Nacional dos Ciganos, em 2011 e em 2012, e a Plenária Governamental de Políticas Públicas para os Povos de Cultura Cigana; os Acampamentos indígenas Terra Livre e KariOca, e o Encontro Afroambiental dos Povos Tradicionais de Terreiros, que aconteceram durante a Rio+20.
O diálogo com o segmento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) foi fortalecido por meio da participação no Conselho e Conferência LGBT, inclusive com a produção da agenda cultural desta. A SCDC também partic ipou dos Conselhos e das Conferências Nacionais dos Idosos, dos Direitos da Mulher, da Igualdade Racial, da Pessoa com Deficiência, dos Direitos da Criança e do Adolescente, da Juventude e do Desenvolvimento Agrário.
Outra importante parceria é a expansão da Rede Saúde e Cultura, realizada com a Fiocruz, do Ministério da Saúde, com o objetivo de promover a cultura como determinante social da saúde. As ações de promoção da cidadania e da diversidade cultural resultaram ainda no Circuito Cultura Viva, que foi exposto no Galpão da Cidadania durante a Rio +20 e teve a participação de 30 pontos de cultura do Rio de Janeiro.


Cooperação Internacional





 
Na área de cooperação internacional, a Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural tem buscado a promoção do Programa Cultura Viva, especialmente junto aos países da América Latina, durante visitas de delegações estrangeiras, reuniões e encontros internacionais. Um dos resultados é a cooperação internacional com o programa Puntos de Cultura da Argentina.
O Programa Cultura Viva também foi divulgado no mundo árabe, com a palestra de abertura no Seminário Conexões, pela Assessora Internacional da SCDC Giselle Dupin. O encontro foi realizado na Tunísia, no início de setembro 2012, e teve a participação de artistas e gestores públicos de mais de dez países da região.
Em 2012, a SCDC apresentou à UNESCO o 1º Relatório brasileiro sobre a implementação da Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais no Br asil.
Confira aqui os últimos números da SCDC.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cobertura do seminário Estética das Periferias

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A escola é o lugar que atrasa o século 21’



Não importa muito como ela seja chamada: educação 3.0, educação para o século 21, educação para a vida. Mas a verdade é que muitos educadores já perceberam que os sistemas educacionais precisarão se adaptar se quiserem formar alunos capazes de lidar com a quantidade de informação hoje acessível, hábeis em administrar problemas cada vez mais complexos e prontos para serem atuantes em um mercado que exige habilidades que não ensinadas nos livros. Cientes desse descompasso entre o que a escola oferece e o que o mundo exige, um grupo de especialistas decidiu formar o Gelp (Global Education Leaders’ Program) para discutir problemas reais de sistemas educacionais espalhados pelo mundo e suas possíveis soluções.
“Não há uma resposta única nem um só modelo a ser seguido”, diz David Albury, diretor de design e desenvolvimento do Gelp. O britânico, que foi conselheiro do primeiro-ministro para assuntos estratégicos entre 2002 e 2005, vem conversando com alunos e educadores e conhecendo modelos em todo o mundo. Diante do que tem visto, Albury encontra três tendências importantes para a educação do século 21: personalização, aprendizado baseado em projetos e avaliação por performance.
crédito Jeanette Dieti / Fotolia.com

A personalização, explica ele, não quer dizer necessariamente a adoção de plataformas educacionais on-line, mas a configuração do aprendizado para necessidades de cada aluno. “A tecnologia é parte essencial nesse processo, mas não é o processo”, afirma ele. Como exemplo de escola que desenvolve um ensino personalizado, Albury cita a escola sueca Kunskapsskolan, em que os alunos desenvolvem, com a ajuda de tutores, seus planos individuais de estudo adequado às suas paixões e afinidades, com metas claras, que podem ser acompanhadas ao longo do ano.
O aprendizado baseado em projetos, afirma Albury, tem sido uma escolha que escolas ou grupos de escolas têm feito para desenvolver habilidades nos alunos de maneira menos “compartimentalizada”. Nessa abordagem, os alunos precisam desenvolver um projeto e, durante o processo, aprendem conceitos das mais diversas disciplinas, trabalham em equipe, tomam decisão. Apesar de ser uma tendência, diz o britânico, ele não conhece nenhum sistema público de ensino que use o formato em todas as suas escolas. “Não precisa ser adotado em sistemas inteiros. Isso pode acontecer de forma piloto”, afirma. “Não podemos esperar que os sistemas já comecem perfeitos. Leva tempo para acertar, as pessoas cometem erros.”
Já sobre as avaliações por performance, afirma ele, surgem na tentativa de medir e reconhecer habilidades que os testes de múltipla escolha não conseguem. “Como é que eu avalio se um aluno é criativo? Ou se ele é bom em resolver problemas da vida real?”, pergunta Albury. Essa questão, que tem afligido líderes educacionais de todo o mundo, não está respondida, mas há algumas tentativas, diz o inglês, de usar colegas, família e comunidade na construção de novas formas de avaliar.
crédito Porvir

Outra realidade que tem se tornado cada vez mais clara é que processos educativos muito ricos têm ocorrido fora da escola. Albury conta que esteve em uma reunião com alunos canadenses de 13 anos. Um deles lhe disse: “Quando eu venho para a escola, eu sinto que eu estou sendo desempoderado. Fora da escola, eu tenho acesso a várias fontes de informação. Na escola, eu tenho um professor, um livro, talvez um computador”. Um colega dele concluiu: “A escola é o lugar que atrasa o século 21”.
Trazer a educação que ocorre fora da escola para dentro é um desafio a mais para os professores, que precisam remoldar a forma como lidam com o ofício. “É também uma questão de identidade dos professores.” Para tanto, a participação das universidades é fundamental. Nesse quesito, diz o especialista, a demografia do Brasil é mais favorável do que a de países europeus, onde há poucos professores se formando e muitos estão em atividade há muitos anos. “Mais difícil do que aprender é desaprender”, afirma Albury.
Equipe brasileira
Formado há quatro anos, o Gelp começou com quatro membros: Ontário (Canadá), Nova York (EUA), Vitória (Austrália) e Inglaterra. No ano passado, o Brasil passou a fazer parte do Gelp, que hoje já tem 13 membros, entre cidades, estados e países. Entre os representantes brasileiros estão a Secretaria Municipal do Rio e as estaduais de São Paulo, Goiás e Pernambuco. Os participantes se encontram duas vezes por ano e, virtualmente, compõem uma rede com atividades ao longo do ano. Em novembro, o Rio de Janeiro será anfitrião do segundo encontro de 2012.
Albury esteve ontem no Porvir conversando com jornalistas brasileiros que cobrem educação.

Leia também: http://acaoculturalse.blogspot.com.br/search?q=A+escola+de+meus+sonhos

Comentário recebido via e-mail

Gostei muito das respostas dos alunos. Quando damos a eles a fala conseguimos avaliar as mudanças de vários ângulos. Precisamos acordar e rápido.
Edjane
 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

São Paulo e todas as outras cidades só mudam se mudarmos o nosso jeito de votar.

É da vida que a vida se nutre. A vida deve ser a prioridade ou não haverá vida de espécie alguma. Observando o momento da nossa sociedade, podemos dizer que estamos numa transição. Ainda não nos tornamos o que precisamos ser e já não somos mais o que éramos antes. Descemos do pedestal do topo da cadeia predatória, onde estávamos destruindo os ecossistemas e, agora, caminhamos para uma nova consciência planetária, onde assumimos nossa verdadeira vocação e a responsabilidade de servir ao planeta. É fato que esta postura ultrapassada esta chegando ao fim. Os modelos de cidades que temos hoje são parecidos com um buraco negro, onde a concentração é tão grande que consume tudo, inclusive a própria luz. Mas podemos criar nossas cidades como potentes centros de revitalização e expansão, devolvendo recursos naturais e reconstruindo os ciclos da biodiversidade com inovação e criatividade. Como podemos inverter esse sinal; passar da destruição à nutrição e florescimento das cidades? Como transformar as cidades em espaços de revitalização? Podemos iniciar nossa caminhada colocando em prática, por exemplo, os valores propostos pela Carta da Terra, nos âmbitos ambiental, social e econômico. Mas esta importante mudança passa pela mudança das atitudes e dos valores de cada um de nós. Aliás, é estranho pensar que só agora estamos nos dando conta de quanto nosso sistema econômico é violento - que se apropria da vida, dos recursos naturais, e do trabalho humano de uma forma totalmente utilitária.Como seria nossa vida se nos pautássemos pelo que somos e não pelo que possuímos? Qual é o papel da política senão o de nos reinventar enquanto sociedade, de cuidar das relações entre as pessoas, nas comunidades, cidades, países e no planeta. Podemos fazer diferente. Acredito em novas formas de fazer política. Uma política que pense na vida, em primeiro lugar.

Minha trajetória de vida como empresário socialmente responsável, líder da sociedade civil e agora na política, foi e sempre será a serviço desses princípios. E desta forma eu convido vocês nesta eleição a pensar e agir como cidadãos e cidadãs responsáveis pela transformação do que somos no que queremos ser e espalharmos juntos
essa semente de uma cidade mais transparente, justa e sustentável.

São Paulo só muda se mudarmos o nosso jeito de votar.

Ricardo Young - Candidato a Vereador pela cidade de São Paulo

Assista ao belo vídeo. AQUI

Hoje ando saudosista de um tempo bom.


Compartilhando a conversa que tive com uma amiga no facebook e com um amigo de forma presencial.
  

Seguindo em frente! É natural que o ser humano sinta vontade de retornar experiências de momentos que teve. É o sinal da maturidade de quem vivenciou muita coisa boa no tempo. O bom disso tudo é poder reviver sob outras condições e até com outras pessoas aquilo que sentimos um dia. Lembro de ter falado isso com algumas pessoas, nestes dias de realização da jornada ecológica.
Para saber sobre o que é a jornada ecológica clique AQUI e AQUI
 
Sobre o assunto, vale a pena lembrar a letra de uma composição  do Pe. Zezinho.

 É saudade que a gente tem

É saudade que a gente tem
Pe. Zezinho, scj

Esta fome de felicidade
É saudade do infinito
É saudade do paraíso
É saudade que a gente tem
É saudade que a gente tem

De vez em quando
Quando eu passo por aí
Procurando Jesus Cristo
No semblante do meu povo
Em cada rosto eu torno a ler o que eu já li
Jesus Cristo está presente
E um dia voltará de novo

O homem rico tem saudade
Mas não sabe
Cada novo investimento
Mostra medo e um quimera
O homem pobre que procura igualdade
Também ele tem saudade
Da verdade que ele espera

O homem velho que só fala no passado
Tem saudade, está cansado
e já viveu o suficiente
Aquele jovem que só fala no futuro
Tem saudade, eu quase juro
Do infinito à sua frente

Vou caminhando e meditando esta verdade:
Minha gente tem saudade
do que estava prometido
Esta procura de encontrar felicidade
É nada mais do que saudade
De um valor que foi perdido

Lembrando uma outra conversa que tive com um amigo ligado a produção cultural, dentro do contexto de saudosismo com relação aos  vários estilos ou correntes estéticas ou artisticas.

Viver só lembrando o passado é um tipo de saudosismo que quero bem distante de mim. Porém, trazer o que o passado traz de bom e ligar com aquilo que o presente oferece também de bom é o que me motiva sempre mais.
Neste sentido no campo da cultura, tenho uma relativa aproximação e ás vezes me afasto daqueles setores que tem a cultura popular ou a cultura de raízes como uma obsessão. Gosto da cultura popular, da cultura tradicional, mas gosto da mistura que Villa Lobos fez, gostei muito de ver na semana passada , alguns alunos cantar uma música de Luiz Gonzaga em forma de rap, gosto do mangue beat, gosto da tropicália, enfim gosto da mistura, do caldeirão de raças, ritmos, religião e cores que nos faz ser os brasileiros que somos .
Zezito de Oliveira
Educador e Produtor Cultural