sexta-feira, 12 de outubro de 2012

>>>Sebrae está com inscrições abertas para Oficina de Orientação de Projetos para Editais de Música>>>


O Sebrae Sergipe estará realizando no dia 19 de outubro próximo uma Oficina de Orientação de Projetos para Editais de Música, com intuito de esclarecer dúvidas e detalhes dos editais e orientar na formatação e redação dos projetos, facilitando assim, o acesso dos agentes culturais sergipanos a ...

tais recursos. O consultor do SEBRAE Edmilson Suassuna ficará responsável pela condução dos trabalhos.

Data: 19 de outubro
Horário: 15h às 18h
Local: Sede do Sebrae, à Av. Tancredo Neves

Inscrições: Gratuitas. É necessário confirmar participação até o dia 17 de outubro pelo e-mail negociocriativose@gmail.com

Importante: Os participantes da Oficina terão direito também à consultoria individualizada para conclusão do projeto.


Editais em estudo
1) Prêmio FUNARTE de Música Brasileira

1. Do objeto
1.1. Constitui objeto do presente edital a seleção de projetos relativos ao universo da música popular brasileira, que visem à criação e/ou produção e/ou circulação de obras, atividades e produtos de cunho musical, tais como: projetos de composição, arranjos, shows, vídeos, cancioneiros, discos, sítios de internet, revistas, pesquisas, mapeamentos, seminários, ciclos de debates, palestras, oficinas e cursos livres.
1.2. Através do Prêmio Funarte de Música Brasileira, a Funarte pretende possibilitar a
criação e a produção de projetos relacionados ao campo da música popular brasileira, bem como contribuir para a difusão de atividades e produtos existentes e sua circulação e distribuição no território nacional.

a) Módulo A: 23 prêmios de R$ 30.000,00 (trinta mil reais);
b) Módulo B: 20 prêmios de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais);
c) Módulo C: 8 prêmios de R$ 100.000,00 (cem mil reais);
d) Módulo D: 4 prêmios de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais).

Inscrições até 17/11/2012

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2) PETROBRAS CULTURAL EDIÇÃO 2012
PRODUÇÃO E DIFUSÃO – SETOR MÚSICA
ÁREA DE SELEÇÃO: APOIO A ARTISTAS, GRUPOS ou REDES MUSICAIS


1. Objeto
Esta Área de Seleção Pública refere-se ao apoio à música brasileira em duas frentes:
1.1. Patrocínio a artistas ou grupos de música brasileira pelo período de 2 (dois) anos,
visando à realização de um projeto inédito.
O projeto deverá proporcionar ao artista ou grupo a oportunidade de efetuar apresentações regulares e gravar material original, em estúdio ou ao vivo.
São resultados esperados nesta frente a criação e o compartilhamento de novas experiências artísticas, individuais ou coletivas.
O projeto deverá apresentar um plano de trabalho para 2 (dois) anos, com as seguintes atividades mínimas obrigatórias:
a) Durante o primeiro ano do patrocínio:
• Realização de, no mínimo, 12 (doze) apresentações em espaços adequados quanto a sonorização, iluminação e conforto do público;
• Produção de um CD inédito.
b) Durante o segundo ano do patrocínio:
• Realização de circulação de espetáculo inédito com no mínimo 15 (quinze)
apresentações em 5 (cinco) estados diferentes do Brasil, incluindo as cidades de Rio de Janeiro e São Paulo, e pelo menos um estado da região Norte ou da região Nordeste.
1.2. Patrocínio, pelo período de 2 (dois) anos, a projetos de estruturação e implantação de redes de música, interligando agentes culturais para o fomento e a sustentação de ações coletivas.
Entendemos como rede um conjunto de projetos ou iniciativas articulados por meio de uma entidade ou instituição, mobilizando uma rede de agentes culturais no desenvolvimento de alternativas de circulação, distribuição e formação para o meio musical brasileiro. Espera-se como resultado nesta frente a integração entre diferentes artistas, vertentes e territórios da música brasileira.

São exemplos de iniciativas em rede:
• Cooperação para distribuição de música brasileira, inclusive por meio de plataformas
digitais;
• Difusão de programas sobre música brasileira em rádios públicas e comunitárias;
• Intercâmbio entre artistas, inclusive com estrangeiros, resultando em produções inéditas e exclusivas;
• Produção de conteúdo sobre música brasileira para web TV e web rádio;
• Residências artísticas na área de música brasileira;
• Workshops e oficinas.
O projeto deverá apresentar um plano de trabalho para 2 (dois) anos.
Todas as atividades propostas deverão constar do plano de trabalho, com descrição detalhada das etapas, dos produtos e dos prazos de entrega.
Não serão aceitos projetos de manutenção de músicos ou grupos musicais.

Cada projeto inscrito nesta Área de Seleção Pública poderá solicitar um valor total (para os dois anos de apoio) a partir dos seguintes parâmetros:
• Projetos envolvendo o lançamento de novos artistas: até R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais);
• Projetos envolvendo artistas com carreira estabelecida: até R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais);
• Projetos envolvendo redes de música: até R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais).
Ver mais
 

Instituto Luciano Barreto Júnior abre inscrições para seleção de adolescentes e jovens



 O projeto ‘Conectando com a Vida’, realizado pelo Instituto Luciano Barreto Júnior, está com inscrições abertas até 1º de novembro. Os interessados devem se dirigir até a sede do Instituto, localizada na Avenida Barão de Maruim, 442, Aracaju/SE. O processo de seleção consiste em três etapas: inscrição, seleção e matrícula. Para participar, os interessados devem ter idade entre 14 e 24 anos, estar cursando o Ensino Fundamental II ou ter concluído o Ensino Médio na rede pública. O candidato não pode estar matriculado em nenhum curso de nível superior ou técnico. Anualmente, a instituição oferece 1.200 vagas para os projetos desenvolvidos, a exemplo do ‘Conectando com a Vida’, que tem como objetivo promover o processo de infoinclusão social de jovens em situação de vulnerabilidade. No projeto, são realizados cursos de informática, matemática, português, entre outros, com intuito de desenvolver competências para o mercado de trabalho, como também são realizadas ações voltadas ao desenvolvimento da cidadania.

(Jornal da Cidade, p. Cidades B2 – 09/10)

Fora de Eixo. Fuera del eje

Inventa un mundo, construye una nueva economía
Economía solidaria

Marta Florencia Goldsman



¿Una red cultural o un laboratorio para cambiar el modo de vida? Compartir, la utilización del trueque, poner el dinero individual ganado en una caja colectiva, tomar decisiones colectivas en asambleas… para llevar todas estas experiencias a la política partidaria, a los medios de comunicación, a las universidades. Y todo este compromiso desde una perspectiva de género, desde la equidad.
Las paredes de la casa Fora do Eixo1 de Minas Gérais, Brasil, hablan. Hay intervenciones de artistas con trocitos de cartón pegados, prolijos trazos de aerosol e ideogramas chinos. También hay mensajes que recuerdan los beneficios de reciclar la basura, la importancia de mantener el lugar en orden y lo saludable de cuidar el espacio colectivo. Esta casa es parte de un experimento enorme en el que las personas apuestan a compartir su vida, el salario y la habitación. Una casa en donde los nuevos medios de comunicación, los festivales de rock y el desarrollo de una economía solidaria a partir de acciones creativas impulsa a las personas a entregar sus horas de trabajo sin esperar remuneración a cambio.
Un hogar en donde hombres y mujeres de entre 20 a 50 años viven, trabajan y comparten la búsqueda de formas creativas de financiamiento e intercambio. Fora do Eixo (FDE) es una de las redes culturales más grandes de Brasil y varios de sus frentes están liderados por mujeres, autodenominadas #FEMeninas (chicas Fuera del Eje). Con más de 200 colectivos asociados, en el quinto país más extenso del globo, uno de los objetivos de la red es dar estímulo a la libertad creativa de artistas regionales de todo el territorio.
Reunion productoresLa semilla de FDE nació en 2005 desde las ciudades de Cuiabá, Uberlandia, Rio Blanco y Londrina cuando varios colectivos que producían eventos de música se unieron para intensificar la articulación de las bandas de música independiente entre las ciudades. Algunos jóvenes gestores culturales se unieron para promover juntos las giras de las bandas de rock locales, estimular el hospedaje solidario y articular a los productores para disminuir el costo de los viajes. En poco tiempo, varios productores de otras ciudades se identificaron con los problemas enfrentados por los precursores del circuito y se sumaron al movimiento formando así una red de colectivos culturales.
Lenissa Lenza (32) es una de las fundadoras de la red y resume cómo empezó todo bajo los principios de colectividad e interdependencia: “Todo lo comenzamos a hacer por necesidad ¿cómo vamos a sustentar un colectivo con un departamento para cada uno? ¡No! Vamos a compartir, vamos a vivir juntos en una sola sede, ¡es más viable! Hay afinidad de grupo pero también hay necesidades conjuntas y claras. Fuimos el primer colectivo de la red (de la ciudad de Cuiabá) en irnos a vivir juntos así desde cero, había que invertir todo. Diez años atrás fuimos los únicos en hacerlo, pero un tiempo después la gente vio que es fácil y posible. Cuantos más desafíos vivíamos más complicidad lográbamos”. Así se fue fortaleciendo un movimiento que propone que cada colectivo tenga autonomía local pero que se ligue a una red para realizar sus proyectos.
Biba Andrade (31) pide ayuda para limpiar un mueble antiguo donado por la madre de una de las habitantes de la casa. Después camina por la casa con un bolsón de ropa entre manos, con el que aumentar el guardarropa colectivo. Es la hora del almuerzo, hay que cerrar cuestiones pendientes antes de cocinar arroz y frijoles para más de 20 personas. Biba es parte de FDE desde hace más de cinco años y resalta, entre otros, que más que dificultades el modo de financiamento solidario abre nuevas posibilidades. Representa al Banco Fora do Eixo, un sistema de financiamento que articula centros culturales a nivel nacional y regional. Sobre el funcionamiento detalla: “Nosotros trabajamos a través de una gestión del Banco FDE y cada colectivo tiene su gestor. Entonces esa persona hace su gestión para su colectivo y después dialoga con los otros gestores. De ese modo logramos una relación más orgánica biba con el ordenadorcon todos los puntos de la red. Trabajamos con una caja colectiva que funciona a partir de los ingresos personales pero también de los del colectivo. Todos los ingresos confluyen en la misma caja. Esa caja colectiva tiene que dar cuenta de los gatos personales y también de los gastos del colectivo. Luego la distribución de fondos acompaña de a poco las necesidades de cada uno. Pero lo importante es que el dinero queda en la caja, paga las cuentas que precisan ser pagadas y después de cumplir con esas prioridades empezamos a pensar a dónde va a ser invertido. Enfocamos el uso de recursos en identificar si hay una acción que precisa ser hecha o si hay algún colectivo que le debe a otro”.
A nivel regional, añade Biba, también existe una caja colectiva nutrida por los recursos de cada agrupación estadual cuya función es “salvar” o asistir financieramente a otros colectivos. “Los colectivos pueden depositar ahí los fondos de algún proyecto que pertenezcan al circuito del mismo estado y después invertirlos en el funcionamiento de otros colectivos. Esas regionales dialogan a nivel nacional para un proyecto que se llama Cuenta Común. Todos los colectivos se registran en un formulario que les permite tanto prestar recursos como solicitar préstamos. Por otro lado, existe una categoría de financiamiento que se conforma de un porcentaje de todos los concursos públicos a los que aplica el colectivo y que después sirve para financiar otros proyectos de la red”.
Desafíos y creación de monedas
“Vivimos muchos desafíos pero en cuanto los íbamos superando más nos fortalecíamos. Pasamos hambre el primer año, pedimos ayuda a los padres, a los amigos, tampoco queríamos vender nuestro servicio al mercado porque desviaba nuestro propósito. En especial cuando creamos la moneda complementaria que, en su momento fue una cosa loca pero que sirvió para dar cuenta que la alternativa existe. La pregunta es: ¿Cómo se ecualiza esa matemática sin pactar con el mercado? Entonces creamos esas alternativas para intercambiar tanto monedas como servicios. Después comprobamos efectivamente que funciona y en la práctica llegamos más rápido a los objetivos sin necesidad de correr detrás del dinero”, reflexiona Lenissa.
Con pasos cortos pero seguros la red comenzó a explorar las posibilidades de una moneda complementaria centrada en el intercambio de servicios específicos. El desarrollo de la carrera de un grupo de música, la disminución de los costos de las giras, la administración de sus recursos. “La posibilidad de intercambiar, por ejemplo, el trabajo de arte gráfico por el trabajo de agencia de prensa es un caso en que el dinero que había que invertir en hacer una campaña publicitaria ya no se gastaba más. Durante los dos primeros años de trabajo sufrimos más oscilaciones. Uno de los muchachos cambió su auto por un estudio, después mis padres ayudaron con un dinero. Al año siguiente ganamos un premio y recomenzamos con más fuerza. Pero siempre hay altos y bajos”, añade.
Fotografías de: M.F. Goldsman
1)Reunión productores.
2)Biba preparando documentación.
3)Lenissa interviniendo en asamblea.
4)Michelle Raissa trabajando.
Fora do Eixo cuenta con una creciente presencia en los medios nacionales, su capacidad de articulación le permite trascender la esfera de los festivales de rock y su campo de disputa se extiende en las diversas arenas de la escena cultural brasileña. Las fuentes de financiamiento son variadas y se vinculan con los diferentes frentes temáticos de la red que atraviesa la música, los clubes de cine, las artes escénicas, las tecnologías libres, un partido político y un frente literario.
En la senda de la obtención de recursos señalan la importancia de la participación en concursos estatales, municipales o nacionales. También aplican llamadas a convocatorias para proyectos creativos, de formación libre y de propuestas de una nueva economía. “Contamos con un grupo encargado de mapear cada concurso y ver cuál es el proyecto que se encaja bien en ese formato. Esa comisión trabaja elaborando esos proyectos y enviándolos” relata Biba. Otra gran fuente de recursos es el patrocinio directo con empresas interesadas por los proyectos que generan repercusión en los medios. “Tenemos apoyos directos que tienen mucho que ver con los intercambios locales, las empresas, con encontrar socios que quieran invertir en un evento. Entonces puede haber una persona interesada en que las personas compren en su negocio, en ese caso disponibilizamos un intercambio que puede ser con moneda complementaria (Fora Do Eixo Card) o en Reales”.Lenissa meninas
Según Lenissa Lenza las críticas en un inicio fueron muy importantes, fundamentales para despabilar a las personas “porque todo el mundo estaba adormecido y narcotizado entonces es necesario ser sacudido”. Fue un proceso en el que desarrollaron otra sensibilidad y un respeto hacia el trabajo comunitario que ayudó a aumentar los niveles de entrega de las personas. “La propuesta de la caja colectiva fue una parte muy fuerte para que la gente entendiera el proceso, que forma parte de un colectivo y que cualquier objeto es de todos. Si esa mesa es mía, la traigo para el colectivo y decidimos juntas qué vamos a hacer con ella. Se construye de otra manera porque eres parte del colectivo entonces generas una conciencia colectiva en la que el débito lo tienes hacia el colectivo y además sabes que hoy te toca a vos porque mañana le va a tocar a otro”.
Inventa un mundo, construye una nueva economía
La moneda que circula en esta amplia red cultural se denomina Fora Do Eixo Card. Hay unos 300 bonos mil impresos permiten la intercambiabilidad con otras monedas del conjunto de la red (algunas de otros colectivos con su nombre propio y diferente). La tendencia es de crecimiento, observan.
“Hay más de 10 colectivos que trabajan con monedas físicas. Nacen con ese rasgo que denominamos una ´techie´ (una tecnología social) que la gente entiende rápido. Los colectivos van haciendo mucha sistematización de eso, luego la moneda física es como parte del marketing porque si aprendes a hacer el juego de los intercambios y explorarlo cada vez más, la creación de una moneda se deriva como consecuencia natural” desgrana Lenissa. Existe un componente simbólico muy importante en esta dinámica. Se vincula con la urgencia de dar un estímulo a los participantes. “La red no sobrevive de dinero si no que sobrevive de truques en todos los ámbitos. Ese es la mayor clave de FDE Card, si la gente no intercambia ¡se acaba todo! Entonces la moneda es fundamental en esa perspectiva y ayuda mucho con esas trocas, las personas se van manteniendo por causa de eso. Los colectivos se van vinculando entre sí para poder complementarse con diferentes servicios que se pueden intercambiar. La tendencia es la de la red de trocas de servicios de modo que la gente no caiga en la encrucijada de no poder desarrollar una iniciativa por falta de dinero”.
Uno de los indicadores más significativos muestra que el capital invertido y movido en trocas en 2010 es mucho más alto que el de Reales. “El año pasado eso creció mucho exponencialmente, en 2011 lo que era 65% en esa regla se volvió a un 85%, la gente terminó mucho más estimulada para usar el dinero y estimular a hacer más trocas”. También se trata de operar con un plan sustentable que cubra las necesidades básicas de las personas y los impulse a ser orgánicos con una red que los conecta de otra forma con la vida.
Biba ejemplifica el plus de valor de este sistema de financiamiento “Hay un índice que señala que cada 1 real que se mueve nosotros movemos 9 FDE cards. De los proyectos que realizamos cada 1 real que pagamos generamos el triple en valor de cards. Entonces si hay un proyecto que cuesta 400 mil, nosotros conseguimos hacerlo con 100 mil reales y 300 mil cards. Puesto que el card es todo servicio que invertimos, con toda nuestra producción y nuestro equipamiento entonces para cada proyecto que logramos colocar tenemos prevista esa relación. Un retorno de 1 en 9 también para el socio porque nuestro trabajo tiene contabilizada también la repercusión en medios de comunicación”.
Michelle Raissa TrabajandoLos muros revelan algo de la lluvia de ideas, los momentos de diversión y de entusiasmo de un puñado de personas que insiste en cambiar el mundo. Mientras tanto, las grandes ollas con caldo de mandioca se mantienen calientes para aquellos que regresan a la casa cansados y hambrientos. La producción show de rock, la cobertura de un congreso de cultura o una manifestación en las calles, algunas de las actividades que movilizan el activismo. Mientras tanto, Biba abre el placard y muestra una pila de ropa para el/la que necesite escoja y use. La oficina se convierte en dormitorio y se prepara para que dar cobijo a diez personas más. Procurar más espacio y construir un mundo diferente día a día.
Nuestro ambiente
“Contamos con varios brazos para buscar recursos y a la vez intentamos trabajar también de forma sustentable para minimizar también el consumo. Creemos en una filosofía de sustentabilidad ambiental y de consumo conciente”, destaca Biba desde la casa FDE de Belo Horizonte.
Fora Do Eixo presenta su costado ecológico así: “Una casa amplia, con 13 moradores (fijos), y una circulación media de 20 personas por día produce una alta cantidad de basura. En la Casa FDE de Minas Gérais estamos implantando un proceso de separación, reutilización y reciclaje de todos los residuos producidos. Repensamos todo su procesamiento que va desde la basura orgánica que será destinado para una pequeña compostera, pasando por las botellas de plástico que serán reutilizadas para el montaje de una huerta vertical y la confección de pufs para la casa. Demos prueba de que los pequeños actos hacen la diferencia para un mundo más sustentable”.
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1Fora do Eixo significa “Fuera del Eje”.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Festival AMORSIMRUSSOMANONÂO

Chegando-se a partir da rua - novos movimentos em SP centro



Um conjunto de grupos artísticos e culturais muito ativos na tentativa de revitalizar o centro de São Paulo degradado cristalizado na semana passada em torno de uma causa única política - para se opor Evangélica-backed prefeito candidato Celso Russomanno - e pode ter evoluído para uma forma mais unificada movimento de esquerda agora que ele foi derrotado.
por Claire Rigby
Sexta à noite, no coração da selva de concreto, e uma multidão se reuniu para dançar, beber e conversar na chuva. Pelo brilho de um de 6 metros balão inflável rosa, centenas de deriva sobre a praça, onde uma banda toca em uma extremidade e um DJ na outra. É Praça Roosevelt, recentemente quadrado re-inaugurada no centro de São Paulo, e aqueles que compõem o sorriso multidão, socializar responderam à chamada das redes digitais sociais para estar aqui, depois de uma hashtag, # AmorSimRussomannoNao ('Amor sim, Russomanno não '), centro da cidade para uma festa de rua contra a candidatura a prefeito de Celso Russomanno.
Intenções de voto de até 35% para Russomanno, um político, smarmy testado com links para a Igreja Universal do Reino de Deus, uma igreja poderosa e evangélica, tinha tão alarmado uma faixa de tipos criativos da cidade que um ad hoc movimento anti-Russomanno piscaram a vida na web, em seguida, mudou-se para a rua. Conectados via Facebook e se uniram em torno de uma rede frouxa de espaços de arte, centros culturais, salas de música e clubnights, artistas, músicos, jornalistas e ofícios aliados promoveram a festa de sexta-feira em seus cronogramas e feeds de Twitter de quarta-feira em diante, postar atualizações de status e tweets com a hashtag.

Alguns deles mudaram suas fotos de perfil no Facebook para rosa-choque, a cor escolhida como tema para a festa, ou usava rosa quente T-shirts que acabaram colado ao seu corpo como a chuva veio, abafando o som de uma banda de hardcore um lado da praça, uma banda de forró em uma estrutura inflável no lado sul, e um DJ tocando hip hop e funk na outra extremidade. O último foi uma versão improvisada ao ar livre da hora sexta e noite regulares feliz na vizinha Matilha Cultural , um centro de pouco nervosa cultural cujo programa também apresenta exposições de arte e filmes.
Matilha é apenas uma de um conjunto desorganizado de socialmente conscientes eixos em torno do qual essas seções de jogo criativo da cidade gira. Outros incluem a mecha clubnight Voodoohop, A galeria de arte Choque Cultural , e coletivos de arte relacionadas, como SHN e Bijari. BaixoCentro é um grupo que tem organizado uma série de edgy rua baseados em eventos ao longo dos últimos meses, enquanto a Casa Fora do Eixoé um hub multimídia música / local / estúdio de TV improvisado no coração da Aclimação, onde uma série de debates sob a bandeira AmorSimRussomannoNão # têm sido realizadas ao longo dos últimos dias, ao vivo transmitido em PosTV.
O que está acontecendo
Um amor compartilhado de São Paulo é um dos títulos que traz esses grupos, como é a perspectiva de que a cidade está doente. "Por anos, São Paulo foi se tornando mais agressivo, cidade, individualista caro, e cada vez mais controlado", leia uma chamada à ação no Facebook na semana passada na página da festa de sexta-feira evento . Em seu próprio Facebook timeline, um dos do partido organizadores, o jornalista Bruno Torturra, elogiou o espírito da cidade de resistência - mas não antes de eloqüência expondo alguns de suas realidades mais feios: "Uma cidade que se orgulha de trabalho, e não na bondade e gentileza. Que se orgulha de seus edifícios, não seus parques. Um lugar excelente para ganhar e gastar dinheiro, mas onde é impossível esquecê-lo. Grey, caro, opressivo e estressado: Eu tenho me perguntando há anos por isso que insisto em viver em São Paulo ".
Praça Roosevelt em si, renovado ao longo dos últimos três anos, a um custo estimado de R $ 55 milhões, é emblemático de alguns dos problemas que a cidade enfrenta. Pesado em superfícies de concreto, duro e tragicamente luz sobre árvores e vegetação - que é a história da vida de São Paulo - o quadrado feito um local ideal para o partido anti-Russomanno em que chovia e chovia, mas não havia lama para lidar com eles. Mas, assim como há lama, a praça também não tem fontes de água potável e sem banheiros - e nenhum lugar para abrigar da chuva, para desencorajar rua travessas.
Partido político
O que foi sobre Russomanno que tanto agitou as pessoas? "Ele representa o pior da política brasileira", disse Torturra, falando comigo no sábado, após a festa. "Não só para a vacuidade de sua candidatura - ele é um demagogo, hipócrita, e ele vem de um fundo carreira muito sombrio. Mas também porque as pessoas por trás dele são parte de um jogo de poder pela Igreja Universal: uma igreja evangélica que é muito perigoso - sórdida. Foi assustador pensar que ele pode realmente chegar ao poder. "
Voltar na praça, na noite de sexta-feira, um espectáculo de dança irrompe em um lado da praça, enquanto do outro lado, Matilha DJs tocam para uma pista de dança improvisada ( relógio de 01h50min ). Os menos preparados para se molhar reunir ao longo do flanco oriental da praça, derramando dentro e fora dos teatros e bares que vão ao longo desse lado da praça. E, apesar de a natureza intencionalmente não-político-partidária do movimento contra Russomanno, em um dos lobbies teatro, Studio 184, há uma HQ improvisado para a campanha para outro dos candidatos a prefeito: Fernando Haddad do (PT Partido dos Trabalhadores - Partido dos Trabalhadores da presidente Dilma Rousseff). Faz sentido: para muitos dos presentes, um voto para Haddad significa um voto contra não só Russomanno mas também contra José Serra, o candidato líder e uma figura de estabelecimento, bem como um ex-prefeito de São Paulo, que deixou o cargo em 2006 a fim de executar a mais suculenta trabalho, que ele ganhou, do governador do Estado de São Paulo.
Haddad ativistas se reuniram em frente ao saguão do teatro estavam usando chocante leitura camisetas rosa, 'Se Quer amar, nao erra: NEM Russomanno, NEM Serra "(" Se você quer amar, não se engane: nem Russomanno nem Serra'). Não foi um pouco manhoso, eu perguntei William Nozale, um dos ativistas que trabalham para a candidatura de Haddad, para não endossar abertamente Haddad na camiseta? "Há muitos lugares em que a declarar-se para um candidato, mas também há espaços onde você pode declarar-se contra a outra", disse Nozale, que mora na Praça Roosevelt. "A eleição tem dois estágios, por isso a coisa mais importante agora é que um dos dois", disse ele, apontando para sua camiseta ", deve perder."
Como o fim de semana foi passando e as redes sociais continuaram a fizz com a discussão, o motivo anti-Russomanno começou a virar a pró-Haddad declarações em alguns lugares, e quentes fotos de perfil rosa para ser substituído por carta decisiva 'H. Haddad é um aliado natural, ou apenas uma escolha prática, a fim de evitar acabar com Russomanno como prefeito? "Ele é um bom candidato", diz Torturra. "De todos os candidatos, ele é provavelmente o mais aberto - ele é alguém com quem o diálogo seria possível. E se ele ganhar, nós vamos definitivamente fazer isso - através do seguinte e tentar falar com ele sobre medidas para o tipo de cidade que queremos para se viver "
Russomanno fora
Trazendo a campanha anti-Russomanno ao fim, os resultados da eleição, a primeira etapa de um processo de duas etapas, foram anunciados na noite de domingo. Serra liderou com 30,75% a 29,98% de Haddad, levando-os, tanto através de uma segunda votação, enquanto Russomanno caiu e queimou com 21%. Um evento Russomanno planejada em um clube na Avenida Paulista foi apressadamente cancelado, como Twitter zumbiam com tweets júbilo.
Foi a hashtag que salvou o dia? Quase certamente não. Um olhar sobre as cores no mapa mostrando os resultados finais para a cidade em geral mostram true-blue Serra dominando as mais ricas regiões central e ocidental eleitorais decisivamente, facilmente dobrar percentual de Haddad quase todo. Claro como o dia, não foi nos bairros frequentados pelo milhares forte # AmorSimRussomannoNão brigada mas nos milhões-fortes da classe trabalhadora fortalezas do sul da cidade, leste e norte-Oeste que Haddad eo PT ganhou sua chance na o segundo turno.
Mas qualquer que seja o número, a euforia da semana passada e ativismo pode ter ganho o movimento heterogéneo de criativos uma nova maturidade e um sentido de coesão. "São Paulo sempre prioriza o privado sobre o público", diz Torturra, citando as novas leis que restringem o direito de protesto público. "Em uma cidade como esta, ocupando as ruas para uma festa é um ato muito político - um ato de resistência, e também é um ato cultural: um ato de amor." Encontro de sexta à noite teve uma pitada de que, além de boa música e, mais do que um necessidades rua grandes partidos - incluindo um menor impasse com a polícia que, para alguns, representou a inauguração verdadeiro da nova marca Praça Roosevelt (ver meu filme de parte do que aqui , ou baixo). E uma hashtag nova marca já está fazendo as rondas prontos para a segunda fase da eleição, um segundo turno entre Haddad e ex-prefeito José Serra: # FaçaAmorNãoFaçaSerra - "Faça amor, não Serra".
incorporado por vídeo embutido

Moradores de coletivo compartilham de roupas a dinheiro em São Carlos

Músicos e produtores vivem conectados em tecnologia e cultura.
Circuito Fora do Eixo possui até moeda social própria.

Do G1 São Carlos e Araraquara



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Muitos jovens de São Carlos (SP) optaram por morar em uma casa com pessoas desconhecidas e compartilhar tudo, de roupas até dinheiro, inclusive com quem está de passagem. É o Circuito Fora do Eixo, que tem cerca de 100 casas no país.
Na entrada já dá para perceber que é uma casa diferente. Nas paredes, a arte se multiplica e logo na sala de visitas tem uma loja. Quem mora no local são jovens conectados com tecnologia e cultura. Embora pareça, isso não é uma república de estudantes, é um coletivo.
“A gente tem um modo de organização todo da casa, tanto de funcionamento, como demandas práticas do dia a dia que cada um assume aqui”, disse o músico Juliano Parreira. “Eu vejo até mais como uma empresa do que uma república em que a gente só vem pra dormir ou espaço para ficar durante um tempo, durante uma universidade”, falou.
Eles socializam tudo, inclusive os serviços. No quintal, a horta foi plantada em canos e todo dia alguém tem a responsabilidade de regar; na cozinha tem uma lousa com as tarefas diárias bem divididas. “Diz respeito principalmente à alimentação aqui na cozinha”, explicou o também músico Felipe Dorante. “Hoje quem fez o café da manhã comprou pão, pôs e tirou a mesa e a gente sabe de quem cobrar”.
Cada dia um é responsável por regar a horta (Foto: Wilson Aiello/EPTV)Cada dia um é responsável por regar a horta (Foto: Wilson Aiello/EPTV)
A agenda também é coletiva e fica na parede, mas o curioso é outro quadro, com um mapa improvisado do Centro de São Carlos com a localização da casa. É um mapa, de onde ficam os dois carros do grupo. “Como a gente dois carros que todo mundo usa, um carro coletivo, a gente tem que identificar onde estão nas ruas, porque a gente não tem garagem”, explicou o músico Eduardo Porto.
Comandada pela arte, casa tem espaço destinado aos músicos e produtores (Foto: Wilson Aiello/EPTV)Comandada pela arte, casa tem espaço destinado
a músicos e produtores (Foto: Wilson Aiello/EPTV)
O casarão de dois andares fica no Centro da cidade. A decoração é feita com muito grafite nas paredes e no fundo eles improvisaram um quarto para o ensaio das duas bandas da casa. São seis moradores, entre músicos e produtores culturais, mas a casa está sempre de portas abertas e sobra espaço. Por isso, quatro quartos são reservados para receber artistas que vêm de fora. “Banda do Centro-Sul, do Centro-Oeste, a gente recebe qualquer banda que entre em contato e a gente possa viabilizar qualquer coisa por aqui”, comentou Parreira.
São mais de 800 discos de vinil e filmes, tudo para ser socializado. A produtora musical Laila Manuelle é de São Paulo e mora no coletivo há oito meses. “É uma experiência realmente inovadora e inigualável”, afirmou. “A circulação de pessoas que tem por aqui é absurda e a gente entra em contato com muitas tecnologias, ideias, que não teria contato em lugar nenhum”, disse.
A casa também é habitada por viventes, moradores temporários quem vêm trabalhar no grupo. O produtor cultural Rafael Coredeiro é de São Paulo e vai ficar na cidade por alguns meses. “Acho que é a forma mais saudável pra gente construir algo muito bom pra todo mundo e a cultura tem um potencial muito grande para conectar as pessoas e fundir as ideias que possam levar uma melhor qualidade de vida para todo mundo”.
 
O início
Este modelo de comunidade começou em Cuiabá (MT), fora do eixo Rio-São Paulo, por isso o nome. Mas a iniciativa se espalhou. O projeto tem cinco anos e no Brasil existem 100 casas como essa, que vivem ligadas, em rede, compartilham tecnologia, cultura. E a proximidade é tão grande que eles criaram o próprio dinheiro: uma moeda social que circula entre as casas, que em São Carlos se chama Marcianus.
“Ela foi criada pra gente evitar o uso da moeda corrente em todos os casos, então a gente às vezes faz uma troca de serviços e produtos usando essa moeda”, justificou a produtora cultural Fernanda Martucci.
O caixa desta turma também é coletivo e todo mundo tem acesso. Ninguém tem salário, mas quem mora na casa e trabalha no grupo tem todas as contas pagas. Basta pegar o que precisa e justificar os gastos. Eles dividem os prejuízos e os lucros. Apostam em um mercado independente e ganham dinheiro promovendo eventos culturais, vendendo camisetas e com os shows das bandas.
As músicas são divulgadas pela internet. O coletivo também tem um programa de rádio e realiza projetos sociais na periferia da cidade. São jovens que vivem em um comunismo cultural, governado pela arte.
Modelo surgiu "fora do eixo" Rio-São Paulo, daí o nome do coletivo (Foto: Wilson Aiello/EPTV)Modelo surgiu "fora do eixo" Rio-São Paulo, daí o nome do coletivo (Foto: Wilson Aiello/EPTV)
Para ler

Mudando Paradigmas na Educação (Dublado) - RSA Animate





Animação adaptada de uma palestra dada na RSA por Sir Ken Robinson, especialista em educação e criatividade mundialmente reconhecido. Dublagem em português: Blog Brasil Acadêmico.

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Leia mais:

A Educação atrasa o século XXI, AQUI

A escola dos meus sonhos, AQUI

 

domingo, 7 de outubro de 2012

A Potência da CULTURA – ensaio com sugestões para programas de governo

04/09/2012 | Publicado por celioturino em Sem categoria






A Potência da CULTURA

E se a Cultura fosse prioridade em programas de governo? Ela seria reconhecida como o fio condutor que une o direito à saúde, ao transporte, à moradia, à educação, ao trabalho, à cidade… à cidadania. Cultura como arte, habilidades humanas, mas para além das artes e da expressão simbólica, Cultura como comportamento, como atitudes e valores que se expressam desde as mínimas relações no cotidiano à economia. Assim, teríamos programas de candidatos e candidatas às prefeituras que tratariam a Cultura em toda sua Potência, central e transversal.
Como primeira medida, o fortalecimento das Secretarias e órgãos de gestão da Cultura. Não é possível que a Cultura continue sendo tratada como mero ornamento, com políticas públicas acanhadas e concentradas, tanto no espaço geográfico, quanto social, ou restritas à realização de eventos e atividades artísticas pontuais. Em São Paulo, por exemplo, se de um lado houve a positiva e necessária recuperação de espaços como o Teatro Municipal e a Biblioteca Mário de Andrade, além da incorporação da Virada Cultural (que, em meu modo de ver, deve ser mantida e aperfeiçoada) ao calendário da cidade; de outro, o investimento em Cultura, para além do centro da cidade ou para além de um grande evento anual, ficou praticamente abandonado. E este é o retrato de praticamente todo o país, em Campinas a mediocrização da gestão cultural vem desde o final do século passado (e, infelizmente, enquanto paro para pensar em alguma exceção positiva, poucos exemplos me vêem à cabeça, talvez Suzano, na grande São Paulo, não muito mais que isso). Ao menos em cidades mais dinâmicas, como São Paulo, outros agentes e instituições assumem um papel mais ativo que as prefeituras na vida cultural da cidade; como o SESC paulista e sua programação de vanguarda, ou a iniciativa privada financiada com recursos de renúncia fiscal (mas neste caso reduzindo a Cultura à dimensão Mercadoria), além de manifestações e organizações autônomas da sociedade (como os saraus literários de periferia ou os pequenos teatros de grupo). Sem dúvida, em cidades com as dimensões de São Paulo esta pluralidade de agentes culturais, pode e deve ser estimulada; todavia, o que não pode mais continuar acontecendo é o fraco protagonismo do poder público municipal, não somente em São Paulo como em quase todos municípios do Brasil.
Tanta coisa boa poderia acontecer se as gestões municipais fossem estruturadas a partir de uma visão ampla integradora da Cultura, sob o conceito da cidadania cultural. Aqui exercito um ensaio de como isso poderia se realizar na prática, em programas de governo. Penso em quatro macro-programas, interligados e transversais, não somente entre si, no âmbito de atuação das secretarias de Cultura, mas em inter-relação com as demais secretarias e programas do governo municipal. Estes programas matriciais deveriam se desdobrar em Ações e Iniciativas, conforme apresento a seguir.

Programas e Ações

CULTURA em REDE

Um retrato da desigualdade: abundância e escassez na distribuição dos equipamentos culturais. No caso de São Paulo, há regiões da cidade, ou mesmo uma única avenida ou parque público, que concentram diversos equipamentos culturais da mais alta qualidade, enquanto regiões inteiras, com centenas de milhares de habitantes, ou mesmo milhões, sequer dispõem de um único teatro ou biblioteca adequados. Fazer uma política democrática de Cultura pressupõe reverter este quadro, que se repete em milhares de cidades brasileiras, boa parte delas com ausência total de equipementos culturais, contando, no máximo, com alguma biblioteca funcionando em condições precárias.
Em São Paulo esta situação começou a ser modificada quando da implantação dos CEUs, no governo da prefeita Marta Suplicy; porém, com a mudança de governo houve uma descontinuidade, com o apequenamento do projeto original; e os novoss CEUs, que perderam espaços de lazer e cultura, como teatro, área para oficinas culturais ou mesmo instrumentos musicais para orquestra e demais equipamentos indispensáveis para o bom desenvolvimento de uma ação cultural. Repetindo o vício de se privilegiar o invólucro no lugar do conteúdo (ou a estrutura no lugar do fluxo, ou a casca no lugar da gema), o máximo que as propostas de governo alcançam é propor a construção de novos (e custosos) equipamentos culturais. Sim, eles são necessários, mas o principal objetivo de um programa Cultura em Rede não seria a construção, mas a articulação (por isso Cultura em Rede) dos espaços culturais já existentes, qualificando sua estrutura e potencializando sua programação. Há tantos espaços desperdiçados por aí, por vezes um teatro em escola, barracões, salas de ensaio; por que não utilizar-los de forma mais intensa? Inclusive os privados e com pouco uso, que poderiam ser incorporados à rede via conveniamento. Não é possível que uma cidade com 93 distritos, cada qual com população média de 100.000 pessoas, como no caso de São Paulo, não contem com, ao menos, um teatro, uma biblioteca, um cinema, um museu e um espaço para oficinas culturais, cursos de iniciação artística e exposições. Isto poderia acontecer a partir da construção de equipamentos integrados com a educação (a exemplo das Bibliotecas Parque, de Medellin, ou dos primeiros Parques Infantis na gestão Mário de Andrade), sobretudo com a expansão, dinamização e retomada do projeto original dos CEUs, requalificação de Espaços e Casas de Cultura, recuperação de edifícios históricos, integração com equipamentos esportivos ou praças e parques públicos, ou mesmo o melhor aproveitamento de espaços culturais privados. Desnecessário dizer que esta situação se repete em praticamente todos municípios do país.
Menos obras físicas e mais articulação e requalificação dos equipamentos já existentes, menos fachadas e mais conteúdos, pois o fundamental para a Cultura é o relacionamento em rede e de maneira complementar. Com isto, de forma rápida -e a um custo relativamente baixo-, as cidades poderiam contar com Sistemas Integrado de Centros Culturais permitindo que, para além da custosa construção física, seja possível disponibilizar recursos específicos para sua manutenção e programação, compreendendo todo ciclo da produção cultural (patrimônio, formação, produção e difusão). E este Sistema poderia funcionar tanto em grandes, médios ou pequenos municípios, diretamente administrados por uma prefeitura ou através de consórcios intermunicipais.
Para integrar e consolidar o Sistema de Centros Culturais – Cultura em Rede, devem ser adotadas duas ações:
a) Assegurar ao menos uma grande Instituição Cultural (Centro Cultural, Museu ou Biblioteca Parque) em cada macroregião da cidade (no caso de grandes cidades, ou ao menos uma Instituição de referência em caso de cidades médias ou pequenas, neste caso via consórcio intermunicipal), funcionando como Centros de Referência, integrando e complementando programação em centros menores, promovendo intercâmbio, interações estéticas e programação de qualidade variada;
b) Cultura em rede pressupõe articulação e integração entre estrutura física, programação integrada e ação digital. É neste campo que “Casas e Praças da Cultura Digital” poderiam atuar. Uma ação de Cultura Digital é indispensável para o funcionamento de Cultura em rede e deve ser compreendida de maneira ampla, envolvendo desde a disponibilização de banda larga pública até inovadoras experiências que integram comunidades de software livre, metareciclagem de computadores e equipamentos eletrônicos e trabalhos colaborativos com o desenvolvimento de novas práticas econômicas sob os princípios da economia solidária – trabalho colaborativo, comércio justo, consumo consciente, generosidade intelectual e gestão em rede-. As Casas de Cultura Digital integrariam estas iniciativas e as Praças de Cultura Digital seriam praças públicas dotadas de internet em alta velocidade, espaços de convivência para as comunidades digitais e centros de coleta e reciclagem de computadores e aparelhos eletrônicos, funcionando como pólos públicos da rede.

CULTURA e EDUCAÇÃO

Quando a Educação se afasta da Cultura ela perde sua alma. Quando a Cultura se afasta da Educação ela perde seu corpo. Reaproximar Cultura e Educação é reaproximar corpo e alma.
Um programa de integração entre Cultura e Educação deveria ser estruturante para todo programa de governo. Há acúmulo teórico e experiência prática, comprovando que este encontro entre Cultura e Educação não somente dá certo como é indispensável para uma cultura cidadã e uma educação emancipadora, como o movimento mundial pelas Cidades Educadoras, ou o conceito das Escola-Parque, formulado pelo pedagogo brasileiro Anísio Teixeira, ou dos Parques Infantis, implantados na década de 1930 em São Paulo, por Mário de Andrade.. Aqui não se trata da pedagogização da cultura e das artes, mas da integração entre cultura e educação, em um processo permanente, que aconteça em todos os lugares, com todas as gerações e por toda vida. A base da cidadania cultural está neste sutil exercício.
Integrado Cultura e Educação (e também esportes, lazer e meio ambiente) é possível implantar, paulatinamente, a Educação em Tempo Integral, mas não em tempo integral na escola e sim utilizando toda a rede de Cultura da cidade (não somente a municipal, como também de demais instituições a partir de parcerias). Fora do horário na escola os alunos poderiam participar:
a) Cursos de iniciação artística em Escolas Municipais de Iniciação Artística (em Campinas, lamentavelmente, a prefeitura fechou a única escola pública de música);
b) Formação de público com freqüência a teatros, museus, centros culturais e cinemas;
c) Projetos especiais como o Recreio nas Férias – assegurando programação cultural e esportiva de férias para todas as crianças e adolescentes da cidade;
d) Corpos Artísticos Juvenis (ou vocacionais), como orquestras e corais, grupos de teatro, dança, circo e coletivos em artes visuais ou audiovisual.
O objetivo seria assegurar a todas crianças e jovens o acesso a, pelo menos, um curso de iniciação artística e freqüência mensal em, no mínimo, uma programação em teatro, cinema ou exposição e uma semana de férias nas atividades do Recreio nas Férias (com atividades de cultura, esporte e lazer nos pólos de férias, passeios e visitas a áreas de lazer – quando desenvolvi esta experiência em Campinas, no início dos anos 90 e em São Paulo, no governo Marta Suplicy, conseguimos atender a mais de 100.000 crianças e jovens por edição).
Quanto aos Corpos Artísticos Juvenis, faço um exercício para demonstrar o quanto é viável. Imaginemos uma cidade que contasse com 50 Orquestras e Corais Infantis e Juvenis, com participação entre 60 e 100 jovens em cada um. O custo de manutenção de cada orquestra seria de R$ 400 mil/ano, garantindo contratação de regente e professores por naipe (violino, violoncelo, percussão, etc…); um sistema de orquestras jovens com este porte asseguraria 1.000 apresentações de música de câmera por ano (2 por mês, durante 10 meses, por cada orquestra), envolvendo diretamente entre 3 a 5 mil jovens músicos, além de gerar postos de trabalho para músicos recém formados, que atuariam como regentes e professores de orquestra (aproximadamente 500 no total). Há que contabilizar também o público beneficiado com a série de concertos, alcançando centenas de milhares, ou até milhões, de pessoas. O custo total desta ação seria de R$ 20 milhões/ano (numa cidade que assumisse 50 orquestras jovens), pouco para o alcance educacional e cultural da iniciativa. A Orquestra de Heliópolis, em São Paulo, é um exemplo de transformação social e beleza que resulta de um trabalho como este. Por que as cidades do Brasil não podem contar com tantas mais experiências como a surgida na favela de Heliópolis, em São Paulo? O mesmo poderia acontecer com grupos de teatro, dança, coral, etc… (neste caso a um custo menor por grupo constituído). Como parâmetro de eficácia, devemos observar o Sistema de Orquestras Jovens da Venezuela, conhecido como El Sistema (atualmente a Venezuela é o país que mais forma músicos eruditos no mundo – em relação à população); com 30 milhões de habitantes, o país conta com mil orquestras e 300 mil músicos em atividade (em proporção, a cidade de São Paulo deveria contar com 100 mil músicos e mais de 300 orquestras jovens). Todo município brasileiro pode e deve ter seu Sistema de Corpos Artísticos Juvenis, seja uma banda de coreto ou orquestra, um grupo de teatro, dança ou circo, ou vários. Investindo muito ou pouco, mas investindo e cuidando de sua gente, este deveria ser o principal objetivo de todo governo.
Sistema Municipal de Bibliotecas, livro e leitura, outra ação indispensável. Biblioteca é patrimônio cultural e, sobretudo, formação. Além de assegurar, ao menos, uma biblioteca por município ou distrito, cabe integrar a rede de bibliotecas públicas com as bibliotecas escolares, bibliotecas comunitárias e demais iniciativas de difusão do livro e da leitura. E ir além da integração e disponibilização de acervos. É preciso atualizar o conceito de bibliotecas, transformando-as em espaços convidativos e agradáveis, com acervo atualizado e livros ao alcance direto do leitor (ao menos o acervo mais atual), espaços iluminados e aconchegantes, atividades lúdicas em brinquedotecas e constante programação cultural e artística. Há diversos bons exemplos de como a instituição Biblioteca pode assumir um novo papel de estimulador social e cultural, que vai muito além da guarda e consulta de acervos. A cidade de Medellin, na Colômbia, é um belo exemplo de como potentes bibliotecas se transformam em âncora para a regeneração urbana e o exercício de uma cultura cidadã; isso também pode acontecer em qualquer cidade do Brasil.
E para além das Bibliotecas. Há a necessidade de políticas de difusão do livro e da leitura, levando-o mais próximo ao público, com iniciativas que vão desde a distribuição gratuita de livros de baixo custo no sistema de transporte público (a exemplo do programa “Para ler de boleto en el metro”, na cidade do México) até a organização de bancas/estantes em praças e pontos de ônibus (a exemplo da cidade de Bogotá, ou da bela iniciativa de um Ponto de Cultura em um açougue, na cidade de Brasília, que disponibiliza 100.000 livros nos pontos de ônibus da cidade). E difusão se faz com gente, Agentes de Leitura (jovens da Cultura Viva, que difundem a leitura em casas, ruas e espaços comunitários) e o próprio incentivo à criação literária. Enfim, não há Cultura e Educação sem a devida prioridade às bibliotecas, livros e leitura.

CULTURA VIVA

Cultura Viva, um conceito de cultura que se desenvolveu no Brasil e se espalha por toda América Latina. A Cultura entendida como processo e não produto, feita pela gente, pelas pessoas, sem hierarquias ou controle. Cultura como expressão simbólica, como construção de valores e cidadania e como economia. Uma Cultura que se desenvolve com autonomia e protagonismo, potencializados na articulação em rede. Cultura como fluxo, potência, afeto, desejo e encantamento.
As cidades formam o melhor ambiente para a Cultura Viva. Mil povos, mil fazeres e mil sonhos. Tudo junto (e misturado). Para sedimentar a rede Cultura Viva (ou: o “fazer cultural” autônomo e protagonista) há os Pontos de Cultura; no Brasil eram mais de 3.000 em 2010, em 1.100 municípios. Os Pontos de Cultura são entidades culturais da sociedade, com personalidade jurídica própria, selecionadas por edital público e que já desenvolvem trabalhos em suas comunidades; tem atuação das mais diversas, das linguagens artísticas às ações sócio-culturais em territórios de vulnerabilidade social, de grupos eruditos a populares, do fortalecimento de laços identitários e tradições à experimentação estética e à vanguarda da cultura digital em software livre. São os mais diversos recortes, cada qual à sua maneira. Ao se potencializarem em rede vão se desenvolvendo, tanto do ponto de vista ético, estético ou econômico. E o fazem em uma relação horizontal, entre iguais (uma igualdade que se realiza na diferença), rompendo com processos formativos de cima para baixo, ou de fora para dentro.
Cada Ponto de Cultura recebe um recurso anual de R$ 60 mil e desenvolve seu plano de trabalho conforme suas necessidades, empoderando-se no processo. Até o momento esta rede acontece em convênio com o Ministério da Cultura; mas por que não assumi-la como política municipal? Custa pouco, por vezes menos que uma festa patrocinada pela prefeitura, com a diferença de que acontece em processo contínuo, por todo o ano.
Mas Cultura Viva vai além dos Pontos de Cultura e também envolve ações como “Cultura Digital”, “Cultura e Saúde”, “Economia Solidária e Cultura”, “Agentes Jovens de Cultura”, “Griôs e Mestres da Cultura tradicional transmitida pela Oralidade”, “Interações Estéticas”, “Escola Viva”, “Pontos de Leitura”, “Pontos de Memória”, “Pontos de Mídia livre”, “Pontinhos (para cultura da infância e lúdica)” e “Pontões (articuladores, capacitadores e difusores na rede)” de Cultura. Todas estas ações – e outras- devem ser desenvolvidas junto com os Pontos de Cultura. Há tanta cultura tradicional, tantos mestres, tantos Griôs e tanto conhecimento que podem contribuir para o desenvolvimento da cidade; há tantos Pontos de Mídia Livre, rádios e TVs comunitárias, sites, blogs, fanzines e revistas independentes que contribuem para difundir o que de mais profundo e esquecido se produz por aí; tantos artistas, fazendo coisas belas e dispostos a interagir com comunidades em efetivas Interações Estéticas, ensinando e aprendendo com elas; a Cultura e Saúde com terapias alternativas e a arte como elemento de desenvolvimento das pessoas com deficiências intelectuais ou físicas, a medicina tradicional e a busca da cura em ambientes saudáveis; Pontos de Memória, com memoriais e museus comunitários, de vizinhança, temáticos, afetivos, em escolas; e Pontos de Leitura e suas bibliotecas comunitárias, as biciclotecas construídas a partir de tanta idéia boa surgida da mente de gente igualmente boa, por vezes moradores de rua, catadores de papel que reciclam livros e vidas. Tanta coisa boa e bela que pode se desenconder por aí, isso é Cultura Viva.
E que pode ir além. Há que desenvolver ações e programas de arte pública, em apoio à artes e aos artistas de rua, que tanto humanizam as cidades. E os grupos de teatro e dança, que na falta de apoio governamental foram abrindo seus espaços próprios, gerando pólos autônomos de arte, inovação e convivência; mas a manutenção destes espaços é custosa, cabendo a criação de um arcabouço de apoio (redução ou isenção de impostos) e financiamento público para Espaços Culturais de Grupos que assegure a manutenção dos custos fixos; como contrapartida, esses espaços poderiam oferecer sua própria programação e uso em atividades e programas como Cultura e Educação e outros. O apoio ao Circo e aos artistas circenses e todas as suas especificidades, da regulação do uso de espaços à formação, do circo tradicional ao novo circo. E as Iniciativas Culturais da Juventude ou grupos culturais não formalizados, a exemplo do programa paulistano, VAI; ou a Agentes Jovens de Cultura, para jovens artistas e articuladores culturais; ou o apoio à ações e manifestações (a exemplo da parada Gay) de combate à discriminação, sejam de caráter religioso, gênero, étnico ou cultural; ou às Culturas tradicionais e populares, há tantas, em todas as cidades, as mais surpreendentes, como em São Paulo, em que os índios Pankararu redescobrem suas raízes na favela do Real Parque, ou jovens do Hip Hop que se reencontram com o repente de seus avós; as festas populares, seja em grandes ou pequenos municípios, sempre presentes. Tanta coisa bela e sensível, que passa na frente de nossos olhos e que nos diz que a Cultura continua Viva, não porque é feita pelo Estado ou governos, nem porque se deixa transformar em mercadoria, mas porque é feita pela gente e para a gente. E vai além.

CULTURA: direito do povo, dever do Estado

O objetivo: a Arte. E só. Arte como habilidade, criação, beleza. Convivência.Arte de bem viver. Uma cultura cidadã só pode acontecer se as pessoas conviverem em estado de Arte, cultivando forma e o espírito e, no espaço da liberdade de criação, aprenderem a viver com liberdade e respeito. Arte, conceito difícil de definir e ao mesmo tempo tão presente em nossas vidas. Por isso mesmo a arte deve permear o conjunto dos programas de toda política cultural.
Arte necessita de fomento que ative e impulsione o processo criativo. Nos últimos 20 anos as políticas de fomento em vigor no país estiveram, basicamente, concentradas em instrumentos da renúncia fiscal, transferindo recursos públicos para um processo de decisão privada, submetida à lógica do mercado. Houve iniciativas que caminharam em outro sentido, apresentando resultados consideráveis, como as iniciadas no movimento Arte contra a Barbárie, que resultou na lei do Fomento em São Paulo ou a experiência do programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura, disseminada pela ação do Ministério da Cultura no governo Lula, bem como os editais específicos de fomento para os campos da identidade e diversidade e das artes. São contrapontos ao modelo que reduz a Cultura e a Arte apenas à dimensão produto ou mercadoria. Programas de Cultura com sentido emancipador deveriam caminhar nesta mesma lógica, em que Cultura e Arte são consideradas direitos inalienáveis, que devem ser realizados pelas pessoas, pela sociedade, em ambientes de liberdade criativa, cabendo ao Estado assegurar meios para que aconteçam em toda sua potencialidade, com critérios públicos e sem dirigismo, seja do Estado ou do Mercado.
O principal meio para efetivação desta política deve ser o Fundo Municipal de Cultura, com dotação orçamentária própria e destinada diretamente ao fazer cultural e artístico da sociedade, das pessoas. Como meta: 1% do orçamento municipal diretamente destinado ao Fundo de Cultura. Para as necessidades de manutenção e investimento direto do município, as Secretarias de Cultura devem contar com orçamento próprio; ou, em linguagem técnica: os Fundos Municipais de Cultura devem contar com rubrica específica, com fonte de recursos assegurada e mecanismos públicos na definição de acesso a estes recursos.
Chega-se ao valor de 1% do orçamento a partir de que, no mínimo 5% do PIB nacional (dados do IBGE) advém da economia da cultura. Toda essa economia gera recursos para as cidades que retornam na forma de tributos diretos (ISS sobre atividades culturais) e indiretos (arrecadação em bares, restaurantes, hotéis e demais atividades econômicas diretamente impactadas pela economia da cultura), nada mais justo que parte destes recursos seja aplicada na própria atividade que os gerou (permitindo, inclusive, a ampliação destes recursos com o motor da própria atividade econômica). Diversas cidades já contam com Fundos Municipais de Cultura, algumas há décadas (Campinas, por exemplo) e outras começam a implantar (Campo Grande, recentemente, aprovou lei criando o Fundo e definindo piso de 1% do orçamento municipal); não faz sentido que grandes ou pequenas cidades ainda não disponham de algo semelhante. Cabe salientar que a criação de Fundos Municipais de Cultura está prevista na lei que cria o Sistema Nacional de Cultura e em poucos anos esta será a única forma de acesso a recursos nacionais de cultura, que serão transferidos “fundo a fundo”, a exemplo do Sistema Único de Saúde. Outra fonte de recursos do Fundo deve ser a receita própria dos equipamentos municipais de cultura (borderô de ingressos, eventuais locações, doações diversas), evitando que este recurso se perca no caixa único das prefeituras.
Com o Fundo Municipal de Cultura é possível manter e ampliar as ações de fomento; nos grandes municípios podem existir Fundos Setoriais (Artes, Diversidade e Cidadania Cultural, Patrimônio e Memória, Audiovisual, Livro e Leitura e Projetos Especiais), seguindo a mesma lógica do projeto de lei que institui o Pró-Cultura (reforma da lei Rouanet) em nível nacional – ainda em tramitação no Congresso. Somente com um Fundo efetivamente estruturado e com recursos suficientes será possível realizar uma efetiva política de fomento à cultura nos municípios.
Mas para além de uma política de editais para acesso público a recursos públicos, cabe assegurar uma série de mecanismos de fomento às artes e à preservação do patrimônio histórico e cultural. As cidades precisam contar com Conselhos do Patrimônio Histórico e Cultural, bem como com regras estáveis de preservação, que possam conviver com as necessidades da expansão imobiliária, sem prejuízo à preservação de nossas referências históricas, ambientais e afetivas. Cabe a estes Conselhos assegurar a inventário das áreas envoltórias de patrimônios tombados e regras prévias e claras para os proprietários do entorno, tornando sustentável a preservação e até criando compensações, no caso de grandes e médios municípios, com uma lei da troca do potencial construtivo (em que o proprietário de um imóvel tombado poderá negociar o potencial construtivo de seu imóvel em outras áreas da cidade, assegurando recursos para preservação do bem tombado).
Junto a estas medidas de Fomento e Regulação, cabe, igualmente, manter Instituições e Programas de Preservação e Memória, que vão desde a manutenção de Museus e Arquivos à realização e inventários, cartografias culturais, mapas e roteiros, histórico, ambientais, afetivos e artísticos.
Medidas institucionais de gestão da Cultura
Os quatro programas aqui apresentados dão conta, ao meu ver, das diversas dimensões e necessidades de uma efetiva política cultural para o século XXI, porém, para que aconteçam em plenitude, serão necessárias medidas institucionais, basicamente previstas na lei que cria o Sistema Nacional de Cultura, a exemplo do SUS. São elas:
a) Adesão das cidades ao Sistema Nacional de Cultura;
b) Plano Municipal de Cultura, com objetivos, metas e indicadores para os próximos 10 ou 20 anos;
c) Criação, fortalecimento e democratização dos Conselhos Municipais de Cultura (e criação de conselhos por subprefeituras, quando houver);
d) Criação do Fundo Municipal de Cultura (com dotação orçamentária própria e repasse de recursos por editais públicos);
e) Fortalecimento da capacidade de gestão e formulação das Secretarias de Cultura (ampliação orçamentária e concurso público para quadro funcional especializado);
f) Sistema de Informações e Mapeamento Cultural;

E para os candidatos a vereador, fica a sugestão para abraçarem as leis Cultura Viva e Griô, ora em tramitação no Congresso Nacional e que também podem ser adaptadas à legislações municipais. Além da Carta Compromisso com a Cultura, que deveria ser assinada por todo candidato ou candidata que percebe na Cultura a potência de seu povo.


Vídeo com Célio Turino no Café JAMAC, AQUI

Outro vídeo com Célio Turino, AQUI


Entrevista escrita com Célio Turino, AQUI

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