segunda-feira, 22 de junho de 2026

O que estão dizendo os frequentadores da programação de São João sob a batuta da prefeitura de Aracaju e do Governo do Estado?

Aqui o blog da Cultura reafirma o papel de observatório popular da cultura de forma critica e independente. 

A fonte inicial para o levantamento abaixo foi realizada com base na afirmação de uma professora de artes da rede pública no faceboo

"o Forró Caju está infinitamente melhor para quem quer dançar forró de verdade" 

E você? Concorda ou discorda da opinião e argumentos  abaixo. Deixe sua opinião com argumentos nos comentários aqui no  blog, no instagram ou no facebook. 

"A percepção de que o Forró Caju 2026 está superior para quem deseja dançar forró encontra respaldo na forte aprovação popular registrada nas etapas descentralizadas, nas praças lotadas, na valorização do repertório tradicional nordestino e na qualidade da programação artística. Embora a Vila do Forró da Orla mantenha relevância turística e cultural, muitos frequentadores têm destacado que o ambiente do Forró Caju favorece mais a experiência do baile e da dança."



 1. Aprovação popular registrada pela imprensa

Na abertura da programação descentralizada no Augusto Franco, a própria cobertura jornalística destacou depoimentos de moradores, comerciantes e frequentadores elogiando a iniciativa de levar a festa para perto dos bairros. O público relatou satisfação com a estrutura e com a possibilidade de participar sem grandes deslocamentos.

2. Praças lotadas como indicador de aceitação

O encerramento da etapa do Augusto Franco foi marcado por praça lotada e grande presença popular. A cobertura destacou que a adesão do público foi interpretada como uma validação da estratégia da Prefeitura de descentralizar os festejos e aproximar a programação das comunidades.

3. Programação considerada forte e diversificada

Um dado objetivo reforça sua impressão sobre a qualidade artística: o Forró Caju 2026 reuniu 109 atrações, sendo cerca de 67% artistas sergipanos, combinando nomes tradicionais do forró com atrações de grande apelo popular. Entre os artistas citados estavam Alceu Valença, Elba Ramalho, Trio Nordestino, Mestrinho, Calcinha Preta, Wesley Safadão e diversos representantes da cena local.

4. Valorização do forró tradicional

Diversas reportagens destacaram que a programação procurou privilegiar os ritmos nordestinos e artistas ligados à tradição junina. Para quem gosta de dançar forró, esse aspecto pesa bastante na avaliação da festa, porque influencia diretamente o ambiente do público e a ocupação da pista.

5. O contraste com a Orla

Embora a Vila do Forró na Orla da Atalaia continue sendo um dos principais polos juninos do estado, sua proposta é mais ampla, misturando shows, apresentações culturais, gastronomia, turismo e circulação de visitantes. Já o Forró Caju, especialmente em alguns espaços menores e mais focados no baile, tende a favorecer quem quer efetivamente dançar por horas.

Músicos

O sanfoneiro e vocalista da banda Casaca de Couro, Joaquim Casaca de Couro, afirmou que participar do Forró Caju representa uma oportunidade de fortalecer a cultura nordestina e valorizar a produção musical sergipana. A fala foi registrada durante a abertura da programação no Augusto Franco.

Já artistas sergipanos ouvidos durante o lançamento da programação destacaram positivamente o fato de mais de 67% das atrações serem locais, enxergando a edição como um fortalecimento da cena cultural do estado.

Dançarinos e professores

Uma das entrevistadas pela cobertura do segundo dia no Augusto Franco, identificada como praticante de dança de salão e forró, resumiu sua relação com a festa dizendo: "O forró é a minha vida". O depoimento foi apresentado no contexto de elogios ao ambiente criado para os dançarinos e amantes do gênero.

A professora Gabriela Santos, moradora do bairro, também foi destacada entre os participantes da programação descentralizada, em reportagem que enfatizou a boa recepção da iniciativa junto à comunidade local.

Produtores e agentes culturais

O secretário municipal de Cultura, Paulo Corrêa, avaliou que a descentralização se consolidou como uma iniciativa importante para a cultura, para a economia e para a população, destacando a permanência do público mesmo sob chuva na abertura do evento.

A estratégia de descentralização também foi apresentada como uma das marcas centrais da edição 2026, aproximando os festejos dos bairros e ampliando o acesso da população às manifestações culturais.

Frequentadores e moradores

A aposentada Ely Oliveira declarou:

"A Prefeitura de Aracaju está de parabéns por promover um forró de verdade."

O depoimento foi dado durante a abertura do Forró Caju no Augusto Franco.

A estudante Anne Raquel afirmou que a descentralização facilitou sua participação:

"Hoje é minha primeira vez e estou amando."

Ela relatou que anteriormente evitava comparecer devido à concentração da festa em um único local.

A empresária Lívia Raulino elogiou a estrutura e a valorização da cultura nordestina:

"A Prefeitura está no caminho certo ao descentralizar o São João."

Ela também destacou a presença dos artistas sergipanos na programação.

Opiniões espontâneas nas redes sociais

Em uma discussão recente no Reddit sobre o Forró Caju realizado na região dos mercados, um frequentador afirmou:

"É mais tranquilo de ir e voltar do que a orla, não tem violência, tem menos tumulto e são dois palcos."

Outro usuário relatou:

"Clima de São João raiz. É muvuca, é suor, é gente dançando até na calçada."

Um terceiro participante, que afirmou frequentar o evento há anos por motivos profissionais, comentou que a segurança estaria "alta para um ambiente até pequeno" e avaliou o evento como tranquilo. 

Pesquisa acima realizada com o apoio de IA  

Uma pesquisa quantitativa e qualitativa de caráter cientifico mais abrangente,  independente e recorrente (ao longo dos anos)  pode ser uma boa ideia para universidades, especialistas no tema e etc...

Abaixo, um outro olhar de  quem viveu um momento em Aracaju de um São João radicalmente mais autêntico e comunitário.

São João de Aracaju: Quando a Sanfona Era a Estrela da Festa

 20 de junho de 2026  

Emanuel Rocha*

Memórias de um tempo em que a comunidade era o palco, a sanfona era soberana e o forró contava a história do povo nordestino.

Estamos em junho, o mês das festas juninas. O Nordeste se enche de cores, bandeirinhas e fogueiras, e no ar já se sente aquele chamado antigo da sanfona anunciando que a festa vai começar. É tempo de celebrar uma das tradições mais bonitas e representativas da cultura nordestina.

E se há algo que o tempo não apaga, é a memória dos grandes São Joões que Aracaju viveu, especialmente entre as décadas de 1950 e o início dos anos 1990. Naqueles tempos, a festa era mais que diversão. Era encontro, fé, partilha e vida comunitária.

Meses antes, famílias e vizinhos já começavam os preparativos. As ruas se transformavam em grandes arraiais a céu aberto. Bandeirinhas coloriam os céus, mastros eram erguidos e as fogueiras se tornavam o coração da festa. Havia até disputas amistosas para saber qual rua estava mais bonita e animada.

Nas comunidades populares, os festejos ganhavam identidade própria. O Arraiá do Josa, no Novo Paraíso, atraía multidões ao som da zabumba e da sanfona. O Arraiá das Veias mantinha uma saudável rivalidade, levando os forrozeiros a circularem de um lado para outro em busca da melhor animação. Muitos chegavam a pé, de bicicleta ou a cavalo; outros vinham em seus automóveis, atraídos pela fama dos festejos.

No bairro América, o Arraiá do Alto do Miolo iluminava as noites com muito forró. Já no Cirurgia, o lendário Arranca Unha atravessava madrugadas embalado pelo fole, pelo triângulo e pela zabumba. Cada bairro tinha sua marca, seu jeito de festejar e suas histórias para contar.

As noites costumavam começar com as novenas dedicadas a Santo Antônio, São João e São Pedro. A fé reunia as famílias e fortalecia os laços da comunidade. Mas bastava a última oração terminar para que as cadeiras fossem afastadas e o forró tomasse conta do ambiente. A sanfona puxava os primeiros acordes e ninguém conseguia ficar parado.

Os sanfoneiros eram os grandes reis da festa. Muitos tocavam por amor à tradição, sem luxo, sem camarins e sem grandes exigências. O pagamento vinha no sorriso do povo, na casa cheia e na alegria de ver gerações inteiras dançando juntas.

Nem tudo era solenidade. Havia também as brincadeiras que arrancavam gargalhadas. O famoso cordão cheiroso, quando aceso por algum gaiato, espalhava um odor tão forte que fazia a multidão se dispersar correndo e rindo. E quando algum dançarino exagerava na animação, não faltava um sanfoneiro bem-humorado para interromper a música e fazer uma observação espirituosa que virava motivo de risos para o resto da noite.

Ao redor das fogueiras aconteciam os batizados simbólicos e os casamentos matutos. Eram tradições que fortaleciam os vínculos entre vizinhos e amigos. Quando a fogueira virava brasa, começavam as conversas, as histórias e as lembranças compartilhadas entre gerações.

Também havia as famosas batalhas de busca-pés. Em terrenos abertos, grupos de jovens se enfrentavam em meio a faíscas, estampidos e muita adrenalina. Era uma diversão típica de uma época em que os festejos ocupavam todos os espaços da cidade.

E nenhuma festa estaria completa sem a culinária junina. Nas mesas fartas apareciam milho cozido, pamonha, canjica, mungunzá, pé de moleque, bolo de macaxeira, bolo de puba e os tradicionais licores. Mais do que comida, era um gesto de acolhimento. Sempre havia lugar para mais um à mesa.

Aracaju se iluminava com centenas de fogueiras espalhadas pelos bairros. O cheiro da madeira queimando se misturava ao milho assado e ao som distante das sanfonas. As ruas se tornavam espaços de convivência, onde crianças brincavam, jovens namoravam e os mais velhos contavam histórias enquanto observavam o movimento da festa.

Hoje os festejos são diferentes. Os grandes palcos, os equipamentos modernos e as multidões passaram a ocupar o centro das celebrações. É natural que a cultura se transforme com o passar do tempo. O problema surge quando a busca por públicos cada vez maiores começa a empurrar para o canto aquilo que deu origem à própria festa.

Em muitas cidades, o forró autêntico passou a disputar espaço com atrações que pouco ou nada têm a ver com a tradição junina. A sanfona, a zabumba e o triângulo, símbolos maiores da identidade nordestina, muitas vezes cedem lugar a espetáculos que poderiam acontecer em qualquer época do ano e em qualquer lugar do país. Trocam-se as raízes pela popularidade momentânea, como se a cultura precisasse abandonar sua essência para continuar existindo.

Não se trata de rejeitar o novo, mas de preservar aquilo que faz do São João uma celebração única. Afinal, uma festa sem identidade pode reunir multidões, mas dificilmente conseguirá transmitir às futuras gerações o mesmo sentimento de pertencimento que marcou os antigos arraiais.

Que os festejos continuem crescendo, atraindo visitantes e movimentando a economia. Mas que nunca esqueçam que sua maior riqueza não está nos refletores nem nos cachês milionários. Está na cultura popular que lhes deu origem, na sanfona que embalou gerações, nos arraiais erguidos pelo próprio povo e no forró que contava, em versos e melodias, a história do Nordeste.

Porque, se a tradição virar apenas decoração de palco, as bandeirinhas continuarão colorindo o céu, as fogueiras continuarão acesas e as multidões continuarão chegando. Mas algo essencial terá sido perdido. E quando a sanfona deixar de ser a estrela da festa, o São João poderá continuar existindo, mas já não será o mesmo que vive na memória e no coração do povo nordestino.

* Emanuel Rocha é Historiador, poeta popular, escritor  e repórter fotográfico

https://roacontece.com.br/2026/06/20/sao-joao-de-aracaju-quando-a-sanfona-era-a-estrela-da-festa/

E por último,  a visão  de quem pensa com um olhar mais comercial, o que é considerado por muitos como predatório e inconsequente.. 

Forró dividido enfraquece os festejos juninos de Aracaju

em 16 jun, 2026 8:30

Adiberto de Souza

 Diferente de Campina Grande e Caruaru, onde os festejos juninos são concentrados, em Aracaju o forrobodó é fatiado em locais diferentes. Na Orla de Atalaia, o governo de Sergipe promove o milionário Arraiá do Povo, enquanto a Prefeitura espalhou o Forró Caju por vários pontos da cidade. O governador Fábio Mitidieri (PSD) alardeia que promove o maior São João à beira-mar do Brasil, já a prefeita Emília Corrêa (PL) jura que sua gestão faz o mais animado São João dessas paragens. Certamente, se estado e município concentrassem os recursos e esforços num único evento, Aracaju poderia concorrer de igual para igual com Campina Grande e Caruaru, como já aconteceu no passado. Vale ressaltar que essa divisão de palcos começou em 2003, quando o então governador João Alves Filho instalou a Vila do Forró na Orla de Atalaia. O objetivo era concorrer com o tradicional Forró Caju, promovido pela gestão do ex-prefeito Marcelo Déda (PT) nos mercados centrais da capital sergipana. Desde então, assa disputa entre o governo e a prefeitura para ver quem faz o evento mais bonito só diminui a visibilidade dos festejos juninos em nível nacional e, por consequência, reduz o interesse dos turistas, que acabam optando pela grandiosidade do São João de Pernambuco e da Paraíba. Simples assim!

https://infonet.com.br/blogs/adiberto/forro-dividido-enfraquece-os-festejos-juninos-de-aracaju/


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