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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Visita ao Centro Cultural da Juventude - São Paulo



No dia 08 de janeiro de 2014 participei de uma visita coletiva  ao  Centro Cultural da Juventude (CCJ), como parte da programação alternativa do Curso de Verão 2014,  cujo tema foi  "Juventudes em foco, por politicas públicas inclusivas em educação, trabalho e cultura."

Na visita guiada que realizamos, fomos orientados por jovens monitores que além de trabalharem como mediadores culturais, realizam formação no campo da gestão cultural, ofertadas por um programa da secretaria municipal de cultura, o qual o CCJ é vinculado. 

A maioria do público  que frequenta este espaço é formado por adolescentes e jovens, antes havia uma exclusividade das ações voltadas para essa faixa de etária, porém na atual gestão houve uma ampliação, "um espaço grande e repleto de atividades destinado às juventudes de todas as caras, de todas as cores, de todas as idades", conforme o boletim escrito distribuído na recepção.

Esta ampliação do público para outras faixas etárias,  pude constatar in-loco em razão da  quantidade de pessoas adultas e idosas na oficina de forró, cerca de 70%, visto a olho nu,  acontecendo na tarde da visita em local aberto.

O espaço oferece : biblioteca, anfiteatro, teatro de arena, sala de projetos, internet livre em banda larga, laboratório de idiomas, laboratório de pesquisas, estúdio para gravações musicais, ilhas de edição de vídeo e de áudio, ateliê de artes plásticas, sala de oficinas e galeria para exposições, além de uma ampla área de convivência. Todas as atividades são gratuitas e podem ser utilizadas por toda a população.

Uma preocupação destacada pelo monitor de apelido "Fino",  que me acompanhou em  um dos  sub-grupos formados para a visita, é exatamente a questão da ampliação da  presença do público, o que,  a despeito de uma série de atrativos que o espaço oferece, ainda é pouco, considerando a quantidade de moradores residentes na região do bairro Vila Nova Cachoeirinha e entorno.

Há também interesse em atrair mais moradores de outros bairros, tendo em vista o fato do CCJ ser um centro especializado cujos objetivos e abrangência não se restringe somente aos moradores do entorno.

Mesmo porque,  dispõe de espaços que são únicos em termos de estado de São Paulo, como é o caso do estúdio para a gravação gratuita de arquivos digitais de áudio e vídeo, com equipamentos profissionais e o acompanhamento de técnicos qualificados, sendo este um dos serviços que mais atrai artistas e grupos culturais de regiões  mais distantes.

Segundo o monitor Fino,  há uma equipe  do CCJ que está  visitando grupos culturais e organizações comunitárias  e escolas para apresentar a proposta de trabalho da nova gestão  ancorada nos seguintes principios: “a. O acesso a uma programação elaborada e contratada por seus gestores; b. A oferta de seus espaços e recursos para a produção artística e cultural dos jovens; c. A reflexão sobre a pertinência e a qualidade das iniciativas – públicas ou privadas – voltadas para o público jovem. Por meio de seus programas e projetos culturais gratuitos, os jovens se reconhecem como sujeitos de direitos, ampliam seus repertórios e, assim, podem realizar escolhas com maior autonomia.”.

Em resposta ao que disse o monitor, lhes falei que,  em razão da grande quantidade de alternativas da programação cultural, qualidade da estrutura física, equipamentos e profissionais, percebi que a questão principal é a comunicação e a criação de estruturas formais e informais de participação e neste sentido a nova direção do CCJ está no caminho certo em realizar visitas aos agentes e grupos culturais e/ou comunitários, criar fóruns comunitários de participação ativa, por utilizar recursos para colher a opinião de frequentadores do espaço, como o livro de sugestões, no qual deixei registrado uma contribuição, além de um bom uso das ferramentas on-line. 

Fiquei “estupefato”  com a pouca utilização do espaço do CCJ, pelas escolas do entorno, ainda mais por este diálogo entre o grupo e o monitor acontecer em uma HQteca, parte de uma biblioteca que possui um acervo para consulta local e empréstimo com mais de 15 mil exemplares entre livros, álbuns de HQ’s, mangás, periódicos e material audiovisual.

Vale lembrar que este problema da dificuldade da escola em acessar espaços e oportunidades culturais, também nos foi colocado por ocasião de uma visita que realizei  ao  CEU localizado em Itaim Paulista, no ano de 2009, e neste caso, mais grave ainda  porque tratava-se da própria escola situada dentro da área física do próprio CEU. 

Conversando com  outros dois participantes do curso de verão residentes em São Paulo, nos foi lembrado que o problema de relacionamento das escolas com os equipamentos culturais, esbarram em questões de picuinhas partidárias, gestão municipal PT X gestão estadual PSDB e  os  pacotes instrucionais fornecidos pelas secretarias de educação, contribuindo para engessar e limitar a autonomia e a criatividade do professor.

Zezito de Oliveira - Educador e Produtor Cultural

Saiba mais sobre o CCJ. AQUI


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