domingo, 10 de maio de 2026

Há 40 anos foi assassinado em Imperatriz, MA, padre Josimo Moraes Tavares. 10 Maio de 1986


Há 40 anos foi assassinado em Imperatriz, MA, padre Josimo Moraes Tavares.

10 Maio de 1986

Acalente livre os seus sonhos que são os sonhos deste povo
Recorte, com ternura e faca aguda, as estrelas e abra o peito.
Mergulhe nos igarapés cristalinos,
Atravesse as matas espessas de babaçus,
os campos e os descampados.

Venha na primavera, colhendo as flores e as traga
Declame o último poema que você fez:
cante o verso ainda não cantado.

Venha. Venha!
Raimunda. Bertoldo, Nicole, Nicola, José,
Carlinhos, Domingos, Lourdinha, Goreth, Mada e Bia,
todos o aguardam...

Dona Olinda secou as lágrimas na ponta do avental.
O vento balançou as bandeirolas,
o sanfoneiro já arrancou as primeiras notas,
os violões foram afinados,
as quebradeiras de coco ajuntaram os balaios,
os lavradores guardaram as ferramentas.
Todos se banharam nus na fonte,
as moças se pintaram com gosto
e se vestiram domingueiramente.
A capela está cheia.

As crianças estão mudas. Esperam por você.
Sobre o altar há um pires com terra e um copo d´água,
o cálice com o vinho tinto, de sangue;
o pão partido, repartido do corpo,
na aliança hoje permanente, construída em tempos de dor.

Olhe Josim, estas mãos que o abraçam;
estes olhos que o fitam.

A festa começa hoje e você vem assim, banhado e purificado,
no sangue do Cordeiro,
rindo, faceiro, feliz porque acordou os sonhos. 

 Ricardo Rezende Figueira no facebook

terça-feira, 5 de abril de 2022

Falar em necessidade de trabalho de base é fácil, mas fazer.....


No dia 10 de Maio de 1986 ocorreu o assassinato do padre Josimo Tavares, tombando por defender a luta das famílias de trabalhadores rurais, em Imperatriz, no Maranhão, por latifundiários da região.
De família humilde, Josimo nasceu em Marabá, no Pará. Sua mãe, que era lavadeira. Ainda criança, sua família se mudou para a cidade de Xambioá, no Tocantins. Aos 11 anos, parte para  Tocantinópolis, para estudar em um seminário. De lá, parte para Brasília, depois para Aparecida do Norte, em São Paulo, até chegar em Petrópolis, no Rio de Janeiro, para estudar no seminário franciscano.
Por ser pobre, negro e filho de camponeses, foi alvo de muitos preconceitos. Quando terminou os estudos em Petrópolis, decidiu voltar para Xambioá, para dedicar sua vida à causa dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Tornou-se padre em 1979. Depois de tornar-se padre, mudou-se para Wanderlândia, no Tocantins, onde iniciou seu trabalho atuando em uma escola secundária e assumindo o trabalho da Pastoral da Juventude. Foi lá que compreendeu como a concentração da terra era o problema mais urgente da população da região. Foi coordenador da pastoral da Diocese, atuando na região do Bico do Papagaio, conhecida por intensos conflitos de disputa pela terra e que anos antes havia sido o cenário da guerrilha do Araguaia. Logo depois, tornou-se um dos coordenadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Ao longo de sua vida, denunciou os grileiros de terra, a opressão dos latifundiários contra os lavradores e defendeu os direitos do povo, conscientizando-o sobre sua força. Por suas ideias e ações, causou ódio aos fazendeiros da região, passando a receber diversas ameaças de morte. Em Abril de 1986, sofreu um atentado, mas as balas não o atingiram. Consciente do risco que corria por defender seus ideais, escreveu um testamento, no qual reafirmou seus compromissos com o povo brasileiro. Um mês depois do ataque, foi assassinado com dois tiros pelas costas quando subia as escadarias do prédio onde funcionava o escritório da CPT.
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Fonte: Plataforma Antifascista no facebook




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