quarta-feira, 26 de março de 2025

Flávio Dino citou o filme Ainda Estou Aqui, falando que a arte também é fonte do direito. - Íntegra do voto histórico de Flávio Dino e Alexandre de Moraes no julgamento de Bolsonaro no STF




 

"INCLUIU O VÍDEO NA MADRUGADA E VAMOS TER QUE REPETIR SEMPRE PRA QUE NINGUÉM ESQUEÇA" | Cortes 247 - Voto de Alexandre de Moraes


O vídeo que Xandão levou ao julgamento e desmontou "narrativa" das defesas dos golpistas


O show de Flávio Dino | Réu, Bolsonaro parte pro ataque | 26.03.25



segunda-feira, 24 de março de 2025

São Romero da América Latina & 45 anos do martírio de Óscar Romero e uma Igreja em libertação & Mensagem libertadora de Dom Oscar Romero, mártir e santo

 Publicado em março-abril de 2025 - ano 66 - número 362 - pp. 26-33 - Revista Vida Pastoral.

São Romero da América Latina

Por Emerson Sbardelotti*

O artigo pretende apresentar, reapresentar e homenagear São Romero da América, na comemoração de 45 anos de seu martírio, em San Salvador, capital de El Salvador, em 24 de março de 1980; a força espiritual de sua palavra em defesa da vida, em nome da esperança, da justiça e da libertação.

1. MEMÓRIA E COMPROMISSO

“Por que se mata? Mata-se porque atrapalha. Pra mim, são verdadeiros mártires no sentido popular. Naturalmente, não estou entrando no sentido canônico, no qual ser mártir supõe um processo de autoridade suprema da Igreja, que o proclama mártir perante a Igreja universal. Respeito essa lei e nunca direi que os nossos padres assassinados foram martirizados, ainda não canonizados. Mas eles são mártires no sentido popular. São homens que pregaram precisamente esta encarnação da pobreza” (Romero, in Gonzalo, 2022, p. 28).

No dia 24 de março de 2025, comemoram-se 45 anos do martírio de São Romero da América, pastor e mártir nosso! Dom Oscar Arnulfo Romero y Galdámez foi o quarto arcebispo metropolitano de San Salvador, capital de El Salvador. Nasceu em Ciudad Barrios, distrito de San Miguel, em 15 de agosto de 1917, numa família pobre. Em 1930 entrou no seminário de San Miguel. Seus superiores mandaram-no a Roma, para estudar e doutorar-se na Pontifícia Universidade Gregoriana. Foi ordenado padre em 4 de abril de 1942. Em 25 de abril de 1970, foi nomeado bispo auxiliar de San Salvador e, em 15 de outubro de 1974, bispo de Santiago de Maria. Em 3 de fevereiro de 1977, foi nomeado arcebispo de San Salvador. Escolhido como arcebispo por seu aparente conservadorismo, uma vez nomeado, aderiu aos ideais da não violência, posição que o levou a ser comparado a Mahatma Gandhi e a Martin Luther King.

Com a morte do amigo e padre jesuíta Rutilio Grande, em 12 de março de 1977, D. Oscar Romero passou a denunciar, em suas homilias dominicais, as numerosas violações aos direitos humanos em El Salvador e manifestou publicamente sua solidariedade com as vítimas da violência política, no contexto da guerra civil no país. Defendia a opção pelos pobres. Dom Romero afirmou que foi o exemplo do padre Rutilio Grande e sua morte que o convenceram a ficar firmemente ao lado dos pobres, dos esquecidos, dos perseguidos e dos injustiçados salvadorenhos. Depois da morte do amigo, ele passou a acusar frontalmente os capitalistas, os governantes, os militares e os ricos, responsabilizando-os por todos os males ocorridos no país.

No dia 24 de março de 1980, às 18 horas, o arcebispo de San Salvador celebrava missa na capela do Hospitalito,[1] hospital de religiosas que cuidavam de doentes com câncer. No momento da consagração, o tiro desfechado por um atirador de elite, escondido atrás da porta traseira da capela, atingiu o coração do pastor e matou-o imediatamente. Selou, assim, seu testemunho com sangue, como Jesus e todos os mártires cristãos. Entretanto, sua morte não pode ser desconectada de sua vida: foi o selo coerente desta. Calava-se assim a voz que defendia os pobres no regime cruel e sangrento que dominava El Salvador. E D. Romero passaria a estar vivo, a partir de então, no coração de seu povo, ao qual profetizou que ressuscitaria, se o matassem.

Em 23 de maio de 2015, foi declarado beato. O primeiro papa latino-americano reconheceu Romero como “mártir da Igreja”, pois havia sido assassinado por “ódio à fé”. Em 14 de outubro de 2018, foi canonizado. Sobre São Romero, disse o papa Francisco:

São Oscar Romero soube encarnar, com perfeição, a imagem do Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Por isso, agora e, sobretudo, desde a sua canonização, vocês podem encontrar nele “exemplo e estímulo” no ministério que lhes foi confiado: exemplo de predileção, para os mais necessitados da misericórdia de Deus; estímulo para testemunhar o amor de Cristo e a solicitude pela Igreja. Que o santo bispo Romero os ajude a ser, para todos, sinais da unidade na pluralidade, que caracteriza o santo povo de Deus.

São Oscar Romero concebia o sacerdote entre dois grandes abismos: o da infinita misericórdia de Deus e o da infinita miséria dos homens. Queridos irmãos, esforcem-se, sem cessar, para realizar este infinito anseio de Deus de perdoar os homens, que se arrependem de suas misérias, e abrir os corações de seus irmãos à ternura do amor de Deus, também mediante a denúncia profética dos males do mundo.

Ele repetia, com vigor, que todo católico deve ser mártir, porque mártir significa dar testemunho da mensagem de Deus aos homens. Deus quer estar presente em nossas vidas e nos convida a anunciar a sua mensagem de liberdade para toda a humanidade. Somente nele podemos ser livres do pecado, do mal, do ódio em nossos corações; livres para amar e acolher o Senhor e nossos irmãos e irmãs. Esta verdadeira liberdade, aqui na terra, passa pela preocupação com o homem concreto, para despertar em cada coração a esperança da salvação.

São Oscar Romero dizia que, sem Deus e sem o ministério da Igreja, isso não é possível. Certa vez, referiu-se à crisma como o “sacramento dos mártires”: sem a força do Espírito Santo, os primeiros cristãos não teriam resistido às provações da perseguição, não teriam morrido por Cristo.

A memória de São Oscar Romero é uma oportunidade excepcional para enviar uma mensagem de paz e reconciliação a todos os povos da América Latina (Papa […], 2018).

Para o povo de El Salvador e de toda a América Latina e Caribe, ele já era e é, há muito tempo, o nosso santo, pastor e mártir.

2. MÁRTIR DA ESPERANÇA, DA JUSTIÇA E DA LIBERTAÇÃO

“Cristo está dizendo para cada um de nós: se você quer que a sua vida e a sua missão sejam produtivas como a minha, faça como eu. Converta-se em uma semente que se deixa ser enterrada. Deixe que o matem. Não tenha medo. Aqueles que evitam o sofrimento permanecerão sozinhos. Ninguém é mais solitário do que a pessoa egoísta. Mas se você der a sua vida por amor aos outros, como eu dou a minha por todos, você obterá uma grande colheita. Você sentirá uma profunda satisfação. Não tema a morte ou ameaças” (Romero, in Wright, 2011, p. 86).

Nosso mártir primeiro é Jesus de Nazaré, e com sangue de mártir não se pode brincar. Mártir é palavra forte, inquieta e inquietante. A palavra grega mártys significa “testemunha”. O/A mártir é a testemunha da fé, que seguiu, por toda sua vida, os passos de Jesus de Nazaré, até as últimas consequências.

Romero sabia que seu comportamento alimentava a esperança de uma vida mais livre, mais humana, e agia assim levado por sua missão de cristão e bispo; sabia que isso poderia conduzi-lo à morte. Pelas virtudes de sua vida, podemos defini-lo como mártir da esperança (Vitali, 2015, p. 10).

Esperança é todo sentimento que leva o ser humano a olhar para o futuro, para o incerto, sabendo que colheu bons frutos do passado, aprendeu com os erros e experimenta, no presente, o amparo nos desafios cotidianos desta vida.

Romero percebia que suas atitudes eram de um profeta comprometido com o cotidiano e a dignidade do povo, com a justiça feita ao povo:

Com a linguagem da justiça, estamos outra vez ante um tema central na Bíblia. Nela, o termo justiça remete à justiça social, ao reconhecimento dos direitos das pessoas, com um acento na condição dos mais pobres.

A linguagem profética tem em conta o dia a dia das injustiças, prosternações, maus-tratos, mortes, lucros, sofrimentos, alegrias que se dão na história. É uma linguagem que denuncia o que vai contra a mensagem do Reino e que anuncia sua presença na história. A respeito disso, e por experiência, Romero rechaçava: “Uma palavra muito espiritualista, sem compromisso com a história, que pode soar em qualquer parte do mundo porque não é de nenhuma parte, não cria problemas, nem conflitos” (Homilia, 10 dez. 1977). Espiritualista, não espiritual. Era consciente de que sua palavra clara, precisa e próxima à situação que atravessava seu povo lhe atrairia dificuldades e hostilidade, mas não pronunciá-la seria trair o Evangelho.

[…] A linguagem da gratuidade dá horizonte à justiça, coloca-a no marco do amor gratuito de Deus, do Deus amor. Deus não é amor porque ama, mas, sim, ama porque é amor. Não é justo porque faz justiça, mas, sim, faz justiça porque é justo. Por sua vez, a linguagem da justiça dá concreção histórica à da gratuidade e contemplativa e contribui para inseri-la na história de pessoas e povos (Gutierrez, in Bingemer, 2012, p. 49-50).

Justiça é uma virtude moral que inspira o respeito e o cumprimento dos direitos e deveres do ser humano, representando uma maneira de amenizar e erradicar os efeitos das desigualdades sociais na sociedade em que se vive.

Romero entendia que a libertação é fruto da união de todo o povo de Deus. Entendia que a libertação engloba toda a natureza:

A libertação que a Igreja espera é uma libertação cósmica. A Igreja sente, em si mesma, que é toda a natureza que está gemendo sob o jugo do pecado. Que belos cafezais, que belos riachos, que lindas plantações de algodão, que fazendas, que terras que Deus nos tem dado! Que natureza bela! Entretanto, quando a vemos gemer sob a opressão, sob a iniquidade, sob a injustiça, sob a agressão, isso faz a Igreja sofrer e a faz esperar uma libertação. Libertação que não seja só o bem-estar material, mas que seja o poder de um Deus que livrará das mãos pecadoras dos seres humanos uma natureza que, com a humanidade redimida, vá cantar a felicidade no Deus libertador (Romero, in Richard, 2005, p. 15-16).

Libertação é a ação de pôr-se em liberdade ou de conceder a liberdade a alguém. Implica o ser humano desenvolver uma ação segundo a sua própria vontade. A liberdade está relacionada com outras virtudes, como a justiça, a fraternidade e a igualdade.

Romero era uma pessoa simples, aberta, perspicaz, de grande sensibilidade para com as crianças, de gestos proféticos e compromisso. Soube acolher as pessoas com amor e atenção, conseguiu manter viva a esperança fiel do povo salvadorenho, soube sentir o cheiro das ovelhas. Em sintonia com o Evangelho, fez da sua Igreja local uma Igreja em saída, como pede o papa Francisco (Xavier; Sbardelotti, 2022, p. 180).

3. FORA DOS POBRES NÃO HÁ SALVAÇÃO!

A situação de nosso país é muito difícil, mas a figura de Cristo transfigurado, em plena Quaresma, está nos mostrando o caminho a seguir. O caminho da transformação de nosso povo não está longe. É o caminho que a Palavra de Deus nos aponta hoje: o caminho da cruz, do sacrifício, do sangue e da dor, mas com o olhar cheio de esperança na glória de Cristo, que é o Filho eleito pelo Pai para salvar o mundo. Ouçamos a voz de Cristo! Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso (Romero, in Souza; Boff; Casaldáliga, 1980, p. 179).

Jon Sobrino nos diz que a fórmula extra pauperes nulla salus (“fora dos pobres não há salvação”) é uma novidade, um escândalo e, certamente, algo contracultural. Trata-se de sacudida para levar absolutamente a sério a prostração de nosso mundo e o que há de salvação debaixo da história, que tantas vezes se ignora, não se compreende e se despreza (Sobrino, 2008, p. 14).

O teólogo espanhol relembra uma frase dita a ele por Romero: “Gloria Dei vivens pauper” (“A glória de Deus é o pobre que vive”). É a partir dos pobres que se reformula o mistério de Deus. Os pobres deste mundo são o lugar teológico (locus theologicus) do encontro com o Deus da vida, com o Deus libertador. Desse lugar teológico provém a salvação:

O camponês entendeu bem a opção de Monsenhor Romero pelos pobres: “Ele nos defendeu como pobres”. Monsenhor defendeu os pobres e oprimidos do país. Ele não optou apenas por eles. Esta defesa significou promover a organização popular e a assistência jurídica para defender os camponeses e as vítimas daqueles que os oprimiram e reprimiram. […] E certamente, semana após semana, ele defendeu os pobres e as vítimas com a verdade que proclamava publicamente nas suas homilias. Fica claro, então, que Monsenhor defendeu os oprimidos.

Mas você também precisa entender o que significa defender. Defender significa enfrentar e, quando necessário, lutar contra aqueles que atacam, empobrecem, perseguem, oprimem e reprimem. Para defender os pobres, Monsenhor confrontou aqueles que mentem e assassinam, sejam pessoas, instituições ou estruturas – e aceitou o preço a pagar. E a sua defesa foi primária, que foi muito além do que se convencionou entender por “defender um caso” com o objetivo, ainda, de “ganhar um caso”, como frequentemente aparece nos programas de televisão. Ganhar um caso nunca foi a perspectiva do Monsenhor, obviamente. Trabalhou e lutou para que a realidade maltratada, a justiça e a verdade vencessem. Mais a fundo, trabalhou e lutou para que algum dia os habituais não perdessem.

Monsenhor foi um defensor dos pobres com tudo o que era e tinha (Sobrino, in Xavier; Sbardelotti, 2022, p. 36).

Romero concebia e fazia questão de orientar, em sua atuação pastoral e profética, uma volta ao mundo dos pobres, um mundo real e concreto, assumindo quatro pontos importantes: 1) encarnação no mundo dos pobres; 2) anúncio da Boa-nova aos pobres; 3) compromisso com a defesa dos pobres; 4) Igreja perseguida por servir os pobres.

Encarnação no mundo dos pobres. A aproximação com o mundo dos pobres, entendida como encarnação e conversão para fora da Igreja.

O anúncio da Boa-nova aos pobres. O encontro com os pobres revelou a verdade central do Evangelho:  “Felizes os pobres no Espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3). À luz da Palavra de Deus, a esperança e a ação segundo os valores do Reino.

Compromisso com a defesa dos pobres. A Igreja deve pôr-se sempre ao lado dos pobres e assumir, sem dúvida, a sua defesa.

Igreja perseguida por servir os pobres. A perseguição faz a Igreja testemunhar com maior garra a opção feita por Jesus de Nazaré em defesa dos pobres. A perseguição e ataques sempre estão e estarão ligados à defesa dos pobres.

Em sintonia com o pensamento de Romero e pedindo sua ajuda na caminhada, com alegria e esperança, cantemos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BINGEMER, M. C. (org.). Dom Oscar Romero: mártir da libertação. Rio de Janeiro: PUC-Rio; Aparecida: Santuário, 2012.

GONZALO, L. A. São Romero dos direitos humanos: lições éticas, desafio educacional. São Paulo: Paulus, 2022.

IRMANDADE DOS MÁRTIRES DA CAMINHADA. Celebrações martiriais: tríduo e celebração da festa de São Romero da América, pastor e mártir nosso! Goiânia: América, 2015.

NOVA Bíblia Pastoral. São Paulo: Paulus, 2018.

PAPA: São Oscar Romero, exemplo e estímulo para os povos da América Latina. Vatican News, Vaticano, 15 out. 2018. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-10/papa-francisco-canonizacao-monsenhor-romero.html. Acesso em: 3 out. 2024.

RICHARD, P. A força espiritual da palavra de Dom Romero. São Paulo: Paulinas, 2005.

SOBRINO, J. Fora dos pobres não há salvação: pequenos ensaios utópico-proféticos. São Paulo: Paulinas, 2008.

SOUZA, L. A. G. de. BOFF, L.; CASALDÁLIGA, P. (org.). D. Oscar Romero, bispo e mártir: homilias. Petrópolis: Vozes, 1980.

VITALI, A. Oscar Romero: mártir da esperança. São Paulo: Paulinas, 2015.

WRIGHT, S. Oscar Romero e a comunhão dos santos. São Paulo: Paulus, 2011.

XAVIER, D. J.; SBARDELOTTI, E. (org.). San Romero de América: martirio, esperanza, liberación. Montevideo: Ameríndia, 2022.

[1]  Nome carinhoso como era conhecido o Hospital da Divina Providência pelo povo salvadorenho.

Emerson Sbardelotti*

*é doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Agente de pastoral leigo da paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Cobilândia, Vila Velha, arquidiocese de Vitória-ES. Membro do Grupo de Pesquisa Literatura, Religião e Teologia (Lerte). Membro da equipe de formação do Cebi-ES. Membro da equipe de formação do CNLB Regional Leste 3. E-mail: sbardelottiemerson@gmail.com

 Comemoramos 45 anos do martírio de São Óscar Arnulfo Romero 🌟

📅 Data: Segunda-feira, 24 de março de 2025

⏰ Horário:

16h (Brasília)

14h (Colômbia)

15h (Manaus)

13h (El Salvador)

19h (Reino Unido)

Junte-se ao conversatório:

“Defendendo os direitos humanos e a Igreja Latino-americana: São Óscar Romero e seu legado”

Uma iniciativa do @Celam e @CAFOD, com o apoio de organizações como @CaritasLAC, @INSPyRE, @Remam e @RadioProgreso.

📌 Temas destacados:

O legado de São Romero na defesa dos direitos humanos.

A campanha continental “A vida pende de um fio”, visibilizando líderes assassinados por defender a casa comum.

 Transmissão ao vivo:

Em espanhol:



#SãoRomero #DefensoresDaVida #IgrejaLatinoAmericana #LegadoDeFé

45 anos do martírio de Óscar Romero e uma Igreja em libertação. Artigo de Gabriel Vilardi

Ao canonizar Dom Óscar Romero, o Papa Francisco indicou para toda a Igreja o exemplo e o testemunho deste mártir latino-americano, brutalmente assassinado há 45 anos, em 24-03-1980. A despeito das estruturas clericais que tendem sempre a controlar e a “domesticar” tantas figuras radicais no seguimento de Jesus, São Romero não pode se tornar apenas mais uma festa litúrgica no calendário romano.

O artigo é de Gabriel dos Anjos Vilardi, jesuíta, bacharel em Direito pela PUC-SP e bacharel em Filosofia pela FAJE. É mestrando no PPG em Direito da Unisinos e integra a equipe do Instituto Humanitas Unisinos – IHU

Eis o artigo.  AQUI


Santo Oscar Romero no blog da cultura (textos, imagens e canções)

aqui

MENSAGEM LIBERTADORA DE DOM OSCAR ROMERO, mártir e santo. Por Frei Gilvander Luís Moreira[1]

Dia 24 de março de 2025 celebramos 45 anos de martírio de dom Oscar Romero, arcebispo da arquidiocese de San Salvador, capital de El Salvador. Nomeado bispo por ser considerado conservador, passou por um processo de profunda conversão e assumiu a causa dos pobres. Sentiu profundamente o assassinato do padre Rutílio Grande, seu secretário, e de milhares de lideranças camponesas, de Comunidades Eclesiais de Base, que se levantavam contra a ditadura militar imposta sobre El Salvador.

Eis, abaixo, 17 anúncios e denúncias que ecoaram a partir da boca de Romero nas suas homilias. Através da Rádio a mensagem de Romero encontrou acolhida nos corações de tanta gente que segue vivendo se inspirando no ensinamento e testemunho libertador de Romero.

AQUI

Cultura é Investimento, Não Despesa: Diga NÃO aos cortes da PNAB!

 


🚨 É HOJE! LIVE NACIONAL CONTRA OS CORTES NA PNAB! 🚨

📣 Atenção, agentes culturais, produtores, técnicos, gestores, servidores, artistas, parlamentares e ativistas da cultura de todo o Brasil!

HOJE, segunda-feira, 24 de março, às 17h, vamos nos unir em uma grande LIVE NACIONAL DE MOBILIZAÇÃO contra o corte de mais de 84% no orçamento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), aprovado na Lei Orçamentária Anual de 2025 no Congresso Nacional.

PARTICIPE DA LIVE E FORTALEÇA A MOBILIZAÇÃO!

🔗 Assista hoje às 17h aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Y265RIf0du0

🔔 Ative o sininho no YouTube para não perder a hora

👍 Deixe seu like – isso fortalece o debate

🔄 Compartilhe com sua rede – quanto mais gente, mais força

💬 Participe do chat ao vivo – sua presença importa!

VAMOS JUNTOS PELA CULTURA!

Comente, compartilhe e esteja presente!

-------------------------------------

Governo Federal garante manutenção dos recursos da Aldir Blanc após aprovação da LOA 2025

Aplicação dos recursos continua obrigatória e repasses serão feitos integralmente aos entes que cumprirem as regras do Decreto nº 12.409. Entenda o que mudou

https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/governo-federal-garante-manutencao-dos-recursos-da-aldir-blanc-apos-aprovacao-da-loa-2025 

---------------------------------------------

UM CORTE INACEITÁVEL: CULTURA, ECONOMIA E TRABALHADORES PREJUDICADOS

A aprovação do Orçamento Federal de 2025 com um corte de mais de R$2,5 bilhões na Política Nacional Aldir Blanc (PNAB - Lei 14.399/2022) - que representa uma economia de APENAS 0,043% NO ORÇAMENTO FEDERAL DE R$5,8 trilhões - não é apenas um ataque ao setor cultural. É um retrocesso que impacta diretamente a economia brasileira, os trabalhadores da cultura e milhares de famílias em todo o país.

É preciso lembrar que a PNAB:

[ ! ] É a política mais sólida que tivemos até hoje para distribuição de recursos diretos para todo território nacional;

[ ! ] É um recurso que se propõe a chegar na ponta da cadeia produtiva, com mecanismos de reparação histórica e regionalização;

[ ! ] É o único recurso federal que garante a execução da PNCV - Política Nacional Cultura Viva - que visa fortalecer as culturas populares e tradicionais do Brasil, fazendo a manutenção de centenas de Pontos e Pontões de Cultura;

[ ! ] É uma política ESTRUTURANTE e que está favorecendo a implementação do Sistema Nacional de Cultura.

Assim como ocorreu com a PNAB, foram realizados cortes em políticas públicas fundamentais, como o Bolsa Família e o Programa Pé de Meia, que atendem diretamente às camadas mais vulneráveis da população. Enquanto isso, foram aprovados R$50 bilhões para emendas parlamentares, favorecendo interesses políticos (orçamento secreto).

A PNAB NÃO PODE FICAR EM RISCO A CADA DISPUTA POLÍTICA POR ORÇAMENTO!

O Ministério da Cultura e a Casa Civil afirmaram publicamente que os recursos da PNAB serão garantidos via portaria de suplementação de orçamento, em julho/25.

Esse é um passo importante, mas não basta confiar nesta promessa, é preciso fazer pressão!

Os instrumentos legais para a recomposição do recurso da PNAB dependem de mantermos articulação política e, como vem sendo defendido pelo Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura e pela classe cultural, a PNAB precisa se tornar uma política PERMANENTE, assim como o SUS e o FUNDEB.

INVESTIR EM CULTURA É ESTRATÉGICO E DADOS CONCRETOS MOSTRAM ISSO!

A cultura não é despesa, é investimento estratégico e tem um alto potencial multiplicador:

[ ! ] A Economia da cultura e das indústrias criativas representam mais de 3,11% do PIB e empregam mais de 7,4 milhões de brasileiros - isso é mais do que a indústria automobilística!

[ ! ] No RJ, um estudo da Fundação Getulio Vargas FGV mostrou que CADA R$1 INVESTIDO DA LEI PAULO GUSTAVO GEROU R$6,51 NA ECONOMIA DO ESTADO.

[ ! ] A PNAB segue o mesmo modelo da Lei Paulo Gustavo, garantindo repasses diretos para estados e municípios, descentralizando recursos e fortalecendo as economias locais.

>> A cultura movimenta comércio, turismo, serviços e gera milhares de empregos diretos e indiretos

O RISCO DA MP 1.274/2024

A PNAB não é um favor, é um direito garantido por lei.

Ela é classificada como despesa primária obrigatória – ou seja, sua execução é imposta legalmente. Cortar um orçamento desse tipo desrespeita a legislação vigente e compromete recursos destinados às políticas públicas já pactuadas com estados e municípios.

Apesar de trazer alguns avanços importantes, a aprovação da Medida Provisória nº 1.274/2024 também gerou insegurança no setor e abriu uma brecha perigosa que foi explorada: ela modificou o texto original da lei que instituiu a PNAB para permitir que o governo federal aplicasse “ATÉ” R$ 3 bilhões anualmente, ou seja, deixou espaço para o corte! Mas o texto original define que o valor integral deve ser aplicado.

>> Reforçamos: queremos a revogação dessa MP, que deveria ter expirado em 21/03/2025 mas foi prorrogada até 01/05/2025. A PNAB precisa ter garantia plena, sem margem para reduções arbitrárias.

NOSSA LUTA É COLETIVA: POR CULTURA, POR TRABALHO E POR RESPEITO AO NOSSO FAZER!

Enquanto aprovam bilhões em emendas parlamentares, cortam políticas públicas que garantem emprego, renda e direitos!

Nós, trabalhadoras e trabalhadores da cultura queremos:

[ X ] A recomposição integral do orçamento da PNAB

[ X ] A derrubada da MP 1.274/2024

[ X ] PNAB como política permanente

[ X ] Respeito aos fazeres culturais do Brasil

Também nos solidarizamos aos que lutam por condições dignas de existência e aos estudantes e apoiamos a luta para que os recursos destinados ao Programa Pé de Meia e o Bolsa Família sejam também restituídos ao Orçamento Federal!

E estaremos mobilizados, organizados e atentos até garantir que o orçamento da união esteja a serviço dos interesses do povo!

Assine AQUI

ASSINAM ESTE MANIFESTO:

FLIGSP (Fórum de Cultura do Litoral Interior e Grande SP)

ConECta (Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Cultura)

CUT BRASIL (Central Única dos Trabalhadores - Brasil)

CUT SP (Central Única dos Trabalhadores - SP)

Fórum para as Culturas Populares e Tradicionais

RBTR - Rede Brasileira de Teatro de Rua

Movimento Artigo Quinto

SATED - Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões:

SATED - São Paulo

SATED - Parahyba

SATED - Ceará

SATED - Santa Catarina

SATED - Paraná

SATED - Rondônia

SATED - Rio Grande do Sul

SINTRACINE - Santa Catarina (Sindicato dos Trabalhadores do Cinema e do Audiovisual)

Sâmia Bomfim - Deputada Federal SP (PSOL)

Mônica Seixas - Deputada Estadual SP (PSOL)

Guilherme Cortez - Deputado Estadual SP (PSOL)

Beth Sahão - Deputada Estadual SP (PT)

AGTB - Associação dos Grupos de Teatro de Belém

MCCSP - São Paulo

Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua

Cooperativa Paulista de Teatro

Cooperativa Paulista de Dança

Comissão Paulista de Folclore

Pontões de Cultura:

Pontão de Cultura Galpão da Lua

Pontão de Cultura Areté

Pontão de Cultura Jacarandá

Pontão Matrizes Amazônicas Pororoca da Cidadania

Pontão De Cultura Roraima

Pontão de Cultura Centro Cultural Obadará Africanidade

Pontão de Cultura Associação Musical da Amazônia

Pontao de Cultura Mestra Iracema Oliveira

------------------------------------------

🚨 NOTA DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES ESTADUAIS DE CULTURA🚨

📢 O Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura manifesta seu profundo estarrecimento diante do corte de 84% no orçamento previsto para a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) durante a votação da Lei Orçamentária Anual de 2025 pelo Congresso Nacional.

Os secretários e dirigentes estaduais de cultura estarão em Brasília no dia 27 de março mobilizados e articulados para buscar soluções junto ao Congresso e Governo Federal que garantam a reversão desse corte e a plena alocação dos recursos necessários à efetiva execução da política.

📲 Leia a nota completa no Instagram do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura

 🔗https://www.instagram.com/p/DHcOgypNCUw/?igsh=dHg5cjh5aW8xN2dm

🚨Comente e compartilhe🚨

 PESSOAL URGENTE!!! ⚠ Desastre no setor cultural!

Está aqui o perfil do senador responsável pelo Corte de 85% dos recursos da PMAB! Chegando a 3 Bilhões de reais cortados por ele!

Vamos todos lá no perfil dele, registrar a nossa insatisfação, e deixar claro o quanto isso afeta o setor cultural no Brasil. 

Lembrando que todo o processo foi dado sem a devida transparência, para que o setor cultural acompanhassem de perto o retrocesso!

Tudo isso chega a ser um massacre e ser  maldoso!*Uma crueldade na realidade com os artistas Brasileiros!!! 

https://www.instagram.com/share/reel/BBXK4R7ne8

---------------------------------------------------------------

CARTA ABERTA DO ConECta – FÓRUM NACIONAL DE CONSELHOS ESTADUAIS DE CULTURA

EM DEFESA DA CONTINUIDADE E INTEGRALIDADE DA POLÍTICA NACIONAL ALDIR BLANC

O ConECta – Fórum Nacional de Conselhos Estaduais de Cultura, coletivo que reúne conselheiros e conselheiras de cultura dos estados brasileiros, vem por meio desta carta manifestar publicamente sua preocupação institucional diante da drástica redução orçamentária destinada à Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), prevista na Lei Orçamentária Anual de 2025.

A PNAB constitui uma das mais relevantes políticas públicas estruturantes do campo cultural no Brasil, com caráter federativo, permanente e descentralizado. Fruto de um processo legislativo construído em ampla articulação entre sociedade civil e instituições públicas, sua concepção visa garantir o acesso equitativo aos recursos da cultura, fortalecer as redes locais, promover a diversidade cultural e consolidar o Sistema Nacional de Cultura (SNC) como eixo articulador das políticas públicas da área.

A supressão de recursos dessa magnitude compromete diretamente o pleno funcionamento da política, fragiliza sua execução nos entes federativos e desarticula os esforços feitos nos últimos anos pela sociedade civil nos estados e municípios para a construção de mecanismos técnicos, jurídicos e participativos para sua implementação. Trata-se de uma medida que contraria os princípios do planejamento público, ignora os avanços conquistados e desconsidera o impacto positivo que a PNAB tem gerado em diferentes regiões do país.

Cabe destacar que, desde a promulgação da Lei Complementar nº 195/2022, a sociedade civil, os conselhos de cultura e os gestores públicos têm trabalhado de forma integrada para assegurar que essa política se materialize nos territórios, inclusive em áreas historicamente excluídas das políticas públicas. A descontinuidade orçamentária representa, portanto, um risco não apenas técnico, mas simbólico e político para o setor. (continua nos comentários)👇🏼

                    https://www.instagram.com/p/DHlz9eERVL0/?igsh=MXR0emthYWw0MnhkYg== 

domingo, 23 de março de 2025

Sergipe , país do forró. Começo , continuidade e permanência.

 Zezito de Oliveira

Recebi no dia de hoje pela manhã link alusivo a  programação de Sergipe Pais do Forró 2025.  A colega que me enviou colocou uma observação interessante “para análise”.

E penso ser importante, também de forma coletiva, por quem cria, faz/produz cultura  junina  no chão das comunidades,   por quem legisla, por quem  estuda e pesquisa arte e cultura politica/politica cultural, gestão, produção e ação cultural....

Particularmente, a primeira vista fica claro que o atual governo de Sergipe  decide colocar a cultura do forró de forma um pouco robusta como centro na agenda governamental,  novidade em nosso estado  e que só teve  paralelo em Aracaju na primeira gestão do prefeito  Jackson Barreto quando eleito  em meados de 1980, com os arraiais de bairro e outras ações culturais com foco na cultura local, infelizmente não repetida a  dose no segundo mandato como prefeito e nem depois quando assumiu o governo de Sergipe,  após o afastamento e falecimento do saudoso Marcelo Déda..

Em termos comparativos com o governo federal, a forma como a proposta da programação “ Sergipe país do forró” é apresentada,  nos lembra a politica cultural realizada no governoFHC,  anos 1990, com base no lema “cultura é um bom negócio”, operada principalmente  por meio da Lei Rouanet .

Em resumo: O que é positivo no proposto pelo atual governo de Sergipe, colocar a economia da cultura do forró na agenda politica estadual, tratando a cultura como ativo econômico -  fonte de geração de empregos e renda e de  aumento da arrecadação de impostos, em suma “fonte de movimentação da economia local”.

O que é negativo é fazer jsso sem descer  ao chão de nosso cotidiano e em articulação com outras ações de formação cultural na base, incluindo escolas públicas, visando  formar  a cadeia produtiva de uma economia sustentável da cultura do forró, e de forma democrática e inclusiva, assim como  institucionalizar a politica cultural,  a fim de  que a politica de valorização da cultura do forró se torne politica de estado , para além de politica de governo, visando  continuidade nas próximas gestões....

Como fazer isso?

1)      Entre outras sugestões apontamos a necessidade de reconhecimento da importância do sistema estadual de cultura,  em especial com a reformulação do modelo de funcionamento do conselho  de cultura, nos marcos do decreto LEI Nº 14.835, que institui  o marco regulatório do Sistema Nacional de Cultura (SNC), para garantia dos direitos culturais, organizado em regime de colaboração entre os entes federativos para gestão conjunta das políticas públicas de cultura.  

2)      Reformulação da Lei   Nº 4.490, de 21 de dezembro de  2001 que trata do Fundo Estadual de Desenvolvimento Cultural e Artístico - FUNCART,,  principalmente no que concerne a destinação de dinheiro direto do orçamento estadual para o fragilizado FUNCART, em razão das atuais fontes esquálidas de receita.

3)      Chamada pública para complementação do coração do Plano Estadual de Cultura, os planos setoriais de linguagens e áreas transversais da cultura.

Para quem quiser aprofundar um pouco mais sobre o propósito de tornar de fato e de direito, Sergipe, pais do forró,  recomendamos leitura do artigo escrito em 2024, da  autoria do jornalista e professor Thiago Paulino,  doutor em sociologia pela UFS com estudos e pesquisas em cultura do forró. AQUI 

 


Aracaju: Da Zabumba às Redes Sociais, a Política do Espetáculo

*Emanuel Rocha

Aracaju, tem sido palco de uma intigrante (e por vezes polêmica) transformação na forma como seus “líderes” municipais se conectam com a população. De um prefeito que marcou época ao aparecer publicamente tocando zabumba, a uma prefeita blogueira que prioriza as redes sociais

A cidade parece viver uma era em que a imagem e a visibilidade muitas vezes se sobrepõem à gestão pública em si.

O ex-prefeito, conhecido por seu jeito extrovertido e por usar a zabumba como um símbolo de sua aproximação com o povo, deixou um legado de popularidade, mas também questionamentos sobre o equilíbrio entre espetáculo e administração. Sua figura folclórica conquistou corações, mas muitos se perguntavam se o som da zabumba ecoava em obras e ações concretas para a cidade, principalmente no que se refere a proteção do meio ambiente.

Agora, sob a gestão da prefeita blogueira, Aracaju parece ter migrado do palco da zabumba para o feed do Instagram. Com posts nem sempre bem elaborados, stories diários e uma presença digital constante, a nova gestora prioriza a comunicação direta com os cidadãos por meio das redes sociais. No entanto, essa estratégia também levanta debates: até que ponto a prioridade dada às redes reflete em melhorias reais para a cidade?

É inegável que as redes sociais são uma ferramenta poderosa para a transparência e o diálogo com a população. Porém, o risco de transformar a gestão pública em um grande BBB político é real. Enquanto selfies e postagens ganham likes, os cidadãos esperam respostas para problemas cotidianos, como mobilidade urbana, saúde, meio ambiente, educação e segurança.

Aracaju merece mais do que espetáculo, seja ele musical ou digital. A cidade precisa de gestores que equilibrem a comunicação moderna com ações eficientes e transformadoras. Que a zabumba e os posts não sejam apenas um show, mas um meio para amplificar as vozes da população e os resultados concretos de uma administração comprometida com o progresso (e não com a Progresso).

Afinal, política não é sobre aparecer, mas sobre fazer. E Aracaju, com sua rica cultura e potencial, merece líderes que priorizem a cidade real, não apenas a virtual.

*Emanuel Rocha, é reporter fotografico, historiador, e poeta popular


quinta-feira, 20 de março de 2025

Sergipe é o 3º estado nordestino que menos investiu em cultura. Observatório Ação Cultural Sergipe

 Sergipe é o 3º estado nordestino que menos investiu em cultura. O descaso com os museus é um indicativo da falta de política cultural no Estado


O presente trabalho é possível com a participação de uma agente jovem cultura viva por meio do Pontão de Cultura Digital e Mídias Livres.

12.12.2023

Link: https://manguejornalismo.org/sergipe-e-o-3o-estado-nordestino-que-menos-investiu-em-cultura-o-descaso-com-os-museus-e-um-indicativo-da-falta-de-politica-cultural-no-estado/?fbclid=IwY2xjawIYhYRleHRuA2FlbQIxMQABHdMyIWDIx72lE9QmQTl3S75Dc-JO9iYn2C2V8ZcTnAR4gM0e96RDr0sfXg_aem_TCSA5Nl3IQklu_vf_5mThA

1. Assunto principal da matéria:

O baixo investimento em cultura em Sergipe, especialmente na preservação e funcionamento dos museus, e suas consequências para a sociedade.

2. Problemas abordados na matéria (Com números, caso tenha):

Baixo investimento em cultura: Sergipe investiu apenas 0,8% em cultura em 2022, ficando atrás do Ceará (7,4%) e sendo o 3° estado nordestino que menos investiu. (Fonte: IBGE)

Falta de museus: Apenas 47% da população sergipana vive em cidades que possuem museus, o 3° menor percentual do Nordeste. (Fonte: IBGE)

Concentração de museus: Dos poucos mais de 30 museus em Sergipe, 60% estão em Aracaju, deixando o interior sem acesso. (Fonte: IBRAM/CNM)

Falta de concursos públicos: Museólogos formados pela UFS não conseguem atuar devido a ausência de concursos e recursos. (Fonte: Professora Neila Dourado)

Falta de acessibilidade: De mais de 30 museus, apenas 7 possuem banheiro acessível, 4 têm elevador adaptado e 7 têm rampa de acesso. Além disso, 10 museus não possuem nenhum recurso de acessibilidade. (Fonte: IBGE)

Falta de regulamentação: Muitos museus não têm registro legal, impossibilitando a contratação de profissionais e captação de recursos. (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral (Com números, caso tenha):

Fuga de talentos: “Muitas pessoas talentosas acabam saindo do estado. Muitas produções param de ser realizadas.” (Fonte: Professora Neila Dourado)

Desestímulo aos jovens e à economia cultural: "Os jovens se sentem desestimulados, consequentemente não há uma movimentação no mercado cultural." (Fonte: Professora Neila Dourado)

Prejuízo à educação e ao aprendizado: “Não dá para se trabalhar a educação patrimonial e a valorização dos saberes locais sem acesso a museus.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas (Com números, caso tenha):

Criação de políticas públicas para valorização da cultura: “Não há efetivamente uma política pública voltada para incentivar, estimular e captar recursos para o desenvolvimento de ações que ampliem e transformem.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

Maior sensibilização do Estado e prefeituras: “É importante que os líderes políticos compreendam a importância de um museu ou de um centro cultural, de uma biblioteca, de um arquivo, para salvaguardar a memória daquela comunidade.” (Fonte: Professora Ana Karina Calmon)

Investimento na estrutura e na acessibilidade dos museus: “Os prédios dos museus são antigos, com estruturas obsoletas... há dificuldades na manutenção da rede elétrica, hidráulica e na segurança contra roubos e incêndios.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

Realização de concursos públicos e regulamentação dos museus: “Não pode existir museu sem a contratação de museólogos, pois a profissão é regulamentada por lei.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

Ações de fiscalização e denúncia: “Cabe à população, ao Departamento de Museologia da UFS e às instituições ligadas a museus provocar o Ministério Público Estadual ou Federal.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

5. Fontes da matéria:

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e Cadastro Nacional de Museus (CNM)

Professora Neila Dourado Gonçalves Maciel (Chefe do Departamento de Museologia da UFS)

Professora Ana Karina Calmon (Vice-diretora do Campus de Laranjeiras e professora de Museologia da UFS)

Professor Fernando Aguiar (Professor adjunto de Museologia da UFS e membro do Conselho Estadual de Cultura em Sergipe)

6. Lista dos Museus:



AÇÃO CULTURAL COMO LABORATÓRIO E OBSERVATÓRIO CULTURAL

Romero Venâncio (UFS)

"Então, veja, uma das coisas que me animou muito estar no grupo, nessa retomada do Ação Cultural, eu sinto que a gente é assim, a gente está entre um laboratório e um observatório.

Um laboratório no sentido que a gente vai, de certa forma, trabalhando como a gente entende cultura a partir de uma série de ações de gente que mexe com poesia, que mexe com teatro, que mexe com dança, que se interessa por audiovisual e tal.

Então eu acho que isso dá a dinâmica de laboratório. Mas eu diria que não é só um laboratório. Tem muito de observatório. A gente está observando dentro e fora do grupo, um pouco como estão andando esses debates em torno de política cultural.

Por exemplo, como é que estão as políticas para o audiovisual, para o teatro, para a literatura.

Por que eu acho importante isso como um dado conjuntural? Porque eu acho que o debate coletivo, e essas redes de certa forma facilitam, é uma coisa interessante nessas chamadas redes digitais, a gente discutir em grupo ajuda muito, porque nem todo mundo consegue dar conta de tudo, principalmente com a velocidade das coisas que estão ocorrendo.

É uma situação que eu acho que é papel do observatório, mais do que o laboratório, o observatório reflete sobre isso.

Porque, de uma maneira ou outra, o laboratório elabora, discute, realiza ações culturais.

O observatório está antenado com o que está ocorrendo.

Por isso que eu acho que é muito rico, a ideia da retomada da´Ação cultural nesse patamar."

 Há algo errado no País do Forró. Sergipe precisa implantar o ano todo políticas públicas mais consistentes para a cultura do forró

14.06.2023

Link: https://manguejornalismo.org/ha-algo-errado-no-pais-do-forro-sergipe-precisa-implantar-o-ano-todo-politicas-publicas-mais-consistentes-para-a-cultura-do-forro/?fbclid=IwY2xjawIZrYtleHRuA2FlbQIxMQABHTO4a9wga-odxqRyv5R9LcbYitn470wrnnwMIKCPgvvfcSb1WKPSX-EKRw_aem_jyIPz6XYVWzjr2aAJoH5CA

1. Assunto principal da matéria:

A falta de políticas públicas consistentes para a cultura do forró em Sergipe ao longo do ano e a necessidade de valorização e fortalecimento dos artistas locais.

2. Problemas abordados na matéria:

Dificuldade de acesso a instrumentos musicais para crianças e jovens:

Uma sanfona custa entre R$3.000 e R$17.000, tornando-se um desafio para famílias da zona rural adquirirem o instrumento.

Baixa valorização dos artistas locais dentro do próprio estado:

O sanfoneiro Edgard do Acordeon fez mais shows no Sertão da Bahia do que em Aracaju, sua própria capital.

Falta de políticas culturais estruturantes e permanentes:

A cultura do forró é fortalecida apenas em eventos sazonais, sem medidas contínuas para o setor.

O setor cultural sofre com a falta de funcionários concursados e orçamentos limitados.

Ausência de incentivos para formação e capacitação de artistas locais:

Não há escolas de sanfoneiros em Sergipe, enquanto em Pernambuco existem Escolas de Frevo e o Balé Popular do Recife.

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Desvalorização da cultura e da identidade sergipana:

Muitos sergipanos não conhecem as músicas de artistas locais como Edgard do Acordeon, apesar de sua importância para o forró.

Dificuldade para artistas viverem da própria arte:

Muitos forrozeiros dependem exclusivamente dos festejos juninos para se apresentarem, pois faltam oportunidades ao longo do ano.

Perda de talentos e enfraquecimento da cena cultural:

Sem incentivo, muitos jovens deixam de se interessar pelo forró ou não conseguem desenvolver seu talento.

4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Criação de políticas públicas contínuas e estruturantes:

A cultura precisa ser valorizada além dos grandes eventos e contar com orçamento adequado.

Diálogo entre poder público e setores culturais:

O fortalecimento da cultura passa pelo envolvimento da sociedade civil e dos artistas na construção de políticas públicas.

Criação de escolas de sanfoneiros e outras formas de ensino da cultura local:

Seguir o exemplo de Pernambuco, que possui Escolas de Frevo e o Balé Popular do Recife, para garantir a formação e preservação da cultura.

Capacitação técnica para artistas ganharem dinheiro na internet:

O poder público poderia auxiliar os forrozeiros a monetizar sua arte online, ampliando suas oportunidades de renda.

Implementação do Plano de Cultura do Estado:

Sergipe aprovou um plano cultural em novembro do ano passado, e o desafio agora é colocá-lo em prática.

5. Fontes da matéria:

Tiago Paulino (autor do artigo e jornalista do Mangue Jornalismo)

Edgard do Acordeon (músico sergipano)

Antonia Amorosa (presidenta da Funcap)

Cinema sergipano é destaque no Nordeste, mas segue invisível no estado

14.08.2024

Link: https://manguejornalismo.org/cinema-sergipano-e-destaque-no-nordeste-mas-segue-invisivel-no-estado/?fbclid=IwY2xjawIZrbVleHRuA2FlbQIxMQABHTOXXT1cTUeN7Gs152N86dv62cX-5NOpfdkuWEClXHk0WO2KwOwcvDf72w_aem_w7jULN75vt5n_4lLDwVQnw

1. Assunto principal da matéria:

O destaque do cinema sergipano em festivais nacionais e internacionais, contrastando com a falta de valorização e apoio dentro do próprio estado.

2. Problemas abordados na matéria:

Falta de apoio e incentivo do poder público ao cinema sergipano:

Apesar de a Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) ter contribuído com transporte e cachê, faltou suporte adequado, como assessoria de comunicação para registrar e divulgar a participação dos artistas. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Ausência de políticas públicas contínuas para o audiovisual sergipano:

O evento Cena Nordeste demonstrou que outros estados oferecem suporte mais estruturado aos seus realizadores, enquanto Sergipe não investe o suficiente para valorizar sua produção cinematográfica. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Descaso das instituições de ensino com os projetos audiovisuais:

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) não apoia o projeto Interdisciplinar do curso de Cinema, que sobrevive apenas pelo esforço de alunos e professores, sem orçamento e com equipamentos defasados. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Apropriação das vitórias dos estudantes pela universidade sem oferecer suporte:

A UFS não colabora com os projetos audiovisuais, mas usa os sucessos dos alunos para se promover. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Falta de visibilidade do cinema sergipano dentro do próprio estado:

Mesmo com diversas premiações e reconhecimentos, a cena cinematográfica local segue invisível para o público sergipano. (Fonte: Díjna Torres, Jornalista)

Dificuldade de produção e sustentabilidade para cineastas sergipanos:

Sem apoio financeiro e técnico, muitos realizadores enfrentam dificuldades para produzir filmes e se manter na área. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Desigualdade no apoio entre estados nordestinos:

Estados vizinhos oferecem suporte mais estruturado aos seus realizadores, enquanto Sergipe ainda precisa avançar em políticas culturais. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta).

Precarização do ensino de audiovisual na UFS:

Sem investimentos em estrutura e equipamentos, os alunos precisam buscar alternativas externas para produzir seus filmes. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

 4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Melhor estrutura de apoio por parte do poder público:

Outros estados oferecem assessoria de comunicação e suporte mais abrangente para seus cineastas; Sergipe poderia seguir esse exemplo. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Maior envolvimento das universidades na valorização do audiovisual:

A UFS deveria disponibilizar orçamento e melhores equipamentos para os alunos do curso de Cinema. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Fortalecimento da circulação e difusão do cinema nordestino:

O Cena Nordeste é uma oportunidade para abrir um circuito nordestino de exibição e valorização das produções regionais. (Fonte: Carolen Meneses, produtora da Floriô de Cinema)

Investimentos contínuos no audiovisual sergipano:

O festival Cena Nordeste pode ser uma porta de entrada para novas políticas culturais no estado. (Fonte: Yérsia Assis, professora e realizadora audiovisual)

5. Fontes da matéria:

Díjna Torres (autora da reportagem)

Fellipe Paixão (cineasta e estudante da UFS, participante do Cena Nordeste)

Carolen Meneses (cineasta sergipana e produtora da Flôrio de Cinema)

Yérsia Assis (professora universitária, antropóloga e realizadora audiovisual)

Funcap (Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe)

Cena Nordeste 

Prefeitura de Aracaju ignora Sistema Nacional de Cultura e mantém formato antidemocrático na gestão cultural da capital

26.06.2024

Link: https://www.sergipense.com.br/prefeitura-de-aracaju-ignora-sistema-nacional-de-cultura-e-mantem-formato-antidemocratico-na-gestao

1. Assunto principal da matéria:

A Prefeitura de Aracaju ignora o Sistema Nacional de Cultura (SNC) e mantém um modelo antidemocrático na gestão do Conselho Municipal de Política Cultural, contrariando diretrizes federais e excluindo a participação legítima da sociedade civil.

2. Problemas abordados na matéria:

Nomeação dos membros do Conselho sem eleição ou transparência:

O Conselho Municipal de Política Cultural foi reformulado sem eleição direta, contrariando o artigo 16 do SNC, que exige composição paritária e representantes eleitos pela sociedade civil. (Fonte: Nota conjunta do Comitê Estadual Paulo Gustavo e Ministério da Cultura)

Falta de representatividade e diversidade cultural no Conselho:

O formato atual não garante a presença de diferentes expressões artísticas nem respeita a diversidade territorial e cultural da cidade. (Fonte: Sergipense)

Poder de decisão concentrado no Executivo:

O secretário especial da cultura tem voto de desempate, assegurando que a gestão municipal tenha sempre a palavra final, comprometendo a paridade do Conselho. (Fonte: Sergipense)

Falta de funcionamento efetivo do Conselho desde 2013:

Criado por lei em 2013, o Conselho nunca saiu do papel e, quando anunciado em 2020, permaneceu inativo. (Fonte: Sergipense)

Falta de compromisso da gestão municipal com a cultura:

A atual gestão mantém um modelo de Conselho que não garante participação real da sociedade civil. (Fonte: Sergipense)

Quebra de acordo entre a Funcaju e os vereadores:

O vereador Elber Batalha (PSB) questionou Luciano Correia, presidente da Funcaju, sobre a reestruturação do Conselho e ficou surpreso ao descobrir que a nomeação dos membros já havia sido feita no mesmo dia, sem qualquer diálogo. (Fonte: Elber Batalha, vereador do PSB)

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Deslegitimação do Conselho Municipal de Política Cultural:

Sem eleição e com poder concentrado no Executivo, o Conselho se torna apenas um órgão simbólico, sem real influência na formulação de políticas culturais. (Fonte: Comitê Estadual Paulo Gustavo e Ministério da Cultura)

Dificuldade na aplicação transparente de recursos culturais:

O Conselho deveria monitorar e avaliar o Plano Municipal de Cultura e definir o uso de recursos federais, mas, sem participação democrática, há riscos de má gestão ou falta de prioridade para as reais necessidades do setor. (Fonte: Sergipense)

Exclusão de setores culturais e artísticos da tomada de decisões:

Sem a exigência de diversidade cultural e territorial, grupos artísticos podem ficar sem representação e apoio adequado. (Fonte: Sergipense)

Manutenção de um modelo de gestão autoritário e ineficaz:

O Conselho segue como uma ferramenta de controle do Executivo, impossibilitando o desenvolvimento de uma política cultural participativa e democrática. (Fonte: Sergipense)

4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Garantia da eleição direta para os membros da sociedade civil no Conselho:

A nomeação deve seguir o que prevê o artigo 16 do SNC, permitindo que representantes sejam escolhidos democraticamente. (Fonte: Nota conjunta do Comitê Estadual Paulo Gustavo e Ministério da Cultura)

Reestruturação do Conselho para garantir diversidade cultural e territorial:

O modelo atual precisa incluir diferentes expressões artísticas e respeitar a diversidade geográfica da cidade. (Fonte: Sergipense)

Fim do voto de desempate do secretário especial da cultura:

Para garantir equilíbrio de forças entre a sociedade civil e o poder público, o presidente do Conselho não deveria ter o poder de desempate. (Fonte: Sergipense)

Funcionamento real do Conselho com autonomia e fiscalização ativa:

O Conselho precisa atuar efetivamente na formulação e monitoramento das políticas culturais de Aracaju, ao invés de ser um órgão fictício. (Fonte: Sergipense)

Compromisso da gestão municipal com uma política cultural democrática:

A prefeitura deve abandonar o atual modelo e adotar práticas transparentes e participativas na gestão cultural. (Fonte: Sergipense)

5. Fontes da matéria:

Sergipense (veículo de comunicação que publicou a matéria)

Comitê Estadual Paulo Gustavo e Ministério da Cultura

Vereador Elber Batalha (PSB)

Luciano Correa (presidente da Funcaju)

Criado por lei em 2013, Conselho Municipal de Política Cultural de Aracaju nunca saiu do papel

27.03.2023

Link: https://www.sergipense.com.br/criado-por-lei-em-2013-conselho-municipal-de-politica-cultural-de-aracaju-nunca-saiu-do-papel

1. Assunto principal da matéria:

O Conselho Municipal de Política Cultural de Aracaju (CMPC), criado por lei em 2013, nunca saiu do papel e, mesmo com uma tentativa de formação em 2020, permaneceu inativo, comprometendo a democratização da gestão cultural na cidade.

2. Problemas abordados na matéria:

Inatividade do Conselho desde sua criação em 2013:

A lei municipal nº 4.480 criou o Conselho, mas ele nunca foi efetivamente implementado. (Fonte: Sergipense)

Tentativa de formação do Conselho em 2020 sem transparência e sem participação real:

A nomeação dos membros foi feita pelo Decreto nº 6.188 sem edital público e sem garantir representação de todas as expressões artísticas. (Fonte: Wécio Grilo, Coordenador do Fórum Permanente de Artes Visuais)

Desrespeito ao princípio da paridade e ausência de critérios inclusivos:

A composição do Conselho previa 7 vagas para o Executivo e 7 para a sociedade civil, mas sem assegurar diversidade cultural e territorial. Além disso, o presidente (secretário especial da cultura) tinha o direito de voto de desempate, favorecendo o Executivo. (Fonte: Sergipense)

Criação do Conselho em 2020 com fins eleitoreiros e para receber recursos da Lei Aldir Blanc (LAB I):

O Conselho foi montado apressadamente antes das eleições e, após a destinação dos recursos, nunca mais se reuniu. (Fonte: Lu Silva, técnica em audiovisual e membro do Fórum Audiovisual de Sergipe)

Ausência de reuniões e falta de comunicação entre os membros nomeados:

Após uma reunião virtual para posse dos membros em 2020, o Conselho nunca mais se reuniu, e seus próprios integrantes não sabiam quem eram os outros membros. (Fonte: Wécio Grilo)

Hostilidade da gestão pública em relação à classe artística:

O presidente da Funcaju, Luciano Correia, além de não dar continuidade ao Conselho, se recusou a debater com a classe artística sobre a Lei Paulo Gustavo e proferiu ofensas contra fazedores de cultura e vereadoras. (Fonte: Sergipense)

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Falta de participação popular na gestão da cultura de Aracaju:

Sem um Conselho ativo, a população e os artistas não têm voz na formulação de políticas culturais. (Fonte: Sergipense)

Desorganização e falta de fiscalização na aplicação de recursos culturais:

O Conselho deveria aprovar e fiscalizar eventos como o aniversário da cidade e a distribuição de recursos da cultura, mas sua ausência impede esse controle. (Fonte: Sergipense)

Ausência de valorização e fomento aos artistas locais:

O Conselho poderia garantir maior representatividade dos artistas locais em eventos culturais da cidade, mas sua inatividade perpetua a exclusão dos artistas da tomada de decisões. (Fonte: Sergipense)

Manutenção de um modelo de gestão autoritário e fechado:

O Executivo continua tendo controle sobre as políticas culturais sem debater com a sociedade. (Fonte: Lu Silva, Fórum Audiovisual de Sergipe)

Desmobilização da classe artística e descrença no poder público:

Artistas e entidades culturais veem a falta de funcionamento do Conselho como uma estratégia para manter o setor sem influência política. (Fonte: Wécio Grilo)

 4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Adequação do Conselho ao Sistema Nacional de Cultura (SNC):

O Conselho precisa garantir paridade real e contemplar a diversidade de linguagens culturais, gênero e etnias, como orienta o SNC. (Fonte: Lu Silva, Fórum Audiovisual de Sergipe)

Eleições diretas e edital público para escolha dos representantes da sociedade civil:

Diferente do que ocorreu em 2020, a composição do Conselho deve ser feita por meio de um processo democrático e transparente. (Fonte: Wécio Grilo, Fórum Permanente de Artes Visuais)

Compromisso com reuniões periódicas e participação efetiva dos membros:

O Conselho deve funcionar regularmente e permitir que seus membros participem ativamente das decisões culturais da cidade. (Fonte: Sergipense)

Garantia da autonomia do Conselho e fim do controle excessivo do Executivo:

O modelo atual, onde o secretário especial da cultura tem o voto de desempate, deve ser reformulado para evitar manipulações. (Fonte: Sergipense)

5. Fontes da matéria:

Sergipense (veículo de comunicação que publicou a matéria)

Lu Silva (técnica em audiovisual e membro do Fórum Audiovisual de Sergipe, denunciou a criação do Conselho em 2020 como uma "maquiagem" para recebimento de recursos da Lei Aldir Blanc)

Wécio Grilo (Coordenador do Fórum Permanente de Artes Visuais, nomeado para o Conselho em 2020, relatou a falta de reuniões e transparência na formação do órgão)

Luciano Correia (presidente da Funcaju, nomeado presidente do Conselho em 2020, envolvido em polêmicas de falta de diálogo com a classe artística)

Emília deixa Funcaju sem titular, não realiza Projeto Verão e não anuncia nada para Cultura

(21/01/2025)

Link: https://manguejornalismo.org/emilia-deixa-funcaju-sem-titular-nao-realiza-projeto-verao-e-nao-anuncia-nada-para-cultura/ 

1. Assunto principal da matéria:

Balanço do 1º mês da Gestão Cultural da Prefeitura de Aracaju com a prefeita eleita Emília Corrêa e a falta de diálogo com a classe artística.

2. Problemas abordados na matéria:

Ausência de um titular na Funcaju - Atualmente, a Fundação Cultural Cidade de Aracaju é gerida interinamente por Fábio Uchôa, que não tem vínculo com a cultural.

Cancelamento do Projeto Verão - O evento foi suspenso pela prefeita Emília Corrêa sob a justificativa de falta de recursos, apesar da Lei Orçamentária Anual prever R$3,2 milhões para sua realização.

Linda Brasil (PSOL) critica o cancelamento: “Alegar falta de recursos quando havia R$3,2 milhões destinados no orçamento para o evento é um insulto à inteligência da população de Aracaju.”

Falta de diálogo com a classe artística - Artistas, coletivos e especialistas do setor afirmam que a prefeitura não abriu espaços de discussão para ouvir as demandas culturais.

Thiago Paulino (Jornalista e pesquisador cultural) pontua: “Espero que [o diálogo] continue e se reverta em ações concretas, como a formulação de um Fundo Municipal de Cultura.”

Tratamento da cultura apenas como eventos - Segundo críticos, a cultura é vista pela prefeitura como festividades, sem ações estruturais de fomento.

Paulino lamenta: “A cultura é vista apenas pela ótica dos eventos, deixando a formação cultural limitada à Escola Valdice Teles.”

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Desvalorização da cultura e dos artistas - A falta de investimentos e planejamento prejudica a classe artística e limita oportunidades.

Roque Sousa (Músico e produtor cultural) afirma: “Desde o início da campanha eleitoral, não apresentaram um projeto sério para o setor cultural.”

Prejuízo econômico e social - A cultura movimenta a economia e promove inclusão, e sua negligência pode impactar o turismo e o lazer da população.

Zezito de Oliveira (Historiador e militante cultural) alerta: “Ela deveria aproveitar o fato das administrações anteriores não terem tido esse alcance de visão e surpreender. Infelizmente, não houve nenhuma sinalização.”

Falta de credibilidade na gestão cultural - A prefeita prometeu mudanças na cultura, mas, até o momento, a categoria vê contradições em seu discurso.

Coletivo de Música Sergipana (Comus) destaca: “Ela segue bem na contramão do discurso que deu o tom de toda a sua campanha.”

4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Nomeação de um titular para a Funcaju - Especialistas sugerem que a gestão coloque à frente da pasta um profissional com experiência na área.

Criação de um Fundo Municipal de Cultura - Thiago Paulino sugere que um fundo poderia garantir sustentabilidade para projetos culturais.

Ampliação da formação e infraestrutura cultural - Criação e manutenção de espaços para formação de artistas e técnicos na cidade.

Reforma administrativa com criação da Secretaria de Cultura - Segundo nota da prefeitura, está prevista a criação de uma Secretaria Municipal de Cultura.

Diálogo com artistas e coletivos culturais - A prefeitura afirma que está em processo de diálogo com representantes da cultura para fortalecer políticas culturais.

5. Fontes da matéria:

Vereadora Sônia Meire (PSOL)

Deputada estadual Linda Brasil (PSOL)

Zezito de Oliveira (Historiador e Militante Cultural)

Thiago Paulino (Jornalista, Professor e Pesquisador Cultural)

Roque Sousa (Músico e Produtor Cultural)

Coletivo de Música Sergipana (Comus)

* Nota oficial da Prefeitura de Aracaju.*