sexta-feira, 10 de abril de 2026

Compromisso social


Gildo Alves Bezerra *


    Neste texto sobre a valorização profissional do magistério qualquer administrador deve saber que existe uma "obrigação mais ou menos solene" "da sociedade" em valorizar a educação. Visto que, este é um dos "princípios da educação pública  brasileira". 

     Faz necessário  saber que princípio se  refere  a "preceito, regra". "Art. 3º Inciso VII Valorização do profissional da educação escolar" (LDB) e a lei 11.738/ 2008 que instituiu o Piso Salarial Profissional  Nacional do Magistério Público  da Educação Básica.


   Então, aqueles que se propõem a ser administrador e fiscalizador da "coisa pública" não podem perder de vista os princípios e finalidades da educação nacional.  Afinal de contas vivemos em uma República?

    Outrossim, faz mister  lembrar que o STF decidiu que o piso incide sobre o vencimento básico, não sobre a remuneração total.

     Como também faz necessário lembrar aos executivos, fiscalizadores da aplicação da lei que "o reajuste é anual, geralmente em janeiro, baseado no crescimento do valor aluno do FUNDEB".

     Como não agir "movido pela utopia de pensar e reinventar" Sergipe? Visto que,  nossa elite agi e pensa nosso Estado de forma patriarcal,  falocêntrica, misoginia, eurocêntrica. 

    Em suma, a elite sergipana e brasileira agi e pensa como manter os privilégios da população masculina e branca, demonstra um racismo silencioso, onde a igualdade só existe perante a lei.

      "A literatura sempre foi um reflexo, mas também um elemento produtor de nossa identidade, (...)".

      Faz mister pensar, qual reflexo e qual identidade está sendo produzida em Sergipe. E também refletir e agir sobre o que nos diz Djamila Ribeiro  "a ausência ou a baixa incidência de pessoas  negras em espaços de poder não  costuma causar incômodo ou surpresa em pessoas brancas (...). E, para além  disso, é preciso  pensar em ações que mudem essa realidade".


       "Nas últimas décadas, pesquisadores de várias áreas têm voltado sua atenção para a discussão do papel crucial das práticas  de leitura e escrita na inserção dos alunos". (Abaurre, 2012: 07)

      Mas, como mudar a realidade da educação em Sergipe se nos falta a valorização profissional, políticas de formação continuada e as condições de trabalho, principalmente, para o desenvolvimento da prática de leitura e escrita dos(as) educandos(as).

      Mas, num Estado em que apenas 29,9% das escolas estaduais tem "bibliotecas escolares". Será que a renovação do acervo bibliográficos que retratam sobre as populações indígenas e negras já chegaram as salas de leitura? 

      Visto que, em apenas 17,6% das escolas municipais tem bibliotecas escolares. 

    O déficit de bibliotecas escolares é muito alto nas redes estaduais e mais gritante ainda nas redes municipais!!!!!! 

    Se este cenário já é gravíssimo. Visto que, dito de outra forma 70,1% das escolas estaduais não tem bibliotecas escolares e nos municípios 82,4% das escolas não tem bibliotecas. 

    Esta tragédia priva a maioria absoluta dos nossos educandos (as) do acesso à leitura. 

    Imaginem quando as bibliotecas escolares ou salas de leitura não fazem parte do projeto didático-pedagógico das unidades de ensino. 

    E mais dramático quando não há uma política de renovação do acervo, para que as crianças e adolescentes, tenham contato com as referências bibliográficas 

     

      Já pensou n(a Importância do Ato de Ler) de Paulo Freire, o patrono da educação brasileira e sergipana? "A leitura e a escrita são assuntos de interesse social". E também de Gilberto Dimenstein em "O cidadão de papel" quando vai tratar sobre a educação nos fala do "círculo tenebroso". E diz "um jeito de quebrar esse círculo tenebroso é investir em educação".

     Mesmo sabendo que o contexto educacional é diferente de quando  Dimenstein escreveu o livro ainda cabe a seguinte  citação "Tirando uma ou outra exceção (as escolas técnicas, por exemplo), a escola pública não tem boas bibliotecas, nem laboratórios de informática e de ciências, as classes são lotadas, os professores ganham baixos salários e dão aulas em diferentes locais ".

     Vejam governantes, principalmente, municipais e estaduais  que Gilberto Dimenstein ver a educação como investimento. Bem diferente de governos reacionários que ver na educação com gasto!!!! 

       Será que os órgãos públicos que deveriam fiscalizar o cumprimento das leis e a aplicação dos recursos públicos  e não fazem. 

    Mas, criminalizam a luta do magistério público sergipano podem se eximirem do epíteto de "algozes" da educação pública sergipana? 


*Trabalhador, professor de história, ativista politico-social, sertanejo de Nossa Senhora da Glória-SE e pai de educandos da "escola pública sergipana" e da Universidade Federal de Sergipe.


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