Índice reúne informações públicas e aponta diferenças estruturais no setor cultural entre as unidades da federação
Por: Raony Salvador - Publicado: 18/02/2026 - às 19h00 - Atualizado: 18/02/2026 - às 18h10
Um estudo acadêmico elaborado por pesquisadores vinculados à Universidade Federal do Ceará (UFC), no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior (PPAC), propôs a criação de um Índice de Cultura (ICult) para medir o desempenho cultural dos estados brasileiros. O levantamento foi concluído em 2023 e utiliza dados oficiais disponíveis nas bases do IBGE e da Secretaria do Tesouro Nacional.O índice consolida informações variadas e oferece um retrato comparativo do ambiente cultural nas unidades da federação.
A construção do indicador considera quatro grandes critérios: instrumento político, financiamento público, mercado cultural e infraestrutura de cultura.
No eixo de instrumento político são avaliados aspectos como existência de legislação de patrimônio cultural e funcionamento de conselhos de preservação.
Em financiamento público entram variáveis como despesa estadual com cultura, apoio financeiro e não financeiro a atividades culturais e volume de projetos fomentados.
O mercado cultural é mensurado por indicadores como consumo das famílias com bens e serviços culturais e participação do setor cultural no total de ocupações.
Já a infraestrutura considera a oferta de equipamentos culturais — bibliotecas, arquivos, museus, teatros, centros culturais e espaços de entretenimento — ajustados proporcionalmente à população.
Top 5 do índice cultural
Com base nesses critérios, os cinco estados mais bem posicionados no ranking são:
Distrito Federal — 0,613
São Paulo — 0,592
Rio de Janeiro — 0,564
Amazonas — 0,481
Rio Grande do Sul — 0,450
O Distrito Federal lidera o ranking, com destaque nas dimensões de financiamento e mercado. São Paulo e Rio de Janeiro aparecem na sequência, impulsionados pelo dinamismo do setor cultural e pelo volume de recursos aplicados. O Amazonas surge como principal destaque da região Norte, enquanto o Rio Grande do Sul mantém desempenho consistente no conjunto dos indicadores.
Desigualdades regionais
Na faixa intermediária estão Ceará (0,398), Goiás (0,352) e Rio Grande do Norte (0,337). Minas Gerais e Piauí registram índice de 0,300, seguidos por Santa Catarina (0,290) e Pernambuco (0,250).
Na parte inferior aparecem Alagoas (0,105) e Roraima (0,112), além de Tocantins (0,154) e Amapá (0,164).
O estudo evidencia diferenças significativas entre estados na estrutura institucional da cultura, no volume de financiamento, no dinamismo do mercado e na oferta de equipamentos culturais. O índice permite visualizar a distribuição desigual do ambiente cultural no país e oferece base comparativa para análises sobre desenvolvimento regional e políticas públicas.

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