segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O dia seguinte do desfile da Acadêmicos de Niterói e a repercussão na redes

 

Ricardo André 

Não tenho o hábito de acompanhar desfiles de escolas de samba. No entanto, no último dia 15, fiz questão de assistir à apresentação da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói. O motivo foi claro: tratava-se de um desfile que prometia entrar para a história ao prestar uma homenagem em vida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma das maiores lideranças políticas da história do país.


Com o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola levou à avenida uma narrativa construída a partir da trajetória de um homem que saiu do chão da fábrica para ocupar a Presidência da República. O enredo percorreu momentos marcantes da história política recente do Brasil, misturando emoção, crítica social e exaltação popular — elementos que sempre estiveram no DNA do Carnaval.

Entretanto, a TV Globo inconformada com o enredo da escola, boicotou o tempo todo o desfile da Acadêmicos de Niterói, gerando indignação em grande parte do público. A emissora iniciou a exibição com atraso significativo, não apresentou o início do desfile e evitou aprofundar comentários sobre o enredo. Ao invés de deixar o público ver a escola, a Globo colocou seus jornalistas constrangidos para praticarem anti jornalismo, falando abobrinhas para gastar o precioso tempo, tudo para esconder a importância do desfile histórico da Acadêmicos de Niterói. Em vários momentos, os comentários pareciam dispersos, superficiais ou deslocados do que acontecia na avenida. Alas importantes foram exibidas rapidamente, e personalidades que compunham o espetáculo tiveram pouca visibilidade. A sensação transmitida foi a de um distanciamento editorial diante do conteúdo apresentado pela escola.

Foi vergonhosa a transmissão da Globo e completo desrespeito com a escola. Mas já era de se esperar. Dias antes, na programação da GloboNews, já haviam sido levantadas críticas ao tema escolhido pela agremiação, com insinuações de que a homenagem poderia configurar propaganda eleitoral antecipada. Esse contexto ampliou a percepção de que a cobertura teria sido influenciada por desconforto político.

É preciso lembrar aos "Marinhos" e a alguns jornalistas "recalcados" da Globo que o Carnaval é, historicamente, um espaço de manifestação cultural livre. Ao longo dos anos, a Marquês de Sapucaí já foi palco de enredos que exaltaram figuras políticas, denunciaram injustiças sociais e revisitaram capítulos complexos da história nacional. Narrar a trajetória de uma liderança política — sobretudo alguém que marcou profundamente a vida institucional do país — pode ser entendido como parte dessa tradição de contar a história do Brasil pela lente do povo.

Independentemente das posições políticas individuais, o desfile da Acadêmicos de Niterói foi celebrado pelo público presente, que respondeu com entusiasmo à narrativa apresentada. A escola brilhou na avenida e cumpriu seu papel artístico: provocar, emocionar e gerar debate.

O episódio também evidencia algo maior: a disputa pelas narrativas sobre quem conta a história do Brasil e de que forma ela deve ser contada. No Carnaval, muitas vezes, é o povo quem assume esse papel — com samba, fantasia e memória coletiva.



Para Lula, Dona Lindu sempre aparece como presença viva, inspiração ética e lembrança concreta da dureza da vida, da fome e da dignidade possível mesmo no limite. É preciso que aprendamos com Lula a reconhecer nas mães não um ornamento discursivo, mas um compromisso político. Ele jamais se esquece...

Viva Lula, guerreiro do povo brasileiro! Fora Globo vergonha nacional!!

Via whatsapp - Grupo Lutadores do Povo

Gerson Brito Brito  

O Samba no Pé e o "Corte" na Tela: Quando a Transmissão Omite o Enredo

​O Carnaval sempre foi o jornal do povo. Nas avenidas, as escolas de samba não levam apenas penas e paetês; levam denúncias, homenagens e a reconstrução da história do Brasil sob a ótica de quem a vive na pele. No entanto, o desfile deste ano trouxe à tona uma polêmica antiga, mas sempre latente: até que ponto a lente da televisão tem o direito de editar a mensagem das comunidades?

​A Omissão como Escolha Editorial

​A crítica que surge após os desfiles de hoje é direta: enquanto em uma noite os comentários eram detalhados e didáticos sobre cada símbolo apresentado, na noite seguinte — especialmente em enredos que tocam na trajetória do Presidente Lula — o silêncio e a ausência de certas imagens gritaram mais alto que a bateria.

​Quando uma emissora detém a exclusividade da imagem, ela detém o poder da narrativa. Se o enredo propõe uma homenagem a uma figura central da história política do país e as câmeras "desviam o olhar" ou os comentaristas se calam diante de passagens cruciais, o que temos não é apenas uma falha técnica, mas uma escolha editorial.

​O Boicote ao Enredo Popular

​O samba-enredo é uma obra de arte completa. Cada ala, cada alegoria e cada adereço é pensado para contar uma história. "Esconder" imagens ou omitir o significado de homenagens políticas sob o pretexto de neutralidade é, por si só, um ato político.

​A história não pode ser editada: A trajetória de um líder que saiu do sertão para a presidência faz parte do imaginário e da realidade do povo que compõe as escolas.

​O papel da transmissão: Espera-se de uma cobertura jornalística e artística a descrição fiel do que acontece na avenida, independentemente de ideologias.

​O Povo Vê o que a Câmera Não Mostra

​No mundo hiperconectado de hoje, o "boicote" da tela grande encontra resistência nas telas pequenas. As redes sociais e o público presente na Sapucaí ou no Anhembi preenchem as lacunas deixadas pela transmissão oficial. O público percebe quando a curadoria das imagens tenta "limpar" o desfile de suas camadas mais profundas de crítica ou celebração social.

​No fim, o desfile termina, as luzes da TV se apagam, mas o enredo fica marcado na história da escola. O Carnaval é maior que qualquer transmissão; ele é a voz de um povo que, mesmo quando tentam silenciar na tela, continua cantando a plenos pulmões a sua própria verdade.

Gerson Brito 🤝🚩🚩🚩🇧🇷🇧🇷🇧🇷

Via Facebook


Carnaval: O que a Globo não quis mostrar e Damares fez questão de inventar

Entre cortes seletivos na transmissão da TV Globo e acusações fantasiosas da Damares Alves, o desfile da Acadêmicos de Niterói revelou mais um embate sobre narrativa, memória e o direito do carnaval de contar a história política do Brasil

https://revistaforum.com.br/opiniao/carnaval-o-que-a-globo-nao-quis-mostrar-e-damares-fez-questao-de-inventar/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook&utm_campaign=carnaval-o-que-a-globo-nao-quis-mostrar-e-damares-fez-questao-de-inventar

Bozo na Sapucaí: Eduardo Bolsonaro ordena a pastores que demonizem Lula nas igrejas

Filho foragido do ex-presidente condenado determinou abertamente para que lideranças evangélicas digam a fiéis que o presidente tem “agenda anticristã”

Lula venceu o debate digital após desfile, mostra pesquisa

Levantamento mostra que homenagem da Acadêmicos de Niterói teve mais menções positivas do que negativas nas redes.  AQUI


POR QUE A GLOBO CENSUROU O DESFILE EM HOMENAGEM A LULA NA SAPUCAÍ


NOTA OFICIAL
A Acadêmicos de Niterói começa essa mensagem agradecendo, de coração aberto, à sua comunidade. O que vivemos na Avenida só foi possível graças à força do povo, à união dos nossos componentes e ao amor de quem nunca deixou essa escola caminhar sozinha.
Mas é preciso dizer a verdade.
Durante todo o processo carnavalesco, a nossa agremiação foi perseguida. Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio Carnaval Carioca. Houve tentativas de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar.
Não conseguiram.
Mesmo pressionada, a Acadêmicos de Niterói não se curvou. Nos posicionamos, resistimos e levamos para a Avenida um desfile verdadeiro, potente e coerente com a nossa identidade.
A força da nossa comunidade foi o nosso pilar. A aclamação popular foi a nossa resposta. O carinho do público foi o nosso maior prêmio.
Também não ignoramos o histórico conhecido no Carnaval: a narrativa injusta de que “quem sobe, desce”. Por isso, reafirmamos com firmeza que esperamos um julgamento justo, técnico e transparente, que respeite o que foi apresentado na Avenida e não reproduza perseguições, interesses ou pré-julgamentos.
A nossa mensagem ecoa clara, forte e sem medo:
🔥 EM NITERÓI, O AMOR VENCEU O MEDO🔥
Seguimos firmes.
Seguimos com o povo.
Seguimos atentos.

Escolas de samba – Invenção popular e tensão social


Rachel Valença, coordenadora de literatura do IMS, é uma das pessoas que conhecem melhor a história das escolas de samba. É jurada do tradicional prêmio Estandarte de Ouro e autora de, entre outros livros, “Serra, Serrinha, Serrano – O império do samba” (com Suetônio Valença). Agora em 2022, quando se completam 90 anos do primeiro desfile, ela conta essa história com riqueza de informações, além de iluminar os aspectos principais. Por exemplo: a passagem da marginalidade à aceitação social, necessária para o avanço das escolas, mas que as levou a ter de cantar a história oficial, da Casa Grande. A partir dos anos 1960, elas conseguiram exaltar seus próprios heróis, como personalidades negras. Mas é permanente a tensão entre os verdadeiros sambistas e os que tentam controlar a festa.


Rachel combina relato e ensaio em seu roteiro, apresenta sambas significativos e marca posição: “Nada é mais tocante para mim do que o momento em que as escolas de samba falam do seu próprio sentido na vida dos sambistas. Finalmente, elas mostram ter consciência do seu real significado. E voltam àquele início glorioso em que, mesmo sem consciência disso, queriam com o samba garantir seu lugar na sociedade de um país que ajudaram a construir, física e culturalmente”.

https://radiobatuta.ims.com.br/especiais/escolas-de-samba-invencao-popular-e-tensao-social

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