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segunda-feira, 23 de junho de 2014

“Inventar com a Diferença” difunde o audiovisual nas escolas sergipanas

16/06/2014 às 10h00 - Cultura

Por: Suyene Correia/ Equipe Jornal da Cidade

Desde o mês de janeiro, que o projeto “Inventar com a Diferença” promovido pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República e Universidade Federal Fluminense (UFF), vem acontecendo em 29 cidades brasileiras, com o objetivo de capacitar cerca de 500 professores de 300 escolas públicas brasileiras dos ensinos médio e fundamental, a trabalhar com o audiovisual em sala de aula, em torno da temática do Cinema e dos Direitos Humanos.

Guiados por 30 mediadores, os educadores participam de oficinas de vídeo e têm acesso ao material pedagógico impresso – também disponível online. Em sua segunda e atual fase- de março até junho-, o projeto entra efetivamente em sala de aula. É o momento dos professores compartilharem o conhecimento apreendido com os alunos, que ganham a oportunidade de enxergarem o cinema não apenas como recurso didático ligado ao conteúdo dos filmes, mas também como experiência inventiva e estética.

No total, “Inventar com a Diferença” abrange cerca de 10 escolas em cada uma das cidades e pretende contemplar aproximadamente 5.400 alunos. Em Sergipe, contando com o apoio da Universidade Federal de Sergipe, estão participando do projeto, setes escolas, sendo cinco da capital (Centro Experimental de Ensino Médio Ministro Marco Maciel, Colégio Estadual Presidente Castelo Branco, Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, Colégio Estadual Tobias Barreto, Escola Municipal Maria Virginia Leite Franco), uma de Nossa Senhora do Socorro (Escola Estadual Júlia Teles) e outra de Laranjeiras (José Monteiro Sobral).

Segundo Gabriela Caldas, diretora de cinema e mediadora do projeto no Estado, inicialmente, 10 escolas estavam inscritas no projeto, mas três desistiram. “Nem todos os professores conseguiram colocar as atividades das oficinas nos horários das aulas e por estarem sobrecarregados, desistiram da empreitada. Três escolas saíram da lista inicial. Nem todos são abnegados, dispostos a trabalhar fora do horário de aula, mas os que persistiram- alunos e professores- estão mostrando bons resultados”.

O material didático é em formato de fichário (em cada oficina, trabalha-se uma ficha), assim facilita o manuseio e traz exercícios instigantes, como o Minuto Lumière, onde o educando deve produzir um vídeo de até um minuto com câmera fixa no tripé. Isso ensina sobre a possibilidade de produção de conteúdo e de sentidos mesmo com pouco ou em condições precárias. A produção dessas imagens pelos alunos é livre. Trata-se de provocar a percepção de si e do outro, a singularidade do olhar para as diferenças, potencializando a dimensão crítica em relação ao mundo e às imagens que os cercam.



A Escola Estadual Júlia Teles participa do Projeto Inventar com a Diferença. 

“Percebo que em comunidades onde a questão da identidade é melhor definida e trabalhada, os alunos são mais espontâneos e lidam melhor com a câmera. Mas em outras localidades, onde a violência é uma constante, a autoestima dos garotos tem que ser estimulada. Mudar essa visão das crianças para com elas mesmas e o outro, é um dos desafios do projeto. Já conseguimos detectar avanços com relação a isso, nos filmes produzidos durante as aulas”, conta Caldas.

Para o coordenador-geral do projeto e chefe do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF,
professor Cezar Migliorin, o “Inventar com a Diferença” traz a possibilidade de recolocar constantemente a pergunta sobre o que são os direitos universais das mulheres e homens do planeta. “E o cinema é forte em denunciar as cenas em que os direitos são perversamente divididos em constantes processos de exclusão, mas é ele também que tem a possibilidade de antecipar as cenas dos direitos de todos, inventando formas de vida que ainda nem sabemos possíveis. Assim, o cinema participa da exigência de igualdade de direitos entre os humanos, ao mesmo tempo em que explicita e se inventa com as potências das diferenças, dos que sentem o mundo de forma singular”, destaca.

Toda a produção realizada será enviada à UFF, coordenadora-geral e criadora do Inventar, que intermediará a troca dos filmes realizados entre as escolas, assim como fará a seleção para exibição no site do projeto e para integrá-los à programação da 9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul deste ano.
“Espero que o resultado desse primeiro ano de projeto, seja positivo para que ele tenha uma continuidade em 2015”, comenta Gabriela Caldas.

A equipe de trabalho - Para promover o projeto nacionalmente, a coordenação geral, situada na Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ), gerencia todas as equipes envolvidas e está em contato direto com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, além de elaborar materiais de apoio.

O coordenador regional é o elo entre a coordenação geral e os mediadores e parceiros locais de sua região - suprindo demandas destes profissionais, oferecendo apoio metodológico e logístico, além de supervisionar os trabalhos desta equipe. Para facilitar a logística do Inventar, o país foi dividido em cinco regiões (Regional Sudeste-Sul, Nordeste I, Nordeste II, Norte e Centro-Oeste), sendo um coordenador responsável por cada regional.

Atuando junto às escolas de seu respectivo estado, o mediador é a principalligação entre a coordenação do projeto e a ponta, ou seja, os professores e a escola. Cabe a ele ministrar as oficinas para os educadores, além de acompanhar nas escolas os trabalhos prestando auxílio pedagógico e técnico aos professores. Os mediadores possuem papel vital para o projeto, pois é por meio deles que necessidades e demandas outras de professores e alunos são observadas e atendidas. Quinzenalmente, eles visitam as escolas selecionadas para acompanhar o trabalho dos professores, disponibilizando equipamentos e toda a infraestrutura necessária para a realização dos exercícios e trabalhos finais.

Com patrocínio da Petrobras e da OEI – Organização dos Estados Íbero-Americanos, o projeto “Inventar com a Diferença” conta com apoio técnico de ONGs, universidades e institutos federais de todo o país, consolidando o caráter coletivo do projeto, comprometido com as diversas formas de agenciamentos e conhecimentos em rede.
 
 Da esquerda para a direita.. Professor Zezito, Professor Vladimir e o Professor e Diretor da Escola Júlia Teles, Rodrigo Damião.

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