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terça-feira, 21 de julho de 2026
Conheça ‘Nem Tudo é Paz e Amor’, documentário com relatos de filhos da contracultura
Documentário de Betão Aguiar conta com nomes como Moreno Veloso, Nara Gil, Sarah Sheeva, Beto Lee e Anelis Assumpção
Nem Tudo é Paz e Amor, novo longa-metragem de Betão Aguiar, mergulha em memórias, dinâmicas familiares e na herança cultural do Brasil dos anos 1970 a partir de relatos íntimos de nomes como Moreno Veloso, Nara Gil, Sarah Sheeva, Beto Lee e Anelis Assumpção. Saiba mais sobre o filme a seguir:
Do que se trata Nem Tudo é Paz e Amor?
Filho da escritora e produtora Marília Aguiar e de Paulinho Boca de Cantor, pilar fundamental do grupo Novos Baianos, Betão revisita episódios extraordinários e também os traumas que marcaram a infância dele e de seus entrevistados naquele contexto de liberdade, psicodelia e efervescência artística.
“Enquanto Tropicália, Novos Baianos e a contracultura dos anos 1970 reinventavam o DNA cultural do Brasil sob o peso da ditadura militar, seus filhos observavam, pelo buraco da fechadura, a beleza, as rupturas e a psicodelia daquela liberdade sem fim. O filme evoca o espírito da época, reverencia o Cinema de Invenção e faz da música e da ironia antídotos contra a mera nostalgia histórica. Fica a pergunta: quanta coragem é necessária para atravessar os traumas e as maravilhas de crescer no caos das revoluções artísticas e comportamentais da contracultura?“, diz a sinopse oficial.
“Nossos pais ousaram sonhar um mundo diferente e romper padrões – mas percebi que certos vazios pediam respostas”, conta o diretor, em sua segunda incursão no cinema de longa-metragem depois de Samba de santo – resistência afro-baiana (2020).
“Nasci e cresci em um universo profundamente musical, em contato direto com alguns dos maiores nomes da música produzida no Brasil. Ter sido criado em uma família alternativa, de forte vocação hippie nos anos 1970, atravessou minha existência em múltiplas esferas e foi determinante para quem sou e para a visão de mundo que construí. O filme é uma conversa aberta que ajuda a contar uma história que é nossa — e de muitas pessoas nascidas e criadas nesse período e sob essas condições”, completa.
A ideia original é de Jasmin Pinho, sua amiga de adolescência, falecida em 2020. O filme foi realizado com recursos provenientes da Ancine via FSA e BRDE e Betão também assina a produção executiva do longa, ao lado de Minom Pinho, em uma parceria Casa Redonda e Zapipa Produções.
O documentário integra a Mostra Brasil do festival In-Edit Brasil 2026, que acontece entre 17 e 28 junho, em São Paulo, e chegará ao circuito comercial no segundo semestre, com distribuição exclusiva da Pandora Filmes.
♪ Atração da 18ª edição do festival de documentários In-Edit Brasil, em cartaz em São Paulo (SP), “Nem tudo é paz e amor” tem roteiro estruturado com entrevistas inéditas com filhos de grandes nomes da música brasileira – Baby do Brasil, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Itamar Assumpção (1949 – 2003), Moraes Moreira (1946 – 2020) e Rita Lee (1947 – 2023), entre outros – mas passa longe de ser filme sobre os privilégios dos nepobabies, termo que identifica os filhos de artistas famosos que encontram portas abertas pelo parentesco.
Filme dirigido por Betão Aguiar, cineasta que também é compositor e baixista da banda de Arnaldo Antunes, “Nem tudo é paz e amor” escancara as dores e as delícias dos filhos da contracultura musical brasileira dos anos 1960 e 1970.
Partindo do universo particular do próprio Betão Aguiar, filho de Paulinho Boca de Cantor e da produtora Marília Aguiar, a discussão soa de início um pouco difusa, mas ganha musculatura ao longo dos 88 minutos do documentário feito pelo diretor a partir de ideia da amiga Jasmin Pinho, falecida em 2020.
Entre imagens de arquivo do grupo Novos Baianos, coletivo que personificou a ideia de contracultura e liberdade em tempos de repressão, “Nem tudo é paz e amor” alinha sucessivos depoimentos de filhos de artistas que tentaram pôr em prática a ideologia hippie na criação dos filhos ou que, ao menos, tentaram criar esses filhos fora dos dogmas e padrões sociais vigentes.
As sucessivas falas de Anelis Assumpção, Beto Lee, Ciça Moraes, Moreno Veloso, Nara Gil e Sarah Sheeva – entre outros filhos – acabam por revelar um orgulho dos pais que se mistura com confissões de desconforto em cotidiano sem rotina.
Se temas como sexo e drogas eram abordados sem culpas nas casas dos filhos de artistas de almas libertárias (“Nada era tabu na mesa de jantar”, resume Beto Lee, filho de Rita e Roberto de Carvalho), a sensação de insegurança ou inadequação em um ambiente permissivo, geralmente festivo e sem limites rígidos também se mostravam recorrentes. “Meus pais achavam muito estranho eu ser heterossexual”, lembra Moreno Veloso, em fala tão inusitada que resulta lúdica.
É curioso como a ausência de um sofá na sala de estar – símbolo do conforto das famílias pequeno burguesas – é apontada com certo incômodo por alguns depoentes no filme.
As falas de Sarah Sheeva são especialmente relevantes porque a filha de Baby do Brasil e Pepeu Gomes revela como a simples escolha de um nome exótico pelos pais – Riroca, trocado oficialmente na adolescência por Sarah Sheeva – gerou bullying e transtorno psicológico que conduziram Sarah ao divã.
Contudo, o saldo parece ter sido sempre positivo entre perdas e ganhos. À medida que avança a narrativa curiosa e linear de “Nem tudo é paz e amor”, documentário que ainda tem sessões programadas para 25 e 28 de junho no festival In-Edit Brasil antes da entrada em circuito comercial no segundo semestre, o filme de Betão Aguiar mostra que a harmonia acabou prevalecendo entre pais e filhos quando estes se tornaram adultos e refletiram sobre as dores, mas também sobre as delícias, de terem crescido em um círculo familiar sem tanto cerceamento da liberdade.
Outro lançamento que dialoga com a temática do filme acima.
"London 70" é um documentário brasileiro em fase de pós-produção dirigido por Rejane Zilles que retrata a efervescente cena cultural de artistas brasileiros exilados ou autoexilados em Londres no início da década de 1970, fugindo da repressão da ditadura militar no Brasil.
O filme reconstrói as memórias daquela geração com foco especial nos bastidores da gravação do lendário álbum Transa, de Caetano Veloso.
Detalhes do Documentário
O Fio Condutor: A produção adentra a história de quando o músico Jards Macalé viajou a Londres a convite de Caetano Veloso para trabalhar nos arranjos e gravações do disco Transa.
Acervo Histórico: O roteiro utiliza registros raros e pessoais guardados em filmes Super 8 filmados pelo próprio Jards Macalé na época, além de fotografias, cartas e arquivos inéditos.
Artistas Retratados: O longa resgata as vivências e traz depoimentos atuais de grandes nomes que buscaram a liberdade de expressão na capital inglesa, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Mautner, Ângela Rô Rô, Maria Gladys, e cineastas do Cinema Marginal como Neville de Almeida e Julio Bressane.
Sobre o álbum, Caetano declarou em uma entrevista ao Jornal do Brasil: "Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive a maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajur com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo".
Na mesma entrevista: "Foi Transa que me deu coragem de fazer os trabalhos com A Outra Banda da Terra. Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley & The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70. Gosto do disco todo. Como gravação, a melhor é Triste Bahia. Tem o Mora na Filosofia, que é um grande samba, uma grande letra e o Monsueto é um gênio. Me orgulho imensamente deste som que a gente tirou em grupo". (Da Wikipedia) -
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