Projeto promovido pela Ação Cultural com apoio da Paróquia São Pedro Pescador será conduzido pelos artistas-educadores Raimundo Venâncio e Tânia Maria; inscrições já estão abertas
A arte como ferramenta de revitalização, formação humana e fortalecimento de vínculos comunitários. É com essa premissa que a Ação Cultural, em parceria com a Paróquia São Pedro Pescador anuncia a realização da 1ª Oficina de Teatro Popular para Iniciantes. Voltada prioritariamente a adolescentes e jovens, mas aberta a pessoas de outras idades (com exceção de crianças), a formação acontecerá de 21 a 26 de agosto, no espaço da igreja, no Bairro Industrial, com sessões vespertinas.
A iniciativa surge em um momento de expansão das atividades culturais na região, dando continuidade ao trabalho iniciado com o Cineclube Realidade e as oficinas de audiovisual, e reforça o compromisso das instituições envolvidas em levar arte e cidadania à periferia de Aracaju.
Inspiração e impacto social
O entusiasmo dos organizadores é alimentado por experiências transformadoras vividas pelos próprios oficineiros. Durante a reunião de planejamento, Raimundo Venâncio compartilhou um case marcante ocorrido em Poço Redondo: uma lavradora de 55 anos, que enfrentava dificuldades de leitura e memorização, mergulhou de corpo e alma no curso e descobriu na arte um processo de "revitalização". Seu engajamento emocionou a equipe e envolveu até mesmo o marido.
"Casos como esse mostram que o teatro vai muito além da técnica. Ele resgata autoestima, desperta sensibilidades e transforma vidas. É exatamente isso que queremos levar ao Bairro Industrial", destacou Raimundo Venâncio.
Para o assessor técnico da Ação Cultural, Zezito de Oliveira, a arte deve ser tratada com a mesma relevância que a saúde e a educação.
Metodologia flexível e temas relevantes
A abordagem da oficina será adaptada ao perfil do grupo. Em vez de um único trabalho coletivo – que pode ser desafiador e frustrar iniciantes – a dupla de educadores optou por trabalhar com cenas curtas individuais ou em duplas, permitindo que cada participante evolua no próprio ritmo.
No primeiro encontro, serão realizados exercícios para identificar aptidões e interesses dos alunos, orientando a escolha dos textos e temas. O vasto acervo de Raimundo Venâncio contempla questões sociais urgentes, como violência contra a mulher, racismo, transtornos mentais, desilusão, suicídio e miséria, além de adaptações de clássicos como Hamlet e Antígona.
Ficou definido que o cordel não será utilizado nesta turma iniciante, devido à complexidade de entonação e métrica, que exigem maior habilidade técnica. Também foi sugerido pelo assessor técnico Zezito de Oliveira que a oficina aborde a memória e a transformação do Bairro Industrial, que perdeu seu perfil operário para se tornar uma região majoritariamente comercial – uma oportunidade de resgatar e valorizar a história local.
Logística, parcerias e metas
A oficina começa efetivamente na terça-feira, 21 de agosto, estendendo-se até o sábado, dia 25 (com possibilidade de encerramento no domingo, 26). As aulas terão duração de 4 a 5 horas por dia.
Atualmente, há 10 inscritos, e a meta é alcançar 20 participantes, garantindo um número razoável de alunos ativos mesmo diante da queda de engajamento comum em cursos gratuitos. Para isso, será feito um reforço na divulgação para além do bairro Industrial, e com o apoio do Padre Soares, haverá anúncios durante as missas, e dos próprios membros da reunião.
Sobre a infraestrutura, a igreja sediará os encontros, e a apresentação final ocorrerá no pátio do espaço de convivência.
Equipe e apoiadores
A oficina será conduzida pela dupla de artistas-educadores Raimundo Venâncio e Tânia Maria, ambos com mais de três décadas de trajetória no campo das artes cênicas. Atualmente, por meio de editais, eles foram contratados para residir e desenvolver trabalhos artísticos em Poço Redondo com o Grupo Teatral Raízes Nordestina, com autonomia criativa e apoio financeiro para produções – algo raro no cenário teatral. O grupo também mantém diálogo com o Movimento Pequenos Agricultores (MPA), a UFS e o MST.
Entre os parceiros locais, destaca-se Douglas, que começou no teatro em Aracaju – com passagens pela Casa Rua da Cultura e Grupo Imbuaça – e hoje compartilha conhecimentos na Paróquia São Pedro Pescador, com foco em teatro cristão, além de ter instigado jovens a participarem das oficinas de audiovisual e teatro. Também estiveram presentes na reunião Patrícia (da paróquia), cuja filha Cecília já está inscrita, e Jaci, poeta popular que vê o teatro e a poesia como artes complementares.
"Mais do que formar atores, queremos formar bons cidadãos: pessoas mais , amáveis, carinhosas, politicamente conscientes, tolerantes e respeitosas, que valorizem as diferenças e acolham o próximo. E isso só é possível com o apoio de lideranças abertas e acolhedoras, como a do Padre Soares", completou Raimundo e Zezito.
A oficina reafirma o poder transformador da arte popular e seu papel na construção de uma sociedade mais justa, humana e culturalmente viva.
OFICINEIROS/FACILITADORES
Raimundo Venâncio (ator, diretor teatral, dramaturgo e produtor cultural): Cearense radicado em Sergipe, é uma referência no teatro local com forte engajamento social. Fundou diversas companhias, dirigiu o Complexo Cultural Lourival Baptista (CCLB). Foi reconhecido como Cidadão Aracajuano (2012) e Cidadão Sergipano (2016).
Tânia Maria ("Taninha") (atriz e cantora): Artista versátil de pequena estatura, mas grande presença cênica. Atuou em comédias e dramas, sendo seu papel mais marcante o musical Billie Holiday – A Canção. Também lançou o CD Tamanho Não é Documento e participa de projetos sociais com arte preventiva.
Parceria principal: Juntos realizaram o espetáculo Billie Holiday – A Canção, com Tânia Maria como intérprete e Raimundo Venâncio como diretor. A montagem foi sucesso nacional, recebeu o Prêmio SEBRAE de Economia Criativa 2023 e teve convites para se apresentar no exterior.
Período: 21 a 26 de agosto de 2026 (terça a domingo)
Horário: Vespertino (carga horária diária a ser confirmada)
Local: Igreja São Pedro Pescador – Bairro Industrial, Aracaju
Público: Adolescentes, jovens e demais idades (exceto crianças)
Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/1jS62fYELnBpeb9Y0XrInSS6P8jMs4ld_U1v65-eNxWA/edit
Sobre a Ação Cultural
Desde 2024, a Ação Cultural desenvolve projetos artísticos e educativos no Bairro Industrial e arredores, com o objetivo de transformar vidas por meio da arte, fortalecer a cidadania e ampliar o acesso à cultura nas periferias de Aracaju.
Informações para a imprensa:
Zezito de Oliveira
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