Foi sepultado na manhã de hoje, em Aracaju, o professor de Sociologia Adriano Schettino. Conhecido por sua atuação no Centro de Excelência Professor Arício Fortes, no bairro América, e desde 2023 lotado no Colégio Estadual Jugurta Barreto. Adriano deixa um legado de paixão pelo conhecimento, pela docência e pelas causas sociais em Sergipe. Sempre foi presença constante nas atividades formativas, de luta e de resistência do magistério estadual, sob a liderança do SINTESE.
Carioca de alma e criação, Adriano residia em Sergipe há alguns anos. Ele trouxe na bagagem a sólida formação acadêmica construída na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde concluiu sua graduação e mestrado em Sociologia. Nas salas de aula e nas rodas de debate, destacava-se como um exímio conhecedor da obra do pensador Karl Marx, sabendo traduzir teorias complexas em ensinamentos acessíveis e transformadores para seus alunos.
Nos últimos anos, o educador enfrentava sérios problemas de saúde, inclusive de ordem psicológica, necessitando de cuidados permanentes e do apoio de amigos próximos. Ele deixa dois filhos e a ex-esposa, de quem era separado.
Entre o Rio e Sergipe: Samba, "causos" e militância
Para além dos livros, a marca registrada de Adriano era a alegria contagiante e a boemia tipicamente carioca. Colegas de profissão e de lutas sindicais lembram com saudade do seu amor pelo Carnaval e pelo Futebol: era flamenguista ferrenho e adorava entoar os sambas de sua querida Estação Primeira de Mangueira e encantar a todos contando "causos" vividos em terras fluminenses.
Sua presença marcante também é relembrada com carinho nos momentos de resistência da categoria. Durante um marcante movimento de vigília realizado na Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE), Adriano foi o combustível da leveza e do bom humor entre os companheiros de mobilização.
"Lembro o quanto me divertia com as tiradas dele. Eu, ele e uma companheira professora ficamos muito próximos naquele momento, inclusive bebendo cerveja e comendo churrasco ao lado do prédio da ALESE", recorda, emocionado, um dos colegas de profissão.
A partida do Professor Adriano abre uma lacuna na educação pública sergipana, mas sua trajetória permanece viva na memória dos estudantes que inspirou, dos amigos que cativou e na história de luta do magistério.
O sepultamento contou com a presença de colegas de profissão e dos familiares residentes em Aracaju, inclusive o diretor do Colégio Jugurta Barreto, Daniel Vieira, proferiu palavras comoventes em homenagem ao professor Adriano.
O blog expressa as mais sinceras condolências aos familiares, amigos, colegas de profissão e à comunidade escolar do Colégio Arício Fortes e do Colégio Jugurta Barreto.

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