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quinta-feira, 20 de março de 2014

Sergipe: Entre o mar e o sertão

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Texto Deborah Rocha Moraes
Fotografias Chema Llanos

Fonte:  http://www.azulmagazine.com.br/v1/?p=4848

Ricas tradições culturais e tranquilidade traduzem o espírito da sergipana Aracaju. Além da capital, o menor estado brasileiro guarda cenários incríveis no interior, onde o Rio São Francisco dá forma ao Cânion do Xingó
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Encolhida no menor estado brasileiro, à beira-mar e às margens do Rio Sergipe, Aracaju é uma das boas – e mais inesperadas – surpresas do Nordeste. Tem ares de vila interiorana e guarda belezas que crescem diante dos olhos de quem a visita. Ao mesmo tempo que exibe praças e ruas bem arborizadas e cheias de história, é dona de uma orla tranquila, composta de faixas de areia pontuadas por coqueiros. Capital com um dos melhores índices de desenvolvimento da região, tem crescido de maneira considerável, porém ordenada. Ela se mantém fiel ao caráter primário de cidade litorânea, onde o sol, as praias, os manguezais e as dunas formam um belo mosaico plural em meio à urbanização.
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Muitos de seus segredos e referências culturais estão na área central, onde a cidade começou a tomar forma, em 1855. Construções como a Catedral Imaculada Conceição, erguida bem no meio da capital em 1862, exibem ao visitante um lampejo da sabedoria dos aracajuanos. Em seu entorno, bordadeiras seguem com seus pontos e cruzes e oferecem as peças nas barracas ou na Rua do Turista. Perto dali, onde antes ficava o porto, uma festa tramada desde cedo se desenrola até o cair da tarde nos três mercados públicos. É o vai-e-vem dos comerciantes que abastecem suas vendas com frutas, peixes, artesanatos e flores. Saborear o gosto da mangaba, observar o cafuzo escolhendo um chapéu ou se aventurar num inusitado café da manhã regado a carne-de-sol, cuscuz e macaxeira são algumas das experiências que fazem do espaço um império dos sentidos.
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Mais da história local está exposto no Museu da Gente Sergipana, que, desde sua inauguração, em 2011, funciona como um guardião das raízes populares do estado. Visitar o casarão de 1926 é garantia de encontro com as tradicionais festas juninas. Em Aracaju, as celebrações deste ano vão de 12 de junho a 13 de julho, junto com a Copa do Mundo – a cidade será centro de treinamento da seleção da Grécia. É quando a Orla de Atalaia, seu principal cartão-postal, ganha mais um atrativo: o Arraiá do Povo, uma cidade cenográfica que reproduz um vilarejo interiorano e é palco de quadrilhas, trios de forró e grupos folclóricos.
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Na hora de provar o mar do destino, as opções se multiplicam para além dos limites do município. O aracajuano se orgulha de ter belas praias, manguezais e dunas a pouca distância do centro, como uma extensão da Orla de Atalaia. Na Praia do Mosqueiro, 22 quilômetros ao sul, a diversão é seguir de barco pelo Rio Vaza-Barris até a Ilha dos Namorados e a Croa do Goré, um banco de areiahabitado por mini caranguejos (os gorés) que se enfiam debaixo do mangue ao sentir os passos dos visitantes. Há ali um bar flutuante que se adapta ao movimento das marés e é perfeito para se martelar caranguejo e bebericar uma cachaça com caju no sal, bem ao estilo local.
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Mais ao sul do Estado, já na divisa com a Bahia, a natureza é ainda mais generosa. A bordo de um saveiro que zarpa de Estância, a 68 quilômetros da capital, a tripulação singra as águas dos rios Piauí e Real com destino à mais bela faixa de areia sergipana. A Praia do Saco (ou da Boa Viagem) logo surge na linha do horizonte, como uma pequena enseada dotada de ingredientes para um perfeito cenário de filme: areia branca e fofa, mar calmo e cristalino, coqueiros e formações rochosas. Outra parada possível é na Ilha da Sogra, visível apenas na maré baixa. O mergulho revigorante no mar de águas mornas é o gesto mais intuitivo. Dali, pode-se admirar a Praia de Mangue Seco, na vizinha Bahia, ou até acompanhar a saga de um filhote de tartaruga buscando o caminho para o oceano. Em terra firme, a melhor pedida para terminar o dia é um divertido passeio de bugue pelas dunas da região, lá por onde os cajus pendem dos galhos como brincos de ouro.
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Passada a curtição na costa, é hora de se preparar para outra experiência memorável, agora a 220 quilômetros da capital. É lá no sertão da caatinga sergipana que o Rio São Francisco dá seu último grande salto antes de correr manso e profundo em direção ao mar. Desde 1995, porém, este salto dá lugar à Usina Hidrelétrica de Xingó que, por sua vez, acabou por criar o Cânion do Xingó. O composto de rochas de arenito avermelhado circundadas por um lago que chega a ter 190 metros de profundidade é hoje a atração mais cobiçada por quem visita o Sergipe. A formação fica em Canindé de São Francisco e seu acesso é feito a partir de catamarãs. O visual do trajeto inclui esculturas esculpidas pelo vento e cactos variados, como o mandacaru, o facheiro, a coroa-de-frade e o xique-xique. Depois de 40 minutos, o barco chega a um local onde é possível finalmente se banhar nas águas do Velho Chico. Mas engana-se quem pensa em sair nadando rio afora. O mergulho no paraíso se dá numa espécie de cercadinho. Decepção para uns, alívio para outros. Dentro da água densa e verde a imaginação é livre, capaz de dar sabores variados ao passeio.
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A região, conhecida como Baixo São Francisco, guarda ainda preciosidades como a cidade de Piranhas, na margem alagoana do rio. Apesar de antiga e pobre, suas casas têm paredes coloridas e enormes telhados coloniais. As ruas e calçadas de pedras irregulares mantêm a memória de muitas lutas e confrontos entre coronéis e jagunços. É dali que parte mais um tour de barco, conduzido a favor da correnteza e com hidromassagem natural: uma rede aberta na parte central do casco permite um contato estimulante com as águas do rio. Nesse trecho, elas são ainda mais traiçoeiras do que na parte represada. Obstáculos enfrentados somente por quem foi criado ali, como os pescadores que circulam em suas canoas.
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Na paisagem, mandacarus acabam de florar as margens e o riacho seco que leva até a Grota do Angico nitidamente espera por um sinal de chuva. O refúgio escarpado foi o local onde o lendário cangaceiro Lampião foi morto pelos soldados da volante em 1938. A caminhada até as sepulturas dele, de Maria Bonita e de outros nove homens de seu bando leva cerca de uma hora sob o calor da caatinga. A vegetação seca e espinhenta, de árvores mirradas com troncos retorcidos, dá o tom da história contada em detalhes pelo guia. Uma saga que começou no início do século passado, marcada por violência e romantismo, e terminou bem ali, na boca do sertão do São Francisco.
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Onde ficar
Hotel Aruanã
No pé da Praia de Aruanda, a 5km da Orla de Atalaia, possui 54 quartos com décor da terra. O restaurante Sollo é um dos melhores da cidade.
Rod. Inácio Barbosa, 1000, Aruanda, Aracaju. T 79 2105 5200 / aruanahotel.com.br
Xingó Parque Hotel
À beira do Rio São Francisco, tem 60 quartos e espaçosa área de lazer, com piscina e jardins bem cuidados.
Rod. SE 206, Serra do Chapéu de Couro, s/nº, Canindé de São Francisco. T. 79 3217 4306 / xingoparquehotel.com.br
Onde comer
Parati
Local onde os aracajuanos praticam o ócio criativo à beira-mar. Serve deliciosos caldinhos, como o de sururu.
Rod. Pres. José Sarney, 47, Praia do Refúgio, Aracaju. T 79 3227 2100
Sabor do Sertão
Local de comida sertaneja: guisado de carneiro, galinha de capoeira, feijão-de-corda, pirão de macaxeira e quiabada.
Rod. SE 230, km 144, Canindé de São Francisco T 79 9963 5811
Azul Viagens
O pacote de três noites no Hotel Aruanã, em Aracaju, e duas noites no Xingó Parque Hotel, em Canindé, com aéreo, café da manhã, traslados e passeios custa R$1.800. 4003 1181
Toptur
Receptivo instalado em Aracaju e especializado em passeios pelo Estado.
T 79 3179 5050 / toptur.com
Voos Azul
HÁ VOOS DIRETOS PARA ARACAJU DESDE BRASÍLIA, BELO HORIZONTE, MACEIÓ E RECIFE. PARA CHEGAR AO CÂNION DO XINGÓ, É POSSÍVEL VOAR ATÉ PAULO AFONSO, NA BAHIA, QUE FICA A 80KM DE CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO

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