O que é isso Companheiros e Companheiras do Ministério da Cultura?
Ops! Levamos um susto ao abrir o edital e ver a abrangência inédita nesta edição da Teia 2026 da seleção pública para escolha de apresentações artisticas que extrapolam o universo dos Pontos e Pontões que integram a Rede Cultura Viva. Isso acontece justamente quando a política se expande com o volume de recursos aportado pela Lei Aldir Blanc — o que tem favorecido a entrada de um grande número de coletivos e organizações culturais e, consequentemente, gerado muitas ofertas de atrações de qualidade nas diversas linguagens e expressões culturais.
"Ao todo, serão selecionadas 197 propostas. Os contemplados receberão apoio financeiro, transporte, despacho de bagagem e equipamentos, hospedagem, alimentação, translado em Aracruz e infraestrutura necessária às apresentações de acordo com a sua categoria e a capacidade do evento.
Os proponentes aptos que não alcançarem as vagas disponíveis também poderão fazer parte da programação, mas de forma colaborativa e sem ajuda de custo. Além dos pontos e pontões de cultura certificados, poderão se inscrever no edital pessoas físicas, grupos ou coletivos artísticos (sem CNPJ) e entidades sem fins lucrativos (com CNPJ) vinculados ou não a pontos e pontões." (Cf. https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/lancado-edital-para-a-programacao-da-6a-teia-nacional-dos-pontos-de-cultura
Por outro lado, como fortalecer o processo de gestão compartilhada? Essa decisão foi tomada sem diálogo com a articulação nacional representativa dos Pontos e Pontões de Cultura, que é a CNPdC. Como, então, fortalecer a identidade e o legado da Política Nacional Cultura Viva dentro de um contexto de expansão que já está ocorrendo por meio dos editais da PNCV na Lei Aldir Blanc?
E por que é importante fortalecer a identidade e o legado da Política Nacional Cultura Viva (PNCV)? Porque governos passam, mas as organizações e coletivos culturais ficam. O saldo que precisa permanecer após o atual governo — seja com sua reeleição ou com sua derrota pela aliança do grande capital nacional e internacional — é o de grupos, coletivos e organizações culturalmente empoderados e fortalecidos sob as perspectivas cidadã e econômica.
E quem reúne condições para fazer e ampliar isso são os atores políticos culturais articulados em rede — a política cultural mais estruturante, enraizada e capilarizada que temos no Brasil: o Cultura Viva. Esse modelo não encontra paralelo em outras políticas públicas, como educação e saúde, por exemplo, que vêm sendo capturadas ao longo do tempo por interesses corporativos, tanto de categorias profissionais quanto do setor empresarial.
Oxalá essa compreensão que levantamos seja considerada, para que não nos tornemos ainda mais um povo dependente dos interesses de grandes conglomerados financeiros, como as empresas de tecnologia, e sem condições de oferecer resistência politica e cultural, em especial quando não tivemos na presidência uma liderança como o presidente Lula, o qual na opinião de Kléber Mendonca e Wagner Moura.
"Eu acho que a gente nunca teve, na história desse país, um presidente que valorizasse tanto a cultura quanto o Lula. A criação do Ministério da Cultura com status de ministério, a Lei Rouanet, os Pontos de Cultura... Tudo isso foi fundamental para a explosão cultural que a gente viveu nos anos 2000. O Lula colocou a cultura no centro do projeto de nação. E isso não é retórica, eu vi acontecer. Vi a cena cultural periférica ganhar vida, vi o cinema nordestino renascer." (Entrevista ao jornal "El País", 2022). Kléber Mendonça
"O ano de 2023 começou com a simbologia poderosa de uma cantora negra e popular assumindo o Ministério da Cultura. Dois anos depois, olho para o orçamento restaurado da ANCINE, para os Pontos de Cultura reabrindo, e vejo que a simbologia virou política concreta. A diferença entre um governo que usa a cultura como inimiga e um que a enxerga como aliada é a diferença entre o apagão e a luz. Lula não é um crítico de arte, mas ele tem a sabedoria política de saber que um país só é grande quando sua gente se reconhece em sua arte. E ele governa com base nisso." (Trecho de artigo na revista Piauí, janeiro de 2025). Kléber Mendonça
"Há uma diferença abismal. Bolsonaro via a cultura como um campo de batalha, um inimigo a ser eliminado. Lula vê a cultura como a alma do país, como um setor estratégico para o desenvolvimento e para a projeção do Brasil no mundo. O simples fato de eu, como artista, não acordar mais sentindo que meu governo me odeia, já muda tudo. O retorno dos investimentos públicos, a reconstrução da ANCINE e do Ministério da Cultura, isso não é acidental. É uma decisão política de um presidente que valoriza quem produz identidade brasileira." (The Guardian, 15/09/2024). Wagner Moura
Zezito de Oliveira - integrante da comissão organizadora da Teia Sergipe 2026 e integrante da Comissão Nacional dos Pontos e Pontões de Cultura, representando desde setembro 2025 a comissão estadual local.

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