“Eu acredito é na rapaziada, que segue em frente e segura o rojão.
Eu ponho fé é na fé da moçada, que não foge da fera e enfrenta o leão"
Eu vou à luta é com essa juventude, que não corre da raia a troco de nada”, cantava o saudoso Gonzaguinha. Porém, vendo o quadro dos mais jovens eleitos em 2026, também acredito, pero no mucho.
Entre os mais jovens estão Alvinho Lira (PP de Alagoas) com 20 anos, seguido por Ana Elisa (PT-MG), Sandro Filho (PP-BA) e Natália do Júnior Garimpeiro (União-MA), todos com 21 anos. Ana Elisa e Sandro foram eleitos deputados federais; Natália, deputada estadual. Na sequência aparecem Tulio Rezende (MDB-MA) e Samuel Caires (PL-MG), ambos com 22 anos, eleitos deputados estaduais.
O mais jovem deles é filho da velha raposa Arthur Lira; Túlio Rezende é de família política tradicional do Maranhão; Samuel Caires já era vereador de Janaúba e se apresentou como candidato do Níkolas Ferreira, de 30 anos.
O que vemos é que essa garotada representa o presente/futuro da política nacional com apenas Ana Elisa representando a esquerda e os demais jovens todos da direita tradicional. É bem o retrato do atual Congresso. O que vemos é uma juventude muito mais voltada para a dimensão conservadora da sociedade, assim como na Igreja. Como cantávamos: Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.
Podemos dizer que uma grande parcela desacreditou das perspectivas de mudança e se apegou ao que julga mais seguro. Com exceção de Ana Elisa, filha de mãe solo, devota de Santa Efigênia, por causa de sua ligação com a religião de matriz africana. Estudante de direito, pretende lutar pelas causas do povo negro e das mulheres.
Quantas vezes, em nossos encontros, muita gente afirma que só vê cabeça branca. Pois é, basta olhar com mais cuidado e você terá a resposta para a pergunta: onde está a juventude? Esta não tem mais fôlego para nossas reunião ou encontros que visam grandes reflexões. É a geração TikTok, de contatos e relacionamentos pragmáticos e instantâneos. É urgente mudarmos os nossos registros, se quisermos nos manter conectados com as juventudes da geração nativa digital. O que teremos nas novas décadas que se avizinham? Nem os mais chegados à adivinhação se arriscam a fazer afirmações categóricas. Quem viver, verá!

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