domingo, 13 de abril de 2025

RAMOS E RUMOS (Breve reflexão para cristãos ou não) - Chico Alencar e Marcelo Barros

Chico Alencar nos brinda com mais um texto sobre religião e espiritualidade não alienada, impregnado da beleza da arte pictórica e da poesia, assim como do poder de reflexão existencial da filosofia, tudo isso unido pela sensibilidade deste  grande brasileiro que é Chico Alencar -   historiador, escritor, deputado federal (PSOL-RJ) .  O acréscimo da canção "Viola Enluarada"  é de minha iniciativa, e tem bem a ver com o texto e o contexto.  Também trazemos mais um excelente texto do monge Marcelo Barros relacionado a este  domingo de ramos, o dia que abre a semana santa. ZdO

Jean-Hippolyte Flandrin (1809-1864)

O domingo de Ramos abre a Semana Santa. Nesse Brasil cada vez mais dessacralizado - ou com religiões de rebanho e "prosperidade" individualista - a alegria chega com a proximidade do... "feriadão".

Numa dimensão mais espiritualizada, devia ser bem mais que isso: tempo de reflexão sobre a dialética da nossa existência, marcada por Vida, Morte e Ressurreição.

Os evangelhos não são compêndios doutrinários ou normativos, mas relatos de episódios concretos da vida de Jesus de Nazaré. 

Por isso me atraíram, desde menino. Ao ouvir as histórias, logo as imaginava, como num filme. Essa, da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, às vésperas da Páscoa judaica, aclamado pelo povo simples, de todas as idades, montado num jumentinho, sempre foi especialmente fascinante (Lucas, 19, 28-44). 

Mantos e galhos com folhas verdes agitando a chegada de Quem vem em nome do Senhor. E não num fogoso cavalo, como o Imperador Romano ou o governador da província, com seu séquito armado.

"Pisando ramos, o guerrilheiro da Paz", definiu o poeta Murilo Mendes (1901-1935). "Da boca das criancinhas de peito arranquei um louvor", lembrou o próprio Jesus, após expulsar os vendilhões do Templo, ouvindo os "hosanas" entusiasmados da meninada e dos desvalidos (cf Mateus, 21, 16).

O sentimento trágico da vida - título de um livro do filósofo Miguel de Unamuno (1864-1936), que herdei de meu pai -  amadureceu em mim com o passar dos anos (e a percepção do lado obscuro de ser e estar).

De novo a narrativa dos evangelhos: o mesmo Jesus aplaudido, louvado e aclamado, pouco depois será preso, debochado, torturado e morto. Os que estavam ao seu lado somem, exceto uns poucos.

A sabedoria popular alerta: "a mão que afaga é a mesma que apedreja". Aprendamos com ela: nem a ilusão da fama, do aplauso, do sucesso, nem a depressão com derrota, fracasso, desprezo... Importa mais a felicidade de saber cair e levantar, perder mas reencontrar. Caminhar!

Por dever de fé, nunca desistamos do ser humano... Há Páscoa!

Milly Quill Hunter

Os ramos e a esperança messiânica

Domingo de Ramos C – Lc 19, 29- 40. 

             Os ramos do evangelho e as manifestações populares
               Neste domingo que abre a Semana Santa, a liturgia faz uma justaposição de elementos de duas celebrações em uma única. Começa pela bênção e a procissão de Ramos, oriundas da Igreja de Jerusalém. Depois, segue com a missa com os textos do Domingo da Paixão, herança da antiga Igreja de Roma.  No Brasil, a bênção e procissão de ramos é muito popular, já que a maioria das pessoas gosta de procissões e quer levar o ramo bento para colocar nas portas ou paredes da casa como sinal de bênção. Atualmente, com a revalorização da espiritualidade ecológica, devemos tomar cuidado para que o rito de ramos não provoque corte leviano de árvores. Ao contrário, deve representar a ocasião para a valorização das plantas e dos ramos como sacramentais do amor divino. Nas tradições afro-brasileiras, os cultos de tradição Yorubá celebram Ossaim, o Orixá das folhas e das matas e há vários ritos nos quais as folhas são fundamentais. No Candomblé se diz: “Cosi Ewé, cosi Orijá” (Sem folha, não há Orixá). É importante que a bênção e a procissão de ramos possam dialogar com essas culturas.   

Com esse espírito de comunhão com o nosso povo, meditemos o evangelho de Ramos, nesse ano, conforme Lucas19, 29- 40. Nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, Jesus vai a Jerusalém uma única vez e é para celebrar a Páscoa e dar a sua vida. Talvez por isso, esses evangelhos resumiram em uma narrativa única fatos e momentos que provavelmente ocorreram em momentos diferentes. 

Os evangelhos contam a entrada de Jesus em Jerusalém com o grupo de peregrinos e peregrinas que vinham à cidade para celebrar a festa com ramos nas mãos e cantando salmos como o 118 (Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor). Esse tipo de procissão e inclusive com este texto fazem parte dos costumes da festa das Tendas que se realiza cada ano em setembro e não na Páscoa que se dá em abril. A festa das Tendas recorda a caminhada do povo hebreu no deserto, na esperança da libertação. A festa tem como centro a esperança messiânica, na perspectiva de que a libertação não tenha sido só do passado, mas se atualize em libertação definitiva. No evangelho de Lucas, Jesus se aproxima de Jerusalém pelas aldeias de Betfagé (a casa do figo verde) e de Betânia (a casa do pobre). Entra na cidade pelo Monte das Oliveiras que, nas profecias do primeiro testamento, é visto como o local da manifestação do Messias no dia da vitória. 

A comunidade de Lucas é de um ambiente grego que não conhece mais os costumes judaicos da festa das Tendas. Por isso, quando conta a entrada de Jesus em Jerusalém não alude mais a ramos que aquela pequena multidão de peregrinos carregava nas mãos, como era costume na festa das Tendas. Esse evangelho se centra mais no fato de que o povo peregrino que entra na cidade com Jesus o aclama como Messias (Cristo) que vem realizar a esperança da libertação do povo. Isso dá à cena um conteúdo político que faz com que os sacerdotes e escribas fiquem com medo e peçam a Jesus para mandar o povo se calar; coisa que Jesus não faria nunca. 

Atualmente, ninguém de nós quer sacralizar movimentos e manifestações populares. Marchas, passeatas e manifestações em praça pública devem ser laicais, pluralistas e autônomas. No entanto, nós que cremos, reconhecemos as manifestações populares de resistência e de esperança como sinais inspirados pelo Espírito e correspondem ao projeto sagrado de transformar o mundo em espaço de comunhão libertadora. 

Hoje, para as paróquias e dioceses, fazer a procissão de Ramos é fácil. É um símbolo que deixou de ser perigoso. Hoje, ninguém vai fazer como aqueles escribas que, com medo da repressão política, pediram a Jesus: manda os discípulos se calarem. Mas, precisamos levar Jesus à nossa realidade, com comunidades pobres, ameaçadas em seus direitos de moradia, com projetos urbanísticos pensados para a classe rica e sempre à custa do deslocamento e da marginalização dos mais pobres. Devemos levar Jesus para a nossa luta pacífica pela Ecologia Integral como nos pede esse ano a Campanha da Fraternidade. 

A situação que vivemos no Brasil e no mundo é pesada e dolorosa. Também nas Igrejas, a realidade é difícil. Predomina um Cristianismo que parece mais herdeiro dos religiosos do templo de Jerusalém do que da fé dos discípulos e discípulas de Jesus que o seguem na sua peregrinação de esperança. Reproduzir, hoje, a procissão de Ramos e carregar Jesus para dentro de nossas comunidades é optar pela esperança, seja como for e mesmo sem nenhuma razão racional e sim pela teimosia da fé messiânica. 

 Dom Helder Camara afirmava que quando sentia a tentação de se julgar importante, meditava consigo mesmo que era apenas o burrinho que carregava em seu dorso Jesus para levá-lo aonde ele precisa ir. Nós todos e todas somos aquele burrinho que esse evangelho que meditamos hoje insiste em que Jesus manda desamarrar. Neste breve texto, o verbo desamarrar ocorre quatro vezes. Que possamos nós sermos desamarrados e nós mesmos desamarrar aqueles e aquelas que possamos desamarrar porque o Senhor precisa deles. É a única vez no evangelho de Lucas que esse termo Senhor, termo que designa Deus, é usado pelo próprio Jesus como forma de falar de si mesmo. Que a celebração dessa Semana Santa que começa hoje e a Páscoa nova que celebraremos nos desamarre de tudo o que precisamos ser libertados e possamos servir melhor e de forma libertada ao Senhor. 

Carregar Jesus para dentro da nossa realidade significa trazer para as pessoas que sofrem a solidariedade que testemunha que o Amor Divino está com elas para ajudá-las a vencer as lutas da vida. Temos de testemunhar que é possível conviver como irmãos e irmãs, sem competição e sem medo uns dos outros. É organizar a vida na cidade, de forma que todos os seus moradores e moradoras tenham consciência de cidadania ecossocial e tenham seus direitos reconhecidos. Isso é fazer dessa Páscoa testemunho de solidariedade humana e que realmente colabore com a transformação do mundo. 

 Junto com a querida amiga, a compositora Cecília Vaz, nossas comunidades cantam: 

 Se calarem a voz dos profetas

As pedras falarão

Se fecharem os poucos caminhos

Mil trilhas nascerão

 
Muito tempo não dura a verdade

Nestas margens estreitas demais

Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais

 
É Jesus este pão de igualdade

Viemos pra comungar

Com a luta sofrida de um povo

Que quer, ter voz, ter vez, lugar

Comungar é tornar-se um perigo

Viemos pra incomodar

Com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar

 
O Espírito é vento incessante

Que nada há de prender

Ele sopra até no absurdo, que a gente não quer ver

Muito tempo não dura a verdade

Nestas margens estreitas demais

Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais

 
No banquete da festa de uns poucos

Só rico se sentou

Nosso Deus fica ao lado dos pobres

Colhendo o que sobrou

Muito tempo não dura a verdade

Nestas margens estreitas demais

Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais

 
O poder tem raízes na areia

O tempo faz cair

União é a rocha que o povo usou pra construir

Muito tempo não dura a verdade

Nestas margens estreitas demais

Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais





sábado, 12 de abril de 2025

Edital - Glossário Observatório Ação Cultural


 Edital - Instrumento legal utilizado pelo governo e outras instituições para formalizar chamamentos públicos, estabelecendo regras, critérios e prazos para participação em processos como concursos, licitações ou programas de fomento. Na política cultural do governo federal, os editais são ferramentas essenciais para democratizar o acesso a recursos e promover diversidade artística e cultural.

Como e quando os editais começaram a ser utilizados na política cultural federal?

Embora não haja uma data exata de início, a sistematização de editais na cultura federal ganhou força com a criação de mecanismos de fomento e políticas públicas estruturantes, como:

  1. Lei Rouanet (1991) – Embora não baseada em editais, esta lei (Lei nº 8.313/91) foi um marco no financiamento à cultura, abrindo caminho para modelos mais democráticos, como os editais .

  2. Programas setoriais (anos 2000) – O Ministério da Cultura (MinC) passou a lançar editais específicos para áreas como audiovisual, literatura e cultura popular, como os editais para Pontos de Cultura (2004), vinculados ao Programa Cultura Viva .

  3. Política Nacional de Cultura (PNC, 2010) – Fortaleceu a adoção de editais como parte do Sistema Nacional de Cultura (SNC), integrando estados e municípios em chamamentos públicos 

  4. Lei Aldir Blanc (PNAB, 2020) – Ampliou o uso de editais com recursos emergenciais durante a pandemia, consolidando-os como principal meio de distribuição de verbas para artistas e coletivos 

Objetivos e tipos de editais culturais

Os editais do governo federal visam:

  • Democratizar recursos: Priorizando grupos sub-representados (como negros, indígenas e PCDs) 

  • Fomentar projetos: Desde bolsas de pesquisa até produções audiovisuais, conforme modelos padronizados 

  • Descentralizar a cultura: Com critérios que favorecem municípios pequenos e territórios periféricos .  


  • Os editais culturais são instrumentos importantes de fomento à cultura, mas apresentam tanto aspectos positivos quanto negativos. Abaixo estão os principais pontos:

  • Aspectos Positivos: 

    1. Fomento à diversidade cultural – Incentivam a produção de projetos de diferentes linguagens artísticas, regiões e grupos sociais, incluindo minorias.

    2. Transparência nos processos – Em teoria, seguem critérios públicos e editais claros, reduzindo a influência de "apadrinhamentos".

    3. Profissionalização do setor – Exigem planejamento, orçamento e prestação de contas, o que ajuda a estruturar melhor os projetos.

    4. Movimentação da economia criativa – Geram trabalho para artistas, técnicos e fornecedores, aquecendo o setor cultural. 

    5. Democratização do acesso a recursos   -  Permitem que artistas, coletivos e produtores independentes tenham acesso a financiamento sem depender apenas do mercado ou de patrocínios privados. 

    Aspectos Negativos:

    1. Burocracia excessiva – Muitos editais exigem documentação complexa, o que pode dificultar a participação de pequenos produtores ou artistas iniciantes.

    2. Concorrência desequilibrada – Projetos de grandes instituições ou grupos já consolidados muitas vezes levam vantagem sobre iniciativas independentes.

    3. Demora na liberação de recursos – Atrasos nos repasses podem inviabilizar projetos ou gerar dívidas para os proponentes.

    4. Critérios subjetivos em algumas seleções – Apesar das regras, há casos de favorecimento político ou influência de curadores.

    5. Limitação da criatividade – Alguns editais impõem temas ou formatos rígidos, podendo engessar a liberdade artística.

    6. Descontinuidade de políticas públicas – Mudanças de governo podem suspender ou alterar editais, gerando incerteza no setor.

    Conclusão:

    Apesar dos desafios, os editais culturais são fundamentais para a sustentabilidade da produção artística, especialmente em países onde o mercado cultural é pouco desenvolvido. Melhorias na gestão, simplificação de processos e maior transparência poderiam ampliar seus impactos positivos. 

  • Até aqui a geração é do texto foi realizada pela IA deepseek

  • Opinião de fazedores de cultura, incluindo especialistas em Politica Cultural sobre o  instrumento edital.

    Márcio Leal no grupo Agentes Culturais Democráticos (whatsapp) - Esse é um debate que tem que ser feito... Será que o problema é o instrumento, a ferramenta, edital ou são outros fatores, como gestores que querem sacanear a cultura, falta de recursos suficientes para atender a maior parte da parcela da cultura, falta de espaços culturais públicos onde agentes culturais possam se apresentar, com uma estrutura qualificada, e que recebam seu retorno em bilheteria, entre outros? 

    Entendo que a constante crítica aos editais, sem nenhuma proposta de substituição, apenas interessa a quem quer retornar ao modelo de política de balcão, onde quem é amigo da gestão acessa recursos e quem não é fica a ver navios. 

    O edital é apenas uma ferramenta de seleção... Eles podem ser simplificados, podem ser melhor comunicados etc... Mas a ferramenta de seleção pública tem que existir para que o máximo de agentes culturais consigam acessar recursos públicos de fomento de forma transparente... Ele é apenas um rol de regras para isso. 

    Mas, quando o dinheiro é pouco, muita gente fica de fora esse acesso... E a culpa não é do edital, é do dinheiro ser pouco. 

    Quando um edital é mal gerido pq tem um gestor que quer sacanear a cultura, como é o caso de MG na matéria, também a culpa não é do edital... É de quem elegeu essa gestão, pq independente do instrumento, não vão beneficiar a cultura. 

    Enfim, é um debate enorme... E considero ser um erro focar no meio, não na causa dos problemas

Colapso dos editais e a urgência de um novo modelo de fomento – Parte I


Estaremos publicando esporadicamente palavras ou temas para formar um glossário dos  termos mais comuns utilizados nas conversas, estudos e debates sobre Política, Gestão, Produção e Ação Cultural.
Glossário que significa o conjunto de termos de uma área do conhecimento e seus significados, o mesmo que vocabulário.
Um Glossário com apoio da Inteligência artificial, acrescido de textos, entrevistas, reportagens  de/com  fazedores de cultura, incluindo especialistas como este que escreve.. 
Um glossário aberto que poderá ter entrada de novos textos com contribuições ao tema.
Um glossário aberto ao debate quando o tema, palavra ou conceito for controverso, como é o caso deste primeiro, Edital. 
Participe! Colabore!!

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Acontecimento histórico em Aracaju neste 10 de abril de 2025. Apresentação dos resultados da pesquisa "Cultura nas capitais".

 

Foto: Divulgação

Yes, nós temos dinheiro para a cultura a partir de 2025 em diante. Isso a a partir da PNAB e da democratização do acesso ao patrocinio cultural via Lei Rouanet. 

E sendo assim, temos muita produção artistico-cultural e muita circulação também.

E se há muita produção artistico-cultural,  é hora de saber como isso pode ser melhor realizado,   além de como e quantas pessoas acessam o  que é produzido.

Logo, é preciso destinar mais recursos financeiros para a produção de pesquisas.

E quem  dá o ponta pé em cidades e estados com pouca tradição nisso é a pesquisa “Cultura nas Capitais”,  realizada pela Jota Leiva Cultura & Esporte, com patrocínio do Itaú e do Instituto Cultural Vale. A pesquisa foi encomendada pelo Ministério da Cultura e é considerada a maior já realizada no Brasil sobre o tema. 

A pesquisa tem como objetivos : Identificar as atividades culturais mais acessadas em cada capital; Verificar como o acesso varia de acordo com a idade, gênero, raça, religião, renda e educação; Estimar o tamanho do público potencial que não acessa, mas tem interesse em atividades culturais

Foram entrevistadas 19.500 pessoas com 16 anos ou mais em todas as capitais do Brasil e no Distrito Federal. A coleta de dados foi realizada pelo Datafolha. A concepção e a análise dos resultados foram da equipe da JLeiva

Os resultados da pesquisa devem ser utilizados para a formulação de políticas públicas, de acordo com o Ministério da Cultura. 

Os resultados podem ser acessados  aqui

P.S.: 
Das lembranças de uma importante pesquisa sobre cultura  realizada em Aracaju, trazemos o trabalho realizado sob a coordenação da professora Verlane Aragão (UFS). 
Mercado da Música em Sergipe: Estado, capitais e Indústria Cultural

Catálogo virtual registra diversidade da música sergipana

As  duas mesas  de debates e o público contaram com a presença de pessoas  representativas e qualificadas.

Mesa 1 | Acesso à cultura nas capitais > Desigualdade e diversidade
Valadares Filho (Secretário de Cultura de SE)
Irineu Fontes (Secretário-executivo de Cultura de SE)
Alisson Couto (Superintendente de Políticas Culturais da FUNCAP)

Mesa 2 | Hábitos culturais em Aracaju > Música, espaços e eventos
Lu Silva (Audiovisual)
Hot Black (Rapper e apresentador)
Lindolfo Amaral (Ator e professor de teatro)

Mas,  foram sentidas as faltas de assessores de parlamentares que defendem pautas pró cultura na câmara municipal de Aracaju e na assembleia legislativa e da representação da Funcaju. (Prefeitura de Aracaju).

Esta última ausência foi sentida com bastante pesar e comentada no coquetel.

Quais os motivos dessa ausência?

O local de realização no auditório do Tribunal de Contas foi bastante elogiado... 

Zezito de Oliveira

terça-feira, 8 de abril de 2025

Como destinar imposto de renda pessoa fisica para Lei Rouanet

 Como destinar parte do seu imposto de renda para projetos culturais

Por meio da Lei Rouanet, pessoas físicas podem destinar parte do imposto devido ao apoio a projetos culturais aprovados

Leia mais em: https://bravo.abril.com.br/arte/como-destinar-parte-do-seu-imposto-de-renda-para-projetos-culturais



Abaixo, via IA deepseek

Para destinar parte do seu Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para projetos culturais através da Lei Rouanet, siga este passo a passo detalhado:

1. Verifique se você atende aos requisitos

Declaração Completa: Você deve optar pelo modelo de declaração COMPLETO do IRPF, pois a destinação não é permitida na declaração simplificada .

Imposto Devido: A destinação é calculada sobre o imposto devido (não sobre o valor total da renda). O limite é de 6% do imposto devido para pessoas físicas .

2. Escolha um projeto cultural aprovado

Acesse a plataforma SalicNet para buscar projetos culturais aprovados pela Lei Rouanet. Você pode filtrar por estado, área cultural (como artes cênicas, audiovisual, etc.) ou nome do projeto .

Verifique se o projeto está apto a receber recursos e se tem um período de captação válido (geralmente até 31/12 do ano corrente) .

3. Realize a doação

Contato com o proponente: Entre em contato com o responsável pelo projeto para obter os dados bancários da conta específica aberta para receber os recursos .

Depósito: Efetue o depósito ou transferência para a conta do projeto até 31/12/2025 (para dedução na declaração de 2026, ano-base 2025) .

Valor máximo: Você pode doar até 6% do imposto devido. Por exemplo, se seu imposto devido é R

10.000

4. Obtenha e guarde o comprovante

Solicite o recibo de mecenato (ou recibo de patrocínio) ao proponente do projeto. Esse documento é essencial para comprovar a doação na declaração do IR 579.

Guarde o recibo por 6 anos, pois ele pode ser solicitado pela Receita Federal em uma eventual fiscalização 79.

5. Declare a doação no IRPF

No ano seguinte (em 2026, para doações feitas em 2025), preencha sua declaração no modelo COMPLETO.

Insira o valor doado na ficha "Doações Efetuadas", seção específica para a Lei Rouanet 512.

O valor será deduzido do imposto devido ou acrescido à restituição, se aplicável 19.

Exemplo Prático

Cenário 1 (Imposto a pagar):

Imposto devido: R$ 12.000

Imposto retido na fonte: R$ 10.000

Total a pagar: R$ 2.000

Se doar 6% (R$720)

a  pagar R$ 1.280 ,00

Cenário 2 (Restituição):

Imposto devido: R$ 12.000

Imposto retido: R$ 15.000

Restituição original: R$ 3.000

Com doação de 6% (R$720,00)

R 3.720 00.

Observações Importantes

Projetos vinculados: Não doe para projetos de parentes ou com os quais você tenha vínculo, pois isso é vedado pela Lei Rouanet .

Art. 18 vs. Art. 26: Projetos enquadrados no Artigo 18 permitem dedução integral (100%), enquanto os do Artigo 26 têm limites menores (80% para doações de PF) .

Prazo: Doações feitas após 31/12/2025 só serão dedutíveis na declaração de 2027 (ano-base 2026) 

Para mais detalhes, consulte os portais oficiais como Receita Federal ou Ministério da Cultura.

Abaixo para funcionários da CEF

A cultura ao alcance dos brasileiros, incentivada pelo seu Imposto de Renda.

Ao contribuir destinando até 6% do seu Imposto de Renda para o nosso Festival, o Eu Faço Cultura consegue amparar pessoas de baixa renda distribuindo gratuitamente os mais diversos produtos culturais por meio de nossa vitrine.

De maneira simples e rápida, você apoia centenas de projetos e incentiva a arte a continuar sempre, impactando a vida de milhares de pessoas em todo o país.

Ministério da Cultura realiza pesquisa para saber como os CEUs da Arte estão atendendo as populações nos territórios periféricos onde estão localizados.

 

MinC lança pesquisa para avaliar a gestão dos CEUs das Artes

Levantamento busca identificar desafios e boas práticas nos equipamentos culturais, fortalecendo políticas públicas nos territórios.

👆🏾Blog da Cultura recomenda. Para as localidades onde existem CEUS das Artes. Pelo que temos  conhecimento, em termos de proximidade com Aracaju, há   um em Socorro, no Conjunto Marcos Freire. E a Prefeitura de São Cristóvão? Porque não se associa com o governo federal para construir um CEU das Artes no Conjunto Eduardo Gomes. Assim também como Aracaju no bairro Santos Dumont,  Barra dos Coqueiros.... Passe esse link e comentário adiante, quem sabe não provoca lideranças políticas, culturais,  sociais/comunitárias e religiosas  dos municípios citados,  a levar  a proposta adiante. ZdO
Quantos são e como funcionam o Centro de Artes e Esportes Unificado (CEUs) em Sergipe? Via IA deepseek

Com base nos resultados de busca, há informações sobre Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs) em Sergipe, mas os detalhes são limitados. Aqui está o que foi encontrado:
1. Quantidade de CEUs em Sergipe
Apenas um CEU foi mencionado especificamente em Sergipe, localizado no bairro 17 de Março, em Aracaju, inaugurado em 17 de outubro de 2016.
Não há menção a outros CEUs no estado nos resultados disponíveis, mas o programa federal prevê a construção de 331 unidades em todo o Brasil, com 179 já inauguradas até a data da publicação da fonte.
2. Funcionamento do CEU em Sergipe
O CEU do bairro 17 de Março segue o modelo padrão do governo federal, com:
Infraestrutura: Cineteatro (125 lugares), biblioteca, quadra poliesportiva, pista de skate, CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), salas multiuso e espaços para atividades culturais e esportivas.
Atividades: Oferece programas de cultura, esporte, lazer, inclusão digital e qualificação profissional, além de serviços socioassistenciais.
Gestão: Compartilhada entre a prefeitura e a comunidade, com um Grupo Gestor responsável pelo planejamento das atividades.
Público-alvo: Comunidades em áreas de vulnerabilidade social, com foco em inclusão e cidadania.
3. Investimento e Parcerias
O CEU de Aracaju teve um investimento de R$ 3 milhões, com recursos federais e gestão municipal6.
Inclui parcerias como a Fundação Mariana Moura (em homenagem à jovem que nomeia o espaço) e a Guarda Municipal para segurança.
Observações
Os dados podem estar desatualizados, pois as fontes são de 2016-2021. Para informações recentes, recomenda-se consultar a Secretaria de Cultura de Sergipe ou o Ministério do Turismo (responsável pelo programa).
Se precisar de detalhes adicionais sobre outros CEUs no estado, sugiro verificar fontes oficiais locais.
Abaixo via Google
bairro 17 de Março, Aracaju,  ganha Centro de Artes e Esportes Unificado

Mais do que uma simples praça, o bairro 17 de Março ganhou um Centro de Artes e Esportes Unificados (CEUs), um projeto padronizado, de alto nível, que teve sua obra inaugurada na manhã desta segunda-feira, 17, e recebe o nome de Mariana Martins Moura Sousa, filha da juíza Adelaide Moura e enteada do deputado federal Laércio Oliveira.

O espaço, localizado em uma das regiões mais carentes da capital, vai abrigar programas e ações culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, serviços socioassistenciais, políticas de prevenção à violência e de inclusão digital, para promover a cidadania. Proveniente de recursos federais, a obra contou com um investimento de mais de R$3 milhões, mas, o que tem como proposta vai além de qualquer valor financeiro, diga-se pela sua proposta de inclusão social e também pela representatividade de quem deu nome ao local.


Centro de Artes e Esportes Unificados Abrahão Crispim
Agência Aracaju de Notícias
23/03/2017 17h10

A Prefeitura de Aracaju entregou à comunidade do bairro Olaria, zona Oeste da capital sergipana, o Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Abrahão Crispim, dando fim a um período de espera e ansiedade dos moradores que aguardam pela concretização da obra há anos. A inauguração aconteceu no dia 24 de março às 18 horas.

Com investimentos de mais de R$2 milhões, a obra foi iniciada ainda na gestão anterior de Edvaldo Nogueira, em junho de 2012, mas ficou paralisada na administração passada. Assim que retornou à Prefeitura de Aracaju, Edvaldo se comprometeu em finalizar o empreendimento e cumpriu, inaugurando-o com apenas três meses de mandato.



segunda-feira, 7 de abril de 2025

O ministro Márcio Macedo estará em Aracaju nesta terça-feira e o blog da cultura tem uma pergunta ligada a economia da cultura e a economia solidária.

Quando será concluída a reforma do antigo prédio do INSS no centro de Aracaju ? E qual a destinação? Poderá ser uma parte para habitação social e a outra parte para sediar  micro e pequenas empresas da área da cultura, comunicação e tecnologia, pequenas organizações da sociedade civil e etc?.

A base politico institucional para a pergunta acima, é o seguinte:

PATRIMÔNIO DA UNIÃO

Governo Federal avança na democratização de imóveis da União com apoio do Ministério da Gestão

Presidente Lula e a ministra Esther Dweck reafirmaram a importância da destinação de imóveis públicos para uso social durante evento no qual foi assinada a cessão de imóvel para uma associação de catadores, em Brasília
🔴 Lula lança projeto que repassa imóveis abandonados da União para prefeituras e movimentos sociais


Acesso ao Programa de Democratização de Imóveis da União
  • O Programa Imóvel da Gente, instituído pelo Decreto nº 11.929/2024, tem como objetivo utilizar imóveis da União para apoiar políticas públicas prioritárias, como habitação, educação e assistência social. No âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a Resolução CIT nº 12/2024 definiu critérios para priorizar a destinação de imóveis.  A lista de municípios priorizados e o passo a passo detalhado podem ser acessados, conforme abaixo:

    Minha sede Minha Vida!
    Grupo de Livre adesão, criado em 2013, para discutir com as diversas instâncias de governo a viabilidade de FINANCIAMENTO para coletivos culturais COMPRAREM imóveis ampliando a rede de espaços de cultura no país, pagando em DUAS moedas: Dinheiro e ações culturais gratuitas para moradores dos conjuntos habitacionais do Governo Federal - Minha Casa Minha Vida. 

    Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo realiza a Roda de Conversa Cada Ponto é um Lugar

    A questão da participação e controle social dos fazedores de cultura em razão da Politica Nacional de Cultura Aldir Blanc precisa de mais atenção.

     AGENTES E FAZEDORES DE CULTURA DE MUCUGÊ (BA) ELEGEM SEUS REPRESENTANTES NO CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA. Aqui

    área central de Mucugê
    👆🏾 Por que em Sergipe e Aracaju não é assim? Conselho de Cultura eletivo, onde quem escolhe os representantes dos fazedores de cultura são os próprios, com  mais linguagens tipo moda, gastronomia, design e etc., e escolha também de representação por meio de  territórios, preferencialmente ligado a organizações sociais, educativas, classista, filantrópicas e etc., No caso de Aracaju, zona norte,zona oeste e etc..Quais veículos de imprensa, parlamentares, formadores de opinião e etc.,podem "comprar" essa pauta? E formação política e técnica sobre participação e controle  social na cultura não poderia ser parte do diálogo dos coletivos culturais com a nova pró-reitora de extensão da UFS?
    A realidade da participação social e orçamento para a cultura na cidade do Recife e em Pernambuco de maneira geral. 
    Por Jamesson Florentino (PE)


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    terça-feira, 26 de julho de 2022

    PARTICIPAÇÃO SOCIAL E GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA: UMA ANÁLISE DO CONSELHO MUNICIPAL DE POLÍTICA CULTURAL DE FORTALEZA
    RESUMO
    Este artigo tem como objetivo analisar a participação dos conselheiros que atuaram na primeira gestão do Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC) de Fortaleza (2010-2012). Nosso interesse é observar se e como esse instrumento de a governança funciona eficazmente como mecanismo de participação social na gestão de políticas culturais. Para tanto, não valemos os resultados da pesquisa empírica desenvolvida junto à CMPC, no período de janeiro de 2010 a novembro de 2012. Fizemos o acompanhamento de várias sessões do referido Conselho, com elaboração de diário de campo. Junto ao trabalho de campo, analisamos as atas e, a partir desta análise, realizamos entrevistas estruturadas com 07 conselheiros.
    Como concluir mais geral, constatamos que o conselho apresenta uma capacidade propositiva regular, exercendo um poder discreto de influência sobre o processo de definição das políticas públicas no município.