quarta-feira, 16 de abril de 2025

Morre Dom Angélico, bispo que trabalhou efetivamente para a construção do reino de Deus entre nós.

Reino de Deus como um mundo onde a justiça, a paz e a alegria prevalecem, e onde o mal e o sofrimento são vencidos. 

"Venha a nós o teu reino

Seja feita a tua vontade

Assim  na terra como no céu"

Oração do Pai Noss0

Quem foi Dom Angélico Sândalo Bernardino?

Bispo emérito de Blumenau (SC), Dom Angélico foi padre da Igreja Católica em Ribeirão Preto (SP) entre 1959 e 1974 e bispo-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo entre 1975 e 2000. Sob a condução do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, ficou responsável pela região episcopal de São Miguel Paulista, na Zona Leste, e, em seguida, pela região da Vila Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo. Influenciado pelo Concílio Vaticano II e pela Conferência Episcopal de Medellín, nos anos 1960, assumiu a opção preferencial pelos pobres como princípio orientador de sua atuação pastoral.

Entusiasta da Teologia da Libertação, tornou-se um dos principais representantes do setor progressista da Igreja durante a ditadura militar e no período de redemocratização. Solidário aos movimentos sociais, engajou-se na luta por moradia e saúde na Zona Leste e foi coordenador da Pastoral Operária, com um trabalho significativo junto às demandas mais urgentes dos trabalhadores.

Sua história percorre alguns marcos fundamentais na luta por direitos humanos no Brasil, como a prisão de Madre Maurina (1969), os assassinatos sob tortura de Vladimir Herzog (1975) e Manoel Fiel Filho (1976), a execução do metalúrgico e sindicalista Santo Dias (1979), a campanha por Eleições Diretas (1984) e a descoberta da vala clandestina de Perus (1990).

https://domangelico.memoriasdaditadura.org.br/quem-e-dom-angelico/

DOM ANGELICO SÂNDALO BERNARDINO: UM PASTOR COM CHEIRO DE POVO, CORAÇÃO DE PROFETA E ALMA DE SANTO.

"Perdi um confessor, amigo e companheiro de lutas. Mas terei a alegria de poder dizer aos meus netos: eu conheci um santo." (Toninho Kalunga)

Estas palavras, carregadas de emoção,  são as primeiras palavras que me chegam a memória, sob o forte impacto da notícia da passagem de Dom Angelico para a vida eterna! Tenho a alegria e a honra de poder ter feito parte de um pedacinho da caminhada e de ter convivido com Dom Angélico Sândalo Bernardino. 

Com ele aprendi que devemos estar presentes nas dores e esperanças da luta do povo. São estas palavras que resumem, com simplicidade e grandeza, a marca deixada por esse bispo que, com seu rosto sereno e sua voz firme, soube conjugar fé e justiça, oração e ação, cruz e defesa intransigente de uma bandeira, a bandeira da Paz!

Dom Angélico nos deixou no tempo, mas não na história. Sua partida para a morada eterna – a que Jesus prometeu aos que vivem o Evangelho com radicalidade e ternura de que pra onde Ele iria, iriam também todos que Nele creram – nos convida à memória e à gratidão.

Filho do Concílio Vaticano II

Nascido em Saltinho (SP), que na época era distrito de Piracicaba, em 19 de junho de 1933. Dom Angélico foi ordenado padre em 1959 e bispo em 1974, pelo Papa Paulo VI, em plena ebulição do pós-Vaticano II. Foi um daqueles pastores que não apenas leram os documentos do Concílio, mas o encarnaram. Escolheu viver a Igreja como povo de Deus, e não como poder.

Bispo auxiliar de São Paulo, braço direito do Cardeal Arns nos tempos sombrios da ditadura militar, Dom Angélico colocou sua mitra e báculo a serviço da vida. Participou das célebres "missas dos presídios", das denúncias contra a tortura e do apoio firme às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), à Pastoral da Terra, da Moradia e aos movimentos populares. Um bispo da rua, da roça, da favela e do chão das fábricas.

A Teologia da Libertação como prática de fé

Dom Angélico não apenas simpatizava com a Teologia da Libertação – ele a vivia. Como dizia Dom Pedro Casaldáliga, “não se trata apenas de uma teologia sobre a libertação, mas de uma teologia libertadora”. E assim ele foi: homem da escuta, das romarias, dos mutirões e da partilha do pão.

Em 2000, tornou-se bispo da Diocese de Blumenau (SC), onde também levou seu jeito simples e de quem conheceu a imensa misericórdia de Deus e assim, foi seu jeito de ser Igreja. Após sua aposentadoria canônica em 2009, retornou a São Paulo, onde seguiu ativo, celebrando, aconselhando, participando de atos públicos e sempre com um olhar afetuoso aos mais pobres, aos trabalhadores e às lutas do povo. Foi neste período em que mais convivi com dom Angélico.

Um santo do nosso tempo

Dom Angélico era da linhagem dos santos que não esperam canonizações. Sua santidade era visível nos gestos cotidianos: no abraço aos sem-teto, na presença solidária com os sem-terra, na palavra profética diante das injustiças. Não usava trono, mas banco de praça. Não tinha muralhas, mas portas abertas. Não se escondia em palácios, mas se deixava encontrar nas ruas, marchas, acampamentos e vigílias. Esta era sua Igreja!

Sua morte não é o fim de sua missão. É a passagem do bastão. A fé que professou e a justiça que defendeu continuam vivas nas comunidades, nas pastorais sociais, nas juventudes, nos movimentos populares e em tantos que, como ele, acreditam que o Reino de Deus começa aqui, com pão, dignidade e esperança para todos. Afinal, as palavras convencem, mas os exemplos arrastam!

A herança de um pastor libertador

Num tempo em que a fé muitas vezes é sequestrada por discursos de ódio ou por alianças com o poder econômico, Dom Angélico foi fiel ao Cristo dos pobres. Sua vida é um lembrete de que ser Igreja é estar do lado dos últimos. Como diz a canção que tantas vezes ele pedia para ser repetida nas Missas que presidia: “É Jesus este pão de igualdade, Viemos pra comungar, Com a luta sofrida de um povo, Que quer, ter voz, ter vez, lugar, Comungar é tornar-se um perigo, Viemos pra incomodar…”. 

E Dom Angélico, com certeza, com o Evangelho e a Comunhão, nos ensinou a incomodar aqueles que não se importam com a dor dos pobres, mas, mais do que isso. Dom Angélico nos ensinou a NOS incomodar conosco mesmos, para não nos distanciar dos pobres.

Que sua memória nos inspire a manter viva a chama da utopia do Reino. E que possamos, ter a honra de dizer às próximas gerações, então, refletindo sobre o que escrevi no começo, refaço a frase: “Eu conheci um santo com nome de anjo, que atende pelo nome de Angélico”

---------------------------------//----------------------------

No anoitecer de ontem, 15 de abril, Dom Angélico Bernardino, fez sua Páscoa. Em plena Semana Santa, esse Profeta da luta dos pobres, trabalhadores, sofredores das periferias de São Paulo e, por onde passou, como Padre e Pastor fiel ao chamado pra Servir, como o seu e nosso Mestre Jesus.
O encontrei algumas vezes. Guardo a boa lembrança de seu abraço, seu sorriso e a comunhão na causa e na canção da Esperança.
Deus foi e será bendito por tua missão.Recebe então o beijo de graça no colo do Materno e Eterno Amor.#zevicente

------------------------------------------
Recebi com profunda tristeza a notícia do falecimento do querido Dom Angélico, que dedicou sua vida à solidariedade e ao amor ao próximo, como nos ensinou Jesus Cristo. Das greves dos trabalhadores em São Paulo nas décadas de 70 e 80, passando por momentos históricos da luta pela redemocratização e pela justiça social no nosso país, estivemos sempre juntos do lado da verdade e do bem comum. Guardo as lembranças do grande amigo que fez da ternura e da bondade os princípios que guiaram sua vida. “Amai-vos e não armai-vos" era sua lição para todos nós. Dom Angélico esteve comigo nos momentos mais preciosos de minha vida, nos casamentos dos meus filhos, batizados dos meus netos e meu casamento com Janja. Na semana passada, eu e Janja o visitamos num encontro de muito carinho e boas recordações. Descanse em paz, companheiro. Minha solidariedade a todos os fiéis que acompanharam sua trajetória.
Presidente Lula

------------------------------------------
Dom Angélico Sândalo Bernardino - 22/07/2013



quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O trabalho de Dom Angélico reverberou aqui em Aracaju na década de 1980. Em especial através do jornal Grita Povo.


segunda-feira, 20 de abril de 2020

SE A PANDEMIA DE CORONAVIRUS TIVESSE ACONTECIDO NOS TEMPOS DA AMABA, NA ARACAJU DOS ANOS DE 1980/1990?


Os caminhos de dom Angélico nas ruas de seu país


Uma canção para Dom Angélico

O 'Beco do Mota' é um símbolo de resistência e memória. Mesmo que o beco tenha sido destruído, ele permanece vivo nas lembranças do povo. A 'clara praça' onde o beco se dissolve representa a tentativa de apagar a história, mas as 'lembranças' e o 'lamento água viva' indicam que a memória coletiva é mais forte. A música termina com uma afirmação poderosa: 'Diamantina é o Beco do Mota, Minas é o Beco do Mota, Brasil é o Beco do Mota'. Isso sugere que a história e a cultura do Brasil estão intrinsecamente ligadas a esses espaços de resistência e memória, e que a identidade nacional é construída a partir dessas lembranças e lutas.

🔴 Dom Angélico Sândalo Bernardino no Entre Vistas



ações:
                     
Dom Angélico esteve comigo nos momentos mais preciosos de minha vida, nos casamentos dos meus filhos, batizados dos meus netos e meu casamento com Janja.                                                                                                      
Na semana passada, eu e Janja o visitamos num encontro de muito carinho e boas recordações.                        
Descanse em paz, companheiro. Minha solidariedade a todos os fiéis que acompanharam sua trajetória.




terça-feira, 15 de abril de 2025

Lei Rouanet Glossário Observatório Ação Cultural

 A Lei Rouanet (oficialmente Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei nº 8.313/1991) é o principal mecanismo de fomento à cultura no Brasil, criada para estimular a produção, preservação e difusão cultural por meio de incentivos fiscais. Aqui está um resumo completo:

Fonte do infográfico: Ministério da Cultura

1. O que é e objetivos

Definição: Instrumento que permite a empresas e pessoas físicas destinar parte do Imposto de Renda devido para projetos culturais previamente aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC)13.

Objetivos: Facilitar o acesso à cultura; Promover a regionalização da produção artística; Preservar patrimônios materiais e imateriais; Estimular a economia criativa18.

2. Como funciona

Mecanismos do PRONAC: Incentivo a Projetos Culturais (mecenato): Empresas e pessoas físicas podem abater até 4% (PJ) ou 6% (PF) do IR devido; Fundo Nacional da Cultura (FNC): Recursos diretos do governo para projetos culturais: Ficart: Fundos de investimento cultural.

Processo de aprovação: Cadastro no SALIC (Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura); Análise de admissibilidade e parecer técnico; Captação de recursos (mínimo 10% para análise técnica e 20% para liberação inicial): 

3. Áreas contempladas: 

Projetos devem se enquadrar em segmentos como: Artes cênicas, visuais e música; Patrimônio histórico; Literatura e audiovisual (incluindo jogos eletrônicos independentes).

LEI ROUANET: DINHEIRO PÚBLICO A SERVIÇO DE QUEM?

Bode expiatório da direita, esse braço da política cultural baseado em renúncia fiscal foi criado nos anos 1980 – mas não foi pensado como solução única. Passou de papel coadjuvante a eixo central do Ministério da Cultura, impulsionado pelo governo neoliberal de Fernando Henrique e nunca realmente questionado por Lula. Com o bolsonarismo, foi utilizada como instrumento de controle ideológico. Hoje, mantém grande peso orçamentário, diante de um MinC fragilizado. Como repensá-la, sem destruí-la?

O bibliotecário, gestor público e doutorando em Ciências Humanas e Sociais (UFABC) Ricardo Queiroz Pinheiro conta a história da Lei Rouanet nos últimos 30 anos, explica por que ela destrói a diversidade cultural e como ela pode ser reestruturada.

Sobre a Lei Rouanet , a partir dos minutos 38:36

Lei Rouanet: das origens ao desastre

Por que a renúncia fiscal, que deveria ser complemento às políticas para a Cultura, tornou-se central? Como serve ao marketing das empresas, pasteuriza estéticas e impõe censuras? Mais que estigmatizar, quais os caminhos para reestruturá-la?

https://outraspalavras.net/descolonizacoes/lei-rouanet-das-origens-ao-desastre/

sexta-feira, 25 de julho de 2025


A crítica da extrema direita à Lei Rouanet está enraizada em uma combinação de fatores ideológicos, políticos e econômicos, conforme evidenciado pelos resultados da pesquisa. Aqui estão os principais motivos:

1. Associação com a Esquerda e o PT

Apesar de a Lei Rouanet ter sido criada durante o governo Collor (1991) em um contexto neoliberal de redução do Estado, ela acabou sendo associada aos governos petistas (Lula e Dilma), que a utilizaram amplamente. A extrema direita critica essa associação, alegando que o PT usou a lei para "comprar" apoio de artistas, muitos dos quais são vocalmente alinhados à esquerda . Essa narrativa ignora que a lei foi originalmente concebida como um mecanismo de mercado, não estatal.

2. Percepção de "Mamata" e Desvio de Recursos

A extrema direita frequentemente retrata a Lei Rouanet como um esquema de corrupção ou "mamata", onde artistas e produtores culturais supostamente recebem dinheiro público sem contrapartida. Essa visão é alimentada por casos isolados de irregularidades, como a Operação Boca Livre (2016), que investigou desvios de recursos . No entanto, a lei exige prestação de contas rigorosa, e a maioria dos projetos não capta o valor total aprovado .

3. Oposição ao Financiamento de Conteúdo "Ideológico"

Críticos da extrema direita argumentam que a lei beneficia projetos com temáticas progressistas ou críticas aos seus valores, como peças sobre diversidade ou direitos humanos. Eles defendem que o Estado não deveria financiar obras que consideram "imorais" ou "partidárias" . Essa postura reflete uma visão censória, embora a lei proíba discriminação política na seleção de projetos .

4. Preferência por Redução do Estado na Cultura

A extrema direita geralmente defende um Estado mínimo e critica qualquer forma de subsídio público à cultura, alegando que o mercado deveria ser o único regulador. A Lei Rouanet, mesmo sendo um incentivo fiscal (ou seja, renúncia de impostos), é vista como intervenção indesejada . Essa crítica ignora o impacto econômico da lei: para cada 

5. Centralização Regional e Elitização

Há também críticas legítimas, mas amplificadas pela extrema direita, sobre a concentração de recursos no eixo Rio-São Paulo e em projetos de grande porte (como musicais caros ou eventos corporativos). Embora isso seja um problema estrutural da lei, a extrema direita usa o argumento para atacar toda a política cultural, sem propor alternativas .

Conclusão

As críticas da extrema direita misturam desinformação, ideologia e questões válidas (como a necessidade de descentralização). A Lei Rouanet, na realidade, é um instrumento técnico com falhas, mas essencial para a cultura brasileira. Sua defesa por artistas como Claudia Raia  e estudos econômicos 6 mostra que o debate precisa ser mais nuanceado do que o simplismo "esquerda vs. direita".

Quais as mudanças que os governos Lula esgá fazendo para melhorar a aplicação da  Lei Rouanet?


O governo Lula implementou várias mudanças na Lei Rouanet desde o início de sua gestão em 2023, com o objetivo de modernizar, descentralizar e democratizar o acesso aos recursos culturais. Aqui estão as principais alterações e iniciativas:

1. Reativação e Fortalecimento da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC)**

   - A CNIC, que foi esvaziada durante o governo Bolsonaro, foi reativada e ampliou suas atribuições. Agora, ela tem um papel consultivo e decisório na análise de projetos, incluindo a participação obrigatória de representantes de povos originários, cultura popular, acessibilidade e combate à discriminação .

   - Durante o governo Bolsonaro, a comissão perdeu seu caráter democrático e as decisões ficaram concentradas em uma única pessoa sem experiência na área cultural .

 2. Descentralização dos Recursos

   - O governo Lula criou programas regionais como o **Rouanet Norte**, **Rouanet Nordeste**, **Rouanet da Juventude** e **Rouanet das Favelas** para incentivar projetos em regiões historicamente negligenciadas, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste .

   - Oficinas de capacitação foram realizadas em parceria com o Sesi para ajudar artistas locais a elaborar projetos competitivos .

   - Apesar disso, o Sudeste ainda recebe a maior parte dos recursos (68,4% em 2023), mas houve um aumento significativo nas outras regiões, como um crescimento de 260% no Norte entre 2022 e 2024 .

 3. Inclusão de Ações Afirmativas e Diversidade

   - O decreto de 2023 incluiu medidas para promover projetos de mulheres, negros, indígenas, LGBTQIA+, pessoas com deficiência e outros grupos marginalizados, por meio de editais específicos e cotas .

   - Foram removidas restrições impostas pelo governo anterior, como a exclusão de projetos que combatem preconceito e discriminação .

 4. Remoção da Arte Sacra como Segmento Específico

   - O governo Bolsonaro havia incluído a arte sacra como um segmento prioritário em 2021, mas o governo Lula a retirou do escopo da Lei Rouanet, focando em áreas como artes cênicas, visuais, audiovisual, humanidades, música e patrimônio cultural .

 5. Transparência e Modernização dos Processos

   - Foi publicada uma **Instrução Normativa** em 2023 para agilizar e tornar mais transparente a análise, aprovação e prestação de contas dos projetos, com acompanhamento em tempo real pelo sistema Salic .

   - Limites foram estabelecidos para cachês artísticos (ex.: R$ 25 mil por apresentação para solistas) e para valores de projetos (entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões) .

 6. Aumento Recorde de Recursos Autorizados

   - Em 2023, o governo Lula autorizou **R$ 16,7 bilhões** para captação via Lei Rouanet, valor que supera o total autorizado em todo o governo Bolsonaro (R$ 15,2 bilhões em 4 anos) .

   - No entanto, o valor efetivamente captado em 2023 foi de **R$ 2,28 bilhões**, mostrando que a autorização não significa gasto direto do governo, mas renúncia fiscal condicionada à captação privada .

 7. Programas Específicos para Jovens e Periferias

   - O **Rouanet da Juventude** (2025) destina R$ 6 milhões para projetos de jovens de 15 a 29 anos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com foco em inclusão de comunidades quilombolas, indígenas e periféricas .

   - Projetos inovadores, como jogos eletrônicos, foram incluídos como linguagens culturais elegíveis .

 8. Parcerias com Empresas Estatais e Privadas

   - O Ministério da Cultura mediou acordos com empresas como Petrobras, Shell e bancos públicos para direcionar recursos para regiões menos favorecidas, estabelecendo cotas regionais (ex.: 15% do orçamento da Petrobras para o Norte) .

 Conclusão

As mudanças no governo Lula buscam corrigir distorções do período anterior, como a centralização de recursos e a exclusão de minorias, além de modernizar a lei para torná-la mais acessível e transparente. Apesar dos avanços, desafios persistem, como a ainda elevada concentração de verbas no Sudeste . 

A produção desse postagem foi realizada utilizando a IA deepseek.

Estaremos publicando esporadicamente palavras ou temas para formar um glossário dos  termos mais comuns utilizados nas conversas, estudos e debates sobre Política, Gestão, Produção e Ação Cultural.

Glossário que significa o conjunto de termos de uma área do conhecimento e seus significados, o mesmo que vocabulário.
Um Glossário com apoio da Inteligência artificial, acrescido de textos, entrevistas, reportagens  de/com  fazedores de cultura, incluindo especialistas como este que escreve.. 
Um glossário aberto que poderá ter entrada de novos textos com contribuições ao tema.
Um glossário aberto ao debate quando o tema, palavra ou conceito for controverso, como é o caso deste segundo, lei Rouanet.  
Participe! Colabore!!

sábado, 12 de abril de 2025

Edital - Glossário Observatório Ação Cultural


Wagner Moura: Não dá pra explicar Lei Rouanet para quem não assimilou a Lei Áurea | Entrevista



segunda-feira, 14 de abril de 2025

PINDORAMA (doc. produzido em Campinas com apoio financeiro da Lei Paulo Gustavo) & Sergipe é terra indígena marcada pelo genocídio dos povos originários e apagamento dessa história. (Mangue Jornalismo).




🌱 Próximo sábado, 19, é Dia dos Povos Indígenas. A data coincide, não por mera coincidência, com os dois anos da Mangue Jornalismo . Para ir preparando esse dia e os debates necessários sobre o tema, republicamos com ajustes necessários uma das primeiras reportagens da Mangue: Sergipe é terra indígena lavada em sangue e esquecimento. 

Éramos Tupinambá, Kiriri, Fulkaxó, Boimé, Caeté e mais de uma dezena de outros povos originários a viver em terras que hoje constituem Sergipe. Toda a diversidade de povos foi objeto de ódio, escravização e massacres. Além do intenso extermínio físico, os primeiros sergipanos foram vítimas de um perverso e permanente apagamento histórico. Sim, Sergipe nasce como estado elitista, um latifúndio lavado em sangue indígena, um grande cemitério de mulheres e homens martirizados.

A violência contra os povos indígenas em terras sergipanas foi tão absurda que em Sergipe não restou sequer uma comunidade verdadeiramente originária. A Mangue Jornalismo conta que essa história é marcada por três grandes massacres, não sem forte resistência: o primeiro, no ano de 1575. Depois em 1590, com Cristóvão de Barros. Vale registrar as ações de extermínio permanente a partir de 1759.

📲 Reportagem completa em www.manguejornalismo.org

⚠ A Mangue não usa Inteligência Artificial nas reportagens.

📌 Apoie a Mangue. Pix: manguejornalismo@gmail.com

 https://manguejornalismo.org/sergipe-e-terra-indigena-marcada-pelo-genocidio-dos-povos-originarios-e-apagamento-dessa-historia/



Documentário "Pindorama: Uma História do Brasil Ancestral", dirigido pelo jornalista Marcos Rogatto e produzido por Patrícia Ogando.

Com 43 entrevistas de arqueólogos e paleontólogos, bem como visitas a dezenas de sítios históricos e museus, ele conta a vida de Pindorama há milhões de anos. Dura 98 minutos e traz belas lições.

A primeira expõe patrocínios culturais bem direcionados pela Prefeitura de Campinas e pelo Ministério da Cultura.

Com a segunda, valoriza gerações de cientistas e leva os curiosos da cultura dos povos que viviam nesta terra há uns 18 mil anos. O fóssil de Luzia, achado na Lagoa Santa (MG), tem 11,5 mil anos.

Nesta parte, "Pindorama" expõe, com critério de bom gosto, o vigor artístico das cerâmicas. A peça mais antiga do mundo pode ter sido feita na Amazônia. Hoje, novas tecnologias permitem ver rastros de civilização debaixo da floresta. Já acharam 24 novas estruturas e elas seriam mais de 10 mil.

Mais de uma centena de megálitos do Parque Arqueológico do Solstício, no Amapá, com alguns pesando quatro toneladas, foram movidos há mais de mil anos.

Parque da Serra da Capivara, no Piauí, com dois belos museus e mais de mil sítios arqueológicos, alguns datados com 50 mil anos, guarda o Zuzu, um esqueleto de dez mil anos.

É na segunda parte de "Pindorama" que chegam surpresas. Ela trata de um tempo em que os continentes formavam um só bloco. Os dinossauros mais antigos, que viveram há cerca de 233 milhões de anos, surgiram onde hoje estão o sul do Brasil e a Argentina. As rochas dos fósseis do Sítio Paleontológico da Alemoa, em Santa Maria (RS), seriam as mais antigas do mundo.

No Museu da Ciência Professor Tolentino, de São Carlos (SP) e no Vale dos Dinossauros, em Sousa (PB), estão as pegadas dos dinos. Em Uberaba (MG), foram criados lindos geoparques: a comunidade criou o Museu dos Dinossauros, em Peirópolis. Lá está o fóssil de Uberabatitan Ribeiroi, com seus 27 metros de comprimento, achado em 2004.

O primeiro dinossauro com penas conhecido no mundo viveu no Ceará, há 115 milhões de anos. Encontrado em 1996, passou um quarto de século nas prateleiras de um museu alemão. Em 2023 retornou ao Brasil.

O Pindorama de hoje tem uma geração de arqueólogos, paleontólogos, museólogos e ambientalistas que cuidam desse patrimônio. O documentário mostrou alguns deles.

Na semana passada, graças a esses estudiosos e ao Ministério Público Federal, voltaram ao Brasil 25 fósseis retirados clandestinamente do Ceará e levados para a Inglaterra. Avaliadas em cerca de R$ 4 milhões, as peças irão para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, que fica em Santana do Cariri.

Outra equipe do MPF tenta resgatar um esqueleto quase completo de pterossauro da espécie Anhanguera com quase 4 metros de envergadura e outras 45 peças que estão na França.

 Agência Brasil informa que desde 2022 já foram resgatados mais de mil fósseis levados de forma irregular para a Europa.

A história do Brasil é linda desde antes da chegada dos europeus e mesmo do gênero humano

                             Elio Gaspari




domingo, 13 de abril de 2025

Balanço dos primeiros dias da gestão da cultura em Aracaju na coluna Domingueira do jornalista e radialista Narcizo Machado.

" Na área da Cultura, houve acertos significativos. Paulo Corrêa, cuja atuação já foi destacada em edições anteriores, conta com a aprovação dos fazedores de cultura em Aracaju. Embora ainda não tenha sido oficialmente nomeado, sua influência já se faz sentir, e ele compreende os desafios enfrentados na promoção da cultura. As festividades em comemoração aos 170 anos de Aracaju refletem essa visão; foram dias de diversidade e democratização do acesso."

https://fanf1.com.br/2025/04/13/100-dias-da-primeira-mulher-a-comandar-aracaju-de-confusoes-a-decisoes-coerentes/

"Ao lembrar apenas o caráter positivo das comemorações dos 170 anos de Aracaju, a dimensão estratégica é deixada em segundo plano. Como a necessidade da definição mais rápida do nome que   assumirá a refundada Secretaria Municipal de Cultura, assim como da equipe técnica e de  orçamento a altura do lugar que a cultura ocupa na chamada era do conhecimento. Em especial, em um momento da compreensão do governo federal que tem  a Cultura como vetor de desenvolvimento, demonstrado através do orçamento destinado ao MINC e de forma descentralizada, beneficiando estados e municipais que estiverem bem posicionados em matéria de gestão cultural.." ZdO

Balanço da Gestão Cultural nos Primeiros 100 Dias de Emília Corrêa em Aracaju. Via  IA deepseek utilizando como fonte material publicado pela Prefeitura Municipal de Aracaju.

A gestão da prefeita Emília Corrêa em Aracaju destacou-se por diversas iniciativas na área cultural durante seus primeiros cem dias de governo. O setor recebeu atenção especial com ações concretas que visavam revitalizar a cena cultural da cidade, valorizar tradições locais e criar novas oportunidades para artistas e produtores culturais.

Principais Ações e Realizações

1. Resgate do Carnaval Tradicional

A gestão promoveu o resgate das tradições carnavalescas de Aracaju, incluindo a realização do concurso de Rei Momo e Rainha do Carnaval, além da entrega simbólica da chave da cidade. O fomento aos blocos carnavalescos foi realizado através de editais públicos com critérios objetivos, democratizando o acesso aos recursos .

2. Comemorações dos 170 Anos de Aracaju

A prefeitura organizou uma extensa programação cultural para celebrar o aniversário da cidade, com 22 dias de atividades que incluíram:

Shows musicais

Eventos esportivos

Peças teatrais

Celebrações da diversidade religiosa

Atividades em 15 bairros da capital .

3. Projeto de Criação da Secretaria Municipal da Cultura

Emília Corrêa encaminhou à Câmara Municipal o projeto de lei para criação da Secretaria Municipal da Cultura, uma demanda antiga do setor cultural na cidade. A matéria está prevista para entrar em votação nos próximos dias .

4. Projetos "Mirando as Artes" e "Descubra Aracaju"

A gestão lançou esses dois importantes projetos culturais:

"Mirando as Artes": iniciativa que utiliza o Mirante 13 de Julho como espaço para manifestações artísticas

"Descubra Aracaju": projeto voltado para valorização do patrimônio e identidade cultural da cidade .

5. Reabertura do Mirante 13 de Julho

O tradicional ponto turístico e cultural da cidade foi reaberto após obras de revitalização, tornando-se novamente um espaço de convivência e manifestações culturais .

6. 1º Circuito Gastronômico

Realizado em parceria com a Abrasel, o evento combinou gastronomia e cultura, fortalecendo o turismo local e oferecendo novas oportunidades para empreendedores do setor .

7. Exposições no Museu da Gente Sergipana

Como parte das comemorações dos 170 anos da cidade, foram realizadas exposições especiais no Museu da Gente Sergipana, destacando a história e identidade cultural local .

8. Calendário Anual de Eventos

A prefeitura criou um calendário cultural anual para a cidade, garantindo continuidade nas ações e planejamento de longo prazo para o setor.

As observações criticas da IA Deepseek
Durante os primeiros cem dias da gestão de Emília Corrêa como prefeita de Aracaju, a área cultural enfrentou críticas e desafios. Aqui estão os principais pontos de crítica identificados:

1. Falta de Transparência e Participação
A gestão cultural foi criticada por não estabelecer um diálogo claro com artistas e coletivos locais. Há reclamações sobre a falta de transparência nos processos de seleção de projetos e eventos, além da ausência de mecanismos de participação popular na definição de políticas culturais .

A criação da Secretaria Municipal da Cultura, embora anunciada, ainda não demonstrou ações concretas ou planos detalhados para envolver a comunidade artística .

2. Falta de Ações Concretas e Continuidade de Projetos
Apesar do anúncio de projetos como o "Programa Centro Seguro" (que inclui videomonitoramento e patrulhamento), não houve avanços significativos na revitalização do centro histórico, área culturalmente relevante mas abandonada .

Artistas locais reclamam da descontinuidade de programas anteriores e da falta de apoio financeiro para iniciativas independentes .

3. Falta de Investimento em Cultura Popular
Enquanto a gestão anterior foi criticada por gastar milhões em cachês de artistas "nacionais" em grandes eventos, a nova administração ainda não apresentou um plano para valorizar a produção local, como teatro, música e artes visuais .

A ausência de políticas para espaços culturais públicos (como teatros e centros comunitários) também foi destacada como uma falha nos primeiros cem dias .

Conclusão
Embora Emília Corrêa tenha anunciado a criação de uma Secretaria de Cultura e destacado obras de infraestrutura, as críticas apontam para a falta de ações efetivas, transparência e inclusão na gestão cultural.