domingo, 3 de maio de 2026

Entre o palco e a luta: a estética esvaziadora do 1º de Maio. Por Zezito de Oliveira

O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, carrega uma origem marcada por conflito, organização coletiva e enfrentamento direto às estruturas de exploração. No entanto, ao observar o formato contemporâneo das manifestações, especialmente no contexto brasileiro, é difícil não notar um deslocamento significativo: da ação política para a encenação previsível.

As manifestações que deveriam pulsar como expressão viva da luta social têm, muitas vezes, assumido uma estética padronizada e pouco provocadora. Carros de som, discursos protocolares, apresentações musicais e palavras de ordem repetidas compõem um roteiro que se repete ano após ano. Trata-se de uma forma reconhecível, mas que, justamente por isso, tende a perder sua capacidade de mobilização e impacto crítico. (1) 

Reflexões oriundas do campo da ação cultural também têm chamado atenção para a necessidade de repensar não apenas o conteúdo, mas os próprios formatos de organização das práticas coletivas, evidenciando que estruturas rígidas tendem a reproduzir hierarquias e limitar a participação. Ao mesmo tempo, experiências históricas evocadas em debates culturais — como as mobilizações populares em torno do 25 de Abril em Portugal — demonstram que a potência política emerge justamente da criatividade e da ação direta das pessoas nas ruas, onde a estética não é totalmente definida, mas com espaço para outras construções  no processo. O contraste entre esses dois modelos explicita o desafio contemporâneo: romper com formatos que transformam a luta em mero  espetáculo e recuperar sua dimensão viva, participativa e imprevisível.

Ecos do 25 de abril em Portugal e na Itália.. A luta contra o fascismo de todos os dias.

Há, portanto, uma contradição evidente: celebra-se a luta enquanto se adota uma forma que a domestica. A previsibilidade estética produz conforto organizativo, mas enfraquece a potência transformadora. Sem risco, sem tensão e sem criatividade política, a manifestação perde sua capacidade de incomodar — e, sem incômodo, dificilmente há mudança. (2) (4)

Diante disso, o desafio contemporâneo não é apenas manter viva a tradição do 1º de Maio, mas reinventá-la. Isso implica repensar tanto o formato quanto a estética das manifestações. É necessário romper com a lógica do palco centralizado e abrir espaço para experiências mais horizontais, participativas e diversas. Mais do que assistir, é preciso agir; mais do que repetir, é preciso criar. (3)

Recuperar a força do Dia do Trabalhador exige, portanto, mais do que memória histórica. Exige coragem para transformar a própria forma da luta. Afinal, quando a estética se torna previsível, a política corre o risco de se tornar irrelevante.

De outro modo, uma leitura crítica das manifestações contemporâneas do 1º de Maio também pode ser aprofundada quando articulada a contribuições teóricas de pensadores que refletiram sobre cultura, política e participação popular, em diálogo com reflexões oriundas de experiências culturais de base. Nesse sentido, as formulações de Frei Betto encontram ressonância tanto na pedagogia crítica de Paulo Freire quanto nas práticas culturais que defendem a centralidade da participação social ativa.

Ao problematizar a institucionalização das forças progressistas, Frei Betto aponta para o risco de uma política que se afasta do cotidiano popular. Essa crítica se aproxima de reflexões recorrentes em experiências culturais de base, que enfatizam que cultura não é ornamento, mas processo de organização social, produção de sentido e construção coletiva. Nessa perspectiva, não basta promover eventos ou ocupar o espaço público de forma simbólica; é preciso criar vínculos reais, processos continuados e formas de participação que ultrapassem a lógica do consumo cultural.

Essa leitura dialoga diretamente com Paulo Freire, especialmente quando este critica práticas verticalizadas e defende uma pedagogia fundada no diálogo e na construção coletiva do conhecimento. Ao transpor essa lógica para o campo das manifestações, torna-se evidente o limite de formatos baseados na centralização da fala e na passividade do público. Quando o ato político se organiza como transmissão — e não como troca — ele reproduz a mesma estrutura que pretende combater.

Reflexões oriundas de práticas culturais populares também chamam atenção para um problema recorrente: a tendência de confundir criatividade com improviso e expressão com ausência de estratégia. Esse ponto é crucial para entender por que muitas manifestações acabam se tornando previsíveis. Sem intencionalidade política clara e sem construção coletiva consistente, a estética tende a se repetir, esvaziando seu potencial crítico.

É nesse ponto que a contribuição de Augusto Boal se torna especialmente relevante. Ao propor o conceito de “espect-ator”, Boal rompe com a divisão entre quem atua e quem assiste, defendendo uma prática em que todos participam da construção da cena. Essa perspectiva evidencia o quanto manifestações organizadas como espetáculo — com palco, programação rígida e público passivo — contradizem uma lógica verdadeiramente emancipadora.

A crítica à “espetacularização” da ação política também pode ser aprofundada com Guy Debord, que analisa como, na sociedade contemporânea, as relações sociais são mediadas por imagens e representações. Quando essa lógica se infiltra nas manifestações, há um deslocamento da ação para a aparência: o ato precisa “parecer” mobilizador, ainda que sua capacidade real de transformação seja limitada.

Por outro lado, práticas culturais comprometidas com a base social insistem na necessidade de superar essa superficialidade. Ao valorizar processos, territórios e participação contínua, essas experiências apontam que a força política não está apenas no evento, mas naquilo que se constrói antes, durante e depois dele. Essa visão se aproxima da noção de emancipação proposta por Jacques Rancière, para quem a política se realiza quando há redistribuição efetiva da capacidade de falar, agir e produzir sentido.

Além disso, a ênfase na comunicação popular e na organização de base, presente em autores como Vito Gianotti, reforça que manifestações não podem ser pensadas isoladamente como eventos, mas como parte de um processo mais amplo de formação política e mobilização social.

Assim, ao articular essas contribuições teóricas com reflexões oriundas de práticas culturais de base, torna-se evidente que o desafio das manifestações do 1º de Maio não é apenas político, mas também estético e organizativo. Romper com a lógica do palco, superar a passividade e construir formas mais horizontais e participativas não é um detalhe formal — é condição para que a própria luta recupere sua potência transformadora.

Notas:

(1) O relato de Gavin Adams sobre o 1º de Maio de 2019 – anterior, portanto, ao período mais agudo da crise política brasileira – confirma que o esvaziamento estético das manifestações não é uma reação conjuntural, mas um traço estrutural da cultura política da esquerda institucional. Adams descreve um ato sindical unificado no Vale do Anhangabaú onde "a audiência parecia ser toda militante – valente, dedicada, mas sem alegria"; os discursos, "no máximo corretos", não conseguiam "passar fogo mobilizatório". A síntese do diagnóstico vem de uma fotógrafa presente: "não consigo fazer uma foto com vida. Só vejo gente escorada no mastro da bandeira, tudo corpo duro". Em contraste, um ato autonomista na praça da Sé, reunindo cerca de 150 pessoas, apresentava o "bem-vindo bafo de imaginação política" – com assembleia para decidir o trajeto, palavras de ordem radicais ("Abolir o trabalho, despedir o patrão!") e uma energia que a manifestação sindical não conseguia produzir. Adams observa, ainda, que quando o ato sindical finalmente ganha "corpos dançando", é porque "já tinha virado show" – transformando a política em entretenimento, não em ação transformadora. Ver ADAMS, Gavin. Dia do Trabalho: crônica de dois atos no centro de São Paulo. Outras Palavras, São Paulo, 5 maio 2019.

 (2) A crítica aqui desenvolvida à estética previsível e institucionalizada das manifestações encontra confirmação etnográfica no relato de Gavin Adams sobre o ato "Fora Bolsonaro" em São Paulo, em 2 de outubro de 2021. Em seu diário de manifestações, publicado no portal Outras Palavras, Adams descreve em tempo real o descompasso entre a espontaneidade da base e o formalismo das cúpulas. Ele observa o "contraste gritante" entre "a pobreza das formulações institucionais" (discursos gravados, oradores burocráticos, slogans estreitos) e a energia criativa que emerge das margens (cartazes feitos à mão, poetas do slam, blocos de carnaval, uma jovem evangélica que fala de um "Jesus da periferia"). Sua conclusão ecoa diretamente o argumento central deste ensaio: "O pior de tudo é a falta de imaginação e ousadia na proposição do amanhã. [...] Hoje a esquerda moderou o discurso e a direita não veio… Será um erro manter essa toada". A manifestação que tentou atrair o centro-direita com uma estética conciliadora fracassou em ambos os fronts – não mobilizou novos setores e tampouco energizou a militância histórica –, confirmando que, sem risco, tensão e criatividade, a política se torna, de fato, irrelevante. Para uma análise aprofundada dessa experiência, ver ADAMS, Gavin. Manifestação Fora Bolsonaro em São Paulo. Outras Palavras, São Paulo, 3 out. 2021.

(3) Ainda no contexto das manifestações "Fora Bolsonaro" em 2021, o relato de Gavin Adams sobre o ato de 3 de julho aprofunda o diagnóstico aqui apresentado, ao revelar a contradição interna entre a direção institucional (que apostava na Frente Ampla com o PSDB) e a base da manifestação (que expulsou os tucanos da avenida). Adams documenta ainda o descompasso geracional do repertório estético-político ("MPB dos anos 1970 [...] é meio tiozão demais para as lutas atuais") e a emergência de formas espontâneas (cartazes manuscritos em isopor, blocos de carnaval, fanfarra) como únicos momentos de "capilaridade e organicidade". Ao final, enfrenta a questão que o presente ensaio provoca: se a forma institucional falhou, qual o lugar da ação direta? Sua resposta – um apelo ao "debate maduro" sobre legitimidade, tática e jurisdição – é, em si mesma, um exercício de reinvenção da política. Ver ADAMS, Gavin. Terceira Manifestação Fora Bolsonaro em São Paulo. Outras Palavras, São Paulo, 4 jul. 2021.

(4) No ato de 24 de julho de 2021, também descrito por Gavin Adams, a manifestação institucional "Fora Bolsonaro" na Avenida Paulista foi ofuscada, em termos de impacto simbólico e capacidade de gerar debate, pelo incêndio da estátua do Borba Gato ocorrido no mesmo dia. Adams registra que "a sensação de que há resistência não veio da passeata", constatando o descompasso entre a ação política institucionalizada (previsível, controlada, "chata") e as formas emergentes de ação direta (arriscadas, não autorizadas, porém eficazes em pautar o debate público). O autor avança ainda uma teoria estética da falha da esquerda: o "estilo gritado" dos discursos sindicais seria um anacronismo técnico comparável ao canto operário da era pré-amplificação, mantido por inércia cultural mesmo quando o microfone já permite outros registros vocais. Como antídoto, Adams aponta o exemplo do Slam da gente preta, cuja "fala cadenciada e rimada" traria a mensagem política "para o âmbito da poesia e da sofisticação da linguagem" – uma pista concreta para o que o presente ensaio chama de "reinvenção da forma". Ver ADAMS, Gavin. Ato do dia 24 de julho – e esquenta com Jesus. Outras Palavras, São Paulo, 25 jul. 2021.

 

Referências bibliográficas

BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974. (Obra fundamental sobre a transformação do espectador em "espect-ator" e a crítica ao teatro tradicional como instrumento de passividade).

BOAL, Augusto. A Estética do Oprimido. Rio de Janeiro: Garamond, 2009. (Desenvolve o conceito de que a arte é ferramenta de luta e que a opressão estética é tão violenta quanto a opressão econômica).

GUARNIERI, Gianfrancesco; BOAL, Augusto. Arena conta Zumbi. São Paulo: Teatro de Arena, 1965. (Musical histórico que estreou no Dia do Trabalhador de 1965, inaugurando o "Sistema Coringa" e a atuação coletiva como resistência política).

BOAL, Augusto. O Sistema Coringa: rituais e máscaras no comportamento do ator. São Paulo: Teatro de Arena, 1970. (Folheto que relata as experiências com o método que dilui a figura do protagonista central em favor da ação coletiva).

BETTO, Frei. A caminho do trabalho: celebração das comunidades de base. Petrópolis: Vozes, 1980. (Aborda a recriação de rituais e símbolos para transformar encontros burocráticos em atos de compromisso coletivo, combatendo a previsibilidade estética).

BETTO, Frei. Fidel e a religião: conversas com Frei Betto. Tradução do autor. Revisão de Fidel Castro Ruz. Lisboa: Caminho, 1986. (Analisa a manutenção da espontaneidade e da invenção política dentro de estruturas organizadas, à luz da experiência cubana).

BETTO, Frei. Artigos publicados em Brasil de Fato e Carta Capital. São Paulo, 2015-2025. (Textos recentes que criticam a institucionalização dos movimentos sociais e defendem que a "esquerda precisa descer do palco" para ocupar as ruas com criatividade).

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Tradução: Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

DEBORD, Guy. Comentários sobre a sociedade do espetáculo. Tradução: Celso Azar Jr. Rio de Janeiro: Contraponto, 2002.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Edição e tradução: Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999-2002. 6 v.

GRAMSCI, Antonio. Escritos políticos. Tradução: Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

HARVEY, David. A crise da urbanização planetária. Blog da Boitempo, São Paulo, 10 jan. 2015. Tradução de Artur Renzo. Disponível em: https://blogdaboitempo.com.br/2015/01/10/david-harvey-a-crise-da-urbanizacao-planetaria/. Acesso em: 3 maio 2026.

HARVEY, David. O enigma do capital: e as crises do capitalismo. Tradução: João Alexandre Peschanski. São Paulo: Boitempo, 2011.

RANCIÈRE, Jacques. O espectador emancipado. Tradução: Ivone C. Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. Tradução: Mônica Costa Netto. São Paulo: Editora 34, 2005.

RANCIÈRE, Jacques. O ódio à democracia. Tradução: Mariana Echalar. São Paulo: Boitempo, 2014.

Reflexão feita com suporte de  IA,  inclusive baseada em outros textos sobre a temática,  publicado no blog da cultura ao longo dos anos. 

sábado, 2 de maio de 2026

A capital que não lidera: o atraso de Aracaju na aplicação da Politica Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

 

A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura foi concebida para romper com um vício histórico da gestão cultural brasileira: a descontinuidade. Não se trata mais de editais isolados ou eventos pontuais, mas de um sistema permanente de financiamento, planejamento e fortalecimento das culturas locais.

Em Sergipe, essa mudança já começou a acontecer — mas não de forma homogênea. E, de maneira preocupante, a capital do estado parece caminhar na contramão desse processo.

Um contraste incômodo

Enquanto municípios como Estância já lançaram editais do ciclo 2 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura ainda em janeiro de 2026 — com resultados publicados e novos chamamentos em andamento — Aracaju permanece sem editais estruturantes visíveis até o momento.

No âmbito estadual, o cenário é ainda mais evidente. O Governo de Sergipe já colocou em operação uma série de editais com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, contemplando formação, circulação, pontos de cultura e redes estruturantes. (1)

Já em Aracaju, o que se vê no Mapa Cultural e nas redes institucionais é outra coisa:

  • credenciamento contínuo de artistas e técnicos;
  • editais pontuais voltados a eventos específicos, como o carnaval;
  • ausência de calendário público consolidado da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura;
  • nenhuma chamada estruturante claramente identificada como ciclo 2.

Não se trata de ausência de recursos. Trata-se de prioridade.

A política que não virou política

A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura exige mais do que execução financeira: exige projeto. E é exatamente aí que reside o principal problema.

A manutenção de editais eventuais e ações fragmentadas indica que a política cultural municipal ainda não incorporou plenamente essa lógica. Em vez de um sistema contínuo de fomento, seguimos vendo práticas típicas de um modelo anterior.

Essa crítica não é nova — ela aparece reiteradamente no debate cultural local.

O próprio blog da Cultura já aponta a fragilidade estrutural das políticas públicas em Sergipe:

O que diz a sociedade civil — e o que não é atendido

As críticas recorrentes presentes no blog da Cultura apontam para demandas claras:

1. Continuidade e estruturação

A necessidade de políticas permanentes é um dos eixos centrais:
A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura responde diretamente a essa demanda. No entanto, a ausência de editais estruturantes em Aracaju indica que essa diretriz ainda não foi incorporada.

2. Transparência e participação

O blog também aponta problemas históricos de transparência:
Sem calendário público e com pouca comunicação estruturada sobre a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, a gestão atual reforça esse problema.

3. Superação da lógica de eventos

A crítica à “cultura de evento” também é recorrente:

A permanência de editais voltados a datas específicas, como o carnaval, reforça exatamente esse modelo — que a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura pretende superar.


4. Fortalecimento da base cultural

Outro ponto recorrente é a necessidade de fortalecer agentes culturais local

Sem editais contínuos e estruturantes, esse fortalecimento não acontece de forma consistente.


Capital que não lidera

Historicamente, espera-se que capitais exerçam papel indutor nas políticas públicas. No caso da cultura, isso significa estruturar redes, ampliar acesso e irradiar boas práticas.

O que se observa hoje em Sergipe é o inverso: municípios menores apresentam maior agilidade na execução da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura do que Aracaju.

Essa inversão revela um problema que já vinha sendo denunciado:

A dificuldade de transformar recursos em política pública consistente.

O risco do atraso

O atraso na implementação da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura não é neutro. Ele produz efeitos imediatos:

  • recursos que demoram a chegar a quem precisa;
  • agentes culturais sem perspectiva de continuidade;
  • perda de dinamismo no setor;
  • enfraquecimento do ecossistema cultural local.

Mais do que isso: compromete uma oportunidade histórica.

O que precisa mudar

O próprio desenho da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura oferece diretrizes claras:

  • lançamento urgente de editais estruturantes do ciclo 2;
  • definição de calendário público anual;
  • ampliação da transparência ativa;
  • diálogo com o setor cultural organizado;
  • diversificação de linhas de fomento.

A questão central não é técnica. É decisão política.

Conclusão

Aracaju não está fora da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. Está, neste momento, aquém do seu potencial dentro dela.

Enquanto outras cidades transformam recursos em política pública, a capital ainda ensaia movimentos tímidos e fragmentados.

A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura não é um edital. É um sistema.

E sistemas não se improvisam — se constroem.

Notas:

(1) - A análise do Ciclo 2 da Política Nacional Aldir Blanc em Sergipe mostra que, embora todos os municípios tenham aderido, a execução ainda é bastante desigual e incipiente, com poucos casos concretos de avanço. O destaque é Estância, que já publicou editais em 2026 e avançou inclusive para fases de resultado, configurando-se como o município mais adiantado até o momento. Em contrapartida, cidades como Itabaiana e Nossa Senhora do Socorro apresentam apenas indícios de movimentação, ainda sem confirmação clara de editais do novo ciclo, enquanto a maioria dos demais municípios permanece em etapas preliminares, como planejamento e escutas públicas. Nesse cenário, o governo estadual, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe, aparece mais avançado, tendo lançado diversos editais, o que evidencia uma assimetria na capacidade de execução das políticas culturais entre estado e municípios.

Links para aprofundar no blog da Cultura o argumento defendido acima: 

BLOG DA CULTURA.   Qual a situação atual de funcionamento dos conselhos de cultura em Sergipe, estado e municípios? Avanços, limites, desafios, gargalos e impasses? 2026. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/01/qual-situacao-atual-de-funcionamento.html. Acesso em: 2 maio 2026.

 BLOG DA CULTURA.  Cultura é investimento, não despesa: diga não aos cortes da PNAB! Observatório Ação Cultural Sergipe. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/03/cultura-e-investimento-nao-despesa-diga.html. Acesso em: 2 maio 2026.

 BLOG DA CULTURA.  Sergipe é o 3º estado nordestino que menos investiu em cultura. Observatório Ação Cultural Sergipe. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/03/sergipe-e-o-3-estado-nordestino-que.html. Acesso em: 2 maio 2026.

 BLOG DA CULTURA.  Cultura e patrimônio em 2026: o que eleitores e políticos precisam enxergar antes do voto. 2026. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/01/cultura-e-patrimonio-em-2026-o-que.html. Acesso em: 2 maio 2026.

BLOG DA CULTURA.  A rede Sergipe de pontos de cultura voltou! Sob o olhar de Neu Fontes e Zezito de Oliveira. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/11/a-rede-sergipe-de-pontos-de-cultura.html. Acesso em: 2 maio 2026.

BLOG DA CULTURA.  Reunião geral dos pontos de cultura fortalece articulação e prepara para o fórum estadual. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/10/reuniao-geral-dos-pontos-de-cultura.html. Acesso em: 2 maio 2026.

 

✅ 1. Aracaju prestou contas do ciclo 1?

Não há evidência pública clara (até agora) de uma prestação de contas detalhada e formal divulgada amplamente pela Prefeitura de Aracaju.

O que existe de informação oficial/indireta:

  • No balanço estadual, Aracaju teve baixa execução no ciclo 1 (cerca de 2% do recurso executado no momento do levantamento).
  • A regra nacional determinava que os recursos deveriam ser executados até 31/12/2025, com possibilidade de transferência do saldo para o ciclo 2.

👉 Ou seja:

  • A prestação de contas pode até ter ocorrido internamente (MinC),
  • mas não há transparência pública robusta ou amplamente divulgada até agora (site ou relatórios detalhados acessíveis).

💰 2. Aracaju recebeu recursos do ciclo 2?

Sim — recebeu.

  • Aracaju aparece na lista de capitais que já tiveram repasses do ciclo 2 realizados em dezembro de 2025.
  • Além disso, todos os municípios de Sergipe aderiram ao ciclo 2, incluindo Aracaju.

👉 Conclusão:
✔ Está habilitada
✔ Recebeu recursos
✔ Está apta a executar novos editais


📢 3. Há editais do ciclo 2 abertos (Aracaju)?

❗ Situação importante:

  • Não há evidência forte de editais municipais de Aracaju (até o momento) amplamente divulgados.

Mas há dois sinais relevantes:

✔️ Indícios nas redes

  • Postagens indicam que:
    • o ciclo 1 foi encerrado
    • há intenção de ampliar participação em editais de 2026

✔️ Nível estadual (Sergipe)

Enquanto Aracaju ainda não aparece com editais robustos visíveis, o Governo de Sergipe já lançou vários editais do ciclo 2, por exemplo:

  • Ações formativas (2026)
  • Festivais, feiras e mostras
  • Circulação cultural
  • Pontos e pontões de cultura
  • Observatórios culturais

E há editais com inscrições efetivas em 2026, como o de formação cultural com investimento de mais de R$ 1 milhão.


📊 🧭 Leitura crítica da situação

O cenário hoje é mais ou menos assim:

✔️ O que está acontecendo

  • Aracaju aderiu e recebeu recursos
  • Pode usar saldo do ciclo 1 + novos recursos
  • O Estado já está operando fortemente o ciclo 2

⚠️ O que ainda NÃO aparece com clareza

  • Editais municipais próprios do ciclo 2
  • Calendário público da Funcaju
  • Transparência detalhada da execução do ciclo 1

🧩 Conclusão direta

  • Prestação de contas: não está claramente publicada (pelo menos de forma acessível)
  • Recursos do ciclo 2: sim, Aracaju recebeu
  • Editais ciclo 2 em Aracaju: ainda pouco visíveis / incipientes nas redes e canais oficiais

1. O que aparece no Mapa Cultural de Aracaju (2026)

✔️ Editais encontrados (via Funcaju / Mapa)

a) Credenciamento anual (principal ativo hoje)

  • Edital nº 003/2026
  • Inscrição aberta o ano inteiro (até 31/12/2026)
  • Cadastro de artistas, técnicos e serviços culturais
  • Inscrição obrigatoriamente pelo Mapa Cultural

👉 Isso é importante:
não é edital de fomento → é banco de prestadores


b) Editais pontuais (eventos)

  • Carnaval 2026 (blocos de rua)
  • Concurso Rei Momo e Rainha
  • Chamamentos rápidos com execução imediata

👉 Todos disponíveis via Mapa Cultural


⚠️ Leitura crítica do Mapa Cultural

O que NÃO aparece:

  • ❌ Nenhum edital robusto identificado como PNAB ciclo 2 (2026)
  • ❌ Nenhum pacote estruturado (ex: fomento, prêmios, manutenção de grupos)
  • ❌ Nenhum calendário público consolidado

👉 Ou seja:
o Mapa está ativo, mas com editais administrativos/eventuais — não estruturantes


📱 2. O que aparece nas redes da Funcaju

A partir do link central (Instagram / Linktree):

  • Divulgação ativa de:
    • Credenciamento anual
    • Editais de carnaval
  • Presença de materiais PNAB:
    • Manual de marcas PNAB
    • Identidade visual

👉 Isso é um detalhe importante:

➡️ PNAB aparece como comunicação institucional
➡️ mas não como editais novos em execução visível


🧩 3. Último edital PNAB identificado (referência real)

  • Edital Cultura Viva (Pontos de Cultura)
  • Publicado em dezembro de 2024
  • Inscrições até janeiro de 2025
  • Cerca de R$ 330 mil

👉 Esse edital pertence claramente ao ciclo 1


📊 🧭 4. Diagnóstico geral (cruzando Mapa + redes)

✔️ Existe movimentação?

Sim, mas concentrada em:

  • credenciamento contínuo
  • eventos (carnaval, programação cultural)

❌ Existe PNAB ciclo 2 visível?

Não, até agora não aparece de forma concreta

Nem:

  • editais novos
  • cronograma
  • chamadas públicas estruturadas

⚠️ 5. Interpretação política e de gestão

O padrão que emerge é claro:

🟡 Situação atual

  • Município recebeu recursos
  • Plataforma (Mapa Cultural) está funcionando
  • Comunicação PNAB existe

🔴 Gargalo

  • Não transformou isso em editais estruturantes ainda

🧠 6. Conclusão direta (sem rodeio)

  • O Mapa Cultural de Aracaju está ativo, mas operando com:
    • credenciamento
    • editais pontuais
  • As redes da Funcaju confirmam isso
  • PNAB ciclo 2 ainda não virou política pública visível na prática

👉 Em termos simples:

Aracaju está habilitada e comunicando,
mas ainda não está executando fortemente o ciclo 2 (publicamente)


 

CARTA ABERTA DE UM CATÓLICO A FREI GILSON. Por: Toninho Kalunga & REDE DE PADRES EXTREMISTAS QUER O CONTROLE DA IGREJA. Por Álvaro Borba

 


"Álvaro Borba e a melhor análise de Frei Gilson e seu projeto político. Atentemos!!!  Prof.º Romero Venâncio (UFS)"

Estimado irmão na fé,

O senhor, Frei Gilson, se dispôs a servir o Reino de Deus por meio do ministério sacerdotal. Essa escolha nasce, em geral, de um ardente desejo de imitar a Cristo e servir, sobretudo, aos pobres.

Não o conheço, nem sei de sua história, mas conheço esse chamado: ele acende uma brasa no peito e, como diz a canção, move-se como uma flecha na alma. É como o primeiro amor. Inesquecível, não é mesmo?

Se me permite um conselho fraterno, diria: vá ao encontro daquele menino e daquele desejo inicial. Talvez o homem que o senhor é hoje precise escutar o adolescente que um dia foi — e, com honestidade, responder a si mesmo: ainda há sintonia entre os sonhos daquele rapaz e a forma como o senhor vive o seu ministério?

Como nos recorda Santo Ambrósio, “a honra do sacerdócio não é para proveito de quem a possui, mas para o serviço daqueles que a contemplam”. Tenho certeza de que o senhor estudou isso. Mas será que compreendeu essa mensagem? E mais: há coerência entre o que o senhor é, e o que um dia pensou em ser?

O sacramento da ordem, meu irmão, não o coloca em um patamar de superioridade ontológica (lembra o que é isso, né?), mas o mergulha na responsabilidade do serviço. Não basta usar o verbo “servir” para compor belas frases.

O Evangelho é categórico: quem deseja ser o maior deve ser aquele que mais serve. Compreender isso — e, mais ainda, viver isso — muda tudo. 

Por isso, o verbo servir precisa estar inseparavelmente ligado ao substantivo serviço. Servir a Deus não é massagear o próprio ego nem buscar status; é deixar o “eu” de lado para dar lugar ao próximo. Se é feito para aparecer, não é serviço — é vaidade.

Não há contradição maior do que um cristão que, durante o dia, diz desejar a salvação do próximo, mas à noite constrói regras para condená-lo ao inferno.

Do poder que corrompe à vaidade que seduz.

Não por acaso, servir é o oposto dialético de mandar. O filósofo Aristóteles advertia, em sua obra "Polítiká", que o poder se corrompe quando deixa de buscar o bem comum e passa a servir aos interesses de quem o exerce.

E aqui não falamos apenas de política institucional ou eleitoral, mas, do poder exercido por homens que utilizam a fé para manipular consciências — e, muitas vezes, a fé do povo — em favor de ideologias travestidas de orientação religiosa.

A que Senhor o senhor serve quando fala mais sobre pecado do que sobre misericórdia? No contexto eclesial, servir sem serviço transforma-se em poder disfarçado.

Santo Agostinho nos lembra, em suas "Confissões", do perigo do “apetite de louvor”. Para ele, o ser humano se perde quando se coloca no centro, acreditando que a glória de Deus é apenas o reflexo do próprio brilho. Isso tem nome: vaidade.

A vaidade, frei Gilson, não grita; ela sussurra em nome de uma suposta “verdade” e se veste de “zelo”. O religioso vaidoso deixa de olhar para Cristo e passa a olhar para o espelho, exigindo admiração sob o pretexto de um discurso de pecado e piedade, piedade e pecado — repetido, insistente, vazio, resultado de muito ego e pouco Cristo.

O clericalismo e o controle do corpo.

Frei Gilson, o Papa Francisco — a quem o senhor parece citar com uma parcimônia que beira o desconforto — diagnosticou o clericalismo como o “câncer da Igreja”. 

O clericalismo é, em última análise, a vaidade institucionalizada. Pior: é a tentativa de controlar o mistério de Deus. Cuidado, meu irmão. A nenhum homem foi dado penetrar plenamente nos desígnios de Deus.

A fé que nasce de Cristo é libertadora. Mas, quando passa a vigiar corpos, julgar aparências e regular o comportamento — especialmente o das mulheres — corre o risco de se tornar instrumento de controle.

Onde deveria haver o bálsamo da misericórdia, instala-se o chicote da norma — e as vítimas, quase sempre, são os mais frágeis.

Falo disso porque algo me inquieta profundamente: quando a fé é reduzida à forma como alguém se veste, sem caridade, escuta e orientação, o que resta é uma distorção do Evangelho. E essa distorção não recai sobre quem é julgado — mas sobre quem julga.

Falo com a humildade de quem reconhece a própria fragilidade. Sou pecador.

Mas há uma lógica perigosa sendo reforçada: a obsessão pelo controle do corpo feminino. A história nos mostra que o moralismo religioso sobre roupas, tatuagens e comportamentos costuma ser o primeiro degrau de uma escada que leva à desumanização.

O senhor já refletiu sobre as consequências disso? Sobre quantas jovens e mulheres se afastam da vida da Igreja e da participação comunitária por causa desse tipo de abordagem?

Muitas chegam à Igreja carregando histórias de dor, desinformação, abandono. A busca delas é por um pouquinho de paz, acolhida e escuta. E o que encontram é apenas julgamento.

Tenho para mim que, nesses casos, o pecado está muito mais no olhar de quem julga do que no coração de quem veste. Quando a religião se torna vigilante do vestuário, ela flerta com uma cultura de posse que, em seus extremos, alimenta a violência — inclusive o feminicídio.

Se o nome de Deus é usado para subjugar a liberdade feminina, não estamos diante de missão, mas da idolatria do patriarcado.

Jesus e o escândalo da misericórdia

Jesus nunca começou pela aparência. Ele acolheu a samaritana, que sequer era vinculada à sua religião. Defendeu uma puta ameaçada de morte por apedrejamento — “prostituta” é um nome mais palatável, não é? — e, curiosamente, não trouxeram o homem que com ela pecava.

Em outro episódio, também com uma mulher "suspeita", Jesus foi convidado para jantar na casa de um homem rico, e ali, surgiu uma mulher que Jesus a acolheu e permitiu que a mesma lhe lavasse os pés com perfumes e bálsamos e os enxugasse com os próprios cabelos.

Enquanto os “puros” de seu tempo viam pecado e impureza, Jesus via dignidade e fé. E mais do que isso: acusavam o próprio Jesus por não reconhecer “quem era aquela mulher” e por se misturar com pecadores.

E olha só que triste, Frei Gilson: é muito fácil imaginar o senhor, nessa cena, ao lado dos doutores da lei e fariseus — não apenas julgando a mulher, mas também questionando o próprio Cristo por acolhê-la.

Mas Jesus respondeu. E respondeu olhando para o fariseu — o religioso julgador das vestimentas e até do provável decote dela — e não para a mulher: “Vês tu esta mulher? […] Os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou.” (Lc 7,30-50).

Ou seja: enquanto o senhor via pecado, Cristo viu amor. Enquanto o senhor julgava, Cristo perdoava. Enquanto o senhor afastava, Cristo acolhia.

Essas respostas de Jesus não lhe inquietam, Frei Gilson?

Santa Teresa d’Ávila dizia: “O Senhor não olha tanto para a grandeza das nossas obras, mas para o amor com que são feitas”. Onde está o amor no julgamento da aparência?

A perseguição e o falso martírio

Tenho acompanhado suas falas, nas quais o senhor interpreta críticas como “sinais de perseguição”, chegando a comparar-se ao próprio Cristo.

Peço-lhe, com caridade: tenha cautela. 

Questionamento não é martírio 

Muitas vezes, é apenas a realidade batendo à porta. Definitivamente, Jesus não foi perseguido por moralismos de sacristia, mas por romper estruturas injustas, colocar o ser humano acima da lei e denunciar a hipocrisia dos que impunham fardos aos outros sem ajudá-los a carregá-los.

Interpretar toda discordância como perseguição é cair no narcisismo espiritual. Comparar-se a Cristo para se blindar de críticas é uma forma de autolatria.

E causa estranheza  seu silêncio diante dos poderosos — como Donald Trump — quando este ataca, covardamente, a figura do Papa Leão XIV e chega ao ponto de se associar à imagem de Cristo, enquanto sua voz se levanta com tanta firmeza para criticar jovens, mulheres e suas escolhas.

Por que o silêncio diante dos poderosos e o grito diante dos pequenos? Isso diz muito sobre sua pregação — e sobre suas escolhas.

O lava-pés como único caminho

Na Última Ceia, Jesus não fez um discurso moralizante. Ele tomou uma bacia e uma toalha. O lava-pés é o antídoto contra a vaidade clerical.

São João da Cruz nos lembra que, ao entardecer da vida, seremos julgados pelo amor. Não pelos seguidores, não pelas visualizações, não pelo rigor das proibições.

A fé verdadeira liberta do medo e da culpa.

Se a sua pregação gera mais medo do que esperança, mais exclusão do que acolhimento, talvez seja hora de voltar ao Cenáculo.

E, se há acolhimento em sua pregação, por que permitir que o medo também fale?

O acolhimento é a parte de Deus em você. A falta dele — talvez seja apenas você mesmo.

Permita-me um último conselho: conserve o que vem de Deus e desapegue-se do que não vem. Abstenha-se daquilo para o qual não foi chamado —  especialmente quando isso fere mais do que edifica.

Que o Espírito Santo lhe conceda o dom da humildade, para que o senhor diminua e Cristo cresça.

Fraternalmente,

Toninho Kalunga

Um irmão na fé

Toninho Kalunga participa da Paróquia Santo Antônio, na Comunidade do Santuário São Luís Orione — o Pequeno Cotolengo Paulista, em Cotia. Também é da Fraternidade Leiga Charles de Foucauld e do Núcleo Nacional da Teologia da Libertação Política e Religião.

"Não é bom colocar muito foco em Frei Gilson com seus equivocos e contradições neste periodo de campanha eleitoral, inclusive em comparação com as palavras dos Papas Francisco e Leão ou com Padre Júlio Lancellotti. Há até influencer de esquerda que afirma "Frei Gilson foi cancelado", mas por quem cara pálida? Por quem nem conhece o Frei e que se conhecesse perceberia o quão distante ele está de um pensamento humanista, inclusivo e democrático."
ZdO - Editor do blog

O contrário do que é feito no vídeo e texto em tela. Nestes dois casos são conteúdos profundos e honestos que lançam luzes sob a figura do Frei, inclusive sobre os impactos nefastos da sua influência sobre um grande número de pessoas vulneráveis , inclusive por causa de uma evangelização no seio de alguns movimentos da igreja ou pelos limites da formação do clero e do laicato.

2 de maio de 1945: o dia em que os nazistas se renderam ao Exército Vermelho

 Queda de Berlim marca vitória decisiva soviética sobre o regime de Hitler e acelera o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.


247 – Em 2 de maio de 1945, as forças nazistas que ainda resistiam em Berlim se renderam ao Exército Vermelho, consolidando a vitória soviética na batalha final da Segunda Guerra Mundial na Europa e precipitando o colapso definitivo do Terceiro Reich. O episódio ocorreu dois dias após o suicídio de Adolf Hitler, em 30 de abril, e simbolizou a derrota militar e política do regime nazista diante do avanço das tropas da União Soviética.

A rendição foi ordenada pelo general alemão Helmuth Weidling, comandante da defesa de Berlim, após semanas de combates intensos e devastadores. Cercada e bombardeada, a capital alemã tornou-se o palco da ofensiva final soviética, iniciada em abril de 1945, com o objetivo estratégico de encerrar a guerra no continente europeu.

A ofensiva soviética e o cerco a Berlim

A chamada Batalha de Berlim foi uma das maiores e mais sangrentas operações militares da história. O Exército Vermelho mobilizou cerca de 2,5 milhões de soldados, além de milhares de tanques, aviões e peças de artilharia, numa ofensiva massiva contra as últimas linhas de defesa alemãs.

O avanço soviético ocorreu em várias frentes, cercando completamente a cidade. A resistência nazista, composta por soldados regulares, membros da SS e até civis mobilizados às pressas, mostrou-se insuficiente diante da superioridade militar soviética.

Os combates urbanos foram particularmente violentos, com batalhas casa a casa, uso intensivo de artilharia e elevado número de baixas de ambos os lados. A população civil também sofreu enormemente, em meio à destruição generalizada da cidade.

O colapso do regime nazista

O suicídio de Adolf Hitler, em 30 de abril de 1945, dentro de seu bunker em Berlim, foi o sinal definitivo do colapso do regime nazista. Sem liderança política e com a estrutura militar em ruínas, a Alemanha nazista entrou em processo acelerado de rendição.

Dois dias depois, em 2 de maio, o general Weidling decidiu encerrar a resistência na capital. A rendição foi formalizada perante os comandantes soviéticos, marcando a tomada completa de Berlim pelo Exército Vermelho.

Esse momento teve enorme significado simbólico: a bandeira soviética já havia sido hasteada no Reichstag, o parlamento alemão, representando a vitória sobre o nazismo no coração do poder alemão.

O papel decisivo da União Soviética

A vitória em Berlim consolidou o papel central da União Soviética na derrota do nazismo. Ao longo da guerra, o front oriental foi responsável pela maior parte das perdas militares alemãs, com batalhas decisivas como Stalingrado e Kursk enfraquecendo irreversivelmente as forças de Hitler.

Estima-se que a União Soviética tenha sofrido cerca de 27 milhões de mortes durante a guerra, entre militares e civis, evidenciando o enorme custo humano de sua participação no conflito.

A tomada de Berlim foi, portanto, não apenas uma vitória militar, mas também o desfecho de um esforço colossal que redefiniu o equilíbrio geopolítico mundial no pós-guerra.

A vitória do Exército Vermelho - O fim da guerra na Europa

Embora a queda de Berlim em 2 de maio de 1945 tenha sido decisiva, a rendição total da Alemanha ocorreu poucos dias depois. Em 7 de maio, representantes alemães assinaram a capitulação em Reims, na França, diante das forças aliadas ocidentais.

A confirmação final da rendição ocorreu em 8 de maio — ou 9 de maio, no horário de Moscou — data celebrada como o Dia da Vitória sobre o nazismo.

A partir desse momento, encerrava-se oficialmente a Segunda Guerra Mundial na Europa, embora o conflito global ainda prosseguisse no Pacífico até a rendição do Japão, em agosto de 1945.

Memória histórica e significado político

O 2 de maio de 1945 permanece como uma das datas mais emblemáticas da história contemporânea. A rendição nazista em Berlim simboliza não apenas o fim de um regime genocida, mas também a vitória sobre uma ideologia baseada no racismo, no expansionismo e na violência extrema.

A memória desse episódio continua relevante em um mundo marcado por disputas geopolíticas e pela necessidade de preservação da verdade histórica diante de tentativas de revisionismo. A centralidade do papel soviético na derrota do nazismo é amplamente reconhecida por historiadores, ainda que muitas vezes minimizada em narrativas ocidentais.

Ao recordar a queda de Berlim e a rendição nazista ao Exército Vermelho, reafirma-se a importância da luta contra o fascismo e da construção de uma ordem internacional baseada na paz, na soberania dos povos e na cooperação entre nações.