sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Olhando o Brasil para a frente com a memória histórica dos anos 1990 até o golpe de 2016

 O Brasil entrou na década de 1990 com um verdadeiro banho de água gelada, a partir da posse do Presidente Collor. 

Isso se considerarmos a ascensão das lutas politicas no decorrer da década de 1980, o que garantiu algumas conquistas importantes, como alguns direitos sociais  e civis inscritos na Constituição de 1988. 

Mesmo que em termos mais práticos, muitos deles foram ampliados e até implementados somente nos anos 2000, com a eleição do Presidente Lula.

As derrotas que sofremos no campo econômico e politico, trouxeram consequências dramáticas para um contingente bastante expressivo da população brasileira naqueles anos. 

Durante o decorrer de mais uma década perdida, os anos 1990, o programa politico e economico conhecido como neoliberalismo começou a provocar ataques avassaladores contra os trabalhadores , inicialmente com Collor e depois com FHC. 

Sendo Collor semelhante a Bolsonaro, este porém uma versão condensada do que pior tivemos de presidentes na década de 1980. O general João Batista Figueiredo e o coronel esclarecido José Sarney. Esclarecido aqui porque escritor e membro da Academia Brasileiro, embora fazendeiro e oligarca..

Com a saída de Collor, e depois de Itamar Franco, um curto periodo de um governo liberal, porém nacionalista até aquilo que poderia ser, assume o sociólogo e professor universitário aposentado Fernando Henrique Cardoso.  Mesmo com àquela frase infeliz em que chamou aposentados de vagabundos.

Eleito por um partido que tinha e tem social democracia no nome, FHC  quase conseguiu completar a obra inicial de construção do estado neoliberal, minimo para os pobres e máximo para os ricos, como vemos no dia de hoje.

Era FHC ou Lula e em duas eleições (1994 e 1998), Lula perdeu a eleição para FHC.

Já na quarta disputa (2002), quando vitorioso, Lula começo pisando em ovos e iniciou seu governo mantendo muita coisa do que foi construído de neoliberalismo por FHC.

Porém, buscou ampliar e implementar muitos dos direitos sociais e civis que estavam inscritos na constituição de 1988, como já afirmamos. 

E também no plano econômico foi buscando reconstruir e ampliar o pouco de estado de bem estar social destruído pelo neoliberalismo, o que só faria e faz sentido com uma presença reguladora do estado na economia, assim como com presença forte por meio de algumas empresas públicas estratégicas ou de economia mista.

Mas aí, eis que os formalmente sociais democratas, mas neoliberais bem assumidos,  resolvem partir para a aliança golpista que deu fim ao governo da presidenta Dilma Roussef, o quarto governo petista do ciclo iniciado por Lula em 2002.

Com isso, favorecem a instalação de um verdadeiro bode na sala, o primeiro foi Collor, o qual o PSDB matreiramente, sorrateiramente,  lhe prestou apoio. Isso foi feito assim, porque no inicio dos anos de 1990 havia um resquicio de social democracia verdadeira no seio do PSDB.

Daí então com essa proposta de termos Alckimin como vice de Lula, temos mais uma vez a presença de nossos sociais democratas falsos, no centro da cena politica.

Isso porque sociais democratas de tradição neoliberal e golpistas, embora Alckimim tenha tido presença discreta nesse imbroglio em que estamos metido, sob o ponto de vista da participação no golpe.

Assim a pergunta que fiz bem lá atrás em redes sociais, quando essa conversa de aliança teve inicio. 

Qual o programa que selará a aliança da esquerda liderada pelo PT com os neoliberais? 

O que, do serviço sujo feito pelo atual governo do Bolsonero poderá ser alterado, conforme esta aliança?

Lembrando no plano dos direitos politicos e civis muito poderá ser retomado, afinal liberais e socialistas concordam em muitas questões neste quesito.

Mas, e no plano social e econômico? Principalmente.

Zezito de Oliveira

Era para ser um textinho, mas virou um textão...

Será também aproveitado para o capitulo sobre conjuntura politica e econômica dos anos 1990, o qual pretendo escrever no segundo volume da trilogia Livro AMABA/Projeto Reculturarte.

Ajudado pelas provocações inteligentes e honestas do jornalista  Breno Altman no facebook e algumas leituras da vida e nos livros...


A COMUNICAÇÃO POPULAR NA ESQUERDA

• Por Zé Guilherme

Sabemos que nós, das esquerdas e os progressistas, erramos muito na comunicação nas últimas décadas.

Tem muitos dos "nossos" dizendo que a gente aprendeu e não vai errar mais. Como assim?, não começamos nem engatinhar na solidariedade de classe em relação aos radiodifusores e emissoras populares.

Temos muito, muito para aprender. As boas emissoras, os bons e as boas comunicadoras populares estão pagando um preço alto por não ter deixado de fazer trabalho de base diariamente e nem por um minuto. Sem solidariedade, não tem "nossa" comunicação, não tem NÓS, vira tudo eu.

Não quero falar de solidariedade, quero pedir duas contribuições solidárias para a comunicação, conto com a sua sensibilidade. "Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons.

Mas há os Chicos Lobo e os Jerrys de Oliveira, militantes que vem lutando durante todas as suas vidas, e estes são imprescindíveis". Uma pequena apropriação de Bertolt Brecht. Entramos no transformador ano de 2022 com os companheiros Chico Lobo e Jerry de Oliveira passando por terríveis e injustificáveis momentos provocados principalmente pela falta de vivência e visão das esquerdas e progressistas em relação a comunicação e em especial, a nossa pouca cultura da prática da solidariedade de classe.

A nossa cultura é mais de abandonar os companheiros da comunicação popular à própria sorte, foi também assim quando a rede globo começou a espalhar que a gente derrubava aviões.

Foram cerca de 10 mil comunicadores populares condenados por causa de fake e por falta de menos de meio quilo de solidariedade. Vira e mexe, desconfio que uma comunicação popular e combativa incomoda muita gente "nossa". Chico Lobo e Jerry estão entre as maiores referências da comunicação popular brasileira e continuam em campo. Ao invés de apoio, estão comendo o pão que o diabo amassou. Desnecessariamente, pois bastam gotas de solidariedade para tornar as coisas mais tranquilas e suaves. E olha que solidariedade não dói, faz bem para a saúde e para a alma de quem acredita.

Jerry de Oliveira sofreu um atentado de bolsonaristas e continua ameaçado de morte desde setembro de 2021. Não faz muito tempo que ele teve um AVC e está com a diabetes batendo mais de 400 de glicose, tem tido uma alimentação precária, além de outros problemas.

A jornalista e radialista Cris Costa, sua companheira de vida e de construção, manutenção e direção da Revolucionária e mais potente emissora popular urbana do país, continua também bastante abalada emocionalmente e tendo que tomar todos os cuidados com a segurança. Mesmo assim tudo é motivo para o avanço da comunicação e da classe trabalhadora.

A Noroeste FM está fazendo do limão uma deliciosa limonada, radicalizou na digitalização e consolidou o seu caráter de rádio planetária e assim, cada dia, os programas, que são sintonizados e várias partes do mundo, agora também podem

ser produzidos em qualquer lugar da comunidade do Boa Vista, de Campinas, São Paulo, do Brasil ou do planeta.

Se for necessário, como fazia a Rádio Favela FM, vira a "Outra FM". Mesmo o Jerry sendo um companheiro de partido, o diretório municipal do PT de Campinas não se manifestou, o diretório estadual não discutiu o assunto e nenhum parlamentar do partido deu apoio ou fez algum pronunciamento até agora.

A história e a luta tem mostrado que quando não temos respaldo dos nossos parceiros e aliados, os adversários e inimigos botam suas asinhas e suas armas de fogo de fora. Não foi por nada que cerca de 10 mil comunicadores populares foram perseguidos pelos nossos governos (Ministério da Comunicação, Anatel e Policia Federal / Ministério da Justiça) e condenados pela INjustiça brasileira, quando o Brasil vivia o show da democracia, entre 2004 e 2014.

Depois do que aconteceu com o Lula a gente tomou mais consciência de como pobre é tratado e da maldade que o Estado brasileiro é capaz de fazer, especialmente com os mais fragilizados.

A situação do Chico Lobo não é menos delicada. A história está muito difícil para os que continuaram caminhando na luta pela comunicação popular. As conquistas tem sido pequenas e as consequências e derrotas são muitas. Coincidentemente e com muita tristeza, no dia 30 de dezembro de 2021, ano difícil para todos, recebi informações desses dois queridos amigos, nacionalmente respeitados e reconhecidos por suas contribuições para a luta. Contribuições essas que os tornaram duas das principais lideranças do movimento das rádios populares, livres e comunitárias, brasileiras, de todos os tempos. Além de serem firmes na política, são craques como radialistas, comunicadores e dominam muitas técnicas da comunicação. No fazer comunicação popular e na firmeza política, eles são militantes para todo mundo tirar o chapéu.

O Chico Lobo é um irmão mais velho da luta e o Jerry, um irmão mais novo. Fomos irmãos e cúmplices nessa vida. Os dois, mesmo com a saúde bastante debilitada e a vida tumultuada, continuam nas trincheiras dos bons combates, trabalhando e esperançosos das esquerdas acordarem para a necessária e precisa luta da comunicação. Eles avançaram e venceram em muitas batalhas, porém muito pouco em ajudar a companheirada ampliar a sensibilidade e solidariedade. É preciso, com urgência, alguém do Partido ou apoiador do Lula oferecer acolhimento e cuidados.

Chico Lobo está sem recursos econômicos, sem aposentadoria, não teve direito à ajuda emergencial, está doente cardíaco infartado, hipertenso, diabético, perdendo a visão e com artrose. Está sem família, filhos ou irmãos. Está só na megalópole de São Paulo. A existência e as circunstâncias dela, deram um nó na vida dele. Complicou e o bicho está pegando. Quem puder contribuir com Chico Lobo (pix 85879398820), mais do que a ele, vai estar ajudando a comunicação popular brasileira. Pois vamos precisar muito dele para esse novo Brasil que queremos reconstruir, a partir de 2023, afinal: Massificar O Fazer Comunicação Popular, É Preciso!

É no tempo presente que pela primeira vez na história, a classe trabalhadora tem os meios de pesquisa, produção, armazenamento e transmissão da comunicação nas suas mãos literalmente. Tudo pode acontecer e o Chico Lobo é mestre dos mestres. Podemos abrir mão dele?

Um pouco do Chico Lobo:

No início dos anos 90, o PT começa a mudar BH, elegeu 9 vereadores e o mandato de Gonçalo de Abreu, articulamos um coletivo para colocar a Rádio Legal 104,5 FM No Ar.. Eu dei a ideia do nome e o genial artista plástico Gilberto de Abreu fez uma bela arte. Era a nossa contribuição para o movimento em BH, em Minas e no Brasil. Para essa empreitada, fomos beber na fonte, pegar as manhas e consegui o transmissor com o companheiro Chico Lobo.

Meados dos anos 90, o então rebelde cantor Lobão, quis apoiar o movimento de rádios livres e comunitárias, ele deu uma grande contribuição, naquela época foi o artista que mais se envolveu com o movimento. Para pegar as manhas, conseguir os contatos e articular com as Rádios, Lobão foi beber na fonte com o companheiro Chico Lobo.

No final dos anos 90, o cineasta Helvécio Ratton foi fazer o filme "Um Onda No Ar", inspirado na Rádio Favela de BH. No mundo, essa ficção é uma das principais produções cinematográficas que aborda a luta das emissoras populares. Nela, sou representado pelo personagem João, o advogado. Ratton foi beber na fonte, pegar as manhas e conseguir detalhes sobre o movimento, nos anos 80 e inícios dos 90, com o companheiro Chico Lobo.

Pouca gente sabe que ele instalou mais de 200 rádios livres e comunitárias por todo o Brasil, deu mais de 80 cursos de produção radiofônica, militou no MST implantando rádios em assentamentos em 5 estados, ensinou o uso de equipamentos de radio-segurança para os camaradas do MST, escreveu duas apostilas completas sobre radiodifusão comunitária. Viajou por todos os sertões do Brasil ensinando companheiros do PT a fazer suas campanhas de rádio no horário eleitoral gratuito. Prestou um serviço enorme à Secretaria Nacional de

Comunicações do PT ao lado de Gilberto de Carvalho e Chico Macena. Perdeu-se a conta de quantos cursos Chico Lobo deu para a companheirada da CUT em sindicatos. Foi pego 3 vezes pela Polícia Federal quando ajudava a companheirada a fazer rádio nas comunidades. Tudo, voluntariamente a troco de passagem, comida e cama, algumas vezes como eu fazia, ia só com a passagem de ida, a de volta a gente via depois. Estou acabando de escrever um longo artigo que está virando a base de um livro: "Eu e a comunicação, em tempos que o imperialismo determinou nossas vidas". MASSIFICAR O FAZER COMUNICAÇÃO POPULAR, É PRECISO! Estou tentando fazer uma cuidadosa reflexão sobre nossas práticas, ou melhor, a não prática da disputa da comunicação desde os anos 80. Com as falas do jornalista e escritor Fernando Morais, o ex-deputado e ex-prefeito de BH, Dr, Célio de Castro e o senador João Calmon, e outros conteúdos, demonstro que os veículos de imprensa hegemônicos, são mais instrumentos de guerra do imperialismo, do que do que propriamente empresa de comunicação. Abordo o fato de que foi sob os comandos dos "nossos" ministros da Justiça e o "nosso" presidente da Anatel que, injustamente perseguiram e fecharam milhares de emissoras populares e provocaram a condenação de outros milhares de comunicadores populares. Ações que impediram o florescer da maior experiência popular de comunicação dos últimos 40 anos.

Também falo do aborto criminoso realizado pelo ministério da Cultura sob o comando das "nossas" Ana de Holanda e Marta Suplicy em relação os Pontos de Cultura, quando transformaram o Cultura Viva em Cultura Morta. Os Pontos de Culturas foram o segundo maior movimento popular de disputa da comunicação nos últimos 40 anos. Ponto de Cultura com Rádio Comunitária, se transformam em da Cultura de Ponta. Já que a comunicação vem sendo usada para desconstruir o Brasil e impedi-lo de avançar e se encontrar, vai ser ela, a comunicação, um pilar para a construção do autodesenvolvimento e integração nacional. Apresentamos as primeiras ideias do SUC - Sistema Único de Comunicação.

Sou da legendária Rádio Educativa Favela FM de BH desde 1996. Nesses 25 anos que acompanho a Rádio, ouvi muitas e variadas críticas vindas do nosso campo, quase nenhuma solidariedade nos muitos momentos de dificuldade e agressão sofrida. Raros foram os elogios, mesmo ela tendo um importante longa metragem - Uma Onda No Ar, de Helvécio Ratton, retratando sua história, a Favela FM sendo uma das maiores conquistas mundiais da radiodifusão popular, a 106,7 FM, a AUTÊNTICA Popular da Grande BH poder ser sintonizada com qualidade em mais de 20 municípios e estar entre as dez de maior audiências. E ainda, até hoje não ter vacilado quando teve que tomar posição de classe e/ou de raça.

O mais incrível é que, mesmo eu ter assumido como secretário de comunicação do PT BH, na primeira gestão do PT na cidade, ter integrado a Coordenação do Setorial de Radiodifusão Comunitária do PT Nacional e o Misael ter sido um dos primeiros filiados do PT de BH, nunca deixaram o Lula conhecer a Rádio ou até mesmo dar uma entrevista por telefone.

Dilma nos deu hora da sua visita. Ela foi por conta própria, por indelicadeza política, nenhum político, assessor ou militante com atuação em Minas acompanhou a presidenta. Era uma boa oportunidade, a Favela FM fica no maior aglomerado de vilas e favelas de Belo Horizonte.

Será que perguntaram a Dilma como foi lá. O que mais me impressiona, foi testemunhar que nestas mais de duas décadas, quase nunca visto alguém "nosso" chamar o povo da Rádio ou mesmo o Misael para conversar. Especialmente conversar política. Nem mesmos as e os compas dos gloriosos movimentos sociais, sindicais e parlamentares "nossos" que fazem programa na Rádio há alguns anos. A relação vai muito pouco além de veicular programas.

Em 2.000, estive presidente da ABRAÇO Minas - Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária MG. De 2003 até 2007, estive Coordenador de Comunicação e Cultura da ABRAÇO Nacional e Secretário Geral do FNDC, Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação, quando construímos a Rede ABRAÇO de Rádios, Casa Macunaíma, Quilombos Midiáticos e muita luta.

O Brasil é o país no mundo que instalou mais emissoras populares em pouco espaço de tempo, foram cerca de 20 mil em menos de 10 anos. O represamento político era muito grande, com certeza, mas a ousadia do movimento força foi maior ainda.

No auge da minha militância, em abril de 2007, três meses do segundo mandato do Lula e o Brasil estando vivendo um dos mais intensos períodos de democracia formal, percebi com muita clareza que não iríamos avançar na democratização dos meios de comunicação, que não teríamos políticas públicas de universalização da digitalização e muito menos para radiodifusão popular. Infelizmente, hoje a gente vê e sente que é o que acabou acontecendo. Como não ia avançar, me distanciei radicalmente e fui tentar aprofundar ser pai, marido e avô.

Agora os filhos estão criados e a Carmen aposentou, faz uns três anos que estou devagar voltando organicamente para o movimento da comunicação popular. É com tristeza que vejo a situação de calamidade da nossa companheirada. A situação está pior que antes de 2002. É uma vergonha para as esquerdas e os progressistas deste país. Fico a me perguntando, como a direita e a extrema direita tratam os seus veículos e os seus bons ativistas da comunicação?



quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Relendo o natal e a festa dos reis magos para o nosso tempo

 



Sem perder a ligação com as fontes..



SANTOS MAGOS, ORIENTAI-NOS!
Chico Alencar

Janeiro, dia 6, é Dia dos Santos Reis. Magos, não reis: sábios do Oriente, da África, berço da Humanidade. Que, driblando Herodes, o infanticida, seguiram a Estrela de Belém para visitar a Eterna Criança. Fizeram o que era seu dever: recusar o poder que mata.

Há Herodes contemporâneos, mas há também aquele(a)s que buscam a sabedoria milenar do Oriente. Hoje as Folias, linda tradição popular brasileira, encerram suas caminhadas natalinas. O que restou? A esperança de um Ano Bom, livrando-nos dos pequenos e grandes males - por mais que os saibamos inevitáveis (alguns deles).

Imaginemos que a "mirra" - essência vegetal usada para evitar dores e sangramentos - é o ensinamento de saber viver sem ansiedade e pressa. Saber saborear, mastigar bastante antes de ingerir. Tem gente de elevado poder (político e aquisitivo) que não consegue fazer isso, quer devorar tudo que está à sua frente. É a sofreguidão ocidental, triste "alma dos negócios".

Pensemos o "ouro" - o valor fundamental da vida - não como a riqueza material, a ostentaçõa de mansões, jet skis e carrões, mas a percepção do outro como meu semelhante, meu igual, portador de direitos. A capacidade sentir sua aflição e doar, compartilhar.

Consideremos o "incenso" como nossa possibilidade de ver o invisível, o universo num grão de areia, a sinfonia mais perfeita no canto dos pássaros, no barulho das ondas do mar ou da corredeira de um rio, e não no ronco do motor frenético das pessoas alucinadas pelo "time is money".

Que a magia dos magos do Oriente nos ensine, inspire, transforme!

(Presentes solidários - desenho infantil africano) 





Coloque os 🎧 e receba  as bênçãos dos Santos Reis  inauguramos a jornada do Peneirando, o podcast das culturas populares.🌱🎙️ 🌎

 E nesse programa de estreia as histórias do talentoso músico sergipano André Luis que "pegou o trajeto inverso do Rio São Francisco" e foi parar dentro da Folia de Reis no sul de Minas Gerais.  Mas o papo tem muitas  outras coisas boas como a necessária reconexões com a natureza e a potência que é resistir nos dias de hoje  através da música e da alegria. Inspirado em matrizes sonoras como a música de Dércio Marques e o Movimento Armorial,  André Luis tem uma musicalidade diversa e fértil como um  Brasil que necessita ser redescoberto. 

#musicapopularbrasileira #foliadereis #musicasergipana #identidades #culturaspopulares 


Leia também:

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Da Campanha da Fraternidade 2022 ao Pacto Educativo Global


 A igreja no Brasil tem uma cabeça progressista, o Papa Francisco, e corpo conservador, a formação dos seminaristas, maioria dos padres e dos bispos nomeados por João Paulo II e Bento XVI, assim bem disse Frei Betto, em uma das lives que estão disponíveis no endereço abaixo.

Nas primeiras leituras que tenho lido sobre a Campanha da Fraternidade de 2022, isso fica perceptível pelos argumentos iniciais apresentados abaixo. Baseio no primeiro material que li , destinados aos jovens , ainda farei a leitura do texto base, mas já dei uma primeira olhada. 

A primeira vista estranho o pouco espaço dado ao conceito de educação popular, o qual teve em agentes pastorais, educadores e intelectuais católicos, um dos seus  principais atores  de formulação de práxis, reflexão a partir da prática e com nova intervenção na realidade a partir disso..

Só para ficar em dois exemplos, podemos citar o Movimento de Educação de Base (MEB) e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Com relação ao primeiro, a arquidiocese de Aracaju teve papel importante no nascimento, crescimento e sofreu duramente a perseguição provocada pelos militares que tomaram o poder em 1964.

Sobre o MEB, pode-se consultar o link abaixo:

https://acaoculturalse.blogspot.com/2020/04/cinquenta-anos-sem-dom-tavora.html

Outro aspecto que me chamou a atenção é o pouquíssimo destaque no primeiro livreto que li, o subsidio destinado a juventude, ao programa Scholas Ocurrentes  ( Escola de Encontros ou Escola de Vizinhos) e ao Pacto Educativo Global proposto pelo Papa Francisco.

Sobre o Programa Scholas Ocurrentes, pode-se consultar o link abaixo:

https://acaoculturalse.blogspot.com/2018/12/relato-sobre-visita-de-celio-turino.html

Sobre o Pacto Educativo Global

https://anec.org.br/acao/pacto-educativo-global/?fbclid=IwAR1R4rVXgN8Iaa35KeAWWcrlBaql_734ZaZsm1iVgneFDTW3PIdl-L629Gs

    Seminário Nacional Campanha da Fraternidade 
2022 - 1º Dia

https://www.youtube.com/watch?v=TNk_SZY3d3Q


APRESENTAÇÃO DO TEXTO-BASE DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2022

https://www.youtube.com/watch?v=ZFnKgBPmZGE

Especial - CNBB lança texto-base para Campanha da Fraternidade 2022

https://www.youtube.com/watch?v=8fG3xlgn_7U



Hino oficial da Campanha da Fraternidade 2022!

https://www.youtube.com/watch?v=ZWX7Iad3fGA






Cartazes das Campanhas da Fraternidade que teve a educação como tema - 1982 e 1998.  

Estaremos fazendo um estudo comparativo das três campanhas com base nos eixos memória histórica da educação popular e busca de engajamento dos católicos em uma práxis libertadora, consoante o contexto eclesial CNBB  e Vaticano em cada periodo das campanhas anteriores. 
Conseguimos encontrar o texto base da campanha da fraternidade de 1998, mas não encontramos o texto base da campanha da fraternidade de 1982. Solicito a quem tiver e puder nos enviar, via cópia xerox ou PDF fico agradecido e ressarcirei as despesas. 

Em parceria com o canal Não é Heresia no Youtube,   estaremos realizando em março ou abril um seminário virtual  linkando iniciativas de educação popular e cultura de base comunitária, realizadas no Brasil ontem e hoje,   com a proposta do Pacto Educativo Global proposto pelo Papa Francisco...

Zezito de Oliveira



VENHA, POVO DE DEUS, CELEBRAR - CANTO DE ABERTURA - FAIXA 1 CF 1998 



 

Gratidão e reconhecimento a quem nos antecedeu, aos companheiros no tempo e aos que virão.

Erasmo Carlos - Geração do Meio

https://www.youtube.com/watch?v=0wvOQudaO5w

Versão original da canção..

https://www.youtube.com/watch?v=SgP5v7YdBBE

Nasci nos anos de 1960 e comecei a tomar consciência das coisas do mundo e da vida, a partir do final dos anos de 1970.

A partir de 1980 comecei a querer ter voz ativa, participar, ajudar a transformar este mundo em festa, trabalho e pão. Como afirma o genial Capinam.

Para isso, foi muito importante as leituras, as canções, os filmes e outras iniciativas realizadas por pessoas das gerações pós guerra. A partir de 1950 em diante.

Trago um pouco de como isso teve impacto na minha vida, no livro AMABA: O esquecido circulo de cultura da Aracaju dos anos de 1980. https://www.facebook.com/Livro-AMABAProjeto-Reculturarte...

Também trago abaixo, canções compostas por artistas das gerações que nos antecede, agradecendo e reconhecendo a importante contribuição que deram para quem veio depois e que pegou o bastão dos viramundos.

Também acrescento a canção Viramundo de Gil e Capinam.

Taiguara - Geração 70

https://www.youtube.com/watch?v=jYDi2K4e3VGilberto

Gilberto Gil e José Carlos Capinam - Viramundo

https://www.youtube.com/watch?v=ST9QRk8MpJM

Erasmo Carlos - Geração do Meio

Erasmo Carlos - Geração do Meio

Essa geração do meio

Que se amamentou no seio da vida

É a mais comprometida

Que foram inventar

Juventude transviada

Desde o início, assim por todos, chamada

Preconceitos nesse mar

Nadando pra ver, viver

Além de ser tão rebelde, tão romântica

Herói, foi tão ingênua

Sabíamos da bomba, mesmo assim

Com muito amor fizemos filhos

Que a vida continua

Fora a sensação de culpa por não protegermos nossos pais

Louvados os nossos que se foram

Lá em cima, estão torcendo por nós

Vamos perseguindo a paz

Com fé na razão de ser da nossa missão

Tão rebelde, tão romântica

Herói, foi tão ingênua

Sabíamos da bomba, mesmo assim

Com muito amor fizemos filhos

Que a vida continua

Fora a sensação de culpa por não protegermos nossos pais

Louvados os nossos que se foram

Lá em cima, estão torcendo por nós

Vamos perseguindo a paz

Com fé na razão de ser da nossa missão


Viramundo

Sou viramundo virado

Nas rondas da maravilha

Cortando a faca e facão

Os desatinos da vida

Gritando para assustar

A coragem da inimiga

Pulando pra não ser preso

Pelas cadeias da intriga

Prefiro ter toda a vida

A vida como inimiga

A ter na morte da vida

Minha sorte decidida

Sou viramundo virado

Pelo mundo do sertão

Mas inda viro este mundo

Em festa, trabalho e pão

Virado será o mundo

E viramundo verão

O virador deste mundo

Astuto, mau e ladrão

Ser virado pelo mundo

Que virou com certidão

Ainda viro este mundo

Em festa, trabalho e pão

Fonte: LyricFind

Compositores: Gilberto Gil / Jose Carlos Capinan


sábado, 1 de janeiro de 2022

Frei Betto em quatro momentos neste final de 2021

Vamos nos embriagar de Frei Betto? Pode vir acompanhado de bom vinho, entremeado, ou depois, com boas leituras, boas comidas, boas canções, bons filmes e boas companhias... Logo, não tem como não ser feliz o ano todo....

Frei Betto é uma das melhores pessoas que temos neste país.  Está a altura de um Lula, de um Dom Hélder, de um Darcy Ribeiro, de um Paulo Freire e tantos outros, vivos e mortos.

É um sábio, de inteligência e raciocinio perspicaz e bastante comprometido com o Brasil, os brasileiros mais pobres e com a humanidade. 

Entrevista com Frei Betto - 'Vanguarda popular deve ser protagonista da história'   

 https://www.youtube.com/watch?v=z7ixTKETEjI&t=2477s



FREI BETTO | Papo Astral com Marcelo Gleiser





Prerrogativas - Os significados da festa de Natal, com Frei Betto





ENTREVISTANDO FREI BETTO: O PT DEVE UMA AUTOCRÍTICA?




Frei Betto aqui no blog



Filho de uma tradicional família mineira, com mãe católica e pai avesso aos homens de batina, Frei Betto teve uma infância e adolescência agitadas em Belo Horizonte na década de 60. Com um primo, se fantasiava de Zorro para entrar na casa dos amigos à noite e assustar as “vítimas”. A dupla fazia dublagens de artistas como Elvis Presley e Maurice Chevalier e chegaram a marcar uma apresentação na TV Italocomi, da qual Frei Betto desistiu. Sua carreira artística não decolou, mas a paixão pelos livros já era latente e o talento para escrever, também. Foi na mudança para um colégio público, onde estudava à noite e com colegas de várias classes sociais, que Betto começou a mudar. Logo depois, conheceu e entrou para a Juventude Estudantil Católica e percebeu que tinha uma vocação: a religiosa.

Lançamentos internacionais

O livro foi finalista do Prêmio Jabuti 2017 e lançado em Cuba durante a Feira Internacional do Livro, pela Editora José Martí. Em 2020, a biografia será lançada no Reino Unido pela Sussex Academic Press.

Os dois autores revelam detalhes da vida e da obra de Frei Betto, passando por momentos-chave como a descoberta de sua vocação, a militância na educação e na Igreja e o engajamento na luta contra a ditadura militar no Brasil, a partir de 1964. Sua resistência lhe rendeu uma prisão, mas também um dos seus principais livros: “Batismo de sangue”, em que conta a participação dos frades dominicanos do Convento das Perdizes na Aliança Libertadora Nacional e na captura e morte de seu principal líder, Carlos Marighela.

Temas polêmicos

Os autores fizeram longas entrevistas com Frei Betto para o livro e não deixaram temas polêmicos de fora da obra, como o fato do biografado não ter sofrido tortura na prisão por ser sobrinho de um general que tinha ligações com os militares no poder. A controversa saída de Frei Betto do governo Lula, registrada no livro “A mosca azul”, e as críticas que recebeu dos petistas por isso também estão registradas. Os autores mostram como Frei Betto mantinha relações com vários setores da sociedade e também circulava com desenvoltura e tinha bom diálogo com pessoas de classes sociais diferentes.

O livro traz a sua participação na Teologia da Libertação, corrente mais progressista da Igreja Católica, e sua atuação nas greves do ABC paulista, onde estreitou a amizade com Lula, na criação do Partido dos Trabalhadores e nas campanhas petistas à Presidência da República. Revela também seus hábitos simples, sua carreira literária e a sedução que exerce sobre as mulheres. Para Frei Betto, que, segundo a obra, já experimentou o Santo Daime e se consultou com cartomantes, o celibato proporciona a liberdade de poder ter várias amigas, sem o compromisso de um casamento.

Ajuda aos amigos

A sua vocação para ajudar os amigos e pessoas em dificuldades materiais ou espirituais é uma característica ressaltada na biografia de Frei Betto. Na doença e na morte de Tancredo Neves, por exemplo, Betto era uma presença frequente no hospital e, por ordem de dona Risoleta Neves, viajou no avião que levava o corpo do então presidente para Minas – mesmo com a contrariedade da cúpula militar, recém-saída da ditadura, da qual Frei Betto era considerado um dos inimigos. Muito próximo à família Buarque de Hollanda, batizou uma das filhas de Chico Buarque, Helena, a pedido da própria, com a qual manteve longas conversas sobre religião.

Fidel Castro

Também foi a religião que o aproximou definitivamente de Fidel Castro, que escreveu o prefácio desta biografia. O brasileiro é autor de um dos maiores best-sellers da história editorial cubana, “Fidel e a religião: conversas com Frei Betto”, no qual o ex-presidente de Cuba afirma, para surpresa dos compatriotas, a necessidade de união entre cristãos e comunistas. Frei Betto acompanhou a visita de dois Papas católicos a Cuba e é uma espécie de consultor e traço de união da Ilha com Roma.

Com depoimentos de escritores, como Luiz Ruffato e Raduan Nassar, e personalidades como o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel e o arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, “Frei Betto – Biografia” revela o significado histórico da vida e do trabalho desse personagem que fez da religião, da política, da literatura e da militância instrumentos para a criação de uma sociedade democrática e plural, que possa acolher todos os cidadãos e diminuir as desigualdades sociais no mundo.

Depoimentos para o livro

“Frei Betto é um dos homens mais inteligentes que conheço. Tem qualidades mui­to próprias: consegue defender suas posições com convicção e determinação ao lado de uma enorme capacidade de reunir pessoas, mundos, projetos diferentes.”  – Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo.  

“Uma amizade construída faz anos por antípodas: Frei Betto com seu fervor re­ligioso e um desprovido de fé. A diferença em nada impediu o afeto e a conver­gência do nosso modo de perceber o desvairado mundo que está aí, cabendo ao ativo dominicano uma inquietude no que escreve. Acompanho de perto sua opção pelos pobres, os humilhados e ofendidos, que clamam por justiça e solidariedade, causas a que Frei Betto tem dedicado sua vida.”  – Raduan Nassar, escritor  

“Frei Betto é alma comovente de integridade e entrega à sua convicção. É um apoio à resistência, pela salvação da alma, em meio à emergência da vida comum. Ele é a memória de que, na mesa de jantar, no almoço entre amigos, no plantio do umbigo da minha filha no jardim de rosas da Pampulha, no meu casamento com o Nando, no grupo de oração, na luta pela democracia e justiça, no trabalho e na arte, estamos a serviço do Sagrado em cada gesto singelo do cotidiano. Ele é compromisso com a verdade, com a integridade, com o Amor.”  – Letícia Sabatella, atriz

“Frei Betto é muito fraterno, muito amigo, uma pessoa com quem você pode con­tar na dificuldade. Não é à toa que ele é frei. Várias vezes eu chamei Frei Betto não para resolver problemas meus, pessoais, mas para ajudar pessoas que pre­cisavam, que estavam passando por algum aperto existencial ou religioso. E ele foi sempre solícito, generoso. Não me lembro de o Frei Betto dizer não. Sempre disponível e sempre de bom humor. Ele tem prazer em ser solidário.”  – Chico Buarque, compositor e escritor

“Frei Betto é um dos profetas de nosso tempo que nos faz sonhar com um mundo melhor e transformar esse sonho em realidade.” – Adolfo Perez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz

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