quinta-feira, 10 de setembro de 2026

🎵 (1) Música e Realidade: O que "Malandragem" tem a ver com a política de hoje? Por Zezito de Oliveira

 Diariamente uma canção que nos permita refletir com memória afetiva- musical sobre estes tempos dificeis e conturbados, já que  "arte existe porque a vida não basta" (Ferreira Gullar)

A Polícia Federal investiga o desvio de dinheiro público por meio de emendas parlamentares para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, esquema que envolve o envio de quase R$ 63 milhões para contas nos Estados Unidos. O caso gerou uma briga feia no STF quando o ministro André Mendonça tentou afastar o chefe da PF para frear as investigações, uma manobra que foi anulada pelo ministro Flávio Dino para impedir a blindagem dos envolvidos. Essa confusão da vida real reflete a "malandragem" cantada por Cássia Eller e Cazuza, mostrando que o povo precisa de sabedoria para abrir os olhos e não ser enganado pelas armadilhas do poder.

Na famosa música "Malandragem", gravada por Cássia Eller, a letra fala sobre uma "garotinha" inocente que pede a Deus um pouco de malícia para conseguir viver em um mundo difícil.

Hoje em dia, quando olhamos para a política brasileira, o pedido muda de lado: o que nós precisamos pedir a Deus é sabedoria para o povo não ser enganado por políticos espertos e poderosos. 
🎸 O Toque de Cazuza e Cássia Eller na Crítica Social
Essa música não nasceu por acaso. Ela foi composta por Cazuza e Frejat em 1988. Cazuza sempre foi um mestre em retratar a política e a sociedade sem filtros. Em outras canções dele, como "Brasil" ("Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim") e "Burguesia", ele já denunciava a elite que comete crimes de terno e gravata enquanto o povo paga a conta. [1]
Curiosamente, "Malandragem" foi escrita originalmente para Angela Ro Ro. Ela recusou porque achou que a letra não combinava com ela. Anos depois, Cássia Eller — com sua voz visceral e postura rebelde — transformou a música em um hino de sobrevivência urbana. Quando Cássia canta o refrão pedindo malandragem, ela expõe como o cidadão comum se sente vulnerável diante de um sistema cheio de armadilhas. No Brasil de hoje, a "malandragem" saiu das ruas e se instalou no topo das instituições. 

Dois fatos recentes mostram bem essa "malandragem" institucional na vida real:
🎬 1. O rolo do filme "Dark Horse"
A Polícia Federal (PF) descobriu uma confusão daquelas envolvendo o filme Dark Horse, uma cinebiografia que conta a história de Jair Bolsonaro. Duas coisas graves vieram à tona: 
  • Dinheiro público desviado: A PF fez uma grande operação chamada Make Up. A suspeita é de que deputados aliados (como Mario Frias) usaram dinheiro de emendas parlamentares — que deveriam ir para a saúde ou educação — para financiar o filme através de ONGs parceiras. [
  • Malas de dinheiro e contas nos EUA: Um empresário que virou delator contou à justiça que mandou quase R$ 63 milhões para o fundo Havengate nos Estados Unidos, que tem ligação direta com Eduardo Bolsonaro. A polícia investiga se esse dinheirão, que veio de um banqueiro investigado, serviu para pagar o filme ou para bancar a vida de luxo de Eduardo no exterior. 
⚖️ 2. O ministro André Mendonça "mal na foto" e a briga no STF
Tudo ficou ainda mais tenso no Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do ministro André Mendonça, que foi indicado ao cargo por Bolsonaro. 
No meio de toda essa investigação contra os aliados do ex-presidente, Mendonça tomou uma decisão muito polêmica: ele mandou afastar o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. [1]
  • O motivo do desgaste: A atitude do ministro pegou muito mal. Especialistas e opositores disseram que Mendonça usou o cargo para tentar dar uma "blindada" nos amigos, tentando parar a polícia bem na hora em que as investigações do caso Dark Horse avançavam. 
  • A reação de Flávio Dino: Logo na manhã seguinte, o ministro Flávio Dino interveio imediatamente. Ele anulou a ordem de Mendonça e mandou o chefe da PF voltar ao cargo de forma urgente. Dino deixou claro que o afastamento prejudicava investigações graves sobre corrupção. 
  • A decisão de Fachin: Com a briga esquentando no tribunal, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, entrou em cena logo depois. Para acalmar os ânimos, ele suspendeu provisoriamente tanto a ordem de Mendonça quanto a de Dino, deixando a decisão final para o plenário, onde todos os ministros do STF vão votar juntos. 

Como diz o final da música de Cássia Eller: "Quem sabe a vida é não sonhar". Deixar de sonhar, nesse caso, significa abrir os olhos, ver a realidade como ela é e não se deixar enganar pelas histórias que os políticos de extrema direita contam por aí com a cobertura dos algoritimos e da chamada grande imprensa. 
Para saber mais porém sem precisar ficar fazendo papel de otário, recomendamos os programas do ICL, aqui. Outras Palavras,  Revista Fórum, GGN, TV 247, Portal do José e etc...
Com suporte da IA Gemini

Mendonça, o caos no STF e o ator invisível

Ao submeter o tribunal ao frenesi das redes e algorítmos, ministro quis torná-lo impotente e ridículo. Há um claro ganhador: as big techs, que agem para controlar o espaço público brasileiro e querem eliminar qualquer resistência a seu projeto

https://outraspalavras.net/crise-brasileira/mendonca-caos-no-stf-e-o-ator-invisivel/


Hoje, Ferreira Gullar faria aniversário.
Silvio Tendler registrou sua poesia, sua luta e sua história no documentário “Ferreira Gullar – Arqueologia do Poeta” e na série “Há Muitas Noites na Noite”.
“A arte existe porque a vida não basta.”
Assista no canal Caliban Produções no YouTube. Link na bio.



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