Rick Azevedo gravou vídeo indignado sobre matéria do jornal paulistano: "Estão chamando o trabalhador brasileiro de preguiçoso"; Gleisi Hoffmann também se manifestou a respeito do texto
Por: Glauco Faria - Publicado: 22/02/2026 - às 19h24
Atualizado: 22/02/2026 - às 19h26
Ato pelo fim da escala 6×1
Manifestação pelo fim da escala 6x1 - (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e uma das lideranças da mobilização pelo fim da escala 6×1, o vereador carioca Rick Azevedo (PSOL) se manifestou nas redes sociais em relação a uma matéria do jornal Folha de S. Paulo publicada neste domingo (22).
Intitulado “Brasileiro trabalha menos que a média mundial; veja rankings”, o texto afirma que o “país ocupa posições inferiores em classificações de esforço dadas a produtividade e a demografia de dezenas de nações”. A base é um levantamento realizado a partir de um novo banco de dados global de horas trabalhadas organizado pelos economistas Amory Gethin, do Banco Mundial, e Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).
“Meus amigos, isso aqui é o ápice da falta de caráter. É simplesmente a Folha de São Paulo chamando você, trabalhador e trabalhadora, de preguiçosos. Na prática, essa matéria ridícula tá chamando o povo brasileiro, a classe trabalhadora que sustenta este país no lombo, de preguiçosos”, disse Azevedo.
Em seguida, o parlamentar aponta que jornal teria como objetivo “apavorar o povo porque o povo não aguenta mais trabalhar seis dias consecutivos para folgar apenas um e sustentar essa burguesia da Folha de São Paulo, essa burguesia do Brasil que vive muito bem, obrigado, às custas da exploração do povo brasileiro. Matéria fantasiosa, dados fantasiosos, ignorando a desigualdade do Brasil.”
Gleisi, Jabbour e Rizek falam sobre escala 6×1
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann foi às redes sociais falar sobre a pauta. “A campanha da Folha contra o fim da escala 6×1 chegou ao extremo de tachar como preguiçosos os trabalhadores brasileiros na manchete deste domingo. Se for mesmo verdadeiro que o tempo médio de trabalho no país seria de 40,1 horas por semana, como diz estudo citado pelo jornal, qual seria o problema de reduzir na lei a jornada de 44 para 40 horas semanais?”, questiona.
“Mas o fato é que esta não é a realidade para milhões. Reservar pelo menos dois dias por semana para cuidar da família e da própria vida é um direito que a Folha não quer reconhecer e ainda por cima tenta estigmatizar como preguiça. É o mesmo preconceito dos que foram contra a abolição do trabalho escravo dois séculos atrás”, pontua.
Quem também se manifestou sobre a matéria foi o geógrafo Elias Jabbour. “Eu não vou entrar aqui na métrica que eles usaram, não vou entrar aqui na metodologia que eles colocaram, porque é muito complicado colocar de um lado a Noruega, de outro um país ultra pobre da África, da América Latina, e daí exprimir uma média mundial. Acho que isso é um desserviço à ciência, inclusive”, pondera.
“A questão é: para que serve uma matéria dessa, com esse conteúdo, em meio à batalha em que a classe trabalhadora brasileira somente exige descanso? Cheira muito a matéria paga, como as pessoas colocam”, diz. “O que mais incomoda nesse tipo de matéria não é somente o fato da insensibilidade. Não é isso não. É não se colocar diante de uma realidade em que o mundo caminha para jornadas de trabalhos menores.”
“Claro… É fácil ver essa manchete e dizer que, então, não precisa do fim da escala 6 x 1. Mas… os líderes do ranking de horas trabalhadas são Butão, Sudão e Emirados Árabes. Exemplos? Não creio”, observou o jornalista esportivo André Rizek. “Brasil (40 horas por semana) está beeeeem na frente em horas trabalhadas de Estados Unidos, Japão (35,5), Itália, França, Dinamarca, Noruega (27,8), Holanda (27,6). A manchete pode sugerir que ‘bom’ é ser como o Sudão! Eu prefiro perseguir o desenvolvimento e a qualidade de vida do Japão, da Noruega e Holanda”, disse.
Rizek completou em outra postagem. “Isso sem falar, é claro, do número de horas que o(a) trabalhador(a) brasileiro leva nas grandes cidades (uma eternidade!) pra chegar e sair do trabalho.”

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