Neste domingo, Lula e Flávio Bolsonaro receberam reforços de naturezas opostas: o primeiro, de jovens nas ruas; o segundo, de decisões de ministros do TSE que escancararam suspeitas de dois pesos e duas medidas. Na avenida Paulista, a juventude roubou a cena — e o comando político. Coletivos, estudantes e militantes organizaram o que os registros visuais apontam provavelmente como o maior ato eleitoral de São Paulo em 2026 (não houve contagem de institutos). Cansados dos erros da campanha, jovens decidiram puxar as rédeas de mobilizações contra o retorno de um projeto autoritário ligado à tentativa de golpe.
Enquanto Lula ganhava oxigênio no asfalto, Flávio encontrava socorro nos gabinetes. Kassio Nunes Marques mandou censurar o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, atropelando um procedimento já conduzido pelo corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva. A ordem foi revertida horas depois, mas o constrangimento institucional permaneceu. O episódio soma-se à suspensão de julgamentos quando Flávio enfrentava maioria desfavorável.
André Mendonça, por sua vez, deu apenas três horas para a campanha petista retirar centenas de anúncios em redes sociais sobre riscos a políticas sociais representados por Flávio O argumento de combater propaganda negativa virou, na prática, um freio ao debate eleitoral.
O contraste é eloquente: nas ruas, jovens tentam salvar a política; nos tribunais, decisões favoráveis a Flávio alimentam a desconfiança sobre a imparcialidade do árbitro. Na Paulista, a juventude mostrou que não pretende terceirizar seu futuro. No TSE, ministros precisam demonstrar que a lei vale igualmente para todos. Porque Justiça Eleitoral não pode ter candidato preferido, nem cheiro de jogo marcado.
Leia a íntegra do texto na minha coluna no UOL, link na bio. Leonardo Sakamoto
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