sábado, 12 de janeiro de 2019

O mundo da cultura caiu

O modo predominante como pensamos e fazemos política cultural fracassou?


Em que medida esse tipo de situação descrita abaixo, por meio dessas duas fotografias,  não demonstra o quanto o modus operandi de pensar e fazer politica cultural, predominante até agora, incluindo como pensado e realizado pelos  setores mais ou menos progressistas , não comprova  o seu fracasso?
 
"Os grupos centenários da Cultura Sergipana que justificam a existência do Encontro Cultural de Laranjeiras são violentamente desrespeitados no cartaz de divulgação que evidencia como atração ISTO."


Eduardo Freitas em 9 de janeiro de 2019
 




A nossa resposta é SIM! 

E há  tempos , nós da Ação Cultural e outros agentes culturais e intelectuais afins, tem  produzido escritos com reflexões  sobre práticas que buscam produzir  outras formas e maneiras de fazer politica cultural. O problema,    é que  o modus operandi tradicional da maioria dos técnicos e gestores dos órgãos culturais, referendados por muitos intelectuais e artistas,  se  mantiveram   impermeável à muitas dessas  criticas e sugestões  apresentadas.  

Abaixo, nessa linha,  um texto inédito aqui na net, produzido há uns trinta anos e publicado em um jornal comunitário, direcionada para moradores do Bairro América e adjacências, uma região de Aracaju  que contava com grande efervescência cultural nos anos de 1980 e 1990, cujo trabalho está  sendo sistematizado,  para ser lançado através de um livro com lançamento  previsto para acontecer em meados de 2019.


"E AS FESTAS DA AMABA?



Alguns companheiros e companheiras tem nos questionado, sobre a não realização de grandes festas, como dos anos anteriores (1987/1988) quando  a Associação dos Moradores do Bairro América e Adjacências (AMABA) promoveu com bastante  sucesso,  Semanas de Arte que trouxe artistas e grupos como  Tonho Baixinho, Chico Queiroga, grupo teatral Imbuaça e grupo teatral Mambembe, Band’auê, palhaço Tonico e Pirulito, grupo afro cultural Unidos do Quilombo, grupos folclóricos, grupos de dança Adara e Fama etc... 
Para que se possa entender melhor  o porquê da não continuidade da programação, é necessário observarmos  o seguinte: Para a realização de produções do tipo “Semana de Arte” ou “A arte é nossa”, como realizado pela Sociedade Comunitária do  bairro Siqueira Campos (SOCAMPOS), é necessário se contar com uma infraestrutura muito cara , além do pagamento de artistas, ocorre que atualmente o governo do estado para bancar estas despesas todas, exige das associações que o procura, que as mesmas se transformem em comitês eleitorais. 
E  por este motivo,  a maioria das associações    de moradores têm o rabo preso e não organiza o povo para lutar por seus direitos, pois se assim o fizer,  o governo corta as verbas e os convênios que mantém estas associações. Para se ter uma ideia da corrupção que o governo do estado promove, existe,  segundo o último  boletim das Associação dos Moradores e Amigos do Siqueira campos (AMASC) 2.000 (duas  mil) lideranças comunitárias empregados no  estado  e que estão à disposição das diversas associações ou comitê eleitorais como queiram chamar, com o fim unicamente de enganar o povo com falsas promessas e esmolas. Em troca,  estas lideranças são contempladas com casas em conjunto residenciais construídos pelo governo, possibilidades de indicar parentes para se empregar no estado,  possibilidade de muitas vez desviar produtos das esmolas que o governo envia para distribuir junto à população etc.. 2-Passado o momento de euforia, quando da realização das duas Semanas de Arte, começamos a avaliar internamente a nível da coordenação de cultura da AMABA e junto a  companheiros da direção e chegamos as seguintes conclusões: Como instrumento de diversão lazer e para divulgação do nome da AMABA,  a Semana de Arte  foi importante, mas em termos de elevação do nível de consciência da comunidade, não foi satisfatório e também não deixou saldo organizado quer dizer, a população do bairro não se envolveu tanto no processo de preparação da festa, como em outras atividades da AMABA. Sendo assim,  decidimos elaborar um calendário de festas para o ano de 1991, observando os seguistes critérios:  A-Participação da comunidade;B-Vinculação ao trabalho de base que é desenvolvido pela AMABA;C- Que sirvam como instrumento para reforçar os laços de união e solidariedade das pessoas que estão envolvidas direta ou indiretamente em atividades diárias na AMABA; D- Que sejam simples e baratas (para evitar dependência do governo do estado)."  Editorial
(Jornal Popular - Nº18 - Maio/1991 - Ano III - Amaba/Bairro América - Aracaju-SE)


Abaixo links de  artigos e reportagens escritos e publicados na internet, com a defesa da mesma tese.

sábado, 13 de maio de 2017


O FASC está voltando! Que comece com uma audiência pública para a cidade poder dizer como quer.

 terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Bons negócios, boa diversão e alta cultura no Festival de Arte de São Cristóvão 2018 (FASC).


São textos que apontam: Sem empoderar os micro e pequenos empreendedores  culturais, inclusive os coletivos e associações. Sem investir no protagonismo cidadão na discussão e implementação das políticas culturais, assim como no acesso aos meios de produção cultural, em função do protagonismo cultural. E sem buscar  articular as políticas culturais com as dos  campos da educação e da comunicação, não estaria fracassando apenas um projeto de política cultural, mas um projeto de cidade, um projeto de nação.

E para ilustrar essa constatação  trazemos uma canção  antológica da cantora Maísa. “Meu mundo caiu”. E diga-se de passagem, o mundo da cultura caiu, bem antes de Bolsonaro vencer as eleições, a despeito de tudo que foi realizado no ministério da cultura no período em que Gilberto Gil e Juca Ferreira foram ministros.

Começou a cair lá atrás quando prefeituras e governos do estado, mesmo administrados pelo PT, PC do B  colocaram a maior parte do orçamento da cultura a serviço de grandes eventos com a predominância do entretenimento, mesmo  os de natureza mais “cultural”, podemos dizer assim, como o  Forrocaju e o Festival de Verão por exemplo, no caso de Sergipe Del Rey 

Como não trabalhamos com o modo dicotômico de pensar, o que quer dizer,  ou isso ou aquilo, reafirmamos a importância de grandes eventos como esses acima,  mas por outro lado, se uma parte dos recursos investidos nesses eventos até hoje, tivessem sido revertidos  para a ação cultural de base comunitária, o pensamento conservador, raso, utilitarista, tacanho, obtuso, limitado, exageradamente pragmático e mercantil, e que está demasiadamente em alta, nestes tempos invernosos, tristes  e cinza,  poderia  estar sendo melhor  enfrentado e/ou neutralizado, em grande ou pequena  parte, mas estaria.

A Prefeitura Municipal de São Cristóvão e a Universidade Federal de Sergipe pode aprender no caso da realização dos próximos  Festivais de Arte de São Cristóvão (FASC). Aqui lembro Sol de Primavera, "a lição já sabemos de cor, só nos resta aprender."

Os estados nordestinos que elegeram ou reelegeram governos progressistas e/ou de esquerda  também. Sergipe é um destes.

Ainda há tempo,  para as cidades administradas pelo PT e PC do B, como é o caso de Aracaju e outras Brasil afora.  Aqui lembro Criolo, "as pessoas não são más, elas só estão perdidas".

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

ESPIRITUALIDADE EM TEMPOS DE CRISE. Um texto de Frei Betto e duas canções para emoldurar.




  • Por Frei Betto
     
    O Brasil se parece, hoje, a uma pessoa atropelada por um caminhão e que, apesar de graves ferimentos, escapa viva. Machucados e maculados estão a política, a ética, a cidadania, a representação parlamentar, embora a economia dê sinais de recuperação, malgrado os 14 milhões de desempregados.

    Dizia Santo Agostinho que a esperança tem duas filhas diletas: a indignação e a coragem. A indignação, para contestar o que não está bem. A coragem, para mudar a situação.
    Frente a tão nefasta conjuntura, associada à crescente violência (homicídios, assaltos, drogas), a nação reage com indignação (em conversas e redes digitais) e apatia (nas ruas e movimentos sociais).

    A indignação se manifesta em expressões de ódio e desprezo; a apatia, na sensação de que é inútil protestar nas ruas, já que se tirou um governo ruim para dar lugar a outro pior…
    O que isso tem a ver com espiritualidade? Ora, dela depende o nosso ânimo. Quando nos deixamos levar pelo niilismo somos tragados pela inércia e pelo individualismo. Essa indiferença corrói a nossa subjetividade, e objetivamente legitima o poder que nos submete a seus degenerados propósitos.

     A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e atividades ao ar livre

    Toda a narrativa bíblica é um libelo à resistência e à esperança. Não há nela um único livro que não retrate o conflito histórico e o embate entre opressores e oprimidos. No entanto, Javé suscita o novo quando em volta tudo parece decrépito: da gestação de Sara, já idosa, à ação libertadora de Moisés contra o faraó em cuja família ele cresceu; da brisa suave de Elias ao pequeno Davi, de quem nada se esperava.

    Deus se encarnou em uma conjuntura profundamente conflituosa. A Palestina estava submetida pelo Império Romano. Herodes promoveu o infanticídio. José, Maria e Jesus se refugiaram no Egito. João Batista assassinado pelo governador Herodes Antipas. Jesus criticado por fariseus e saduceus; expulso da sinagoga; traído por um dos discípulos; preso, torturado e julgado por dois poderes políticos e executado na cruz. Sua ressurreição, entretanto, comprovou que a justiça prevalecerá sobre a injustiça e a vida sobre a morte.

    Tempos de crise requerem a espiritualidade do grão de mostarda: pequeno e insignificante, mas dele pode brotar o que, no futuro, mudará o rumo da história. Espiritualidade do tesouro escondido e de quem sabe que vale a pena cavar o terreno até encontrá-lo. Espiritualidade do cego Bartimeu que, por confiar na ação divina, voltou a ver com clareza.

    A espiritualidade é uma atitude subjetiva de paciência histórica e atuação confiante para mudar o atual estado de coisas. Não basta o protesto; urge ter propostas. Não é suficiente reclamar, é preciso agir. De nada vale odiar, falar mal, criticar. Mais vale arregaçar as mangas e, como dizia João Batista, empunhar o machado e centrá-lo na raiz da árvore apodrecida.

    A espiritualidade impede introjetar-nos o que ocorre à nossa volta. Não somatizar a realidade circundante. Ao contrário, desse distanciamento brechtiano reunir energias para transformar o velho em novo, o arcaico em moderno, o ceticismo em esperança.

    Nos anos de 1960, eu pensava que o meu futuro pessoal haveria de coincidir com o tempo histórico. Hoje, sei que não participarei da colheita, mas faço questão de morrer semente.

    O futuro será sempre fruto do que semearmos no presente. Não há saída pela inesperada irrupção de um avatar político nem pelo retrocesso ao passado. A espiritualidade em tempos de crise exige cabeça fria, mente alerta, coração solícito. Não se deixar afogar nas marés negativas.

    A história está repleta de exemplos de homens e mulheres que tinham tudo para se enclausurar em seus nichos familiares e profissionais e, no entanto, ousaram erguer a bandeira de um futuro melhor: Gandhi, Luther King, Mandela, Chico Mendes, Zilda Arns e a albanesa Anjesé Gonxhe Bojaxhiu, mais conhecida como madre Teresa de Calcutá.


     

    Aos olhos de seus contemporâneos, Jesus fracassou. Aos olhos da história, marcou definitivamente a história humana. Porque confiou que a menor das sementes se transforma na mais frondosa árvore.

     LEIA TAMBÉM: Paulo Arantes provoca: a esquerda está sem programa

    Falta uma nova esquerda para encarar Bolsonaro

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Curso de Verão 2019 (parceria Ceseep e PUC-SP). O necessário em formação humana integral para tempo cinza, invernoso.




Curso de Verão

​Popular, ecumênico e realizado em mutirão é organizado para um grande número de pessoas e, ao mesmo tempo, garante trabalho em pequenos grupos. Dentro da proposta metodológica da Educação Popular, combina reflexão e criatividade, arte e celebração, além da convivência fraterna e o compromisso transformador no retorno à prática nas pastorais e movimentos sociais.
Tem caráter nacional, mas é aberto à participação de pessoas de outros países que falem/entendam a língua portuguesa.
Dedica especial atenção às juventudes, que iniciam a sua militância pastoral e social.

Assista parcialmente o curso via facebook. Clique AQUI
Para saber mais:

Por uma cidade acolhedora: somos todos migrantes

O tema do Curso de Verão 2019 nos convida a refletir sobre o nosso papel social e a nossa ação profética diante do sofrimento de grupos humanos que se movem por diferentes territórios em busca de um lugar para viver bem, de um lugar para compartilhar sua cultura, sua espiritualidade e seus sonhos.

Migrar é um direito humano e há casos de pessoas que migram por querer conhecer e viver em locais diferentes do de seu nascimento. No entanto, a maioria dos movimentos migratórios ocorre por causa de guerras, de perseguições religiosa e/ou política, da falta de emprego e por causa da fome que acomete a um grande número de pessoas no planeta.

É necessário conhecer a realidade das migrações, com suas causas e consequências para a tomada de decisão quanto às ações urgentes e necessárias a serem realizadas em prol do acolhimento e reconhecimento das pessoas como sujeitos de direito, especialmente do direito à liberdade de ir e vir e de viver com dignidade.

Nossa ação de acolhimento fraterno e generoso à/ao estrangeira/o, faz parte de nossa ação como liderança social, política e eclesial, pois na perspectiva histórica da mobilidade humana, somos todas/os migrantes!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Cultura in Sergipe. Para onde e como vai? De 2019 em diante....

Carta protocolada dia 19/12/2018 no Palácio de despacho, dirigida ao governador Belivaldo Chagas em protesto à extinção da Secretaria de Cultura.
“Em um lugar onde não há atividades culturais a violência vira espetáculo”.

Não localizamos a autoria da frase que abre esta carta, mas a sua expressividade é por demais emblemática para ser ignorada.

Ao: Exmo. Sr. Belivaldo Chagas
Governador do Estado de Sergipe

Senhor Governador,
“Em um lugar onde não há atividades culturais a violência vira espetáculo”.
O Fórum Permanente de Artes Visuais de Sergipe, coletivo de artistas que discute as questões nesta área e propõe ações que beneficiam toda a sociedade, vem a público expressar seu descontentamento acerca da extinção da SECULT.

Pelas vossas entrevistas e anúncios publicados, a Secretaria de Estado da Cultura será extinta, passando as suas atividades a serem gerenciadas pela Fundação Aperipê e esta, subordinada à Secretaria de Estado da Educação.
De início consideramos as seguintes questões:

1. Ao rebaixar a Cultura ao terceiro nível hierárquico, suprimindo seu status de Secretaria, o governo deixa claro que a Cultura não é prioridade na sua administração.
2. Quando vice-governador, ao ser procurado pelos artistas, Vossa Excelência ajudou se posicionando contra a fusão da Secult com a Secretaria de Esporte que seria criada em 2016, pelo então govenador Jackson Barreto. Hoje, como governador, o Senhor extingue a Secult, contradizendo-se.
3. Na argumentação oficial, com a extinção da Secult e sua subordinação à Secretaria de Educação haverá integração e economia de recursos. Na nossa compreensão a tal integração acontecerá, mas a autonomia será nenhuma, pois a Cultura no terceiro nível hierárquico terá menor peso perante as demais áreas, fato que já é notório pelo quadro enxuto de funcionários e as ações tímidas da Secult.
4. O argumento de que a fundação agilizará a obtenção de recursos, não encontra correspondência na realidade, a exemplo da Funcaju e da própria Aperipê que funcionam sem os recursos necessários para desenvolverem suas atividades com desenvoltura administrativa e autonomia financeira.
5. É compreensível que haja esforços para economizar verba pública. Sabe-se, no entanto, que o perdão às dívidas de grandes sonegadores são práticas dos governos que hoje estão em situação financeira debilitada. Em Sergipe, muitos dos postos de fiscalização foram fechados. Segundo o Sindicato do Fisco de Sergipe, o futuro governo terá que “desempenar” o eixo econômico e diz também haver o problema grave da sonegação de impostos a ser resolvido. Reduzir a estrutura pública ao invés de melhorar a eficiência da arrecadação, terá como consequência a queda na qualidade e no volume dos serviços, enquanto os sonegadores se negam a contribuir com os dispositivos fiscais de incentivo à Cultura, como a Lei Rouanet, por exemplo, principalmente em projetos de artistas sergipanos que estejam fora do grande mercado cultural.
6. Precisamos lembrar que a Cultura gera emprego, renda, movimenta o comércio fazendo circular mercadorias e serviços. O resultado disto é a geração de impostos. Os europeus faturam, milhões de euros diariamente com o turismo cultural. Gente do mundo todo vai à Europa ao encontro da História, da Arte e da Cultura que estão intimamente ligadas. Enquanto no Brasil e em Sergipe se padece da miserabilidade de ideias e ações para amparar e incentivar estas áreas, mesmo tendo tantos talentos. A nossa arquitetura histórica tem sido demolida pelos proprietários, os prédios públicos sem a devida conservação e faltam obras de arte nas avenidas, praças e parques, enquanto sobram artistas desestimulados.
É sabido que a cultura reflete o modo de vida de uma sociedade, seu modo de pensar e agir. Assim como para qualquer povo, para nós a Cultura é um fator importante para o fortalecimento da nossa identidade, assim como do desenvolvimento dos sergipanos.
A Constituição Federal afirma no “Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da Cultura Nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”. Infelizmente a insensibilidade está institucionalizada e relega a Cultura ao último plano, quando deveria ser prioridade.
Sentimos que, ao invés de as ações culturais se expandirem pelos bairros da capital e pelas cidades do interior, se encolhem e mudam de mão na burocracia que engessa e imobiliza. Quando o assunto é Cultura, a falta de verba é sempre a justificativa para a ausência de ideias e de esforço político para envolver a sociedade, por mais que os funcionários da Secult se empenhem. Desta forma, o resultado das ações culturais continua para certo segmento social, deixando grandes contingentes à margem.

A sensibilização da população para fruir a arte e conviver próximo dela, somente acontecerá se a Cultura for estrategicamente alçada ao fator máximo de integração e, para isto, seja oferecida à população como alimento do espírito criativo humano, com todos o seu simbolismo e representações.
Se a Secult fez o levantamento das cadeias produtivas das áreas culturais, não o tornou público. Os Artistas Visuais fizeram o seu levantamento e o entregou à Secult no ano de 2013. Se cada uma das áreas for profissionalizada com o devido apoio, a geração de emprego, renda e retorno para o Estado será enorme.
Não localizamos a autoria da frase que abre esta carta, mas a sua expressividade é por demais emblemática para ser ignorada.
Para o menor Estado da federação, Sergipe que já esteve no topo da lista dos mais violentos, ao invés de mais armas para a polícia, reivindicamos que o Sr. Governador invista muito mais na Cultura para combater a violência, o desemprego e o ócio. Muitos jovens ociosos se tornam presas fáceis para o tráfico e a espiral da violência cresce aumentando a apreensão da sociedade.
O Fórum de Artes Visuais tem sido colaborador, mas jamais se furtará de pontuar os erros políticos/administrativos que prejudicam o segmento e a sociedade.
Mais verba para a Cultura e autonomia para os gestores, com status de secretaria para o órgão gestor diz muito de um governo civilizado e sensível às demandas da população. Da civilidade bem reconhecemos. Neste momento esperamos que fale bem alto a vossa sensibilidade.
Aracaju, 19 de dezembro de 2018.
Fórum Permanente de Artes Visuais de Sergipe
P/ Assinam: Márjorie, Wecio, Tábata e Cruz


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SOBRE POLÍTICA DE CULTURA PARA SERGIPE, por Euler Lopes
Sobre o "abandono" do teatro Lourival Batista, para mim, é sintomático o descaso da gestão pública com o espaço que até então sempre foi visto como "destinado aos artitstas sergipanos" - sim, porque cá entre nós os outros teatros são usados, em sua maioria, por produções não-locais. Pessoalmente, é triste perceber que é um perrengue encontrar um lugar para ensaiar semanalmente, - quando não nos exigem uma contrapartida, num verdadeiro pague pelo uso do aparelho público, numa relação privatizadora da parada - enquanto um local é assim, entregue. Ou seja, é mais vantajoso que o espaço pereça do que "acender a luz "e deixar que ele seja ocupado?. Embora os últimos diretores tenham sido muito legais em ceder esse espaço - diga-se de passagem usei muito o teatro Lourival graças à figuras más  que administravam o tal espaço - o que se comprova é que um espaço público cultural demanda atividade, agenda, gente fomentando e fazendo arte - vamos aprender com as estudantes da ocupação de São Paulo, porra! - Um espaço público precisa ser ocupado, com que frequência? o tempo todo! E a ótica de gestão que temos, não entende que uma pessoa sozinha não consegue administrar e fomentar um espaço se não tiver apoio dos seus superiores e do público ao qual se destina.E quem sabe fazer isso - ocupar espaços culturais - são artistas, grupos, fazedores. O abandono do Lourival é resultado dos últimos anos nos quais nos distanciamos - ou fomos distanciados? - do diálogo. E o que ele gera? Problemas para a população. Eu realmente espero que a gente volte a ocupar os aparelhos culturais do estado, e que a gente volte a ser ouvida, ou chamada pra conversar porque a gente tem a dizer - sim, estou bem alice indo para 1964. Enfim, o que eu queria dizer nessa minha confusão geminiana é que o "abandono" é culpa de nós todos. Da gestão -que entregou de fato o local, dos artistas - que em algum momento nessas jornadas múltiplas de trabalho perdemos o tempo de se encontrar, da sociedade - que sempre negligenciou o espaço e não o ocupou também. Por fim, Vem cá Belivaldo e Eliane, vamo conversá! Vamos pensar numa administração coletiva Estado-artistas e aprender como isso pode se dar.

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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Bons negócios, boa diversão e alta cultura no Festival de Arte de São Cristóvão 2018 (FASC).