sábado, 22 de março de 2008

Imagens do 3º Fórum Popular de Cultura. (2007)

Abertura - Painel: Cultura e Inclusão. 23/11/07

Abertura - Vista Parcial do Público. 23/11/07

Palestra:Dança e Cidadania,Paula Gonçalves da Ong Em Cena Arte e Cidadania(PE).24/11

Palestra:Escola e Ação Cultural, Marcial Lima(AL).24/11/07

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação de Fernanda(Aprendiz do Circo Arcoiris)

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação da Cia de Dança Rick di Karllo.

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação do Grupo de Dança Popular Asa Branca.

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação dos aprendizes da oficina de dança arcoiris.

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação dos aprendizes da oficina de dança arcoiris.

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação dos aprendizes da oficina de dança arcoiris.

Como foi o 3º Fórum Popular de Cultura. (2007)

“ Um evento cuja temática e palestrantes me surpreenderam pela qualidade das suas experiências e da sistematização elaboradas por eles em cima das práticas artísticas e pedagógicas e pela forma como passaram para nós, de forma clara, sem cansar e com emoção”
Essas palavras proferidas por um participante do 3º Fórum Popular de Cultura que aconteceu nos dias 23, 24 e 25 de Novembro sintetizam muito bem a impressão da maioria que estiveram presentes no Gonzagão, local que sediou a edição 2007 do Fórum.

Organizado pela Ong Ação Cultural e contando com o patrocínio do Programa BNB de Cultura o evento contou também com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e reuniu no horário de maior concentração de público 80 pessoas, que assistiram a mesa redonda “Cultura & Inclusão” e 400 pessoas na mostra “Arte & Cidadania”.

Para os organizadores o mérito principal do evento foi fomentar o inicio da discussão a respeito da elaboração de estratégias para trabalhar com arte e cultura junto a crianças e adolescentes da periferia, cujas “mentes e corações” estão ocupadas com os ritmos e sons que estão na moda, em geral esta necessidade é citada por intelectuais, educadores e artistas, mas pouco é realizado neste sentido.

Conforme discutido durante o fórum não se trata de forçar os adolescentes a abandonar os gostos próprios ou “impostos” pelos meios de comunicação de massa mas, de conhecer e valorizar outros tipos de música, de movimentos, de sensibilidades.

Em termos práticos isso foi apresentando na mostra artística a partir da apresentação do resultado da oficina de dança desenvolvida pela Caravana Arcoiris, desde o inicio do mês de outubro, no Gonzagão, e que preparou um trabalho coreográfico em forma de colagem, onde os adolescentes envolvidos mostraram o que aprenderam de diferente: afro peruano, dança do ventre, contemporâneo e aquilo que eles conheciam: forró e dança de rua.

Essa mesma abordagem também foi destacado na oficina apresentada por Paula Gonçalves e Ketully Costa Leal, da Em Cena Arte e Cidadania, a qual mobilizou os participantes em torno da necessidade de construir coreografias partindo dos referenciais estéticos e históricos de cada um, sem perder de vista, evidentemente, a necessidade de agregar novos conhecimentos aos que eles possuem, reforçando as palavras de Clébio Correia de Araujo que mostrou a necessidade de darmos especial atenção ao processo de trabalho, pois se queremos preparar pessoas com autonomia, não obteremos esse resultado fazendo-os tão somente repetir os movimentos do coreógrafo ou os modelos de arte teatral concebidos pelo professor e/ou diretor.

Outras questões também foram apresentadas como a necessidade de organizarmos um programa de formação de agentes culturais para darmos continuidade e aprofundarmos algumas questões levantadas na discussão sobre as identidades, memória histórica e ação cultural nas escolas que foram apresentadas na discussão coordenada por Marcial Araujo Lima e Clébio Correia de Araujo, a propósito da experiência do projeto “ A escola como pólo cultural da comunidade ”, realizado com estudantes de escolas públicas de Maceió.

A propósito da apresentação desse tema o professor João Brasileiro, afirmou a coincidência sobre alguns questionamentos que estavam sendo feitas por ele e por alguns colegas da Escola Albano Franco, no bairro Santa Maria e a abordagem realizada por Marcial que muito o ajudará na condução dos trabalhos junto aos colegas e alunos da escola onde trabalha.

Outra proposta que teve boa aceitação foi à formação de mini-caravanas formada por agentes culturais para visitar-se mutuamente e desta forma poderem trocar experiências e fortalecer os laços de amizade e de cooperação.

Da parte da Ação Cultural a expectativa principal é que encontros com a metodologia do fórum, cuja característica principal é aproximar quem faz e que elaborou/ elabora reflexão sobre a prática, de quem já faz isso ou que quer ampliar os seus horizontes nesse sentido, sejam organizados por parte do gestores das Secretaria de Educação, Inclusão Social e Cultura, neste último caso os Encontros Culturais que é realizado em várias cidades do estado, em especial o de Laranjeiras pode ser um espaço onde os temas e a metodologia dos fóruns populares de cultura podem ser incorporados.

Ao término do fórum a partir da avaliação com os participantes a opinião predominante é que as pessoas sentem necessidade de mostrar e conhecer experiências exitosas e cujos aprendizados possam ser incorporados por todos , afinal, virar esse mundo em “festa, trabalho e pão” exige muita vontade, estudo e habilidade, pois como afirmou Marcial “é simples, mas não é fácil”.

Leia também: http://www.overmundo.com.br/overblog/o-central-da-periferia-na-escola

Eis aí o II Forum Popular de Cultura. ( 2006)

Na abertura dissemos que a tarde de sábado, 05 de agosto, marcaria a vida de todos os participantes e isso realmente se confirmou no dia 06, também.
Agradecemos a presença de todos que estiveram lá (algo em torno de 80 pessoas, no horário de pico) e desejamos que cada fórum realizado seja, para nós artistas e produtores culturais da periferia, um farol, iluminando o caminho da noite escura que atravessamos. Que a arte produzida pelos nossos artistas brilhe como a luz das estrelas que nos encantam e nos deleitam de prazer, apesar de tanto decepção, solidão, tristeza e sofrimento. Como diz o poeta Thiago de Melo: "Faz escuro, mas eu canto, porque sei que a manhã vai chegar". E podemos também dançar, tocar, pintar, costurar, fotografar e escrever.
Eventos como o fórum fortalecem aqueles que sonham e que buscam melhorar as pessoas através da arte, possibilitando a recriação do mundo como um jardim de mil delícias.

Até breve!

Zezito de Oliveira - Coordenador Geral do II Fórum Popular de Cultura.
Entrada do Auditório do Sebrae.(local de realização do II Fórum).

Vista parcial dos participantes.

Zezito de Oliveira - Coordenador Geral do II Fórum.


Iniciado a partir de um processo desencadeado no final do ano de 2005, coordenado por uma equipe de dirigentes da Ação Cultural e apoiado por alguns sócios e amigos da entidade, o evento contou com o imprescindível patrocínio da Coordenadoria Ecumenica de Serviço, com o importante apoio do SEBRAE e a especial colaboração do SESC, da Fundação Augusto Franco e do Banco do Nordeste.

A PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO
Nos momentos de maior presença de público o fórum chegou a contar com a presença de 80 pessoas, com uma expressiva presença de adolescentes e jovens envolvidos em atividades com grupos culturais na periferia (70%) e destacada presença de meninas e mulheres. (60% do total do público presente).
O público avaliou o fórum como muito útil e necessário o fórum e destacaram muitos aspectos positivos como a escolha dos temas e dos palestrantes Virginia Lúcia e Marcelo Rangel (de Aracaju) e Simão Neto e José Cleto (de Recife) que comunicaram com inteligência e paixão, conquistando assim a aprovação de todos. Da mesma forma, foram elogiadas as apresentações artísticas nas áreas de teatro, com o Grupo Pro Cena de Espetáculos, de dança, com a Companhia Rick di Karllo, Grupo Rei Davi e Pop Dance e a performance com o poeta e ator Jobys.
Palestra: A educação como experiência estética. Virginia Lúcia(palestrante)e platéia.

Lucy Paixão(secretária da Ação Cultural) e Simão Neto(palestrante) .

Luci Paixao(secretária da Ação Cultural) e José Cleto (palestrante).

No que diz respeito à produção do II Fórum em geral, foram observados alguns aspectos negativos que, embora não tenham ofuscado o brilho e a aprovação do evento, deverão ser analisados e discutidos a fim de se maximizar os resultados positivos dos próximos encontros.

"Fiquei triste de não poder ajudar mais. Percebo que nós "povo" somos muito exigentes de organização, programação, cronograma e outras coisinhas e esquecemos que tudo faz parte de uma corrente formada por inúmeros detalhes e cuja força de eficiência depende mesmo do esforço de cada um. Bem, mas mesmo sem ajudar à equipe como gostaria, enquanto expectadora fiquei maravilhada com a tarde de sábado. Nossa, a palestra da Virgínia Lúcia, então, que coisa, hein? Como é bom poder aprender e se divertir ao mesmo tempo. A dinâmica utilizada além de demonstrar na prática a experiência estética enquanto facilitadora da educação idealógica, tornou a tarde mais alegre e nos deixou empolgados e, no mínimo curiosos quanto ao teatro do oprimido e suas infinitas possibilidades na área da educação.
Definitivamente, quem não foi, perdeu. Acredito que esse clima de informalidade do II Fórum Popular de Cultura ajuda e muito a aproximação do eu-agentecultural com a realidade apresentada e discutida e a realidade de cada um. Olha, voltei triste por sair mais cedo em virtude de minha doença, mas muito feliz com o ganho de tempo e cultura da tarde de hoje. Parabéns a todos que fortalecem os elos da corrente de produção e organização do Fórum e da Ação Cultural. E parabéns também à palestrante Virgínia Lúcia (que transformou radicalmente, na tarde de hoje a associação comum que se faz ao termo palestra de "escuta de saberes dito por uma pessoa" em construção saborosa, participativa e dialogada de novos conhecimentos).
Um abraço a todos.
"
Denise Dória


REPERCUSSÃO NA IMPRENSA
Com a ampla divulgação na imprensa local e também no âmbito nacional (inclusive pela internet) o II Fórum Popular de Cultura conquistou grande repercussão. No âmbito local, faz-se necessário destacar a colaboração da Rádio Cultura de Sergipe, que oportunizou um considerável espaço para a divulgação do evento, bem como a ONG Missão Criança, que representa a Agência de Noticias dos Direitos da Infância em Sergipe e que destacou o II fórum como sugestão de tema de pauta para todos os órgãos da imprensa local. O projeto Inclusão Social, iniciativa meritória de comunicadores que se propõe a abrir portas nos meios de comunicação para iniciativas sociais e culturais da periferia e que publicou informações sobre o fórum e sobre a Ação Cultural no Jornal da Cidade também nos auxiliou.
. Nesse mesmo jornal a noticia foi publicada na prestigiada coluna do jornalista Osmário. O jornal “Hora do Povo” e a TV Sergipe, através da agenda cultural, também divulgaram o evento. Mais uma vez contamos com a divulgação através do jornal Cinform que juntamente com a Rádio Cultura sempre nos deram a maior força.
Na imprensa nacional contamos com a colaboração do jornalista Marcelo Rangel do site Overmundo, que inclusive proferiu palestra no fórum sobre a brilhante idéia de conectar aqueles que criam e/ou apóiam a arte independente, alternativa, marginal, da periferia etc.. como queiram chamar, em todo o país.
O serviço de mala direta da representação regional do Ministério da Cultura e da Cese, patrocinadora do evento, também deram uma colaboração importante divulgando o evento para todo o nordeste.

ECOS DO ENCONTRO
Foram convidados para apresentar seus trabalhos teatrais e coreográficos em outros locais, o Grupo Pro Cena de Espetáculos, o Grupo Teatral Voz da Vida e Companhia de Dança Rick di Karllo.
O videasta/documentarista Nixon ficou de manter contato com o poeta/ator do Grupo Teatral Voz da Vida, Jobys, para produzir um documentário sobre o seu trabalho, bastante elogiado pelo público, que busca inspiração na memória do sofrimento e das lutas pela libertação dos afro-descendentes.
A jovem Rafaela, representante do município de Poço Redondo, animou a todos os presentes com o seu depoimento, um misto de fé, resistência e criatividade para fazer do teatro e da criação de cabras uma forma de alimento para o corpo e para o espírito. Tudo interligado e interpendente como deve sempre ser. Várias pessoas, inclusive José Cleto do Recife, sugeriram a presença de Rafaela no fórum 2007 como palestrante e foram iniciadas conversações para descentralizar o fórum e uma das possibilidades é a inserção do município de Poço Redondo.
Depois de algumas tentativas conseguimos contar com a presença do grupo de dança Rei Davi que desenvolve um importante trabalho religioso, artístico e de educação cidadã com crianças, adolescentes e jovens do bairro Piabeta, localizado na periferia de Nossa Senhora do Socorro.
O Centro de Estudos em Políticas Públicas, uma Ong do Rio de Janeiro, entrou em contato conosco para solicitar nossa colaboração na divulgação de um mapeamentos das experiências que em Sergipe envolve adolescentes e jovens no trabalho com arte.

AS OPÍNIÕES DO PÚBLICO
SUGESTÕES E CRÍTICAS
Vista parcial dos participantes.

Vista panorâmica da oficina sobre metodologia.(Facilitador:Simão Neto)

Vista panorâmica da oficina sobre metodologia.(Facilitador:Simão Neto)



“Amei! È preciso mais momentos como este.”
“Uma experiência divertida e inesquecível.”
“Gostaria de parabenizar ao Professor Zezito, coordenador geral do fórum. Foi belíssimo e muito informativo, gostei muito!”
“Continuem com esses projetos, ajudando no crescimento da cultura brasileira.”
“Que tragam mais jovens e que dêem oportunidades para eles falarem sobre a cultura, o que pensam, o que acham e suas intenções para o futuro.”
“Que no próximo fórum o operador dos equipamentos de áudio e vídeo tenha
prática com os mesmos.”
“O espaço para apresentações culturais é pequeno.”
“O próximo fórum poderia ser feito em um ambiente mais aberto para que os jovens pudessem se manifestar, participar e não só ouvir.”


FRASES (Segundo depoimento escrito de alguns participantes)

“Por eu não ser rico, a minha cultura é da periferia?”
“Inclusão pela arte.”
“A arte dá sentido e transforma as nossas vidas.”
“Retomar através da arte o nosso ser desejante, criativo, poético...”(Virginia Lucia)
“O jovem é o hoje e não só o futuro” 2
“Precisamos qualificar e potencializar as nossas ações para garantir nossos direitos” (João Simão)
“Viva e deixe viver.” Frase de um slide exibido por Simão Neto 5
“A arte faz parte da natureza humana!”
“É preciso cuidar do broto para que a vida nos dê flor e fruto.”
“Nunca é tarde para começar a produzir cultura.”
“É preciso tornar o Brasil a verdadeira pátria mãe gentil.”
“Força, querer e fazer.”
“O mundo deveria ser como a gente gostaria que fosse” 3
“Não fazer teatro somente para ficar famosa e sim para ensinar o que o teatro tem de bom.”
“Cuidar da vida.”
“Devemos correr atrás dos nossos objetivos.”
“Um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar.” Chico Science
“A arte é a criação de uns para deleite de todos.”
“A gente quer que aconteça, aconteça algo que a gente goste.”
“Eu quero fazer. Eu quero ser, porque eu posso.”
“Eu tenho direito de ver e fazer arte, de ir ao teatro mais vezes, de envolver a cultura na minha vida.”
“A arte sempre segue a gente.”
“Ter coragem para fazer as coisas que a gente tem medo de realizar.”
“Eu quero, eu vou, ser ator...” (Virginia Lúcia)
“Direito a ter direitos”. (Simão Neto)
“A arte nasce da realidade, passa pela fantasia e retorna para a realidade outra vez.”

MOMENTOS MARCANTES (Segundo depoimento escrito de alguns participantes)

O poeta/ator Jobys arpresentando uma perfomance poética/teatral sobre a memória da escravidão no Brasil.
O Jornalista do site Overmundo, Marcelo Rangel, explicando porque do ponto de vista da identidade cultural sergipana e da ética publica, o nome do nadador Zé Peixe é o mais legitimo para denominar a ponte Aracaju-Barra.
Os meninos cantando e tocando o nosso coração através da música “Tocar”.
(música gravada pelos canarinhos de Petrópolis com o grupo musical a Cor do Som e apresentada em telão na abertura do fórum).
Apresentação do Grupo de Dança Rei Davi do bairro Piabeta.

Apresentação da Cia de Dança Rick di Karllo do Conjunto Eduardo Gomes.


Leia também: http://www.overmundo.com.br/overblog/com-arte-e-com-afeto-1
http://www.overmundo.com.br/overblog/ii-mostra-arte-e-cidadania-em-sergipe

Poesia: Ação Cultural

(Renilson Lima)


Minha terra tem coqueiros
cajueiros,mangabeiras, manguezais.
Tem aratú arando lama
tem caranguejo,sururu e siri.



Minha terra tem rio salgado
fruta doce, caju vermelho.


Tem Batucada, tem Reisado
tem Maculelê, tem Cacumbi
Taieria, São Gonçalo, Parafusos
e todos os sons
e todos os timbres.
Minha terra tem gente bonita
de pele negra
de pele branca
amarela, verde, azul.
Gente de todas as cores
de todos os credos.
Minha terra tão pequena
é vasta de riquezas culturais.
Minha terra tem esperança
nessa gente que dança
que canta, que batuca
que pinta e borda
e nessa gente que acredita
na arte do seio do povo
como cio da terra
onde a semente germina
e a árvore da identidade do povo cresce
e frutifica
e se perpetua
pelas mãos de quem planta
pela vontade de quem cultiva
pela força de quem valoriza.
Minha terra é pura riqueza
a ser perpetuada
pela consciente e nativista


Ação Cultural.

Entrevista com o diretor-presidente da Ação Cultural (triênio 2004-2007)- Zezito de Oliveira


Publicada na edição impressa do Informativo da Ação Cultural – Março de 2006
JAC: Como surgiu a Ação Cultural?
ZEZITO: Surgiu efetivamente a partir das reuniões da Rede PROVAI (Rede de Agentes do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais), no ano de 2004. Na ocasião, reunimos artistas, produtores culturais da periferia e educadores, que concluíram que se fazia necessário criar uma entidade que possibilitasse a representação jurídica para fazer jus às exigências colocadas pelo poder público e pela sociedade em geral, no que diz respeito à busca de apoio e patrocínios para garantir a consolidação e ampliação das atividades culturais.

JAC: Quais as principais conquistas obtidas?
ZEZITO: No ano de 2004, ainda como Rede PROVAI, conseguimos a aprovação pela câmara de vereadores da lei que cria o programa VAI e que depende da FUNCAJU para que cumpra sua finalidade, que é destinar um pequeno subsídio financeiro para projetos culturais das comunidades.
Já como Ação Cultural, conseguimos realizar o I Fórum Popular de Cultura, em 2005, que resultou na Carta Cultural da periferia. Como eu disse numa reunião com artistas em Pirambu, a Carta nos aponta a direção que o movimento cultural deve tomar se quiser mudar os rumos dessa história de desinteresse e descaso que o poder público e uma parcela expressiva da sociedade têm pela cultura. Lembro de uma frase conhecida que diz: “Nenhuma corrente de ar ajuda o navegador que não sabe aonde quer chegar”. A carta nos dá pistas interessantes de aonde chegar (objetivos) e como chegar (método).

JAC: Que pistas são estas?
ZEZITO: Destaco como uma das mais importantes aquelas que tratam dos aspectos relacionados aos limites dos próprios artistas e produtores. Achei muito importante esse aspecto porque é mais fácil criticar e cobrar dos outros do que de nós mesmos. Considero um sinal de maturidade que espero contribua para um crescimento interno e interior dos agentes culturais; no primeiro caso enquanto segmento social, no segundo como indivíduos. Vale a pena transcrevermos algumas frases: É preciso superar o estrelismo e o individualismo existente no meio artístico; Falta amor próprio e auto respeito por parte dos artistas e produtores. Um exemplo é a falta de iniciativa de muitos artistas e grupos populares que ficam esperando o financiamento de projetos por parte do governo; Sofremos muito com o imediatismo do próprio artista, reconhecemos que precisamos nos organizar mais, e o fórum é o caminho para essa perspectiva de um futuro melhor; Há necessidade de se unir os grupos para fortalecer as ações culturais.

JAC: Quais são as perspectivas da associação para o ano de 2006?
ZEZITO: Esperamos realizar o fórum popular 2006 com uma estrutura maior. Para isso estamos enviando o projeto para as agências de cooperação e empresas estatais visando obter o apoio financeiro necessário. Como não é um projeto caro e que tem como objetivo buscar a capacitação de agentes multiplicadores para melhorar a qualidade dos trabalhos quanto aos aspectos metodológicos esperamos ser bem sucedidos. Trata-se de focalizar nesse segundo e nos próximos fóruns as questões relacionadas ao como fazer melhor, que é, nas palavras de Álvaro Pantoja, do Centro Nordestino de Animação Popular, um dos aspectos mais importantes para o sucesso de um projeto sócio-cultural. A Carta Cultural apontou alguns desafios nesses aspectos da metodologia e através das palestras e oficinas esperamos enfrentá-los.
JAC: Que desafios são esses?
ZEZITO: Mais uma vez é importante retomarmos a leitura da Carta: “Ampliar o trabalho de conscientização da juventude na perspectiva de valorização da cultura popular; Produzir com qualidade e fortalecer a identidade cultural de nosso povo para atingir uma população com a mente massificada pela cultura de consumo imediato (a pasteurização cultural); Preparar pessoas competentes para trabalhar com cultura junto a crianças e jovens; Incluir mais jovens nas ações culturais com o apoio da sociedade”.
O projeto do fórum 2006 se propõe a reunir artistas/intelectuais orgânicos que darão uma importante contribuição para nos ajudar a encontrar pistas, alternativas, dicas, etc. relacionados a essas questões.

JAC: Como você avalia a gestão do Presidente Lula na área da cultura?

ZEZITO: Na minha opinião o governo federal dá uma lição para todos os prefeitos e governadores de como gerir bem esta área. O Ministro Gilberto Gil é uma pessoa que entende do assunto que gosta do que faz e de quem faz, que sabe ouvir e que está antenado com uma visão integral da cultura. Que vê a cultura gerando empregos e renda, contribuindo para melhorar a educação, a saúde, diminuindo os índices da violência urbana, fortalecendo nossas identidades, enfim contribuindo para a felicidade geral da nação.
Claro que o nosso querido ministro da cultura não poderia fazer muita coisa se não contasse com a colaboração do Presidente que garantiu um aumento de receita no orçamento da união, respeitou a autonomia do ministério e não utilizou a vaga como moeda de troca na época de recomposição da equipe ministerial. Vale ressaltar que mesmo com aumento em relação ao governo anterior, o orçamento do Ministério ainda é pequeno, mas acredito que em um segundo governo isso se modifique, por que o Presidente Lula sabe e nós também que é essa e uma área que apresenta uma das melhores performances em termos de realizações no seu governo.

JAC: E você acredita na reeleição do Presidente?

ZEZITO: Para os artistas ou produtores emergentes como eu e tanta gente boa que nunca pode nem sequer sonhar em ter acesso a dizer o que pensa sobre a melhor forma de gerir a cultura em nosso país e ver isso transformado em diretrizes e ações e que no passado para ter acesso aos recursos públicos dependia de bilhetiinhos de recomendação de artistas ou intelectuais influentes e de um telefonema ou carta de políticos a reeleição do Presidente Lula é necessária.

JAC: E as denuncias sobre corrupção?

ZEZITO: O povo não é burro não, apesar da tentativa de manipulação por parte das rádios, jornais e televisões em sua maioria de propriedade de políticos ligados aos partidos de oposição e cujas concessões, na maioria, foram obtidas graças ao mesmo esquema de corrupção. Lembra da aprovação da lei que aprovou mais um ano de mandato para o ex-presidente Sarney em troca de um festival de concessões de emissoras? O povo sabe que o caixa dois e o mensalão sempre aconteceram e que isso faz parte da engrenagem que os ricos e poderosos criaram para se perpetuarem no poder. E foram coisas dessa natureza que garantiram a poder das elites durante cinco séculos e isso é tão verdadeiro que medidas como o financiamento público de campanha, a fidelidade partidária, o voto distrital que poderiam diminuir a necessidade de utilização desses tipos de praticas, não são discutidos pelo Congresso e nem debatidos por aqueles que refletem os interesses e a opinião das elites dominantes.
O que estamos vendo por aí é gente que fizeram suas carreiras políticas e suas fortunas às custas de roubos, saques e violência contra os pobres da nação posar de gente honesta, decente e sem nenhum defeito de fabricação. Ora, os fariseus na bíblia foram bem mais honestos quando repreendidos por Jesus, desistiram de jogar pedras em Madalena. Mas a política é isso mesmo. O PT quando esteve na oposição também bateu pesado.

JAC: E a gestão municipal e estadual?

ZEZITO: Já tivemos dias melhores. A primeira gestão de Jackson Barreto em meados dos anos 80 foi exemplar, a segunda ficou bem aquém do esperado. O primeiro ano do Prefeito Deda foi bem melhor do que os seguintes.
Em termos de governo do estado, o atual governador foi melhor na primeira gestão, e isso já faz muitos anos, quando construiu e manteve o Centro de Criatividade em grande estilo e deu continuidade as oficinas culturais oferecidas pela extinta Fundação Estadual de Cultura (FUNDESC) que deram uma inestimável contribuição para a formação de muitos artistas, técnicos, produtores e gestores que estão por aí em atividade.
Mas essa realidade pode mudar, se o próximo governador buscar os melhores quadros para cuidar da gestão do setor cultural e disponibilizar as condições mínimas necessárias. È fundamental que esses quadros tenham um perfil bem semelhante ao do Ministro Gil e de sua equipe e que busque recolher o que foi feito de melhor no passado em nosso estado, buscando também sintonizar as antenas com aquilo que é pensado e produzido em Brasília no âmbito da cultura. Ta ligado?

Leia também:
http://www.overmundo.com.br/overblog/aracaju-nos-seus-150-anos-e-a-cultura-que-fica

O Brasil (RE) conhecendo o Brasil.

Texto publicado no jornal Cinform em 2007
O modo tradicional de ampliar o acesso das populações do interior e das periferias a produção audiovisual tem sido levar pacotes de filmes para exibição em espaços públicos esse formato é útil e necessário, mas insuficiente porque mantém o conhecimento técnico /artístico concentrado nas mãos de poucos e impossibilita que diferentes visões sobre as pessoas e a realidade possam ter lugar.

Nessa perspectiva o programa Doc-TV e o Revelando Brasis do Ministério da Cultura inova e inclui, ao incorporar como política pública as iniciativas lideradas por ongs e ativistas sociais desde o inicio da década de 90 quando buscaram se apropriar dos meios de produção audiovisual, bastante facilitada pelo desenvolvimento tecnológico e conseqüente redução dos preços dos equipamentos, para mostrar - sem intermediários - como índios, negros, populações camponesas e da periferia, mulheres, jovens etc, gostariam de serem vistos.

Por isso, deixo o meu abraço e o meu reconhecimento ao Minc pela atitude e ao Cinform (matéria “Deu bode no cinema!, do caderno municípios, edição 1228) que tem sempre dado destaque aos prêmios concedidos a Sergipe e a sugestão para que programas com a mesma filosofia e metodologia sejam realizados no âmbito da próxima gestão da secretaria estadual de cultura.

José de Oliveira Santos “Zezito” – diretor-presidente da Ong Ação Cultural – zezito2002@ig.com.br

CARTA ABERTA AOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO ESTADO, AOS CANDIDATOS AO CONGRESSO NACIONAL, A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, AOS PREFEITOS E VEREADORES ELEITO

Texto redigido em 2005.
“Daqui pra frente tudo vai ser diferente” – Roberto Carlos
“Que o passado abra os presentes pro futuro, que não dormiu e preparou, o AMANHECER ” - Taiguara.


Daqui pra frente, queremos a população participando da definição dos princípios e diretrizes da política cultural do Estado e do Município através da convocação de conferências de cultura de dois em dois anos.
Queremos o controle social da política cultural do Estado e do Município através da instalação de um conselho de cultura que seja deliberativo e representativo da diversidade cultural, e não apenas das belas artes e de seus artistas consagrados. No conselho de cultura democrático e plural deve entrar também os representante do hip-hop, das bandas de rock, de reggae, dos grupos de capoeira, dos mestres e dos brincantes da cultura popular.
Na nova política cultural queremos que aquilo que a população da periferia e do interior produz seja apoiado e potencializado. São muitos grupos de capoeira, de folclore, de dança, música, teatro e quadrilhas juninas que se reúnem nas escolas, nas associações de moradores, nas igrejas, e que precisam de uma política de fomento, não como favor, mas como direito, até porque contribuem para diminuir as despesas com saúde, segurança e educação, afastando a juventude das drogas, da criminalidade e melhorando o desempenho na escola. Por isso, solicitamos da Prefeitura de Aracaju a implementação da Lei 3173/04 aprovada pela Câmara Municipal que cria o Programa VAI para apoiar as pequenas iniciativas culturais das comunidades pobres e ao próximo governador que apóie a aprovação de lei semelhante no âmbito estadual.
Na nova política cultural, queremos que o poder público municipal e estadual financie a cultura e não espere somente pelo repasse do governo federal e o patrocínio das empresas estatais e privadas. Em Aracaju, é necessário que a Lei Municipal de Incentivo à Cultura, de autoria do atual prefeito Edvaldo Nogueira, seja aplicada todos os anos, garantindo a participação da iniciativa privada no apoio ao desenvolvimento cultural do município.
É necessário que os recursos destinados à cultura pelo orçamento do município e do estado sejam ampliados. Sem precisar esperar Proposta de Emenda Constitucional, que tramita no Congresso, determinando que deverão ser alocados, no mínimo, 1,5% (Estados) e 1% (municípios) para a área cultural em seus respectivos orçamentos.
É necessário a criação de um Fundo Municipal e Estadual de Cultura para financiar as atividades que não são de interesse do mercado, como a cultura popular (folclore), os museus, os grupos culturais da periferia e os novos artistas.
Queremos todas as emissoras de rádio e televisão, não apenas a Rádio e TV Aperipê, ampliando o espaço para que a música produzida em Sergipe seja conhecida e valorizada. Sergipe produz música brasileira de qualidade e não pode continuar lotando praças, teatros e casas de shows apenas para prestigiar os artistas de outros lugares. Como fica a nossa identidade cultural, nossa auto-estima e a geração de renda para os habitantes do nosso Estado?
Queremos que a população apresente como demanda nas plenárias do Orçamento Participativo, nas diversas conferências, nos outros conselhos de políticas públicas e juntos aos vereadores e deputados, as ações culturais com acompanhamento social, psíquico e pedagógico, como forma de diminuir a presença de meninos cheirando cola nas praças e/ou se embriagando de forma permanente nos bares e restaurantes, como também de meninas sendo obrigadas a vender o corpo para ganhar dinheiro ou gerando vidas de forma leviana e inconseqüente. E mais, é importante lembrar que as ações culturais podem ajudar a evitar que crianças, adolescentes e jovens continuem se tornando alienados, incultos, manobráveis, consumistas, descartáveis, distantes, perdendo as referencias e definhando mentalmente.
Queremos que as prefeituras, o poder Legislativo, a sociedade civil organizada, a imprensa, as empresas e quem puder apóie ações de incentivo à leitura. Principalmente porque o sergipano lê pouco, o que é uma vergonha, comprometendo o desenvolvimento humano, social, econômico e político do Estado.
É necessário que as empresas estatais sediadas em Sergipe apóiem as ações culturais propostas por artistas e grupos culturais emergentes. Não é possível que a maior parte do patrocínio destas empresas seja destinada para grandes projetos e eventos dos poderes públicos e de particulares.
A mesma solicitação dirigimos às fundações e institutos criados por empresários sergipanos que poderiam se modernizar e agir como as organizações de grandes empresas privadas nacionais, que lançam editais para apoiar projetos específicos nas áreas da cultura, educação, inclusão digital, geração de renda, meio-ambiente e muitos outros.
Se realizarmos tudo isso, teremos um povo e um estado mais feliz, e faremos justiça à memória de tantos nomes que batalharam a favor da nossa cultura no passado, e estão presentes na obra e nas boas recordações daqueles que com eles conviveram, como por exemplo, o poeta Mário Jorge, o mestre de capoeira e poeta Macaô, o ator e folclorista Mariano e o professor e ator Douglas, os quais dedicamos esta carta, como também aos sergipanos que estão nascendo agora.

Aracaju, 10 de setembro de 2005

Obs. O texto acima foi produzido a partir da Carta Cultural da Periferia que resultou das discussões no I Fórum Popular de Cultura ( 2005), promovido pela ONG Ação Cultural, enriquecido com subsídios adquiridos através da participação de diretores (as) da entidade no Seminário Cultura Para Todos (2004), Fórum Cultural Mundial (2004), Seminário de Políticas Públicas para as Culturas Populares (2005) e Conferencia Nacional de Cultura (2005).

Leia também: http://www.overmundo.com.br/overblog/outro-brasil-somente-com-participacao-e-arte-1