terça-feira, 15 de setembro de 2026

Vazamentos no STF: os príncipes que viraram sapos e a guerra pela informação. Zezito de Oliveira

 Vazamentos e debate no STF revelam múltiplos vilões na Corte, suspeitas envolvendo André Mendonça, Fux, Kássio e Toffoli no escândalo do Banco Master, e acendem o alerta sobre o controle da informação e o risco de um governo Flávio Bolsonaro.

 O que ficou claro nos vazamentos de hoje e no debate no STF é que há mais vilões no STF do que aquilo que foi plantado pela maioria dos jornalistas dos grandes órgãos de imprensa.

A intenção inicial foi pichar Alexandre de Moraes; depois, o ministro que se propôs a isso, André Mendonça, em razão dos vazamentos seletivos e da descoberta de outros, mostrou-se à altura dos vícios do primeiro, embora não das virtudes do grande martelo dos golpistas, papel desempenhado pelo ministro Alexandre de Moraes. E hoje os vazamentos acrescentaram novas suspeitas de desvios éticos envolvendo Daniel Vorcaro e os ministros Luiz Fux e Kássio Nunes Marques, sem contar o ministro Dias Toffoli, já desgastado.

O que salta aos olhos nos vazamentos dos últimos dias — e explica o esforço concentrado de André Mendonça para manter sigilo sobre uma parte das investigações ligadas ao escândalo do Banco Master e questões correlatas — é, por outro lado, motivo de lamentação: o quanto jornalistas se prestaram a querer fazer crer que existia somente um ex-herói que se tornou vilão. Agora, com os vazamentos e com a descoberta do porquê das manobras de André Mendonça para realizar vazamentos seletivos e proteger um grupo dentro e fora do STF da desmoralização que significaria a abertura de todas as investigações, vários príncipes se tornaram sapos, como na canção “Malandragem”, de Cazuza e gravada por Cássia Eller.

E agora a disputa, na sociedade e no processo eleitoral, é por saber quem tem o controle dos meios de produção da informação para fazer valer a versão dos fatos, o que vale tanto para os veículos convencionais quanto para os mais contemporâneos.

Para quem não tem acesso aos convencionais, valem os contemporâneos, como a formação de um verdadeiro exército de guerrilheiros digitais. Mas faltou visão à maioria de nossos líderes de esquerda para investir nisso, o que vai além do papel de influencers e de repassadores de conteúdos prontos. Mesmo assim, tomara que isso não signifique derrota eleitoral para um agrupamento formado por pessoas tão corruptas e perversas como os Bolsonaros e aqueles que estão no seu entorno. Seria uma tragédia, ainda mais porque Flávio Bolsonaro nem é o melhor candidato que a extrema direita teria para parecer o que não é— o que significa dizer, uma liderança  terrivelmente contrária a maioria do povo e à soberania da nação como foi o  governo do pai.

Flávio repete do pai o que há de mais tóxico: a retórica de vitimização, o ataque constante às instituições e ao sistema eleitoral quando se vê ameaçado, o moralismo de fachada, o uso da família como máquina política e o envolvimento em esquemas de corrupção — no caso dele, as investigações sobre a “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio, a ligação com Fabrício Queiroz e as movimentações patrimoniais incompatíveis, assim como o mega esquema de corrupção envolvendo o filme sobre a vida de Bolsonaro pai. Tal como Jair, Flávio transforma investigação em perseguição política e faz da radicalização nas redes seu principal combustível. Sem o carisma bruto do pai, porém, ele expõe de modo mais cru o que o bolsonarismo tem de pior: o nepotismo, a violência verbal, a aliança com o universo miliciano e o uso do poder para proteger os próprios interesses.



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