segunda-feira, 7 de março de 2022

Papa Francisco e as eleições no SINTESE - Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe

 


Assim, nas pegadas do Papa Francisco.

O que será um bom sindicato para o século XXI? Além do que consta na afirmação de Francisco de Roma.

Como fazer o sindicato que seja  resultado de um sonho coletivo que engaje mais corações e mentes movidos além das questões econômicas e imediatas, necessárias, posso até afirmar imprescindíveis, mas insuficientes, em especial diante da guerra ideológica ou guerra cultural a qual somos submetidos um bom tempo de nossas vidas?

Os sonhos não envelhecem afirma uma composição icônica da MPB, mas quais nossos sonhos enquanto categoria? Inclusive em termos de organização  e relações com as outras e com a sociedade, inclusive com àqueles considerados pelo Papa Francisco como importante destinatário da ação e da presença dos sindicatos...

Como romper com um modelo vertical de administração sindical que dá margem ao fortalecimento de burocratismos e autoritarismos, mas sem se perder no assembleísmo inócuo e disperso, como realizado por alguns movimentos influenciado pela linha de pensamento anarquista?   

Os atuais recursos da comunicação digital podem ser aliados? Aqui não me refiro tão somente como veículos de prestação de contas, convocação ou propaganda, mas como veículos para troca de ideias na realização de planejamento, para auscultar o que pensa quem não se sente motivado  ou mobilizado para participar das atividades convocada pelo sindicato, além da necessária formação politica e cultural, o que como já afirmei acima se faz necessário em razão da violenta guerra cultural em curso contra o pensamento humanista e libertário.... Ou revolucionário,  para utilizar um jargão marxista muito utilizado em nosso meio...

Imaginem um congresso extraordinário depois dessas eleições com o tema “O SINTESE DOS NOSSOS SONHOS PARA O SÉCULO XXI”. Mas um congresso que seja precedido de formas de consulta que possa ser realizado por grupos de professores reunidos nas bases, aqui entendido como a reunião de professores de diversas escolas por bairros ou região, e por municípios no caso dos pequenos. 

Como organizar isso dentro de um modelo participativo, dinâmico mas operativo, existem pessoas e organizações com conhecimento especializado.

Afirmo isso, porque independente do resultado das eleições, o SINTESE sairá enfraquecido. Não porque tem uma chapa de oposição, mas porque razões internas e externas favorecerem/favorecem isso....

Lembrete importante...

Afirmou uma colega...

E quem ousa levantar a crítica.... fica no isolamento.. lamentável ☹️

Respondi: Pois é... Em compensação vai perdendo filiados, adesão, cumplicidade...., e não adianta colocar tudo isso na conta do neoliberalismo....

Igualzinho a Igreja Católica quando perseguiu a Teologia da Libertação e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)..., e não adiantou colocar as razões em uma suposta "infiltração comunista" na igreja....

DISCURSO DO PAPA FRANCISCO
AOS DELEGADOS DA CONFEDERAÇÃO ITALIANA
SINDICAL DOS TRABALHADORES (CISL)

Sala Paulo VI
Quarta-feira, 28 de junho de 2017

 
Queridos irmãos e irmãs!

Dou-vos as boas-vindas por ocasião do vosso Congresso e agradeço à Secretaria Geral a sua apresentação.

Escolhestes um lema muito bonito para este Congresso: “Pela pessoa, pelo trabalho”. Pessoa e trabalho são duas palavras que podem e devem estar juntas. Porque se pensarmos e mencionarmos o trabalho sem a pessoa, ele acaba por se tornar algo desumano, que esquecendo as pessoas, se esquece de si mesmo e desaparece. Mas se pensarmos na pessoa sem trabalho, dizemos algo parcial, incompleto, porque a pessoa se realiza em plenitude quando se torna trabalhador, trabalhadora; porque o indivíduo se torna pessoa quando se abre aos outros, à vida social, quando floresce no trabalho. A pessoa floresce no trabalho. O trabalho é a forma mais comum de cooperação que a humanidade gerou na sua história. Todos os dias milhões de pessoas cooperam simplesmente trabalhando: educando as nossas crianças, acionando aparelhos mecânicos, resolvendo problemas num escritório... O trabalho é uma forma de amor civil: não é um amor romântico nem sempre intencional, mas verdadeiro, autêntico, que nos faz viver e levar o mundo para frente.

Certamente, a pessoa não é só trabalho... Devemos pensar também na cultura sadia do ócio, do saber repousar. Isto não é preguiça, é uma necessidade humana. Quando pergunto a um homem, a uma mulher que tem dois, três filhos: "Mas, diga-me, você brinca com os seus filhos? Pratica este "ócio"?” — “É, sabe, quando saio para o trabalho, eles ainda dormem, e quando volto, já estão na cama”. Isto é desumano. Por isso, ao lado do trabalho deve caminhar também a outra cultura. Porque a pessoa não é só trabalho, pois nem sempre trabalhamos, e nem sempre devemos trabalhar. Quando somos crianças não se trabalha e não se deve trabalhar. Não trabalhamos quando estamos doentes, nem quando somos velhos. Há muitas pessoas que ainda não trabalham, ou que já não trabalham. Tudo isto é verdadeiro e conhecido, mas devemos recordar também hoje, que ainda há no mundo demasiadas crianças e jovens que trabalham e não estudam, enquanto o estudo é o “único” trabalho bom para crianças e jovens. E também que nem sempre e nem a todos é reconhecido o direito a uma reforma justa — isto é, nem muito pobre nem muito rica: as “aposentadorias de ouro” são uma ofensa ao trabalho tão grave como aquelas muito pobres, porque fazem com que as desigualdades do tempo de trabalho se tornem perenes. Ou quando um trabalhador adoece e é descartado inclusive do mundo do trabalho em nome da eficiência — mas se uma pessoa doente com os seus limites ainda consegue trabalhar, a profissão desempenha até uma função terapêutica: às vezes encontramos a cura trabalhando com os outros, juntamente com os outros, pelos outros.

É uma sociedade insensata e míope aquela que obriga os idosos a trabalhar por demasiado tempo e força uma geração inteira de jovens a não trabalhar quando deveriam fazê-lo para si mesmos e para todos. Quando os jovens estão fora do mundo do trabalho, às empresas faltam energia, entusiasmo, inovação, alegria de viver, e estes são bens comuns preciosos que tornam melhores a vida económica e a felicidade pública. Então, é urgente um novo pacto social humano, um novo pacto social para o trabalho, que diminua as horas de trabalho de quem está na última fase laboral, a fim de criar trabalho para os jovens que têm o direito-dever de trabalhar. O do trabalho é o primeiro dom dos pais e das mães aos filhos e às filhas, é o primeiro património de uma sociedade. É o primeiro dote com o qual os ajudamos a levantar voo para a vida adulta.

Gostaria de frisar dois desafios epocais que hoje o movimento sindical deve enfrentar e vencer se quiser continuar a desempenhar o seu papel essencial para o bem comum.

O primeiro é a profecia, e diz respeito à própria natureza do sindicato, à sua vocação mais verdadeira. O sindicato é expressão do perfil profético da sociedade. O sindicato nasce e renasce todas as vezes que, como os profetas bíblicos, dá voz a quem não a tem, denuncia o pobre “vendido por um par de sandálias” (cf. Amós 2, 6), desmascara os poderosos que espezinham os direitos dos trabalhadores mais débeis, defende a causa do estrangeiro, dos últimos, dos “descartados”. Como demonstra também a grande tradição da cisl, o movimento sindical vive os seus grandes momentos quando é profecia. Mas nas nossas sociedades capitalistas progressistas o sindicato corre o risco de perder esta natureza profética e de se tornar demasiado semelhante às instituições e aos poderes que, pelo contrário, deveria criticar. Com o passar do tempo, o sindicato acabou por se assemelhar demais com a política, ou melhor, com os partidos políticos, com a sua linguagem e estilo. E ao contrário, se faltar esta típica e diversa dimensão, até a ação no âmbito das empresas perde força e eficácia. Esta é a profecia.

Segundo desafio: a inovação. Os profetas são sentinelas que vigiam do seu lugar de observação. Também o sindicato deve patrulhar os muros da cidade do trabalho, como sentinelas que vigiam e protegem quem está dentro da cidade do trabalho, mas que vigiam e protegem também quem está fora dos muros. O sindicato não desempenha a sua função essencial de inovação social se vigiar só os que estão dentro, se proteger só os direitos de quem já trabalha ou está na reforma. Isto deve ser feito, mas é metade do vosso trabalho. A vossa vocação é também proteger quem ainda não tem direitos, os excluídos do trabalho, e até dos direitos e da democracia.

O capitalismo do nosso tempo não abrange o valor do sindicato porque se esqueceu da natureza social da economia, da empresa. Este é um dos maiores pecados. Economia de mercado: não. Digamos economia social de mercado, como nos ensinou São João Paulo II: economia social de mercado. A economia esqueceu-se da natureza social que tem como vocação a natureza social da empresa, da vida, dos vínculos e dos pactos. Mas talvez a nossa sociedade não compreenda o sindicato até porque não o vê lutar o suficiente nos lugares dos “direitos do ainda não”: nas periferias existenciais, no meio dos descartados do trabalho. Pensemos nos 40% dos jovens com menos de 25 anos, que não têm trabalho. Aqui na Itália. Deveis lutar contra isto! São periferias existenciais. Não o vê lutar no meio dos imigrados, dos pobres, que estão sob os muros da cidade; ou então não o compreende simplesmente porque às vezes — mas acontece em todas as famílias — a corrupção entra no coração de alguns sindicalistas. Não vos deixeis bloquear por isto. Sei que já há algum tempo vos esforçais nas direções certas, especialmente com os migrantes, os jovens e as mulheres. E isto que digo poderia parecer superado, mas no mundo do trabalho a mulher ainda é considerada de segunda classe. Poderíeis dizer: “Não, mas há uma empresária, aquela outra...”. Sim, mas a mulher ganha menos, é mais facilmente explorada... Fazei alguma coisa. Encorajo-vos a continuar e, se possível, a fazer mais. Habitar as periferias pode tornar-se uma estratégia de ação, uma prioridade do sindicato de hoje e de amanhã. Não existe uma boa sociedade sem um bom sindicato, e não existe um sindicato bom que não renasça todos os dias nas periferias, que não transforme as pedras descartadas da economia em pedras angulares. Sindicato é uma linda palavra que provém do grego “dike”, que significa justiça, e “syn”, juntos: syn-dike, “justiça juntos”. Não há justiça juntos se não for junto com os excluídos de hoje.

Agradeço-vos este encontro, abençoo-vos, abençoo o vosso trabalho e desejo todo o bem ao vosso Congresso e ao vosso trabalho diário. E quando nós na Igreja empreendemos uma missão, numa paróquia por exemplo, o bispo diz: “façamos a missão para que toda a paróquia se converta, isto é, dê um passo para o melhoramento”. “Convertei-vos” também vós: dai um passo para o melhor no vosso trabalho, que seja melhor. Obrigado!

Peço-vos que rezeis por mim, porque também eu me devo converter no meu trabalho: todos os dias tenho que fazer melhor para ajudar e exercer a minha vocação. Rezai por mim, e agora gostaria de vos conceder a bênção do Senhor.

 
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E já que estamos tratando da relação sindicatos e igreja católica... Outra pergunta e final....

Como os sindicatos de professores podem utilizar a atual Campanha da Fraternidade para aumentar os aliados da luta pela educação pública democrática e de qualidade?





Um comentário:

Anônimo disse...

Cris Alves: Estive dentro e conheço as ações do SINDAE que por sinal chegou a ganhar medalha de sindicato cidadão da América latina. Que experiência de ação social eles podem passar para os demais. São realizadores de duas grandes manifestações de luta: o grito da água e o grito dos excluídos. Além de outros eventos incorporando ações de cidadania. O Ação Cultural com nosso apoio poderia puxar uma live com eles seria de grande valor .
Sindicato de Água e Esgoto do Estado da Bahia. (Colegiado)