sábado, 25 de julho de 2026

1ª Oficina de Teatro Popular no Bairro Industrial - O olhar do assessor técnico pedagógico e de produção. Por Zezito de Oliveira

 Ontem, sexta-feira, 24/072026. tive o privilégio de assistir ào ensaio aberto  da sequência de cenas curtas trabalhadas ao longo do processo de ensino-aprendizagem da primeira oficina de teatro popular do Ponto de Cultura Ação Cultural em 2025, depois de 10 anos de suspensão.

acima atores realizando exercicios de memorização antes da apresentação final na atividade ensaio aberto

O que posso garantir é que o burburinho que ouvi durante os quatro dias em que estive próximo ao grupo — tanto alunos inscritos quanto professores — correspondia exatamente ao que vinha sendo comentado e que já havia sido registrado no primeiro artigo sobre a oficina, disponível no blog da cultura. aqui

Da parte dos alunos, confirmo a impressão do professor Raimundo Venâncio, que me disse ter se surpreendido com o talento dos inscritos e com o compromisso e a responsabilidade de todos, sem distinção. O que vi durante as apresentações foi exatamente isso: atores e atrizes bem centrados em seus papéis, buscando uma interpretação fluida, com pouca hesitação, esforçando-se para extrair o que os personagens tinham de mais expressivo e desafiador — e não era pouco, pois os textos escolhidos carregam uma densidade psicológica e existencial intensa.

Mais importante ainda: os temas das histórias colocam em cena questões fundamentais, que nos fazem pensar sobre o mundo em que vivemos. Questões que, na verdade, atravessam o convívio humano e social há séculos, reaparecendo sob novas roupagens ao longo do tempo. Basta lembrar do drama de Hamlet, de Shakespeare — um príncipe que se vê diante do pai assassinado pelo próprio tio, que ainda trai o irmão com a cunhada para apossar-se do trono. Um conflito de poder, lealdade e identidade que ressoa até hoje, em diferentes contextos. E não custa recordar que Shakespeare, embora hoje seja considerado um clássico erudito, foi, em sua época, um autor de peças bastante populares, que dialogava diretamente com o gosto e as inquietações do público comum — algo que esta oficina resgata com maestria.

Entre as outras cenas curtas, algumas me chamaram particularmente a atenção por abordarem questões bem contemporâneas, que me fizeram recordar o conceito de amores líquidos, cunhado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman — relações frágeis, descartáveis, que se esvaem como água. Outra cena, de forma inteligente e inventiva, valeu-se da linguagem da literatura de cordel para misturar São Pedro, o Céu, o Diabo e um ex-deputado num diálogo cuja conclusão nos oferece uma reflexão aguda sobre como construímos o céu e o inferno aqui mesmo na Terra, por meio de nossas escolhas políticas e éticas.

Embora nos tempos atuais as peças de Shakespeare, assim como as de outros autores clássicos e contemporâneos, estejam, em geral, distantes do grande público — restritas a circuitos especializados ou a temporadas elitizadas —, iniciativas como a do Ponto de Cultura Ação Cultural vêm justamente para romper essa barreira. Ao trazer o teatro popular para o centro da comunidade, elas reafirmam a arte como direito de todos, e não como privilégio de poucos. Mais do que entretenimento, essa oficina demonstra que o teatro pode ser um espaço de formação crítica, de acolhimento de vozes diversas e de reinvenção coletiva da realidade.

Ao final, fica a certeza de que a semente lançada nesses dias já germinou — não apenas nos talentos revelados, mas na consciência de que a cena, quando é genuinamente popular, reflete e transforma a vida. Que venham as próximas oficinas, e que o burburinho continue, pois ele é o sintoma de uma cultura viva, pulsante e necessária.

Hoje, sábado, 25/07/2026 será o encerramento, com o segundo ensaio aberto para familiares e amigos convidados. Às 16h30 no pátio do espaço de convivência da Paróquia São Pedro Pescador.

No dia 22 de agosto a apresentação das cenas serão repetidas na Mostra Arte e Cidadania juntamente com outras apresentações culturais, musica, audiovisual, hip-hop e maculelê mirim do povoado São Braz de Nossa Senhora do Socorro em homenagem ao dia 22 de agosto, comemorado como  dia do folclore.

Abaixo a lista dos textos de onde as cenas foram retiradas:

1. Sou Criança (Ivone Boechat)

2. Seu Darlei (Nicolás Monastéri)

3. Valsa N° 6 (Nelson Rodrigues)

4. Hamlet (William Shakespeare)

5. Espelho, Espelho Meu! (Nicolás Monastéri)

6. Campanha Eleitoral (Maviel Melo)

7. A Encalhada (Ingrid Guimarães e Aloísio Abreu)

        *Recorte da Peça Cócegas




"Hamlet" soviético é exibido hoje

21 de Junho de 1999 

PAULO SANTOS LIMA

free-lance para a Folha

A obra mais conhecida de William Shakespeare é exibida hoje numa versão que nem todos conhecem ou esperavam conhecer.

"Hamlet", produção soviética de 1964 dirigida por Grigory Kozyntsev, integra o ciclo Teatro, Cinema e Psicanálise, promovido pela Sala Cinemateca em parceria com a Sociedade Brasileira de Psicanálise.

Após a exibição do filme, o psicanalista Luis Carlos Menezes e o crítico e professor de Letras da USP José Miguel Wisnik -mediados pelo também psicanalista Uracy Simões- abrem mesa-redonda para discutir o filme e a obra do dramaturgo inglês.

Enganam-se os que esperam ver um filme de técnica rústica. Antes de qualquer metáfora política, "Hamlet" ("Gamlet", em russo), é uma adaptação em princípio fiel ao texto original. Há, ainda, um rigor estético e narrativo como pouco se vê nessas transposições.

Como no original, Hamlet é o príncipe que ouve o fantasma de seu pai pedindo vingança por ter sido assassinado pelo irmão, que assumiu o trono da Dinamarca.

O problema é que o jovem príncipe (Innokenti Smoktunovsky, ator de prestígio na época, mas, convenhamos, com 39 anos, um tanto velho para o papel) não sabe como viabilizar a vingança, uma vez que não há provas fáceis que incriminem seu tio. Outra questão: sua mãe, Gertrudes, traiu o rei com o cunhado.

Quem é culpado, o quanto é culpado e o quanto a natureza humana contribuiu para esse e outros crimes é o dilema que faz de Hamlet um louco para os cortesãos.

Não é só. Junto a traições de amigos -o único confiável é Horácio- e tentativas de assassinato, ele ainda nutre um amor tortuoso por Ofélia (a bela Anastasiya Vertinskaya), mulher que cai na verdadeira loucura, aquela que leva à destruição.

Apesar de parecer um filme dos anos 50, o "Hamlet" soviético possui fotografia e cenografia adequadas, simples e cumprindo a caracterização do texto. O diretor não o rodou como teatro-filmado, ao contrário, mantém uma câmera sempre em panorâmicas e travel-lings, instigando o olhar do espectador que mais se ateria ao discurso da obra shakespeareana.

Adaptações de "Hamlet" não faltam. Pelo menos 25 versões "fiéis" existem -do "Hamlet" de Clement Maurice (1900) ao "Hamlet" de Michael Almereyda (99), passando pelos ótimos "Hamlet" de Laurence Olivier (48) e de Kenneth Branagh (96) e o péssimo de Franco Zeffirelli (90).

O que só fortalece a leitura de Grigory Kozyntsev. Basta a última sequência, que mostra o protagonista carregado por espadas.

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/acontece/ac21069901.htm



quarta-feira, 22 de julho de 2026

"Cortina Levantada! 1ª Oficina de Teatro Popular da Ação Cultural Encanta e Mobiliza o Bairro Industrial"

 Iniciativa gratuita da Ação Cultural une história, expressão corporal e inclusão para jovens e adultos a partir de 13 anos.


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