Recebi o link pra um dossiê intitulado Farra, um levantamento sobre os eventos promovidos por órgãos públicos e animados por artistas da Música Popularesca Brasileiram o texto estarrecedor, e disponível no site deolhonosruralistas.com.br
Um trechinho:
"Durante seis meses, a equipe de pesquisa do De Olho nos Ruralistas mergulhou em um universo de mais de 20 mil contratos, quase 40% deles ausentes na principal referência para jornalistas e pesquisadores, o Plano Nacional de Contratações Públicas (PNCP). E constatou uma escala de gastos muito maior do que aquela até agora noticiada.
No que se refere aos shows realizados em 2024, 2025 e início de 2026, cem bandas
receberam, cada uma, pelo menos R$ 25 milhões de prefeituras e governos estaduais. Ao todo, o valor do top 100 ultrapassa os R$ 5 bilhões. Isso levando em conta contratos firmados até 31 de março de 2026, data de fechamento da pesquisa de dados — para podermos viabilizar as comparações e a divulgação.
Dentro desse top 100 há um grupo ainda mais exclusivo: o de artistas que ultrapassaram o rubicão dos R$ 50 milhões em contratos públicos. Esses 40 nomes receberam, juntos, R$ 3,08 bilhões desde janeiro de 2024. Um valor que se aproxima do recorde de captação pela Lei Rouanet, de R$ 3,41 bilhões em 2025. Com duas diferenças: 1) apenas a quantia do top 40 sai diretamente dos cofres públicos; 2) a Lei Rouanet se refere a diversas expressões artísticas, não somente a música.
2 - Mas seriam os artistas os únicos beneficiados? Nossa investigação foi além e mostrou que há uma concentração ainda maior em um grupo de cinco produtoras nordestinas que, sozinhas, receberam R$ 2,42 bilhões — quase metade do valor obtido pelo top 100. Esse oligopólio é liderado por dois cantores: Wesley Safadão, sócio da Camarote Shows e 3º colocado entre os artistas que mais receberam dinheiro público no Brasil; e Xand Avião, da produtora Vybbe, 10º lugar na lista.
Muito além de serem concorrentes, os antigos amigos Xand e Safadão ilustram a partir de suas empresas o quanto o universo dos shows públicos no Brasil tem a participação ativa das bets e do agronegócio (...)
- Na música original: A letra de Aldir Blanc aborda o amor como uma força avassaladora e mística. Ela traz vulnerabilidade absoluta, onde "ninguém sai com o coração sem sangrar". O foco é a entrega emocional e o sofrimento inevitável de quem ama. [1, 2]
- Na fala de Natanzinho: Ao equiparar uma mulher ao gado Nelore (uma das raças de bovinos mais caras e valorizadas do mercado agropecuário), o cantor coisifica as relações. O amor deixa de ser uma experiência de sentimentos profundos e passa a ser tratado como um símbolo de status social, luxo, poder aquisitivo e posse. [1, 2, 3]
- Na música original: A canção exalta a humildade diante do sentimento e a incapacidade do homem de controlar o afeto, eternizada no verso "ninguém tem o mapa da alma da mulher". É o reconhecimento de que o outro é um mistério sagrado e inalcançável. [1]
- Na fala de Natanzinho: A expressão "só tem quem pode" sugere que mulheres bonitas seriam "conquistas" reservadas apenas a homens com poder ou dinheiro. Isso anula a ideia de mistério e conexão de almas, transformando o relacionamento em uma transação de ostentação. [1]
- Na música original: A canção vive no equilíbrio sutil entre o perigo carnal da paixão (serpente) e a iluminação espiritual (estrela). É um dilema profundo da existência humana.
- Na fala de Natanzinho: Toda essa riqueza mitológica e metafórica é reduzida a um jargão raso do universo das vaquejadas e do agronegócio. A dualidade poética é substituída pela mera valorização da beleza estética física como um bem de consumo. [1]
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