domingo, 29 de março de 2020

PROSTITUTAS – MULHERES DE VIDA ALEGRE E AMARGA VIDA – Parte 2


Caruaru antiga.
fonte: canal da Jailma Barbosa no youtube



ABILIO NETO
No tempo em que o Coronavírus se tornou uma pandemia é bem propício escolher para orar não somente pelos nossos familiares e profissionais de saúde, mas também por aqueles que estão impedidos de ganhar o pão de cada dia. Eu decidi orar pelas putas porque elas também são filhas de Deus e resolvi escrever uma crônica, dividida em três partes, dedicada a elas. Se a doença me pegar, talvez seja meu último trabalho. 

E havia ali também na Capital do Agreste, o Night Club de Caruaru, o saudoso palácio da perdição, imponente e desafiador porque instalado em pleno centro da cidade. Todo aquele imenso monumento à putaria que era a Rua Almirante Barroso foi desocupado, aos poucos, desde o início de 1972 e demolido definitivamente no final de 1973, em nome da limpeza social, higienização, ordem e progresso. Hoje, no lugar dele, existe uma praça e nos corações boêmios sobreviventes ao tempo, resiste ainda uma imensa saudade das luzes coloridas do prazer, das radiolas de ficha, do perfume Gardênia das meretrizes e das orquestras que animavam os famosos bailes da Zona. Waldick Soriano era freguês de lá quando fazia shows em Caruaru. Fui testemunha disso uma vez, depois de fazer show no auditório da Rádio Difusora. Sua música A Carta, tocava demais no Baixo, assim como a versão de ANGÚSTIA. Carlos Fernando, saudoso poeta e compositor de Caruaru, era outro entusiasmado fã da Zona desde os tempos de Maria Pequena, dançarina e prostituta do bordel A Matança. Onildo Almeida, o grande compositor de Caruaru, autor de A Feira de Caruaru, era louco pela Zona até se casar. Quem se destacava também por gostar muito da putaria do Night era Abdias, afamado sanfoneiro de oito baixos e marido da cantora Marinês. Acho que ela nem sabia, coitada, mas levava um chifre do K7 das moças da vida. Nelson Barbalho, historiador, escritor e parceiro de Luiz Gonzaga em A Morte do Vaqueiro, escreveu certa vez que, estando na Zona, sentia-se no Céu. 
  
Mas eu era invocado com aquela bendita radiola de ficha do Night quando tocava um lindo samba-canção de Adelino Moreira, gravado por Nelson Gonçalves, CHORE COMIGO, cuja letra eu detestava, porque no final dizia assim: “acostume-se a derrota, pois a vitória não pertence ao infeliz”. Nunca fui fã das letras do tipo autoajuda, mas essa que enterrava na lama a cara de quem ia à Zona porque estava com dor de corno, para mim era exagerada demais. Não precisava lascar tanto a pessoa sofrida. Dei graças a Deus quando Los Panchos estiveram no Brasil em 1964 e gravaram uma versão de Alfredo Gil para Chore Comigo, LLORE CONMIGO, que ficou uma beleza. Se antes se dançava no Night aquele samba-canção bem lento de Nelson, agora podia-se ouvir a mesma bela música em espanhol e em ritmo abolerado. Não devemos esquecer que, certa vez, o diplomata, compositor e poeta Vinícius de Moraes (que falava fluentemente seis idiomas) disse que se periquita falasse, certamente seria em castelhano. 
  
Com a triste demolição da Zona do centro da cidade, todas as raparigas se instalaram compulsoriamente na Mocolândia, um lugar distante, ermo, sem as mínimas condições de habitação e nenhum lugar decente para dançar e depois afogar o ganso. Era tão longe que só podia se chegar lá indo de carro ou lambreta. Lá não existia palácio luxuoso como o Night Club porque aquele tinha sido construído por um empresário que era dono do extinto Cinema Santa Rosa. Ele queria que seu cabaré fosse frequentado por gente chique da cidade. E conseguiu porque até o general Aguinaldo Fagundes, reconhecido em Caruaru por cultivar roseiras e ser um católico fervoroso, era assíduo frequentador do Night. No Mocó o que existia era uma imensa pobreza!  
  
O jornal diocesano A DEFESA, pasmem, em artigo do meu saudoso professor de Geografia do Colégio Estadual, Agostinho Batista, foi o único veículo da imprensa falada e escrita que saiu em defesa de condições dignas para as quengas. Disse ele no citado jornal de 14 de julho de 1973:  
  
“O Mocó não tem a mínima condição para receber de uma só vez as mulheres que moram na rua Almirante Barroso e adjacências. O local um tanto deserto e habitado nos arredores por pobres agricultores, possui apenas umas três casas que podem ser chamadas de casas. As restantes, quase quarenta, são umas taperas, verdadeiros quixós sem piso, sem água, sem luz, sem saneamento, muitas delas quase caindo sem condições reais de habitabilidade”.   
  
A retirada dos cabarés da Rua Almirante Barroso e alguns becos vizinhos, foi por determinação do delegado major Fernando Veras, em consonância com o dr. Plácido de Souza, juiz da 1ª Vara de Caruaru, para quem a referida rua era um “palco de desordens, criminalidades, deboches e arruaças”, informações estas contidas em um ofício que enviou às autoridades policiais do município.  
  
Conheci pessoalmente o Dr. Plácido, homem muito maneiroso e com cara de santo. Vários frequentadores dos prostíbulos diziam no Café Rio Branco que ele não gostava muito de mulher, ou se gostasse, seria somente por obrigação. Hoje ele é nome de um presídio em Caruaru.  
  
Depois da retirada à força das putas, o vereador Fernando Soares apresentou um projeto à Câmara para que todas as ruas de Caruaru que tivessem abrigado puteiros pudessem trocar os nomes. Quando eu soube disso, estranhei muito o fato porque Fernando Soares foi dentista de várias colegas de trabalho minhas do extinto INPS. Na cidade ele era conhecido como boa gente, porém tinha o apelido de “Fernando Safadeza”, por ser notório raparigueiro e esquerdista, ainda sendo apontado por várias putas da Zona como detentor da maior rola de Caruaru: mais de 30 cm em vigília, conforme mediu com trena uma vez a quenga Margarida, conhecida de mim, moça de bons modos, esbelta, de cabelos castanhos cacheados e muito bonita. Conhecedora da sua fama, ela se recusava a ter relações com ele para não ser arrombada, segundo palavras dela. Fernando, em época de carnaval, enchia o seu Jeep (sem capota) de raparigas e a cara de cachaça e saía a desfilar pelas ruas do centro da cidade e às vezes forçava a barra para entrar nos clubes sociais das famílias caruaruenses dizendo que aquelas eram putas de verdade e as que estavam dentro do clube eram suspeitas. Nunca pensei que a tentativa de soterramento da memória dos puteiros caruaruenses partisse de um ativo frequentador deles. A isso se dá o nome de hipocrisia! 







sábado, 28 de março de 2020

O que os artistas precisam do governo e da sociedade para continuar velando pela alegria do mundo?



Com participação da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais da Cultura divulgou documento com as propostas emergenciais ao Covid-19 que foram encaminhadas à Secretaria Especial da Cultura do governo federal. As proposições foram elaboradas em reunião on-line na última quinta-feira (19), após encontro realizado por Skype entre os dirigentes estaduais e a secretária especial da Cultura, Regina Duarte.

Entre as propostas emergenciais de fomento direto, elaboradas pelo Fórum, estão: o lançamento de editais para os setores culturais e criativo no valor de R$ 500 milhões; o destravamento dos financiamentos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA); a contratação imediata dos projetos audiovisuais selecionados em editais do FSA; a retomada do programa Cultura Viva, além da elaboração de editais para a seleção de conteúdos on line.

Também foram encaminhadas proposições como o lançamento de linhas de crédito para empresas do setor e instituições culturais, com juros reduzidos, carência de 12 meses e pagamento em 60 meses; e o adiamento do recolhimento dos impostos dos setores cultuais e criativo por, no mínimo, 6 meses e pagamento posterior parcelado em até 24 meses. O documento sugere ainda a adoção de medidas de fomento indireto e outras ações a serem realizadas a médio prazo.

Assinam o documento: a presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, Arany Santana (BA) Ursula Vidal (PA), Beatriz Araujo (RS), Manoel Pedro (AC); Paulo Pedrosa (AL), Fabiano dos Santos Piúba (CE), Fabrício Noronha (ES), Edival Lourenço (GO), Anderson Lindoso (MA), Mara Caseiro (MS) Ana Lúcia Coutinho (SC), Marcelo Matte (MG), Damião Ramos Cavalcante (PB), Eliette Vilela (PR), Gilberto Freyre Neto (PE), Fábio Novo (PI), Danielle Barros (RJ), Crispiniano Neto (RN), Jobson Bandeira dos Santos (RO), Marcos Apolo Muniz (AM) e Sérgio Sá Leitão (SP). Confira a íntegra do documento:

PROPOSTAS EMERGENCIAIS COVID-19

1. FOMENTO DIRETO

• Lançamento de editais para os setores cultural e criativo e para a salvaguardado patrimônio imaterial do pais com valor sugerido de R$ 500 milhões, oriundos da participação da Cultura nas loterias federais e do Fundo Nacional de Cultura-FNC;

• Destravamento dos financiamentos do Fundo Setorial do Audiovisual-FSA;

• Contratação imediata dos projetos audiovisuais selecionados em editais do FSA, no valor estimado de R$ 1 bilhão;

• Transferência imediata de recursos para a Secretaria do Audiovisual-SAV (previstos em atas anteriores);

• Reunião emergencial do Comitê Gestor do FSA para decisão sobre a pauta pendente (contratação de projetos selecionados, lançamento dos editais referentes aos PAIs até 2018) e nova pauta (criação de novos editais ou novas linhas de financiamento, a exemplo de linha de complementação para que projetos adiantados em sua viabilização possam começar a produção.

• Retomada do programa Cultura Viva e prorrogação dos prazos dos convênios já firmados;

• Acesso aos recursos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, para investimentos no campo do patrimônio cultural do país;

• Editais para a seleção de conteúdos on line, incluindo licenciamento para exibição de filmes nacionais na TV Brasil e demais TVs públicas do país;

• Retomada dos editais de microprojetos culturais;

• Transferências Fundo a Fundo do FNC para os fundos estaduais para realização de editais;

• Desburocratização dos processos de contratação;

• Criação de um canal permanente de escuta pública.

2. CRÉDITO

• Lançamento de linha de crédito de capital de giro para as empresas do setor, pelo BNDES e pelos bancos estatais, com juros reduzidos, carência de 12 meses e pagamento em 60 meses;

• Lançamento de linha de crédito para as instituições culturais pelos BNDES e demais bancos estatais, com juros reduzidos, carência de 12 meses e pagamento em 60 meses.

3. IMPOSTOS

• Diferimento do recolhimento dos impostos e contribuições aplicáveis aos setores cultural e criativo por, no mínimo, 6 meses e pagamento posterior parcelado em até 24 meses, incluindo as empresas inscritas no Simples e em regimes diferenciados;

• Diferimento dos impostos e contribuições com pagamentos parcelados em curso, incluindo empresas inscritas no Simples e em regimes diferenciados;

• Suspensão temporária do pagamento das estimativas mensais e pagamento quando do ajuste anual, para contribuintes sujeitos ao regime de lucro real.

4. FOMENTO INDIRETO

• Negociação com empresas estatais para manutenção e ampliação dos respectivos programas de fomento à cultura, por meio de leis de incentivo, visando os projetos previstos para o segundo semestre (com liberação de recursos imediata);

• Flexibilização de prazos (captação, realização, prestação de contas) e de regras (sobretudo as relativas a contrapartidas) na Lei Federal de Incentivo à Cultura, com fast track para redimensionamento e adiamentos de realização;

• Produção de conteúdo educativo e preventivo contra o COVID-19, por meio de linguagens artísticas;

• Liberação das emendas parlamentares para a Cultura;

• Destravamento do Vale-Cultura para compras on line;

• Suspensão por 120 dias de protestos e cobrança de dívidas;

• Suspensão do veto 62 que impede as empresas de patrocinar projetos audiovisuais.

5. CÓDIGO DO CONSUMIDOR

• Não obrigatoriedade de devolução do valor dos ingressos em caso de adiamento dos eventos;

• Elaboração de nota técnica com esse teor para orientação dos órgãos de defesa do consumidor estaduais e municipais.

PROPOSTAS MÉDIO PRAZO

1. Retomada da PEC 421/2014, que vincula 2% do orçamento da União, 1,5% dos Estados e 1% dos municípios para a Cultura, de modo a minimizar os impactos no setor;

2. Incentivo e fomento do intercâmbio artístico;

3. Destravamento do Vale – Cultura;

4. Exclusão do FNC e FSA da PEC 187.

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 FESTIVAL LIVE SUAS MÃOS |

Em tempos de isolamento, os artistas sergipanos, na ausência de um plano emergencial para a classe por parte dos Governos, resolveram se juntar e organizar o FESTIVAL "LIVE SUAS MAOS", com o intuito de movimentar a cena, aproximar as pessoas e fortalecer a rede de apoio entre os próprios artistas.

O festival acontece neste final de semana, nos dias 27 (sexta), 28 (sabado) e 29 (domingo), por meio do instagram de cada artista, que fará uma live (transmissao ao vivo) no seu respectivo horario, que serão divulgados hoje a noite, junto com a programação.

Portanto, aproveita que tá de quarentena, e acompanha as lives pra matar saudade daquele artista que vc nunca mais viu e pra conhecer melhor tb aqueles que vc ainda não conhece bem.

Interaja e compartilhe! Se puder, ajude tb na divulgação e contribuição das vaquinhas online para fortalecer os artistas de Sergipe, nesse momento tão difícil. 

E não se esqueça: LIVE SUAS MAOS!

Arte por Rafael Oliva

#festivallivesuasmaos
#operariosdaarte
#fiqueemcasa
#forabolsonaro




VALORIZE O SEU ARTISTA!
Sobre o cancelamento dos festejos juninos em alguns municípios, infelizmente não faz muita diferença para os artistas locais. 
Quem deve tá lamentando muito são os "ARROCHANEJOS"
de fora que dominam a maioria das programações, pois os talentos daqui dificilmente são contemplados como deveriam.

A nossa tristeza é porque perde o comércio, o turismo, o povo...
Então, prefeitos e secretários, já que não tem festa por causa do vírus, cuidem dos artistas locais. Eles que tocam barato e fiado; que investem o cachê aqui mesmo; que elegem vocês. 
Neste momento tão difícil, deem a mão aos artistas do seu lugar, e quando as festas voltarem, não larguem a mão deles e saiam correndo atrás dos de fora. 

#ValorizeSeuArtista
Estamos de olho em vocês.

Alberto Marcelino






Hoje é dia de homenagear os artistas do Circo e do Teatro. Mas, neste momento em que toda a classe artística está sofrendo os efeitos da crise da Pandemia, estendemos nossos aplausos a todos vocês.

Sem os artistas poderem se apresentar, é fundamental a ação do Estado para preservar a cadeia produtiva da Cultura, com apoio aos artistas, aos agentes e ao nosso circuito cultural.
Estamos propondo a criação da "Rede de Proteção aos Artistas Sergipanos”; a abertura imediata de editais para a contratação de shows e mostras virtuais, por meio da Internet; e a prioridade de pagamento dos cachês devidos aos nossos artistas.
A vida humana exige arte e cultura. Todas têm que ser preservadas.

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Com a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o isolamento social como uma das ações no combate à pandemia do novo coronavírus e com o advento, no estado de Sergipe, do Decreto Legislativo N° 01/2020, palcos e plateias esvaziaram-se. Como forma de tentar diminuir os impactos da pandemia aos profissionais da arte e da cultura, o deputado estadual Iran Barbosa (PT) apresentou Indicação para que seja criada e colocada em execução uma “Rede de Proteção aos Artistas Sergipanos”.



A propositura prevê que deverão ser utilizados os recursos do Tesouro estadual, estabelecendo as condições necessárias para subsidiar esse importante setor econômico, como já ocorre com outros setores, a exemplo da agricultura e da indústria. A Indicação é direcionada ao governador do estado de Sergipe, Belivaldo Chagas, e à diretora-presidente da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (FUNCAP-SE), Conceição Vieira.



“O nosso objetivo é subsidiar, fomentar e desenvolver ações para a Cadeia Produtiva Cultural sergipana, não apenas durante este momento de calamidade, mas também após a Pandemia do CODIV-19, já que os efeitos danosos persistirão. É momento de inovação administrativa e de compromisso com os diversos setores da economia sergipana”, afirmou.



“Diante do Estado de Calamidade no qual vivemos, é necessário agilidade para não permitirmos a falência dos artistas sergipanos e dos agentes promotores deste importante setor. Devemos pensar ações imediatas, em diálogo com os profissionais”, justificou Iran Barbosa.



A Rede de Proteção aos Artistas Sergipanos, conforme propõe o deputado, deverá atender toda a cadeia produtiva cultural, a exemplo de atores, músicos, escritores, dançarinos, circenses, maquiadores, produtores, técnicos, artistas plásticos, fotógrafos, entre outros, para que se garanta a retomada do circuito cultural sergipano.

Humberto cria projeto que beneficia artistas e produtores culturais durante pandemia de coronavírus
Foto:  Roberto Stuckert Filho
O Com o objetivo de minimizar os efeitos da pandemia de coronavírus na economia criativa, o senador Humberto Costa (PT-PE) elaborou um projeto que garante benefício aos trabalhadores das artes e da cultura de todo o país. O projeto assegura um auxílio emergencial de um salário mínimo (R$ R$ 1.045) aos profissionais do setor enquanto estiver vigente a declaração de emergência em saúde pública decorrente do coronavírus.
Segundo o senador, o setor cultural foi severamente afetado pela pandemia e emprega mais de 5 milhões de pessoas em todo o país. “Precisamos garantir aos trabalhadores da área uma forma de manter as suas famílias durante esse período de crise. A cultura é a expressão do nosso povo e se manifesta de diversas formas. Garantir a sobrevivência dessas pessoas é também garantir a memória e a história da nossa gente”, afirmou o senador.
Além do benefício, o projeto também prevê a suspensão de tributos federais incidentes sobre casas de espetáculos cinemas, circos, museus, cinematecas e quaisquer outros estabelecimentos dedicados a apresentações artísticas e culturais mediante a venda de ingressos ao público durante a crise do coronavírus.
A expectativa do setor é que o prejuízo para empresas que trabalham na área cultural seja de mais de R$ 442 milhões, entre shows e atividades culturais canceladas. O público esperado para os projetos suspensos era de mais de cerca de 3,5 milhões de pessoas.  “Essa é uma crise sem precedentes na história e terá impacto em todos os setores. O isolamento social é fundamental para que a gente consiga preservar a vida de milhares de pessoas. Mas precisamos também garantir que os trabalhadores encontrem uma forma de se preservarem da doença e sobreviver a este momento difícil”, afirmou o senador.

terça-feira, 24 de março de 2020

Em tempos de Coronavirus oremos pelas putas também.

Aquelas que precederão a muito de nós no reino dos céus. 


ABILIO NETO
No tempo em que o Coronavírus se tornou uma pandemia é bem propício escolher para orar não somente pelos nossos familiares e profissionais de saúde, mas também por aqueles que estão impedidos de ganhar o pão de cada dia. Eu decidi orar pelas putas porque elas também são filhas de Deus e resolvi escrever uma crônica, dividida em três partes, dedicada a elas. Se a doença me pegar, talvez seja meu último trabalho. 



PROSTITUTAS – MULHERES DE VIDA ALEGRE E AMARGA VIDA – Parte 1 

Corria o ano de 1955, num começo de noite de abril, quando enjeitaram um menino dentro de um balaio forrado, bem em frente de uma pensão decaída em pleno baixo meretrício de Caruaru, que ficava no centro da cidade. Duas quengas da zona, conhecidas por Maria Seio de Pão Doce e Zefa do Tempero Bom, em pleno vigor da idade, tiveram piedade em seus corações e resolveram criar o garoto ensinando-lhe somente coisas boas e voltadas para o bem. Se bem que, quando ele tinha 13 anos e Zefa do Tempero Bom (cozinheira e trepadeira) estava a dois passos de se aposentar como rapariga, ela comeu o menino para instruí-lo na ciência de dar prazer a uma mulher. E falam que o menino aprendeu direitinho. Neste tempo chato em que vivemos, ela seria acusada de pedofilia. Naquele foi ótima professora!   
  
Antes, quando pegaram a criança, elas mandaram batizar o menino com o nome Cícero em homenagem ao Padim do Juazeiro, mas crescido, todos o chamavam de Ciço Gato, graças aos olhos que mudavam de azuis para verdes, dependendo do clima do agreste e do humor do rapazola. Com Maria Seio de Pão Doce aprendeu a amar o próximo e a cantar; com Zefa do Tempero Bom, conforme já afirmei, aprendeu todos os truques de uma boa trepada; com os clientes da zona aprendeu a ler, escrever, fumar, beber, jogar cartas e capoeira. Aos 15 anos, já era malandro feito, ostentando terno de linho branco, sapatos ao estilo do malandro carioca e um coração tatuado no peito com os dizeres: “Amor Só de Mãe”. Escrevia poesia, fumava charutos cubanos e só bebia Campari, por gostar da cor e do gosto meio amargoso na boca. Aos 18, era amado por todas as quengas e temido por todos os gigolôs. Além disso, nunca se embebedava ou perdia no jogo. Punia xexêros e gigolôs violentos riscando-os na carne com a ponta da sua faca peixeira sempre afiada. Corria a fama de que ele era veloz feito um raio. Certa vez, venceu um valente paraibano armado de navalha que queria ferir uma dona de pensão porque ela lhe chamara publicamente de "rola mole".  
  
A Rua Almirante Barroso, Zona do Baixo Meretrício de Caruaru, fervilhava nas noites de sexta-feira e de sábado. Em todos os bordéis, a fauna de boêmios e a flora de meretrizes nunca fora tão rica como no fim da década de 50 até 1968. Maria Seio de Pão Doce e Zefa do Tempero Bom, graças à sorte do filho, tinham agora seu próprio bordel, ao qual Cícero deu o nome "Pensão Coração de Mãe", lógico que em homenagem as duas mães que o criaram e educaram. 





Pernambucano, 70 anos, é memorialista e pesquisador musical, além de pequeno colecionador de discos. Seu arquivo contém algumas obras que se tornaram preciosas na música brasileira diante do mau gosto popular nessas duas primeiras décadas do século XXI. São frevos, sambas, maracatus, forrós, xotes, polcas, toadas, marchinhas, merengues e choros. Tem mais de 400 artigos escritos sobre música que foram publicados em sites da internet, ‘terreno’ que se notabiliza pela impermanência. Seus artigos provam que a História também se conta através da música.
Música e sociedade, música e política, música e afeto, amizade, alegria e prazer. Uma delícia quando lemos o texto de uma pessoa que sabe fazer essa combinação. É o que faz Abilio Neto, o qual conhecemos nos anos do Overmundo, entre 2006 e 2011, primeiro portal nacional de internet dedicado a difusão da cultura independente, das periferias, dos sertões, dos que mesmo produzindo com qualidade e compromisso, não conseguiam espaços para fazer divulgação nos cadernos culturais dos grandes jornais.
Ler o texto do Abilio Neto é como conversar ao cair da tarde em um alpendre de varanda das casas coloniais, cercados pela brisa suave que sopra das árvores, grandes e pequenas que cercam o redor da casa. Ou então, é como conversar em uma barraca de praia, sentindo o vento que vem do mar soprando em nossas caras, bebendo uma boa caipirinha, intercalando com água de coco.



segunda-feira, 23 de março de 2020

A arte e os artistas sergipanos precisam da atenção do poder público e da sociedade.



AOS SENHORES(AS) DEPUTADOS(AS) ESTADUAIS E AO EXCELENTÍSSIMO GOVERNADOR DO ESTADO DE SERGIPE, BELIVALDO CHAGAS:

Diante da situação causada pela pandemia do COVID-19, onde vários setores estão prejudicados, nós, artistas sergipanos, sem ignorar quaisquer outros setores, entendemos estarmos entre os mais prejudicados da cena.

Com os decretos, necessários para contenção do avanço do Corona vírus, todos os nossos espaços de trabalho foram fechados. Ficamos sem palco, e, na iminência de ficarmos sem sustento, resolvemos recorrer ao Poder Público.

O governador do estado vai decretar, com a aprovação da Assembleia Legislativa, estado de calamidade financeira. Será justamente o que vai ocorrer com nossa classe se nada for feito por ela, visto que não temos noção de quando esta crise vai passar.

O caso agora é extremamente sério e precisamos urgentemente de auxílio. A INCLUSÃO DO SETOR CULTURAL entre os que serão assistidos pelas medidas de suporte à economia é indispensável.

Entre as sugestões: uma tipo "seguro defeso". O caso é praticamente igual. Só muda a atividade;
No Maranhão estão lançando editais para contratação de shows on-line. É algo a se analisar também;
Outra ideia é a contratação de uma espécie de "carta de crédito" de shows, que seriam pagos no ato do contrato e realizados posteriormente, a critério do governo.

São algumas saídas que pensamos rapidamente. Talvez, à luz da legislação, podem não ter sustentação, mas com orientação técnica e um pouco de boa vontade, chega-se a uma solução. O que não pode haver, até por questão de sobrevivência, é exclusão.

Contamos com a sensibilidade dos que elegemos para conduzir os destinos da sociedade sergipana, e pedimos a Deus que nos permita voltar o mais rápido possível às nossas atividades normais.

Saúde e tranquilidade para todos, em nome de Jesus Cristo, AMÉM.

Assinado por enquanto:
JAILSON DO ACORDEON
CHIQUINHO DO ALÉM MAR
ERICK SOUZA
ALBERTO MARCELINO
KARMEM KORREIA
EVANILSON DO ACORDEON
KARLA ISABELLA
PEDRO CAFÉ SUADO
BOB LÉLYS
ÉRICA SÁ
SENA
TONHO BAIXINHO
PAPUDOGIL
GILDÃO BRASAS NORDESTINOS
CORREIA DO OITO BAIXOS
ANTÔNIO CARLOS CORREIA
GLAUBERT SANTOS
EVERARDO CORONÉ
LUZIA CLÁUDIA
EDSON SANTOS
BIA MORAES
GIL CASTRO
ODIR CAIUS
JORGEBAHIA
RAIMUNDO DE NÚBIA FARO
ROBSON BATINGA
NANDO FOGUMANO
TITO E EDILZA FORRÓ PÉ QUENTE
DICO DO XAMEGO DA GONZAGA
ROBÉRIO ELIAS
GLEDSON SOUZA
HERIBAS DO ACORDEON
MARINA ZACCHI
Cido Acordeon
Edilson Do Acordeon
Lito Nascimento
Augusto GUGU BRASIL
Sérgio Maestro
Amorosa Sergipana
FABRÍCIO FERREIRA
HUDSON PEREIRA
Paulo Pinho
Profa Patrícia Francisca
Lecia Maria
Jacy Lima
DEO RAMOS
Rafael Silva - Faz. Pôr do Sol
JOSÉ COLLANTES
Mimi Do Acordeon
Mingo Santana
Fábio Lima
Edson Joy
JÚNIOR PRADO
NATÁLIA BRAYNER
RONALDO VIEIRA
Everton José
Thal Matos
JANILSON OLIVEIRA
Jailsonem Santos
NARRIMAN TENÓRIO
Dede Brasil
Luiz Retalhos Nordestino
Eder D Souza...
Zezito de Oliveira - Ong Ação Cultural

GEOVAN RESENDE - CRÂNIO - ARTISTA SERGIPANO 
EM SHOW VOZ E VIOLÃO NO YOUTUBE.

O realizador de audiovisual André Aragão,  nesse período de quarentena está exibindo nas  redes sociais, produções que dirigiu ou que participou  de alguma forma ao longo dos 10 anos trabalhando com audiovisual. São documentários, curtas, clipes, vídeos de oficinas, alguns inéditos na internet.

Vamos manter a cultura sergipana ativa neste momento tão delicado que passamos.

Todos os dias, 2 vídeos, no horário das 20h e com reprise 15h do dia seguinte.
E se cuidem ❤️

Veja o que está proposto em outros estados..


Inspirados no festival Eu Fico em Casa criado em Portugal,  cantores, intérpretes, compositores, artistas e bandas de   todo o Brasil se uniram em uma rede de cuidado coletivo,
rompendo o isolamento através da internet.

Um movimento para recarregar as energias, se conscientizar  e nutrir de cultura.

Flávio Dino anuncia edital para shows 

de artistas pela internet durante crise 

do coronavírus

De acordo com o governador do Maranhão, medida busca 
movimentar o setor econômico de eventos culturais 
durante a pandemia.




online de shows, peças, leitura de poesia