quarta-feira, 2 de setembro de 2026

OPINIÃO | Tuca: a voz que a história tentou apagar

Tuca foi uma das figuras mais sensacionais da música popular brasileira do final dos anos 1960 e início dos 1970. Digo sensacional no sentido mais amplo da palavra. Ela cantava, compunha, tocava vários instrumentos, criava arranjos e conduzia musicalmente os projetos dos quais participava. E fazia tudo isso sem se deixar prender a uma única linguagem. Em sua música, a formação erudita podia conviver com a bossa nova, a canção de protesto, o rock e as matrizes afro-brasileiras. Por vezes, tudo surgia atravessado por uma melancolia que parecia pertencer somente a ela.

Tuca não se acomodou em nenhum dos movimentos que procuraram organizar a música daquele período. Talvez venha daí a dificuldade de classificá-la. Também é possível que essa ausência de lugar tenha contribuído para o esquecimento que cercou seu nome. Artistas que escapam das categorias costumam dar trabalho à história. Quando não se sabe muito bem onde colocá-los, é mais fácil deixá-los de fora.




É contra esse desaparecimento que se ergue Tuca: a cantora lésbica exilada da história, de Renato Gonçalves, publicado pela editora O Sexo da Palavra. O livro faz parte da coleção Vidas Sequestradas, organizada por Cesar Braga-Pinto. Sua leitura produz, desde as primeiras páginas, um desconforto difícil de evitar. Como uma artista tão presente em momentos decisivos da música brasileira pôde ser tão pouco lembrada?


A pergunta envolve escolhas que raramente são inocentes. A memória cultural não se organiza sozinha. Alguém seleciona as fotografias, escreve os créditos, elege os nomes que representarão uma época e decide o que será repetido nos livros. Enquanto algumas trajetórias ganham contornos cada vez mais nítidos, outras desaparecem devagar. O trabalho de Renato Gonçalves nos permite acompanhar esse processo quase em movimento.


Tuca conviveu e trabalhou com artistas que se tornariam fundamentais para a música brasileira. Entre eles estavam Nara Leão, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Taiguara, Airto Moreira, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Maysa. Sua presença nesse grupo não era circunstancial. Ela participava da criação, interferia nos trabalhos e ajudava a produzir a sonoridade de seu tempo. Ainda assim, quando se conta a história daquele período, seu nome quase nunca aparece com a importância que teve.



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NOTA DE APRESENTAÇÃO
TUCA — Um tesouro redescoberto

Este vídeo é um registro raro e precioso: uma gravação caseira, íntima, de voz e violão, feita na casa de amigos, no ano da morte de Tuca. Uma conversa descontraída, risos, lembranças e canções que revelam a beleza e a sensibilidade de uma artista que o Brasil insiste em esquecer.

Tuca foi a compositora brasileira por trás de "La Question", um dos discos mais amados de Françoise Hardy. Sua música atravessou fronteiras, encantou ouvintes na França e no mundo, mas aqui permaneceu à margem, como tantos outros talentos genuínos. Este vídeo reúne canções inéditas, comentários afetuosos e a energia única de quem criava com o coração.

Os depoimentos de quem assiste ao vídeo falam por si:

"Que coisa incrível ouvir composições inéditas dela, ainda nesse formato tão íntimo e caloroso. Uma gravação de voz e violão na casa de amigos, conversando, rindo, relembrando. Me emociona demais."

"Uma lástima um ser tão lindo ter ido tão cedo, uma mente com tanta novidade e sensibilidade artística."

"Emocionado e arrepiado escutando vocês conversando... a Tuca, que delícia te escutar!"

Há quem tenha chegado até Tuca por meio de Françoise Hardy, como esta ouvinte:

"Criança, apaixonei-me por 'La question'. Foi pesquisando sobre Françoise Hardy que soube que o violão harmônico era de uma brasileira. Vim atrás da memória de quando o francês entrou na minha vida e acabo me apaixonando por essa moça tão talentosa!"

Outros expressam a importância do registro e a emoção de reencontrar essa memória:

"Que relíquia! O 'La Question' da Françoise Hardy é um dos meus discos preferidos da vida. Que emocionante é ouvir Tuca cantando, tocando e comentando descontraidamente canções desse álbum, além de outras pérolas."

"Para sempre vou revisitar este vídeo, esse registro precioso."

Este vídeo não é apenas um documento musical. É um ato de resistência contra o esquecimento. Uma prova de que a arte verdadeira encontra quem precisa ouvi-la — mesmo que décadas depois.

Agradecemos a Renato Winkler por compartilhar esse momento com o mundo, e a todos que mantêm viva a memória de Tuca.

Que essa joia continue inspirando novas gerações.

Sobre Tuca — Uma breve biografia

Tuca — nome artístico de Valquíria S. G. de Souza — foi uma cantora, compositora e violonista brasileira nascida em 1949 e falecida em 1978, aos 28 anos. Embora tenha tido vida breve, deixou um legado profundo e discreto. Sua parceria com a cantora francesa Françoise Hardy, para quem compôs várias canções do álbum "La Question" (1971), é um dos capítulos mais notáveis de sua trajetória. Sua música é marcada por sensibilidade poética, harmonia sofisticada e uma doçura melancólica. Este vídeo caseiro, gravado no ano de sua morte, é um dos poucos registros em que Tuca aparece cantando e comentando suas próprias composições. Um verdadeiro tesouro da música brasileira.

Texto elaborado a partir dos comentários e depoimentos de ouvintes e admiradores de Tuca no vídeo acima.


Tuca - LP Dracula I Love You - Album Completo/Full Album





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