Para quem, em algum momento da vida, marcou encontro com um Brasil que apontava para um futuro de justiça, liberdade, criatividade, solidariedade, alegria e prazer, talvez seja hora de marcar mais um.
'Porque esse futuro, que tantas mulheres e homens sonharam e ajudaram a construir, chegou em parte. Mas ainda está em disputa.
Há quem trabalhe todos os dias para nos empurrar de volta para a injustiça, a opressão, a mediocridade, o individualismo, a tristeza e o sofrimento.
E por isso vamos assistir a “Nem Tudo É Paz e Amor”, de Betão Aguiar, um filme que olha para a contracultura brasileira dos anos 1970 através dos filhos daqueles que viveram intensamente aquela experiência de liberdade, criação, transgressão e resistência à ditadura. Um filme sobre uma geração que ousou imaginar que era possível reinventar a vida — e também sobre as contradições, os traumas e os legados dessa aventura.
Quem já esteve conosco em “Anatomia do Caos”, “Honestino” e “Anistia 79” sabe que esses filmes podem ser muito mais do que filmes. Podem ser encontros com a nossa história — e, sobretudo, com aquilo que ainda queremos fazer dela.
Como escreveu Thiago de Mello, em Quando a verdade for flama:
“As colunas da injustiça
sei que vão desabar
quando o meu povo, sabendo
que existe, souber achar
dentro da vida, o caminho
que leva à libertação.”
Talvez seja essa a nossa tarefa permanente: saber que o caminho existe e não deixar de procurá-lo.
E que bom poder procurá-lo também através do cinema.
No Cinema Walmir Almeida, no Centro de Aracaju, passaram neste ano filmes que, de diferentes maneiras, conversam com essa busca: histórias de resistência, memória, liberdade, cultura, racismo, autoritarismo, criação e transformação.
Porque um país também se transforma quando consegue contar suas histórias, lembrar seus mortos, ouvir suas vozes silenciadas, celebrar sua diversidade e imaginar outros futuros.
E a programação do Cinema Walmir Almeida, no Centro de Aracaju, neste ano, vem oferecendo outros encontros que caminham por essa mesma trilha: “O Agente Secreto”, “Orwell: 2+2=5”, “Alma Negra – Do Quilombo ao Baile”, “Ecos do Teatro Experimental do Negro”, “A Noite de Alaíde”, “Cazuza: Boas Novas”, “Ritas”, “Iracema: Uma Transa Amazônica” e “Baile Perfumado”.
São filmes diferentes, mas que, juntos, podem compor uma espécie de mapa de nossas lutas: contra a ditadura e o autoritarismo, contra o racismo e o apagamento, pela liberdade artística e comportamental, pela memória, pela diversidade e pela possibilidade de imaginar um país diferente.
Por isso, nosso encontro não é apenas para assistir a um filme.
É para lembrar.
É para conversar.
É para reconhecer o que conquistamos.
É para não esquecer o que perdemos.
E, sobretudo, para continuar procurando — juntos — o caminho que leva à libertação.
Porque nem tudo é paz e amor.
Mas também nem tudo está perdido.
E enquanto houver memória, desejo, criação, solidariedade e gente disposta a caminhar junto, continuaremos procurando o caminho que leva à libertação.
Nos vemos no cinema.
Nenhum comentário:
Postar um comentário