quarta-feira, 2 de setembro de 2026

MAIS UM ENCONTRO COM O BRASIL QUE SONHAMOS


Para quem, em algum momento da vida, marcou encontro com um Brasil que apontava para um futuro de justiça, liberdade, criatividade, solidariedade, alegria e prazer, talvez seja hora de marcar mais um.

'Porque esse futuro, que tantas mulheres e homens sonharam e ajudaram a construir, chegou em parte. Mas ainda está em disputa.

Há quem trabalhe todos os dias para nos empurrar de volta para a injustiça, a opressão, a mediocridade, o individualismo, a tristeza e o sofrimento.

E por isso vamos assistir a “Nem Tudo É Paz e Amor”, de Betão Aguiar, um filme que olha para a contracultura brasileira dos anos 1970 através dos filhos daqueles que viveram intensamente aquela experiência de liberdade, criação, transgressão e resistência à ditadura. Um filme sobre uma geração que ousou imaginar que era possível reinventar a vida — e também sobre as contradições, os traumas e os legados dessa aventura. 

Quem já esteve conosco em “Anatomia do Caos”, “Honestino” e “Anistia 79” sabe que esses filmes podem ser muito mais do que filmes. Podem ser encontros com a nossa história — e, sobretudo, com aquilo que ainda queremos fazer dela.

Como escreveu Thiago de Mello, em Quando a verdade for flama:

“As colunas da injustiça

sei que vão desabar

quando o meu povo, sabendo

que existe, souber achar

dentro da vida, o caminho

que leva à libertação.”

Talvez seja essa a nossa tarefa permanente: saber que o caminho existe e não deixar de procurá-lo.

E que bom poder procurá-lo também através do cinema.

No Cinema Walmir Almeida, no Centro de Aracaju, passaram neste ano filmes que, de diferentes maneiras, conversam com essa busca: histórias de resistência, memória, liberdade, cultura, racismo, autoritarismo, criação e transformação.

Porque um país também se transforma quando consegue contar suas histórias, lembrar seus mortos, ouvir suas vozes silenciadas, celebrar sua diversidade e imaginar outros futuros.

E a programação do Cinema Walmir Almeida, no Centro de Aracaju, neste ano, vem oferecendo outros encontros que caminham por essa mesma trilha: “O Agente Secreto”, “Orwell: 2+2=5”, “Alma Negra – Do Quilombo ao Baile”, “Ecos do Teatro Experimental do Negro”, “A Noite de Alaíde”, “Cazuza: Boas Novas”, “Ritas”, “Iracema: Uma Transa Amazônica” e “Baile Perfumado”.

São filmes diferentes, mas que, juntos, podem compor uma espécie de mapa de nossas lutas: contra a ditadura e o autoritarismo, contra o racismo e o apagamento, pela liberdade artística e comportamental, pela memória, pela diversidade e pela possibilidade de imaginar um país diferente.

Por isso, nosso encontro não é apenas para assistir a um filme.

É para lembrar.

É para conversar.

É para reconhecer o que conquistamos.

É para não esquecer o que perdemos.

E, sobretudo, para continuar procurando — juntos — o caminho que leva à libertação.

Porque nem tudo é paz e amor.

Mas também nem tudo está perdido.

E enquanto houver memória, desejo, criação, solidariedade e gente disposta a caminhar junto, continuaremos procurando o caminho que leva à libertação.

Nos vemos no cinema.

Os links sobre as publicações no blog sobre os filmes citados:


O ChatGPT disse:

Outros filmes que dialogam com a proposta

Um artigo que reúne o espírito de toda a sequência

Há ainda este texto  especialmente importante para o que estamos construindo:

“Cinema brasileiro: trincheira contra o ódio, a desinformação, o preconceito e o negacionismo”

https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/08/cinema-brasileiro-trincheira-contra-o.html 

Ele inclusive coloca Nem Tudo É Paz e Amor e Anistia 79 no mesmo contexto e defende a ida às salas de cinema como forma de fortalecer a produção cultural, a memória e o debate democrático. 

“Da canção de protesto ao cinema da memória”


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