Por Zezito de Oliveira (com base em pesquisa realizada por meio da IA deepseek e colaboração de um leitor do blog]
Em conversa exclusiva com a Coluna Aparte, o presidente da Fecomércio Sergipe, Marcos Andrade, não apenas confirmou a compra pelo Sesc, como já traçou os primeiros contornos do que virá: uma concha acústica, um anfiteatro e um grande Centro de Cultura e Arte, com inauguração prevista para o final de 2027. A promessa é de que a obra seja um marco na reabilitação do Centro Histórico da capital, mas a pergunta que fica é: como transformar esse belo projeto arquitetônico em um fenômeno cultural de verdade?
Para responder, pegamos a estrada (simbolicamente) e fomos até São Paulo, onde o Sesc construiu, ao longo de décadas, um dos modelos de atuação cultural mais respeitados do país. A comparação entre os dois universos revela um caminho brilhante para Sergipe.
🎭 O Contraste Entre Dois Universos
Enquanto o Sesc São Paulo opera como uma gigante máquina cultural, com mais de 40 unidades — incluindo templos da arquitetura como o icônico Sesc Pompeia —, o Sesc Sergipe sempre se destacou pela capilaridade e pela paixão, levando cultura a todos os cantos do estado através de projetos móveis como o BiblioSesc e o Cine Sesc, além do gigantesco "Aldeia Sesc", que já é tradição na cultura popular nordestina.
Mas a diferença crucial entre as duas realidades vai além do tamanho. Ela está no DNA da gestão.
Enquanto a unidade paulista construiu um verdadeiro ecossistema, investindo pesado em pesquisa, formação de agentes culturais e curadorias de ponta, a atuação sergipana, embora potente e querida, sempre foi mais focada na execução direta de eventos e ações práticas. Não há demérito nisso; são fases diferentes de desenvolvimento. Contudo, a chegada desse novo equipamento exige um salto de maturidade.
📋 O "Caderno de Receitas" que Aracaju Precisa Seguir
Se o Sesc Sergipe quer que esse novo centro não seja apenas um belo palco vazio, mas sim um motor de transformação social, ele precisa olhar com atenção para três pilares que o Sesc SP domina como ninguém. Confira o "mapa da mina" para o sucesso da obra:
1. A Criação de um Centro de Pesquisa e Formação (O "Cérebro" do Projeto)
Este é o ponto mais valioso. Não basta abrir as portas; é preciso formar quem vai ocupar e gerir aquele espaço. Inspirando-se no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP, o novo equipamento em Aracaju deve nascer com um núcleo dedicado a capacitar curadores, gestores culturais e artistas locais. Isso garante que a programação não seja importada, mas sim pensada e protagonizada por sergipanos, gerando empregos qualificados e um legado perene para a cena cultural do estado.
2. Curadoria e Programação com Excelência e Diversidade
A concha acústica é o palco, mas a alma do teatro é a sua programação. O Sesc SP é mestre em criar programas estruturantes, como o Festival de Inverno, que criam fidelidade e expectativa no público ano após ano. O Sesc SE deve:
Diversificar: Mesclar o erudito e o popular, o teatro de vanguarda e a dança de rua, o cinema nacional e as artes visuais.
Potencializar o que já é seu: Dar um novo e grandioso palco para o "Aldeia Sesc", transformando um evento já consolidado em um fenômeno de projeção nacional.
3. Integração Urbana e Revitalização (A "Cura" para o Centro Histórico)
Marcos Andrade acerta em cheio quando fala em reabilitação do Centro. Mas, para que isso aconteça, o prédio precisa dialogar com a rua. Assim como o Sesc Pompeia derrubou os muros e se integrou à cidade, o novo centro em Aracaju precisa ser um ímã de pessoas 24 horas por dia. Um espaço que convide o transeunte a entrar, que ilumine a vizinhança e que, com seu fluxo constante, devolva a segurança e a vida à Rua Vila Cristina e arredores.
💎 O Futuro Começa Agora
A fala de Marcos Andrade ecoa como um mantra: "Se alguém faz cultura nesse país, este alguém é o Sesc." E ele está coberto de razão. O Sesc tem a capilaridade, o know-how e, agora, o espaço físico para provar essa máxima em Sergipe.
O terreno de 10.500 m² é a argila; cabe aos gestores, com base no exemplo vitorioso de São Paulo, moldar uma obra-prima. Se o projeto de 2026-2027 conseguir unir infraestrutura de ponta, formação de qualidade e uma programação ousada, Aracaju não terá apenas um novo centro cultural. Terá o seu Marco Zero cultural, um ponto de encontro que reacenderá a chama do Centro Histórico e colocará Sergipe no mapa nacional da arte e da inovação cultural.
A semente está plantada. Agora, é regá-la com planejamento, referência e, acima de tudo, amor pela cultura sergipana. A conta regressiva para 2027 já começou.
Leia AQUI a entrevista completa de Marcos Andrade na coluna Aparte do blog JLPolitica.

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