sábado, 6 de dezembro de 2025

A política cultural à época da ditadura militar. Para compreender o contexto politico de surgimento do Festival de Arte de São Cristóvão (FASC)

Por Natalia Ap. Morato Fernandes

Resumo: A atuação governamental no âmbito da cultura, durante o regime militar, possibilita evidenciar um planejamento estratégico para a área, como demonstram a criação do Conselho Federal de Cultura (1966) e os documentos voltados a elaboração de uma Política Nacional de Cultura. Tais ações relacionam-se tanto ao projeto de modernização do país quanto aos objetivos de Integração e Segurança Nacional e caracterizaram-se pela censura a determinado tipo de produção cultural, investimentos em infraestrutura e criação de órgãos estatais voltados a formular e implementar a política cultural oficial.

Abaixo,  resumo estendido produzido com IA Gemini

 O documento analisa a política cultural durante a ditadura militar no Brasil, destacando a censura, investimentos em infraestrutura e a criação de órgãos governamentais para implementar uma política cultural oficial.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Zezito de Oliveira no podcast "Histórias Periféricas" neste sábado, 05/12, às 19h, via youtube

 Podcast HP79 EP 83 vamos troca ideia com @zezitodeoliveira5 @acaoculturalse #historiasperifericas79 Colaboradores @mentenoteto.penochao @brechocustomizadoonline @_santacena_ seja um colaborador #podcast Seja um periférico 79 link na descrição @hp79producoes

O canal no youtube aqui


Para ouvir a canção acima de forma completa....






quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Conversando com Neri Silvestre - Papo reto sobre politicas públicas de cultura, gestão, produção e ação cultural. (1)


 











Pelo fim das políticas sistêmicas e de estado.

Cheguei a uma conclusão, e espero estar errado: nem professores, nem professoras, nem artistas… há uma gama de pessoas que estão enterradas vivas no neoliberalismo.

Os planos municipais e os sistemas de políticas públicas deveriam ser defendidos. Ao contrário disso, defendem o job, o empreendedorismo e uma porção de bobagens, bolsas e ilusões.

Parece que, se o Estado for mínimo e não tiver qualquer dever que envolva dinheiro para esse povo, está tudo certo.

“Vou começar a defender o Estado.”

Essa é a posição de quem ainda não sabe como construir e, mesmo assim, luta contra as políticas de Estado.

Os sistemas de políticas públicas brasileiras sistêmicos referem-se a abordagens de gestão pública que buscam a integração e a intersetorialidade entre diferentes áreas do governo (cultura, turismo ,saúde, educação, assistência social,  etc.) para enfrentar problemas sociais complexos, em vez de tratá-los de forma isolada.

Neri Silva Silvestre: Produtor cultural, articulador e gestor cultural, idealizador do Sarau na Quebrada, poeta e agitador cultural. Sempre foi um sujeito inquieto. Quando jovem lança com o grêmio escolar, o Jornal Macunaíma, daí não parou mais. Esteve à frente como coordenador do 1° Ponto de Cultura de Santo André (SP) de 2010/2013. Produziu inúmeros eventos que vão da música à literatura.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Como foi a 3ª sessão da 2ª Mostra Mercosul Audiovisual promovida pelo Cine Realidade no IFS , Campus Socorro, SE.

O relatório abaixo foi escrito por Iasmin Feitosa

Horário: 09h30 às 12h

Data: 02/12/2025

Público presente: 56 pessoas (incluindo a produção)

– 1ª Turma –

[Primeiro Filme – Dois Riachões: Cacau]

Pergunta: “Teve algo mostrado no filme que marcou vocês?”

Respostas/opiniões de alguns alunos:


• O testemunho de um dos trabalhadores que falou sobre o tempo em que  trabalhadores que produziam o cacau não tinham acesso ao resultado do seu trabalho. Não podiam comer chocolate produzido no local.

• A forma de cultivo do Cacau, o cuidado, a preservação.

• Me lembrei, como referência, do estudo trabalhado que tive com minha turma no ano anterior sobre Bioma-Caatinga.

• A forma que eles tem de cultivar o cacau, sem destruir a floresta. O trabalho cuidadoso e realizado de forma sadia.

• [Iasmin] – A praga ter vindo como uma salvação para esses trabalhadores. É o efeito contrário de uma tragédia mas que permitiu conquistarem a soberania agrária.

[Segundo Filme – Keradó]

Pergunta 1: “Conseguem fazer alguma conexão do filme com a atualidade?”

Respostas/opiniões de alguns alunos:

• Professora Aline - Em comum em nosso território , temos a atividade de pesca de crustáceos e mariscos, tanto para venda quanto para consumo.

• A especulação imobiliária que está afetando negativamente os manguezais aqui em Socorro. Nosso ecossistema está sendo soterrado. As plantas  nativas da nossa região estão entrando em extinção.

Pergunta 2 (de Zezito): “Como a questão da ecologia lhe impacta o prazer de viver?”

Respostas/opiniões de alguns alunos:

• Maria Vitória – A falta de verde me incomoda. As árvores sumindo, as águas poluídas.

• Renan – O aquecimento global, interfere no dia a dia. Faz com que percamos o prazer dessa vida, o calor intenso, a falta de vida do meio-ambiente.

• Miguel – As ações humanas contra o meio-ambiente estão sendo prejudiciais. É ruim ver a natureza sendo tão degradada.

• Melissa – A forma com a natureza está sendo afetada negativamente. Animais perdendo seu habitat natural, para a construção de mais prédios e demais estabelecimentos, que por consequência provocou a migração de pequenos animais para a área urbana. Como os micos, por exemplo.

Na foto acima o professor Zezito apresenta os presentes recebido como lembrança da parte da professora Aline e seus alunos, os quais realizam tratamento de mudas de plantas, na foto um cajueiro bem pequenino, além da produção de biofertilizante, foto e sabão de coco, este último fora da foto. 

 2ª Turma –

[Primeiro Filme – Dois Riachões: Cacau]

Pergunta: “Teve algo mostrado no filme que te marcou?”

Respostas/opiniões de alguns alunos:

• A dificuldade que vivenciaram no início de tudo.

• Apesar das dificuldades, foi tocante o testemunho do rapaz no final sobre finalmente poder "sentir o sabor do trabalho dele". Também o fato de não poderem dormir, por medo de autoridades aparecerem e tomarem o que era deles.

• A valorização deles, ver a organização sadia do produto com cacau. O protagonismo das crianças durante a conquista deles sobre a educação. Elas mostrando o orgulho de quem são, e representando o orgulho merecido que essas pessoas, esses trabalhadores conquistaram, e conquistam até hoje.

• Eles continuam nessa luta, e preservando esse movimento que faz bem à eles. Essa soberania alimentar que foi conquistada com muito esforço.

• O cuidado deles desde o cultivo até a colheita do cacau, e a produção do chocolate. Um trabalho não mais feito com exploração mas de maneira colaborativa, como cooperativa.

[Segundo Filme – Keradó]

Obs: Não houve pergunta devido ao tempo.

O ponto de vista do curador/articulador do Cineclube Realidade

Uma escola de ensino médio que lembra um campus de universidade pública, diferente de muitas escolas prisões municipais e estaduais, e aqui não apenas do ponto de vista físico/estrutural, como pelo modelo de gestão pseudo democrática imposto de cima pra baixo.  

Um diretor que na juventude foi liderança de Viração,  grupo  político  importante do movimento estudantil nas décadas de 1980 e 1990.

Um professor de História,  especialista em arte educação e  politicas culturais e empreendedorismo cultural, também educador popular e agente cultural desde os 20 anos, e que começou acreditando na força transformadora da educação e da cultura , junto e misturado, dentro e fora da escola,  que segue em frente porque “sonhos não envelhecem”..  

Uma assistente de produção do Cine Realidade, Iasmin Feitosa, aluna vencedora de concurso interno da matéria "Empreendedorismo Cultural", ministrada pelo professor Zezito de Oliveira  no Colégio Estadual Carlos Firpo  em 2022, primeiro lugar  com esboço de projeto "festival grastrônomico cultural".  Agente Jovem Cultura Viva no Pontão de Cultura Digital e Midias Livres (2024/2025). 

Uma liderança do Movimento Popular de Saúde, Edna Santos,  que começou como agente cultural e educadora popular quando adolescente participando de iniciativas educativas, culturais e lutas comunitárias  no bairro américa dos anos 1980 e inicio dos anos 1990, responsável como ponte que aproximou o diretor do IFS, José Franco de Azevedo,  com o curador/articulador do Cine Realidade, Zezito de Oliveira.

Uma platéia formada por  alunos instigados, engajados, motivados, antenados, alguns  com brilho nos olhos e com alegria de viver, a maioria integrantes da segunda turma. 

Uma professora, Aline de Jesus,  comprometida com o aprendizado dos seus alunos na perspectiva da  unidade teoria e prática, uma forma de educar necessária para que possamos ter mais  alunos com brilhos nos olhos e alegria de viver.  

Com tanta gente fina, elegante e sincera, lembrando Lulu Santos, como essa terceira sessão do Cineclube Realidade poderia dar errado?

SOBRE A 2ª MOSTRA MERCOSUL AUDIOVISUAL

Iniciativa do Ministério da Cultura e da Recam reúne 12 curtas de cinco países, reforçando a integração cultural e o olhar das novas gerações sobre o território latino-americano.

De 8 de novembro a 7 de dezembro, o público poderá conferir a 2ª Mostra Mercosul Audiovisual, que neste ano tem como tema Territórios e Paisagens em Transformação. As exibições ocorrem em 367 pontos culturais distribuídos em 250 municípios de todos os estados brasileiros e são gratuitas.

A iniciativa, promovida pela Secretaria do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul (Recam), celebra a diversidade cultural e o olhar sensível das novas gerações sobre o território e suas histórias.

A Mostra será exibida em cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas públicas e comunitárias, escolas e instituições educacionais, centros educativos urbanos (CEUs) da Cultura, centros culturais, movimentos sociais, associações, museus e unidades socioeducativas, além de salas verdes e pontos do circuito Tela Verde, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

As exibições são organizadas de forma descentralizada pelos pontos exibidores, que têm liberdade para propor atividades complementares junto às sessões. Em muitos locais, o público também poderá participar de conversas, debates ou oficinas.

Duas sessões, múltiplos olhares

A Mostra reúne 12 curtas-metragens de cinco países — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Colômbia (país associado da Recam) — distribuídos em duas sessões: uma voltada ao público infantil e outra ao público em geral.

Na Sessão Infantil, produções como A menina e o Mar; Casa na Árvore e Os Macarus convidam o público a redescobrir o mundo pela curiosidade e pela poesia do cotidiano, enquanto No Están Solos II, De Onde Você É? e El Intronauta propõem reflexões sobre a convivência e a relação entre humanidade e meio ambiente.

Já a Sessão para o público em geral apresenta histórias que atravessam memórias, resistências e identidades regionais. Filmes como Dois Riachões: Cacau e Liberdade, La Tierra Sin Mal e Movimentos Migratórios destacam a força das comunidades que reinventam o território a partir da luta, da ancestralidade e da esperança.

Entre o real e o mítico, Keradó, Mita’i Churi e Luthier reafirmam o poder do audiovisual como espaço de encontro e expressão entre povos latino-americanos.

Sobre o Cineclube Realidade 

O Cineclube Realidade teve as atividades do ciclo inicial realizadas na Escola Estadual Júlia Teles , como uma das ações do Ponto de Cultura Ação Cultural, a partir de agosto de 2015 até outubro de 2017, abrindo com o filme filme "Uma onda no ar" (comunicação periférica)    e encerrando com o filme" Quando sinto que já sei” (estudantes com vez e voz nas escolas) , depois prosseguiu em Aracaju no ano de 2019, 2024 e 2025

O início da atividade se deu a partir da Oficina Rap Identidade Cultural, fruto de proposta realizada por ex-alunos da escola que formaram os grupos de rap Filosofia de Loucos e Resistentes da Favela. 

O Cineclube Realidade foi criado para contribuir no desenvolvimento daquilo que é considerado como o quinto elemento do hip-hop, o  conhecimento , os outros quatro elementos são:  DJ, MC, Breakdance, Graffiti e Conhecimento. O DJ é o mestre de cerimônias, o MC é o vocalista que rima, o Breakdance é a dança, o Graffiti é a arte visual e o Conhecimento representa a consciência social, a história e os valores da cultura hip hop. 

Para este  final de 2025 e durante 2026 o Cineclube Realidade foi contemplado como um dos componentes  principais do Projeto Ação Cultural Juventude e Cidadania,   apresentado em seleção pública através do  Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) e da Política Nacional Cultura Viva com participação da Fundação Cultural de Aracaju (Funcaju) - Prefeitura de Aracaju.

O projeto em tela prevê,  além da sessões de cinema mensal, oficina de audiovisual com celular (março-abril-2026), oficina de teatro popular (abril-maio-2025), mostra cultural (maio-2026), seminário introdutório de educação popular, ação cultural e participação social (junho-2026) e transmissão aberta de formação cultural no youtube (agosto-setembro-outubro 2026).

Sobre a Ação Cultural

A Ação Cultural é uma organização da sociedade civil pioneira no trabalho com dança moderna, audiovisual, teatro, cineclube e hip-hop, junto e misturado, voltado principalmente as crianças, adolescentes e jovens residentes na periferia de Aracaju e Região Metropolitana.

Foi criada no ano de 2004 por artistas e produtores culturais emergentes, além de educadores envolvidos com atividades de ação cultural nas periferias.

Se organiza buscando empoderar agentes e grupos culturais que atuam na periferia realizando de forma colaborativa reuniões, pesquisas de diagnóstico, oficinas de elaboração de projetos, produção de artigos/release, divulgação on-line, organização de portfólios, promoção de fóruns de debates, oficinas e mostras artísticas.

Sessões do Cineclube Realidade - 2ª Mostra Mercosul Audiovisual. 

1ª sessão - 08 de Novembro (sábado) Igreja São Pedro Pescador - Avenida João Rodrigues, 425, bairro Industrial  – Aracaju – às 16h30. Realizada 

2ª sessão 19 de Novembro (Quarta-Feira) – Igreja São Pedro Pescador - Avenida João Rodrigues, 425, bairro Industrial  – Aracaju – às 19h. Realizada 

3ª sessão 02 de dezembro (Terça-Feira) - Instituto Federal de Ensino (Socorro) - Av. Perimetral B, s/n, Conj. Marcos Freire I, Nossa Senhora do Socorro - Sergipe.- 8 às 12 h. Realizada

4ª sessão - 05 de dezembro  (Sexta-Feira) - Sede do Instituto Piabinhas no município de Nossa Senhora do Socorro, localizado no povoado São Braz, rua Vereador Deoclides Vasconcelos, n°44. - às 15h.


É HOJE!! Encontro do Ministro Guilherme Boulos com os Fóruns de Participação Social #participaçãosocial


📅 Quarta-feira, 03/12, às 20h (horário de Brasília)

🔗 Acompanhe a transmissão ao vivo pelo YouTube da SG: gov.br/sg/fps 

Avance o cursor em 30 minutos para chegar a transmissão.



Governo na Rua é instituído para ampliar diálogo e participação social nas políticas públicas federais

Grupo de Trabalho vai estudar, diagnosticar e desenhar o novo programa, além de avaliar o alcance das políticas federais nos estados, municípios e Distrito Federal

Publicado em 10/11/2025 10h04

Governo na Rua é instituído para ampliar diálogo e participação social nas políticas públicas federais

Com o objetivo de ampliar a política de participação social nas medidas implementadas pelo Governo do Brasil, foi publicada nesta segunda-feira, 10 de novembro, a Portaria SG/PR Nº 203, que institui o programa Governo na Rua e cria o Grupo de Trabalho Técnico  para estudar, diagnosticar e propor projetos de atuação para a efetividade da política de participação social. A medida é assinada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR), Guilherme Boulos.

O Governo na Rua vai promover escuta ativa, diálogo social e divulgação direta das políticas públicas nos territórios, com a ideia de fortalecer a presença do Governo do Brasil junto à sociedade e ampliar o acesso das pessoas aos serviços e programas. As diretrizes incluem transversalidade das políticas públicas, inclusão e diversidade, equidade territorial, inovação na participação social e promoção da cidadania.

A execução do Governo na Rua envolve uma série de ações:

Diagnóstico da implementação de políticas federais e dos mecanismos de participação social na ponta, identificando os problemas vividos pelo público

Elaboração de projetos de atuação e modelos alternativos de gestão para superar entraves da burocracia e garantir a efetividade da resposta governamental

Definição de estratégias de territorialização e inovações em participação social para uso em diferentes níveis da federação e nos territórios

Fomento e articulação da participação social nos territórios

GRUPO DE TRABALHO — Para a fase de estudo, diagnóstico e desenho do Governo na Rua, fica instituído o Grupo de Trabalho Técnico (GTT) para elaborar um diagnóstico de desafios e a análise que verifique se os modelos atuais de implementação e participação social são coerentes com as diretrizes da atual gestão. Outras funções do GTT incluem analisar os arranjos de implementação das políticas federais nos estados, municípios e Distrito Federal, com foco nas áreas e temas priorizados pelos Fóruns de Participação Social (FPS). Serão propostos, ainda, princípios, diretrizes e orientações para o funcionamento e articulação dos mecanismos e instâncias democráticas de diálogo, com vistas à elevação da qualidade da participação social e efetividade das respostas.

COMPOSIÇÃO – O GTT será composto por representantes da SG-PR e da Executiva do Conselho de Participação Social, sendo que a indicação dos integrantes titulares e suplentes será feita até 15 de novembro. A participação  será considerada prestação de serviço público relevante e não será remunerada.

PRAZOS — O Grupo de Trabalho Técnico terá 60 dias, a partir da data de instalação, prorrogável por igual período, para cumprir suas funções e redigir o relatório final.

https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/11/governo-na-rua-e-instituido-para-ampliar-dialogo-e-participacao-social-nas-politicas-publicas-federais

O que faz a Secretaria-Geral da Presidência

A Secretaria-Geral da Presidência foi reformulada no início da terceira gestão de Lula, quando a pasta assumiu um papel de articulação com movimentos sociais antes não previsto pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). A primeira de suas atribuições, definida por um decreto presidencial publicado em 1º de janeiro de 2023, foi descrita como “coordenar e articular as relações políticas do Governo com os diferentes segmentos da sociedade civil e juventude”.

Também cabe ao órgão articular políticas públicas para a juventude, criar e implementar instrumentos de consulta e participação popular e “cooperar com os movimentos sociais na articulação das agendas e ações que fomentem o diálogo”, entre outros. “Um governo democrático popular, como é o governo Lula, tem que ser um espaço de construção coletiva”, justificou Kokay.

A definição dada por Lula para a secretaria diverge da de Bolsonaro, que criou uma pasta mais ligada ao trabalho burocrático. No decreto publicado pelo ex-presidente em agosto de 2019, a pasta tinha como função supervisionar e executar atividades administrativas da Presidência e da Vice-Presidência, verificar a constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, promover a “fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial” de órgãos do Executivo, e elaborar mensagens do Poder Executivo destinadas ao Congresso Nacional, entre outros.

Durante a gestão Bolsonaro, seis ministros passaram pelo cargo, entre eles o ex-presidente do PSL, partido pelo qual o ex-presidente disputou e ganhou as eleições de 2018, Gustavo Bebianno, além do General Floriano Peixoto e do ex-deputado federal Onyx Lorenzoni (PL-RS).

https://apublica.org/2025/10/boulos-substitui-macedo-com-desafio-de-levar-temas-sociais-para-secretaria-da-presidencia/

publicado dia 26/05/2014

Portaria institui o Marco da Educação Popular

Na última semana, durante o Seminário Nacional de Educação Popular em Saúde, em Brasília (DF),  foi assinado o Marco de Referência de Educação Popular para as Políticas Públicas. O documento tem como objetivo promover um campo comum de reflexão e orientação de práticas coerentes com a perspectiva metodológica proposta pela Educação Popular.

Além disso, pretende apoiar os diferentes setores do governo em suas ações educativas e formativas para que, dentro de seus contextos, mandatos e abrangências, possam alcançar o máximo de resultados. O Marco reflete um novo momento de valorização das práticas de educação popular que acontecem dentro e fora do Governo Federal. Seu propósito é criar um conjunto de elementos que permita o fortalecimento e a identificação de práticas de Educação Popular nos processos das políticas públicas, estimulando a construção de políticas emancipatórias.

O Marco integra o conjunto de ações previstas na elaboração da Política Nacional de Educação Popular, processo coordenado por grupo interministerial e por membros das universidades e de organizações da sociedade civil, como o Instituto Paulo Freire e a Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais.

A educadora Nita Freire, mestre e doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) foi homenageada durante o lançamento do Marco e comemorou a solenidade como uma homenagem ao educador pernambucano, Paulo Freire, entendido como referência estruturante do documento.

https://educacaointegral.org.br/reportagens/portaria-institui-marco-da-educacao-popular/



A escola como fábrica de alienação e de endoidecer gente sã. #escolapública

 

O contrário do que propôs e realizou Anísio Teixeira.   "A escola pública é a máquina que consolidará a democracia no Brasil."  

 Eles não querem formar cidadãos com conhecimento, pensamento crítico e autonomia de escolha, porque perdem o poder de manipular o jogo de dentro. Quando a elite desmonta um projeto de ensino voltado à emancipação social e o substitui por uma formação restrita à produção de mão de obra barata, não se trata de acaso ou descuido: é projeto político de sociedade. Querem quem trabalhe muito, receba pouco, e não questione a lógica de governança que legitima sua dominação. Quanto menos conhecimento o povo tem, mais poder tem a elite. Quanto menos o povo conseguir identificar as falhas na governança, mais liberdade eles têm para moldar um mundo que os favorece. E quanto menos o povo souber o que fazer, como fazer, e através de que formas agir, mais tempo essa elite terá no poder. 🟠 O vídeo dialoga com as disciplinas de @jesse_souza1960 (Problemas Brasileiros em Perspectiva Sociológica) e @renatojanine (Teorias Políticas para Interpretar o Brasil), especialmente ao abordar a formação da República brasileira e as crises pelas quais as instituições democráticas do país têm passado nos últimos anos. ✅ Você concorda? Qual tem que ser a maior mudança na educação brasileira atual?  


"Em escolas do Paraná e Santa Catarina, escolas civico-militares recitam hinos do BOPE. Neles não há figuras de linguagem como metáforas, não pretende ser poesia, mas instrução doutrinária de como matar PPPP, Pretos, Pardos, Pobres e Periféricos." Antônio da Cruz no facebook.

O professor em risco: a aprovação automática está vindo aí 

A nova política de “progressão parcial” da SEEDUC-RJ reforça o abandono estatal e intensifica o mal-estar docente

Por Valter Mattos da Costa* 

A decisão recente da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC RJ) expressa primeiramente no Decreto nº 49.994, de 17 de novembro de 2025,  instituiu a chamada Política Estadual Excepcional de Progressão Parcial. O nome  técnico suaviza o impacto real: trata-se de uma aprovação automática disfarçada, ainda  que revestida de expressões como “progressão parcial”, “regime especial de  recuperação” e “atividades complementares obrigatórias”.

Dias depois do decreto, a SEEDUC publicou a Resolução de 19 de novembro de 2025,  aprofundando e ampliando o escopo da medida. O documento estabelece que estudantes  da 1ª e 2ª séries podem avançar com até seis retenções distintas, enquanto a 3ª série  admite progressão mesmo com três reprovações. A norma, que se apresenta como  “excepcional”, mas acaba por institucionalizar um afrouxamento estrutural sem  precedentes.

A mesma resolução institui ainda um sistema de bonificação financeira para as escolas  que atingirem metas de aprovação quase totais. Na prática, trata-se de um pressão institucional para eliminar reprovações, forcando gestores e docentes a produzir  números alinhados ao discurso oficial, independentemente das condições reais de  aprendizagem.

O texto normativo determina que estudantes do Ensino Médio avancem de série, como  foi dito, mesmo com reprovações, desde que cumpram atividades de recuperação  definidas pelas próprias escolas no ano seguinte. Na prática, essa decisão transfere para  o chão de fábrica docente, a escola, uma conta que o Estado não quer pagar: a da  responsabilidade pela aprendizagem em condições impossíveis de trabalho.

A medida sequer passou por diálogo com a categoria; foi mais uma imposição  verticalizada, típica de quem governa a educação como se a escola fosse um laboratório  de decretos e não um espaço de trabalho coletivo.

A realidade das escolas públicas já opera no limite. A carga de trabalho é imensa, a  remuneração fica abaixo da responsabilidade exigida e a estrutura é frágil. Cada ano, novos sistemas, plataformas, formulários e exigências chegam do nível central como se professores fossem funcionários de uma linha de montagem digital. O que chamo de Pedagogia da Métrica (a antítese da Pedagogia de Paulo Freire) se infiltra em cada meta,  cada planilha, cada reunião, como se a educação pudesse ser reduzida a indicadores  numéricos.

Enquanto isso, a sala de aula é um campo de tensões permanentes. O desrespeito frequente, fruto de um meio estressor crescente, aumenta o desgaste emocional do  professor. O mal-estar docente se torna rotina. Adoecimento físico e psíquico se  acumulam como parte invisível do calendário escolar. É esse trabalhador fragilizado que  agora terá de lidar com um novo dispositivo burocrático que promete facilitar a vida do  estudante (que tem como desculpa oficial, diminuir a evasão escolar), mas, na verdade,  aprofunda a sobrecarga do professor.

Não bastasse o Novo Ensino Médio ter introduzido pseudodisciplinas e novos  componentes curriculares — como eletivas e Projeto de Vida — retirando tempo das áreas  cobradas no ENEM, agora a SEEDUC acrescenta mais um mecanismo que desestrutura  o trabalho docente.

A “progressão parcial” impõe ao docente a responsabilidade de acompanhar, planejar,  executar, corrigir e registrar atividades suplementares de estudantes que não dominaram  o conteúdo regular. O governo anuncia uma solução pedagógica; o professor recebe  uma lista adicional de tarefas. O discurso fala em inclusão; a sala de aula mostra apenas  mais improvisos para mascarar a ausência de condições reais de ensino.

O problema não está em permitir que estudantes avancem com pendências – não se trata  de se defender uma postura “punitivista”. A progressão em condições especiais, existe  há décadas (chamamos de dependência etc.). O problema está no uso estratégico da  norma para produzir números, ocultar o fracasso estrutural da política educacional e  transferir a culpa para o professor quando algo der errado. Ao final do ano, os índices de  aprovação sobem, as estatísticas são celebradas e os relatórios apontam avanços (para a  glória do governante do momento). No entanto, por trás desses números, a precariedade  permanece intacta.

Trata-se de uma política que tenta esconder o óbvio: não há professores suficientes, as  escolas estão sucateadas e o Estado se recusa a enfrentar o investimento necessário para  garantir o direito à educação. Ao maquiar indicadores, a gestão pública adia o  enfrentamento do problema e empurra para o professor a responsabilidade por uma crise  que não começou na sala de aula – mas termina nela.

Essa decisão do Rio de Janeiro não é isolada. Alguns estados brasileiros já adotam  mecanismos semelhantes, sempre com a mesma lógica: menos reprovação, mais  aprovação numérica, mais indicadores positivos para apresentar ao país. É a política  nacional da dissimulação pedagógica. O discurso é moderno; a prática é a mesma de  sempre: transformar o professor em amortecedor de tensões sociais que o Estado não  quer enfrentar.

O desinteresse estudantil, já alto, tende a aumentar quando o próprio sistema escolar  comunica que o esforço não é necessário. Quando a mensagem institucional é “você  avança mesmo sem aprender”, a autoridade do professor perde qualquer sustentação  simbólica — e olha que os professores vêm descendo o sarrafo de suas avaliações há tempos. A indisciplina cresce, o respeito diminui e o trabalho docente se torna  emocionalmente insustentável.

Já estou até vendo a cena: “professor, por que tenho de estudar isso, eu vou passar  mesmo?”. E a culpa, mais uma vez, será atribuída ao professor que “não sabe dar uma  aula atraente”, como se o problema estivesse na performance individual e não na política educacional que desestrutura o próprio sentido da aprendizagem – ou seja, o  problema é profundamente mais estrutural.

O impacto dessa decisão recairá diretamente sobre o corpo e a mente do professor  regente. O mal-estar docente, já naturalizado, será intensificado. A pressão psicológica  aumentará, os conflitos em sala de aula se multiplicarão e o adoecimento será  inevitável. Haverá mais afastamentos médicos, mais pedidos de exoneração e mais  desistências silenciosas. O apagão de professores, anunciado há anos, se tornará  realidade concreta.

Essa política não resolve o problema da aprendizagem; apenas o empurra para baixo do  tapete. Em vez de fortalecer a formação docente, garantir salários dignos, melhorar a  infraestrutura e oferecer suporte psicológico, o Estado cria um mecanismo paliativo que  agrava a sobrecarga e fragiliza ainda mais quem sustenta diariamente a escola pública.

A progressão parcial, como foi apresentada, revela uma concepção que vê o professor  como um recurso inesgotável. Como alguém capaz de absorver infinitas demandas, sem  adoecer, sem sofrer, sem colapsar. A escola real, porém, já está no limite. E cada nova  medida desconectada do cotidiano empurra o professor para mais longe da permanência  na carreira.

Em última instância, essa decisão reforça a antiga estratégia política de transformar a  escola pública em laboratório de experiências mal planejadas, que produzem manchetes  positivas e, simultaneamente, silenciam o sofrimento de quem trabalha todos os dias para impedir que o sistema entre em colapso definitivo.

A escola precisa de estrutura, investimento, respeito e políticas sérias – não de decretos  que apenas disfarça a crise.

O que o Estado chama de “progressão”, o professor reconhece como mais um passo  rumo ao esgotamento completo. Ah! Governador, e o nosso piso?

* Professor de História, especialista em História Moderna e Contemporânea e mestre  em História social, todos pela UFF, doutor em História Econômica pela USP e editor  da Dissemelhanças Editora.

Aprovação automática agita a corrida dos estados pelo Ideb

Quem confunde indicador educacional com ‘qualidade’ ou garantia de direitos ou nunca pisou numa sala de aula, ou almeja extrair alguma vantagem política dos resultados

POR FERNANDO CÁSSIO

02... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/opiniao/aprovacao-automatica-agita-a-corrida-dos-estados-pelo-ideb/ 

sábado, 11 de outubro de 2025

TEMPO INTEGRAL OU TEMPO FECHADO? A pedagogia da ansiedade nas protoprisões escolares.

  As escolas de tempo integral cumprem, também, uma função secundária, mas decisiva. A de esvaziamento das ruas. Funcionam como dispositivos de captura dos corpos juvenis, sob o argumento civilizatório de que o perigo está lá fora.

Rick Afonso-Rocha no Le Monde Diplomatique (edição em português)

https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/10/tempo-integral-ou-tempo-fechado.html

EDUCAÇÃO PARA MANTER A DESIGUALDADE

Bolsonaro para os pobres, Paulo Freire para os ricos

A elite brasileira, que adora odiar Freire, compra a peso de ouro para seus filhos o ingresso em colégios influenciados por ele. Aos filhos dos pobres, resta a disciplina escolar do século XIX

José Ruy Lozano

7 de dezembro de 2017

Pipas de várias cores enfeitam o céu. Alunos observam algumas subirem e outras caírem, enquanto tentam compreender como a direção do vento influencia o movimento, além de verificarem na prática conceitos científicos como aerodinâmica, resistência do ar e força da gravidade. Tudo na base da experiência concreta, envolvendo tentativas e erros.

Voltando à sala de aula, professor e alunos discutem, organizados em círculo, o que se aprendeu com aquela vivência. A diferença hierárquica entre mestre e estudantes se dilui, e o professor mostra-se mais como um mediador ou um facilitador do processo de aprendizagem.

Pano rápido. Vamos nos deslocar para outra realidade.

Alunos uniformizados prestam continência e dirigem-se aos policiais, que também são professores, utilizando os termos “senhor” e “senhora”. Nos corredores da escola, com paredes cinzentas, não se veem bedéis, mas guardas, alguns armados. Todos os meninos usam o mesmo corte de cabelo, todas as meninas têm o cabelo preso.

Na sala de aula, o professor fala e os alunos ouvem. Todos os estudantes sentam-se enfileirados e qualquer contato entre eles durante a explanação gera uma advertência. Contabilizadas, as advertências podem provocar a expulsão do aluno.

As primeiras cenas são parte do cotidiano de um grande colégio de elite, recém-chegado à cidade de São Paulo. As seguintes são exemplares da realidade vivida em colégios estaduais administrados pelas polícias militares de cada estado.

As descrições revelam duas tendências – contraditórias – cada vez mais presentes no panorama escolar brasileiro. As escolas particulares mais caras investem em metodologias ativas, considerando os interesses e as individualidades dos alunos, partindo do pressuposto de que eles, alunos, são os protagonistas da aprendizagem. Já escolas públicas de muitos estados brasileiros estão terceirizando sua administração às polícias militares e apostam na disciplina mais rígida e no ensino mais tradicional.

Grandes empresários e grupos de investimento estrangeiros compram ou erguem escolas com tecnologia moderna e formação de ponta, onde os alunos aprendem a explorar o mundo por uma interação lúdica. Enquanto isso, o deputado Jair Bolsonaro espalha nas redes sociais vídeos propagandeando as virtudes das escolas administradas pela PM, cujo mantra é lei e ordem.

Uma agridoce ironia: o ponto cego dos discursos das escolas de elite é admitir que as metodologias que propõem são em grande medida inspiradas em teorias da educação que tiveram Paulo Freire como um de seus expoentes.

Geralmente, esses colégios mencionam programas de formação de universidades norte-americanas, como Harvard e Stanford. O que não dizem é que obras como Pedagogia da Autonomia, um clássico do pensador pernambucano, estão na bibliografia básica das faculdades de educação inspiradoras de seus projetos pedagógicos.

A elite brasileira, que adora odiar Freire, compra a peso de ouro para seus filhos o ingresso em escolas em muito influenciadas por ele, bem como por outros pensadores considerados progressistas no campo da educação, como Jean Piaget ou Maria Montessori.

A ironia continua. Aos filhos dos pobres, resta a disciplina escolar do século XIX. Ainda que justamente pensando neles Paulo Freire tenha elaborado suas teses, a eles são negadas sua influência e seu prestígio.

Mas a diferença talvez não seja tão despropositada ou surpreendente como se pode pensar à primeira vista. Afinal, nas escolas públicas estudam os pobres, que serão no futuro funcionários dos alunos ricos.

E o que se espera do trabalhador pobre, a não ser obediência?

Aos ricos, proporciona-se liberdade. Dos ricos, esperam-se criatividade, “empreendedorismo”, autonomia. Ao pobre, destinamos o adestramento, a normalização foucaultiana de condutas, a padronização de comportamentos.

Acima de tudo, não se deve incentivar o questionamento, tampouco uma perspectiva crítica dos filhos das classes menos favorecidas. Isso deve ser reservado àqueles capazes de pagar mensalidades astronômicas, que compram um desenvolvimento cognitivo “diferenciado” para seus filhos.

Assim a educação brasileira cumpre seu papel: o de continuar sendo um dos instrumentos mais terríveis de manutenção da desigualdade social.

https://diplomatique.org.br/bolsonaro-para-os-pobres-paulo-freire-para-os-ricos/


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

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