terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Ação Cultural e Consciência Latino Americana

A ideia de tratar a invasão dos EUA à Venezuela e o sequestro de Maduro neste início de 2026 surge da necessidade de unir a questão cultural às mobilizações populares contra a violência imperialista exercida sob a liderança de Donald Trump. O que faz todo o sentido por este ser um espaço de debate de ideias com muita conexão da arte e da  cultura com a politica, com a educação, com a comunicação  e com a economia.


Pata fazer isso  vem a mente a reflexão  proposta por Belchior na canção “Conheço o meu lugar”

"O que é que pode fazer o homem comum

Neste presente instante senão sangrar?

Tentar inaugurar

A vida comovida

Inteiramente livre e triunfante?

O que é que eu posso fazer

Com a minha juventude

Quando a máxima saúde hoje

É pretender usar a voz?”

É também sob essa ótica que o professor Romero Venâncio propôs um texto e uma live  necessária e oportuna sobre a nossa participação, enquanto brasileiros, na construção de uma identidade e de um sentido de pertencimento latino-americano.

UMA NOTINHA

Como faz falta nos currículos e filosofia, história, ciência política ou antropologia estudos sobre América Latina de um ponto de vista histórico e conceitual. Em filosofia, se torna desastroso a ausência do pensamento latino americano numa hora como a atual (o ataque a Venezuela e o imperialismo trumpista!). 

Faz imensa falta em filosofia ler autores como Salazar Bondy (Peru); Leopoldo Zea (México); Enrique Dussel (Argentina); Alejandro Serrano Caldera (Nicarágua); Ludovico Silva (Venezuela); María Lugones (Argentina); Lélia Gonzalez (Brasil); Eduardo Galeano (Uruguai)... E tem muito mais. Muitos/muitas. Um certo e radical eurocêntrico em nossos currículos limita demais o conhecimento latino americano por parte de uma jovem geração que fica sem saber o que dizer quando a conjuntura latino americana aperta  e exige uma compreensão mais profunda.

A memória latino americana da Teologia da Libertação nos faz  grande falta nessas horas difíceis do continente latino. Esse vínculo orgânico entre filosofia da libertação latino americana, teologia da libertação e historiografia crítica tem relevância impactante quando nas horas mais duras do continente latino precisamos de reflexão diante do quadro conjuntural. O pensamento latino americano enquanto caldo cultural não penetrou nossas mentes e corações nesse Brasil permanentemente em transe. Em tempo.

Após a leitura acima, a ideia de escrever sobre 'Cultura e Consciência Latino-Americana' evoluiu para 'Ação Cultural e Consciência Latino-Americana'. Isso se deve ao fato de que, no primeiro caso, a concepção de cultura parece algo inerte e estático — referindo-me aqui à cultura letrada de caráter acadêmico e elitista e às belas-artes, mesmo considerando os programas de democratização cultural. Já a ação cultural, embora as contemple, representa uma cultura em movimento, que se relaciona com outras dimensões da vida real, incluindo a política, a educação e a comunicação. Trata-se de uma proposta da cultura como ação estratégica para a construção da democracia cultural, influenciando, por conseguinte, a construção da democracia social, política e econômica.  

E agora, entrando na relação entre as mobilizações de rua e nas redes digitais, a pergunta que fazemos é: quantas pessoas se sentirão impelidas ou instigadas a participar das mobilizações como uma das formas de responder às questões colocadas nos versos da canção de Belchior? Ou seja, usar a sua voz em comunhão com outras que pensam de forma semelhante.
FESTIVAL ARACAJU#8J                      +Direitos +Democracia 

Data: 08 de Janeiro - 16h #PraçaGeneralValadão

Com muita música sergipana, alegria e disposição de luta, vamos  construir na tardinha do dia 08 de Janeiro, no Centro de Aracaju/SE, uma manifestação política cultural, em defesa dos direitos do povo e das liberdades democráticas.

A ideia é tentar construir coletivamente uma programação politizada e atrativa para a população, para nossas famílias e militantes em geral. Estamos articulando para termos espaço recreativo gratis para crianças, e barraquinhas com artesanato e alimentação diversa. As atrações confirmadas até o momento são: Descidão dos Quilombolas, Anne Carol, Thais Voices e Banda, João Mário, Luno Torres, NG Lampião da Rima ..., em palco aberto.

Vamos protestar e cantar com camaradas artistas e demais trabalhadores/as, para afirmar em alto e bom som, que não há democracia plena com desigualdade social e sem a ampliação permanente dos direitos do povo e das famílias trabalhadoras*. 

A democracia social só se conquistará com ampla e combativa mobilização popular por reformas estruturais, que melhorem rapidamente a vida do povo sergipano e brasileiro.

* 👩🏽 As mulheres e as famílias brasileiras, que na sua maioria, são negras e vivem nos bairros populares e nas periferias do país, não toleram mais as chacinas, a violência policial e urbana, o feminicídio, a homofobia e o racismo . 

* * 🏳️‍🌈 As diversidades devem existir com dignidade, sem perseguição, sem violência ou exclusão

* 💼 Fim da escala 6x1, sem redução dos salários e direitos garantidos

*  🎓 Em defesa das universidades federais não aceitaremos cortes orçamentários que atacam a educação pública, a ciência, a permanência estudantil e o direito da juventude trabalhadora de acessar e permanecer na universidade.

* 🏛️ A maioria do atual Congresso Nacional é Inimiga do povo, e sem pressão popular, de fora pra dentro, só servem aos interesses antidemocráticos e  econômicos das elites nacionais e estrangeiras, com objetivo de derrubar e ou sabotar e chantagear o governo Lula.

* 🌎 A soberania dos Países e Povos devem ser respeitadas, com paz e sem submissão ao imperialismo #BrasilSoberanoPopular #PalestinaLivredoRioaoMar #PazPopularNaVenezuela

E retomando a uma questão colocada mais acima, “quantas pessoas se sentirão impelidas ou instigadas a participar das mobilizações como uma das formas de responder as questões colocadas nos versos  da canção de Belchior ou seja, usar a voz em comunhão com outras  que pensam de forma semelhante.

Essa pergunta pode ser colocada de outra maneira: pensando os grandes grupos e a multidão como correntes de água, e a ação cultural como fios condutores ou nascentes e pequenos rios que alimentam os grandes, podemos, então, constatar — pelo formato e quantidade de pessoas nos atos — o quanto de ação cultural elas vivenciam em seu dia a dia.

E aqui surge uma questão nova para muitos que fazem política no campo da esquerda: a ação cultural, que também é pedagógica, social e comunicacional, é uma das bases sobre as quais está alicerçada a consciência política. A outra base é o sentimento de indignação e de injustiça, além de valores humanos positivos como solidariedade , empatia, entre outros."
"Fui trabalhar hoje, o povo não tá nem aí pra invasão da Venezuela rssss" 
Frase escrita neste 5 de janeiro em um grupo no whatsapp


Zezito de Oliveira

P.S.: (IN)FELIZ 2026?
Hoje, 7 dias do Ano Novo, há 61 conflitos armados no mundo (é "a 3a Guerra Mundial em pílulas", dizia o saudoso Papa Francisco). Os gastos militares globais somam US$ 2,7 trilhões, enquanto 117 milhões de seres humanos enfrentam a tortura da fome e dos desastres climáticos - denunciou o embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese.  
Trump, cuspindo em todos os tratados internacionais, se arvora em dono do mundo, neocolonizador. E, desprezando a mínima coerência, já reconhece que "seu" presidiário Maduro não chefia cartel de drogas. E o próprio cartel "Los Soles" não existe como alardeado, diz o Departamento de Justiça dos EUA. Força bruta + mentiras dão lastro a UMA INSANIDADE CIVILIZATÓRIA!
Mas, apesar do quadro sombrio, há sinais de esperança. Mais de 60% da população norte-americana rejeitam o atual governante dos EUA ("No Kings!"); a quase totalidade das nações condena o ataque à Venezuela e as ameaças à Colômbia, Cuba e Groenlândia; a presidente do México, Claudia Schenbaum, indaga "pq o magnata não prende os traficantes norte-americanos"; o presidente colombiano, Gustavo Petro, lidera, hoje, manifestações massivas em seu país por soberania nacional e energia limpa.
Esperança se constrói na luta!
Chico Alencar no facebook em 07 de janeiro de 2026


EDITORA EXPRESSÃO POPULAR

Nos últimos dias, os Estados Unidos realizaram um ataque militar direto à Venezuela, com bombardeios em alvos civis e militares, e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

A ação faz parte de uma escalada da guerra híbrida do imperialismo estadunidense para controlar recursos estratégicos (petróleo, terras raras) da América Latina e acabar com o chavismo.

A Venezuela enfrenta há anos uma ofensiva constante da direita, apoiada pelos Estados Unidos, especialmente por ter sido um dos países que, no final dos anos 90, colocou em xeque o modelo neoliberal com uma proposta socialista, expressa no projeto da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba).

📚 Para você entender o cenário político latino-americano, disponibilizamos gratuitamente em PDF quatro títulos fundamentais.

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