segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A Cultura de Mitidieri. Por Pascoal Maynard.

publicado pelo autor em sua página no facebook em  9/12/2025

Imagem: Instagram do governador

A gestão do governador Fábio Mitidieri tem sinalizado uma mudança importante no lugar que a Cultura ocupa dentro das políticas públicas de Sergipe. A criação da Secretaria Especial de Cultura, a Lei dos Mestres – Patrimônio Vivo da Nossa Cultura, e a integração com o Turismo e a Economia Criativa, demonstram que a Cultura deixou de ser acessório e passou a ser tratada como vetor estratégico de desenvolvimento.

Importante nesse movimento o nosso alinhamento ao ‘Sistema Nacional de Cultura” (SNC), que estabelece diretrizes para a institucionalização das políticas culturais em todo o país, fundamental para garantir continuidade e participação social. 

Já o Plano Nacional Aldir Blanc (PNAB), é um divisor de águas. Ele assegura recursos federais permanentes para estados e municípios, permitindo que a Cultura seja tratada como política pública de Estado. Em Sergipe, esses recursos estão sendo operacionalizados pela Funcap (Fundação de Cultura e Arte Aperipê), em lançamentos de chamamentos públicos, garantindo cotas afirmativas para negros, indígenas e pessoas com deficiência

Neste ponto a gestão abre caminho para que a Cultura deixe de ser apenas expressão simbólica e tem potencial para reposicionar Sergipe como referência nacional em gestão cultural, mostrando que investir em Cultura é investir em identidade, cidadania e desenvolvimento sustentável.

O desafio agora é garantir que essas políticas não se percam no tempo, mas se tornem políticas de Estado. Nesse sentido, é necessária a revisão do Plano Estadual de Cultura (Lei nº 9.117, de 14 de dezembro de 2022) em alinhamento ao novo Plano Nacional de Cultura, enviado este ano ao Congresso Nacional, bem como a legislação patrimonial, hoje estruturada pela Lei nº 2.069/1976, considerada antiga e que precisa ser atualizada para dialogar com os novos conceitos de patrimônio (material e imaterial).

Se isso acontecer, Sergipe terá dado um passo histórico: transformar sua riqueza cultural em motor de futuro.

*Pascoal Maynard é jornalista, documentarista e produtor cultural. Atualmente exerce o cargo de Assessor Especial da Funcap e Presidente do Conselho Estadual de Cultura.

E nosso conselho estadual de cultura. Não carece também de reforma, de atualização.? Nos marcos das normas que regulam o Conselho Nacional de Politica Cultural? Um conselho eletivo e com a incorporação de novas linguagens e ampliação da participação social cidadã com representação por territórios...

O questionamento acima foi feito na seção de comentários da publicação no facebook. Não houve resposta e ninguém curtiu o que está escrito acima.

O que isso nos diz sobre o silêncio acerca do que é essencial, do que é estruturante, do que é interditado no debate cultural em nosso estado?

E se não fosse os recursos públicos federais para a cultura?

O ator , técnico e gestor cultural Isaac Galvão também perguntou:

Pascoal, como anda o nosso Fundo Estadual de Fomento à Cultura? Abraço!

Porque os governos de Sergipe, os do passado e o atual, não conseguiram ter ou não tem uma visão mais ampliada e de longo prazo para investir nas potencialidades culturais do estado com orçamento e com governança sistêmica e eficaz, o que poderia ou poderá nos colocar em um estágio como o de Pernambuco por exemplo, que brilha nas telas do cinema nacional e internacional com o filme "Agente Secreto", sem contar inúmeros produtos culturais de outras linguagens e de qualidade tipo exportação.

Wagner Moura que é o ganhador de diversos prêmios como protagonista do "Agente Secreto" afirmou em entrevista que ele também é fruto de politicas públicas focadas no desenvolvimento cultural, social e econômico. AQUI

Quais estudos acadêmicos foram ou estão sendo realizados pela UFS apresentando dados e a reflexão necessária sobre as questões apontadas nessa postagem, seja através do texto do Pascoal Maynard, seja pelas perguntas e afirmações formuladas acima. Quem pode responder? Ou se não tiver respostas, que essa pergunta sirva ao menos para refletir sobre a contribuição dos professores e estudantes da UFS ao superação do atraso de Sergipe com relação aos outros estados da região em matéria de politica cultural, aliás uma espécie de consórcio universitário para estudos e pesquisas sobre politica e gestão cultural na região nordeste não seria uma boa ideia?



Um comentário:

Anônimo disse...

o poder pelo poder, no discurso tudo fica bonito. O problema é quando se chega ao poder, esse ano que entramos é um ano perdido. porque só iremos falar sobre construção política para manter o poder. E se não for assim, ainda corremos o risco de perder o pouco que temos. Pois a extrema direita não têm o mínimo de respeito a valores sociais e chegaram onde estão bem confortáveis, apenas na mentira.
acredito que o caminho será cultura, arte e educação popular. o problema é como atingir essa juventude? imediatista, superficial e capitalista. a língua de coletividade eles nem entendem, então para encontrar o novo é sofrido