Para quem não sabe, muitas entidades de Santo André têm convênios com a Prefeitura de Santo André nas áreas da educação, da assistência social, Cultura e esporte. Entramos naquele velho ditado: o cachorro toma conta da linguiça. Muitas dessas entidades fazem o jogo sujo dos tucanos, dos petistas e da política local. Seus dirigentes, muitas vezes, são pessoas que vivem bem do Estado há 40, 50 anos, mantidos a pão de ló.
Sou suplente no Conselho de Educação, e é uma vergonha: a presidência, membros do sindicato, militantes e um monte de gente movida por interesses pessoais. No Conselho de Assistência Social, a manipulação é tremenda ninguém entende o que é esse lugar e o que sistema de assistência social, seu Zé e Dono Maria são clientes da indústria da miséria. Para quem não sabe, os conselhos foram criados como forma de participação e governança social e são direitos, mas a sociedade civil é totalmente alienada do debate sobre orçamento, plano municipal, e quais são as prioridades e quem será beneficiado. Tudo se decide por meio de conchavos, e aqueles que têm poder fazem o jogo sujo para continuar vivendo bem, não existe isonomia.
Os conselhos deveriam ser colegiados, garantindo o direito ao controle social e à participação popular, mas o que vemos é uma cara de pau gigantesca. No Conselho de Cultura, então, é uma piada: só a sociedade civil fala, o pessoal do governo não abre a boca, e tudo segue como se estivesse normal. Do lado de fora, a classe média, acostumada a uma democracia moldada pelo poder econômico, segue omissa.
O fato é que todos deveriam, ao menos duas vezes por ano, participar das reuniões dos conselhos para cobrar e entender que são os algozes do povo . Falta formação, e a relação se torna difícil quando o interesse pessoal ultrapassa o interesse público. Assim, tudo fica nas mãos dos algozes. Essas figuras, se dependesse delas, já teriam privatizado e terceirizado todas as políticas públicas. Um “dono do Pentágono” chega a dizer que nem toda privatização é ruim e esse sujeito está no Conselho de Educação.
E a governança passa a ser feita pelo secretário autocracia, sem participação social. Por que o Plano Municipal de Educação, cultura, assistência social, cultura etc... não é executado? Na assistência social, a política pública é feita para atender entidades e trabalhadores, e não é pautada pelo Plano Municipal de Assistência Social. A governança da sociedade é quase inexistente, e tanto a sociedade civil quanto os trabalhadores desconhecem o modelo sistêmico e têm pouca intimidade com o fazer democrático, .
Vejam os equipamentos da assistência social e da cultura sem conselhos gestores: isso é uma vergonha. Esses equipamentos não podem ser geridos por funcionários encarregados isoladamente da gestão. Na cultura, os equipamentos são administrados por uma única pessoa, de forma rudimentar e ultrapassada. Cada espaço passa a ter um “dono” que, em vez de observar o Plano Municipal de Cultura, atende aos gestores e coloca amigos e amigas na programação.
Agora, com esse delírio global de falar em cidadania enquanto o olho grande sobre o poder cresce, vivemos o pior dos mundos. Vereadores e vereadoras não cumprem seu papel de fiscalizar nem de criar leis que garantam participação em massa. Quem recebe auxílio de qualquer ordem deveria obrigatoriamente participar das reuniões e formações para cidadania , e os conselhos deveriam ser independentes do Executivo.
Gentinha medieval.
Neri Silva Silvestre: Produtor cultural, articulador e gestor cultural, idealizador do Sarau na Quebrada, poeta e agitador cultural. Sempre foi um sujeito inquieto. Quando jovem lança com o grêmio escolar, o Jornal Macunaíma, daí não parou mais. Esteve à frente como coordenador do 1° Ponto de Cultura de Santo André (SP) de 2010/2013. Produziu inúmeros eventos que vão da música à literatura.

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