sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Chega ao fim a edição 2026 de um curso de formação humana integral que pode ajudar a manter viva a nossa esperança e a nossa utopia.

Um dos mais importantes e longevos cursos de formação humana integral, dedicado a agentes religiosos, comunitários, culturais, sociais e educativos, chega hoje, 16 de janeiro de 2026, ao encerramento de sua 39ª edição. Trata-se de uma travessia longa e fecunda, construída ao longo do tempo por muitas mãos, vozes e histórias, que seguem pulsando para além de cada edição concluída.

Aquilo que, em muitos momentos, parece concentrar-se em poucas pessoas é, na verdade, fruto de uma comunidade ampla e diversa. Uma comunidade que carrega em si a memória dos que já não podem mais estar fisicamente presentes — por falecimento, por enfermidades, por exigências do trabalho, por limitações financeiras ou pela distância geográfica. Ainda assim, permanecem próximos. A transmissão on-line de parte significativa das atividades do curso amplia o círculo da presença e permite que muitos continuem participando, desde que disponham de um celular, computador ou tablet e de conexão à internet. A presença, assim, reinventa-se e resiste.

A razão de ser, a atualidade e a urgência do Curso de Verão encontram eco em uma pergunta cantada por Belchior, em uma de suas canções mais emblemáticas: “O que é que pode fazer o homem comum nesse presente instante? À época de “Conheço o meu lugar” (1979), esse presente era atravessado pela ditadura militar e pela hipocrisia do sistema, tensionando os limites da liberdade e convocando o “homem comum” a buscar emoção, dignidade e sentido para a própria existência. Hoje, a pergunta permanece viva — talvez ainda mais necessária.

Ela ressoa no que foi dito, pensado e partilhado ao longo do curso e dialoga com o chamado de Ailton Krenak, em “Ideias para adiar o fim do mundo”: como engajar mais pessoas nessa caminhada? Para Krenak, é preciso recusar a ideia de uma humanidade única e dominadora e aprender outras formas de existir — enraizadas na conexão com a Terra, no respeito às culturas originárias e na compreensão da natureza como um organismo vivo. É um convite a prolongar a vida e a diversidade no planeta, a enfrentar a lógica predatória e o consumismo e, sobretudo, a contar novas histórias. Histórias capazes de abrir caminhos, reacender esperanças e nos ajudar a imaginar, juntos, outros futuros possíveis.

 



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