Um dos mais
importantes e longevos cursos de formação humana integral, dedicado a agentes
religiosos, comunitários, culturais, sociais e educativos, chega hoje, 16 de janeiro de 2026, ao encerramento de
sua 39ª edição. Trata-se de uma
travessia longa e fecunda, construída ao longo do tempo por muitas mãos, vozes
e histórias, que seguem pulsando para além de cada edição concluída.
A razão de ser, a atualidade e a urgência do Curso de Verão encontram eco em uma
pergunta cantada por Belchior, em uma de suas canções mais emblemáticas: “O que é que pode fazer o homem comum nesse presente instante?” À época de “Conheço
o meu lugar” (1979), esse presente era atravessado pela ditadura
militar e pela hipocrisia do sistema, tensionando os limites da liberdade e
convocando o “homem comum” a buscar emoção, dignidade e sentido para a própria
existência. Hoje, a pergunta permanece viva — talvez ainda mais necessária.
Ela ressoa no que foi dito, pensado e partilhado ao
longo do curso e dialoga com o chamado de Ailton Krenak, em “Ideias para adiar o fim do mundo”: como
engajar mais pessoas nessa caminhada? Para Krenak, é preciso recusar a ideia de
uma humanidade única e dominadora e aprender outras formas de existir —
enraizadas na conexão com a Terra, no respeito às culturas originárias e na
compreensão da natureza como um organismo vivo. É um convite a prolongar a vida
e a diversidade no planeta, a enfrentar a lógica predatória e o consumismo e,
sobretudo, a contar novas histórias. Histórias capazes de abrir caminhos,
reacender esperanças e nos ajudar a imaginar, juntos, outros futuros possíveis.

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