Wagner Moura venceu o Globo de Ouro de melhor ator por O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho — que também levou o prêmio de filme em língua estrangeira. Em qualquer país, seria consenso de orgulho. No Brasil de hoje, teve gente torcendo contra. Patriotas seletivos, que flertaram com golpe e relativizaram a democracia, não suportam quem pensa por conta própria. O problema nunca foi Hollywood nem “globalismo”. É a autonomia. Memória importa. E foi dela que Wagner lembrou no discurso, lembrando que valores atravessam gerações.
A coincidência simbólica é importante: o prêmio chega logo após o Supremo Tribunal Federal condenar líderes da trama golpista. Cultura também cura. Como já doeu quando Fernanda Torres venceu por Ainda Estou Aqui, agora A Hora do Pesadelo volta aos golpistas — não no sonho, no espelho.
Não foi lacração, complô ou conspiração. Foi trabalho, estudo e talento. Não queriam exemplo de mérito? Ta aí. O Globo de Ouro é de Wagner. O chilique ficou com quem perdeu nas urnas, no Supremo e agora no campo simbólico. Viva o Brasil. Viva a cultura brasileira.
Rozalvo Finco
Diminuir o Prêmio de Wagner Moura e do filme “O Agente Secreto” não é um gesto inocente nem apenas uma divergência estética. É vassalagem cultural. É esse velho hábito colonial de desprezar aquilo que nasce aqui e fala a nossa língua. Quem rebaixa um prêmio brasileiro, quem menospreza a cultura brasileira não está criticando arte, está negando pertencimento, não reconhece a potência criadora do próprio país. Desprezar a cultura brasileira é, no fundo, desprezar o Brasil. E isso diz muito menos sobre a obra ou o prêmio, e muito mais sobre quem escolhe a vassalagem em vez da dignidade cultural.





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