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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Salve Chico Buarque! Quem ouve suas canções com a alma, jamais te esquece...(*)


Em 19 de junho de 1944 nascia Chico Buarque de Holanda.
alguém que faz a diferença, que até hoje luta por um pais melhor.
Parabéns Chico, pelos seus 70 anos! (Via José Ricardo de Oliveira).



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CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, DO BRASIL: 70 ANOS DE VIDA
"Quando nasci veio um anjo safado/ um chato d´um querubim"... e me disse: vai, Chico, ser 'gauche' na vida. E ainda sussurrou baixinho: acompanha o teu xará da música e das letras, que vai lhe fazer bem.
Resulta que eu e alguns milhões de brasileiro(a)s da minha geração, marcada na juventude pela estupidez da Ditadura, passamos a existência a "catar a poesia" que Francisco Buarque de Hollanda, filho da saudosa Memélia e do Serjão, baita historiador, "entorna no chão".
Chico irmão de seis e vovô que também criou, em parceria com Marieta, esses "destinos tão iluminados de sim" chamados Silvinha, Lelê e Luísa - e sua generosa descendência.
Hoje o nosso guri Chico, "que enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões", completa 70 anos daquele "momento dele rebentar". "Vida, minha vida, olha o que é que eu fiz!". Fez demais.
Permanece acesa, em sua grande arte, a instigação: "se lembra do futuro que a gente combinou?". A obra de Chico é criança, é saltimbanco, é perene: "luz, quero luz, sei que além das cortinas são palcos azuis!".
Chico plural, imortal, vário, malandro, retirante, pingente, bandoleiro, errante, mutilado, na humanidade da romaria dos seres por um triz.
Geni, Carolina, Rosa, Januária, Nina, Beatriz. Esse Francisco brasileiro do mundo, boleiro, conjuga, há meio século, o verbo 'esperançar': "Pedro não sabe mas talvez no fundo/ espere alguma coisa mais linda que o mundo/ maior do que o mar..."
O que será que será? Tanto mar, tanto amar: https://www.youtube.com/watch?v=60bkb3IEpl8

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Chico Buarque chegou aos 70 anos encantando gerações. O carioca tem cerca de 80 discos e deu voz aos marginalizados na música, na literatura, no teatro e na poesia. Saiba mais sobre a carreira de Chico e confira a homenagem do Repórter Brasil






"Chico chega aos setenta (e até agosto sou apenas um ano mais velho do que ele, prazer de dois meses a cada ano). O Brasil é capaz de produzir um Chico Buarque: todas as nossas fantasias de   autodesqualificação se anulam. Seu talento, seu rigor, sua elegância, sua discrição são tesouro nosso. Amo-o como amo a cor das águas de Fernando de Noronha, o canto do sotaque gaúcho, os cabelos crespos, a língua portuguesa, as movimentações do mundo em busca de saúde social. Amo-o como amo o mundo, o nosso mundo real e único, com a complicada verdade das pessoas. Os arranha-céus de Chicago, os azeites italianos, as formas-cores de Miró, as polifonias pigmeias. Suas canções impõem exigências prosódicas que comandam mesmo o valor dos erros criativos. Quem disse que sofremos de incompetência cósmica estava certo: disparava a inevitabilidade da virada. O samba nos cinejornais de futebol do Canal 100, Antônio Brasileiro, o Bruxo de Juazeiro, Vinicius, Clarice, Oscar, Rosa, Pelé, Tostão, Cabral, tudo o que representou reviravolta para nossa geração foi captado por Chico e transformado em coloquialismo sem esforço. Vimos melhor e com mais calma o quanto já tínhamos Noel, Haroldo Barbosa, Caymmi, Wilson Batista, Ary, Sinhô, Herivelto. A Revolução Cubana, as pontes de Paris, o cosmopolitismo de Berlim, o requinte e a brutalidade de diversas zonas do continente africano, as consequências de Mao. Chico está em tudo. Tudo está na dicção límpida de Chico. Quando o mundo se apaixonar totalmente pelo que ele faz, terá finalmente visto o Brasil. Sem o amor que eu e alguns alardeamos à nossa raiz lusitana, ele faz muito mais por ela (e pelo que a ela se agrega) do que todos nós juntos.”
#‎CaetanoVeloso #Caetano #Parabéns Chico Buarque


#FACEDADILMA

 Jean Willys

São tantas as canções de Chico Buarque; tantas as falas de suas peças; tantos as passagens de seus romances que me edificaram que é difícil escolher uma para homenageá-lo neste dia de seu aniversário de 70 anos... Chico Buarque é tão importante para mim, para outra tanta gente e para a identidade cultural do Brasil que é doloroso, ao menos para mim, admitir que sua obra hoje "fale grego" para o imaginário de uma nova geração de brasileiros que não aprendeu a querer mais que os produtos impostos pelo mercado cultural; a se rebelar contra o inferno do mesmo; a desejar o que não sabe; a ampliar o repertório de sentimentos... Quando eu penso nessa gente e no que ela está perdendo em não ouvir ou ler Chico Buarque, eu sinto meu peito se apertar; não por ela ser humilde, mas por se comprazer em suas limitações, em sua estreiteza de repertório. Feliz aniversário, Chico!

Parabéns para Chico Buarque e "Paratodos" os brasileiros, conterrâneos desse artista genial.
Paulo Lobo










(*) "Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer
O titulo desse post foi inspirado nos versos da canção abaixo.







CHICO BUARQUE

Chico | CD

Francisco "Chico" Buarque de Hollanda, compositor, cantor, poeta e escritor, uma das mais importantes figuras da música popular brasileira dos anos 60 até os dias de hoje. Durante sua infância morou em São Paulo, Rio de Janeiro e Roma, e cresceu cercado de grandes artistas amigos de seus pais e da irmã, a cantora Miúcha, como, João Gilberto, Baden Powell, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Ainda em Roma, ouvindo seu pai ao fundo com Vinicius, lia de Dostoievski a Roger Martin e voltava às raízes brasileiras com Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis e Ramos. Da Rússia para a França e de volta para o Brasil. 


Chico Buarque aprendeu a tocar violão de ouvido, tentando imitar os amigos de sua irmã e o que ouvia no rádio: Ataulfo Alves, Noel Rosa, chorinhos, sambas, marchas e semelhantes. Começou a se apresentar ainda no colégio onde se destacava não só pela música, mas pelo seu amor pelo futebol, suas crônicas e sua participação integral no jornal da escola. Com tantas atividades físicas e intelectuais é de se impressionar que nesta mesma época Chico já compunha Canção dos Olhos, Marcha para um Dia de Sol e Anjinho e chegou a apresentar algumas composições próprias em espetáculos. Terminando a escola, ele até entrou para a FAU, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, mas após poucos anos formou um grupo, chamado de Sambafo, para fazer um "batuque" depois da aula.

http://www.biscoitofino.com.br/
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 O olhar feminino de Chico Buarque é celebrado em "Palavra de mulher"

Musical com Lucinha Lins, Tânia Alves e Virgínia Rosa estreia em SP com os temas inesquecíveis criados por Chico Buarque sob a ótica das mulheres.  AQUI

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Bloco Mulheres de Chico comemora o aniversário do muso Chico Buarque no Teatro Rival com a participação das Mulheres de Hollanda.

 https://www.facebook.com/events/1385111488444781/

Já é tradição o Bloco Mulheres de Chico comemorar o aniversário do muso Chico Buarque de Hollanda e esse ano não será diferente, A festança será no dia 26 de Junho no Teatro Rival e para abrilhantar ainda mais esta noite elas convidaram as Mulheres de Hollanda para fazerem uma participação nesta linda festa!
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Chico Buarque completa 70 anos e recebe homenagens

Confira os projetos relacionados ao compositor que chegam em breve

19/06/2014 | 05h01
Chico Buarque completa 70 anos e recebe homenagens  Walter Carvalho/Divulgação
Foto: Walter Carvalho / Divulgação
Imagine um Brasil sem
Chico Buarque. E também sem Geni, Beatriz, Pedro Pedreiro, Rita. O talento de Chico foi nos presenteando com esses personagens que até hoje nos explicam de quem é feito o Brasil. Os sambas do autor se tornaram essenciais não apenas no cancioneiro nacional, mas na história do país. Nesta quinta-feira, o compositor completa 70 anos. A festa de aniversário será em Paris, onde ele finaliza seu próximo romance. Mas, por aqui, os fãs vão poder comemorar com shows, filmes, musicais e outros tributos. Confira o que vem por aí.
>> Conheça a história por trás de cinco músicas de Chico Buarque

>> Críticos elegem as melhores músicas de Chico Buarque
Nos palcos de Porto Alegre
Na quarta-feira, o projeto O Maestro, O Malandro & o Poeta – Especial Tom, Chico & Vinicius, que reúne as bandas Roda Viva, Tribo Brasil e Carne de Panela, vai ao Batemacumba honrar estes três ícones da MPB, privilegiando o repertório do aniversariante – reapresentação em 17 de julho, no Ocidente.
No dia 10, o grupo Roda Viva mostra repertório de Chico no Ocidente. O baixista Juliano Luz explica por que o grupo não se cansa de tocar canções do músico após 10 anos de shows:
– A obra dele é rica musicalmente e no conteúdo. Ele fala de muitos assuntos, sempre trabalha com arranjos diferentes, compondo com parcerias importantes, e ao mesmo tempo tem várias músicas em que ele fez a melodia, a harmonia, a letra, tudo. É um grande compositor.
A banda Samba e Amor também tem dedicado todos os seus shows no mês de junho no Batemacumba Bar ao compositor.
No cinema
Estreará em 2015 um documentário que retrata o compositor a partir de músicas, textos e entrevistas – a direção é de Miguel Faria Jr., o mesmo do longa Vinicius (2005). Também no ano que vem, deve estrear a adaptação de Cacá Diegues para o musical O Grande Circo Místico, baseado no poema de Jorge de Lima, que ganhou trilha de Chico e Edu Lobo em 1982. Primo do compositor, o cineasta Lula Buarque de Hollanda comprou os direitos para adaptar o livro Leite Derramado, que Chico lançou em 2009.
Na TV
O Canal Brasil exibe neste domingo, às 17h, e no dia 27, às 15h, Chico Buarque – Na Carreira (2012), show da turnê do último disco do músico, que percorre diferentes fases de sua trajetória. Já no sábado, às 17h, e dia 26, às 15h, Palavra de Mulher (2012) destaca o talento de Chico para escrever do ponto de vista feminino na voz de três cantoras.
Em livro
O próximo romance de Chico Buarque ainda é um segredo, mas a editora Companhia das Letras espera receber o manuscrito em setembro e publicá-lo ainda neste ano.
Nos fones
A Universal Music tem novidades: disponibiliza o catálogo de Chico no iTunes desde terça-feira, vai lançar em julho versões em Blu-ray para os DVDs da série sobre o artista dirigida por Roberto de Oliveira em 2004 e, em outubro, a edição especial do CD e DVD Samba Social Clube, com sambistas interpretando Chico. Também está previsto o relançamento do box De Todas as Maneiras, com os 21 primeiros discos de Chico e um CD triplo de raridades.
No centro do país
Em Rio de Janeiro e São Paulo, começa uma onda de musicais com trilhas de Chico. Com Renato Aragão e Dedé Santana no elenco, a adaptação para o palco do filme Os Saltimbancos Trapalhões (1981) chega em outubro, assinada por Charles Möeller e Claudio Botelho, os mesmos diretores de Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos – espetáculo que, depois de estrear no Rio, vai a São Paulo em agosto, e cuja trilha está sendo lançada pela Biscoito Fino. No Rio, agenda cheia: O Grande Circo Místico segue em cartaz até o fim de julho, Ópera do Malandro (1978) estreia em agosto, e os espetáculos Apesar de Você, de Gustavo Paso, e Calabar, O Elogio da Traição, remontado por Ruy Guerra, chegam até o fim do ano.


Fonte: Zero Hora    http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2014/06/chico-buarque-completa-70-anos-e-recebe-homenagens-4530249.html

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  (...)Porque nosso Deus é o Deus da Vida: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”, e toda obra de arte que denuncia a injustiça e/ou promove a vida é sagrada.

Um exemplo dentre tantos é a obra de Chico Buarque(3). Quando ele canta “Mulheres de Atenas”, recorda-me o Jesus que entendia e sabia dialogar tão bem com a alma feminina, como no exemplo de Madalena. “João e Maria” me recordam o Jesus menino ouvindo as histórias e as cantigas de ninar que certamente Maria contou e cantou para seu filho. “Cálice” me lembra o Jesus torturado que sofreu tanto que até suspirou “pai, afasta de mim...”. “Assentamento” me recorda o Jesus sem-terra e sem-teto, que antes de nascer do ventre de Maria, já fugia do poder cruel e opressor que ainda hoje persegue milhares de famílias cujos filhos nascem embaixo das lonas dos acampamentos dos sem-terra ou debaixo das marquises e dos viadutos.(4)(...)

Tudo o que move é sagrado  


Mural do Curso de Verão 2003

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
13/12/2008 
 
"Toda arte que nos move a buscar a vida em plenitude é sagrada".
"Mesmo que o poeta seja ateu, um bom poema sempre nos aproxima de Deus".


Uma das coisas mais interessantes que confirmei no estudo sobre o Salmos — um livro poético/espiritual do primeiro testamento, — realizado com o monge beneditino Marcelo Barros(1), no ano de 2003, é que todos os escritos da Bíblia sobre o Deus-Amor são verdadeiramente palavra/vontade de Deus.

Aqueles que apresentam um Deus machista, preconceituoso, autoritário, ciumento e violento expressam o sentimento humano. Como exemplo podemos lembrar do mandamento “amar a Deus sobre todas as coisas”, complementado por Jesus Cristo, “e ao próximo como a si mesmo”.

Portanto, o que está escrito na Bíblia, que nega ou contradiz isso, deve ser compreendido, buscando entender suas limitações no tempo (história), a injunção da política (relações de poder) e o contexto cultural.

O escritor russo Tolstoi também afirmou a mesma coisa quando disse que “onde existir o amor, Deus aí está”.
Buscando apresentar de que forma este amor de Deus pode se tornar exemplo vivo a partir da prática do cotidiano, em Mateus vemos escrito: “Tive fome e me deste de comer, estive nu e me vestiste, estive preso e me visitaste”.

Neste sentido, um povo que se diz cristão e não consegue resolver o problema da fome, da injustiça e da violência, especialmente contra os mais indefesos e vulneráveis, não pode ser reconhecido por Jesus Cristo como irmãos e filhos do mesmo Pai. “Não é aquele que diz Senhor, Senhor que entrará no Reino dos Céus”.

Não é à toa que ouvimos algumas vezes a expressão: “De bem intencionados (ou de ‘cristãos’) o inferno está cheio”.
Quem leu o texto, ou assistiu à peça ou ao filme “O Auto da Compadecida” pode entender muito bem o que isso significa.

No caso do Brasil, o combate à fome tornou-se prioridade por parte da sociedade civil, a partir das iniciativas de Betinho, que liderou um movimento social de grande envergadura nos idos da década de 90, em consonância com o mandamento evangélico “Dá-lhes vós mesmos de comer”, e da parte, do governo, a partir de 2002, com a eleição do Presidente Lula, que criou o Programa Fome Zero, atualmente bastante limitado à distribuição do Bolsa Família, embora concebido para ir muito além.

Quando Frei Betto(2) apresentou o programa Fome Zero para a sociedade civil em Sergipe, no ano de 2003, eu disse naquela ocasião — reforçando o pensamento dele, — que embora seja um imperativo moral e ético combater a fome orgânica, a fome do corpo, o Evangelho nos lembra que “nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”.

Essa palavra que não se expressa somente através do signo verbal, pode se revelar também através da música, da dança, da pintura, do cinema e de várias outras manifestações artísticas, mesmo quando músicos, poetas, dançarinos, pintores, cineastas e escritores não falam ou não acreditam em Deus.

Porque nosso Deus é o Deus da Vida: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”, e toda obra de arte que denuncia a injustiça e/ou promove a vida é sagrada.

Um exemplo dentre tantos é a obra de Chico Buarque(3). Quando ele canta “Mulheres de Atenas”, recorda-me o Jesus que entendia e sabia dialogar tão bem com a alma feminina, como no exemplo de Madalena. “João e Maria” me recordam o Jesus menino ouvindo as histórias e as cantigas de ninar que certamente Maria contou e cantou para seu filho. “Cálice” me lembra o Jesus torturado que sofreu tanto que até suspirou “pai, afasta de mim...”. “Assentamento” me recorda o Jesus sem-terra e sem-teto, que antes de nascer do ventre de Maria, já fugia do poder cruel e opressor que ainda hoje persegue milhares de famílias cujos filhos nascem embaixo das lonas dos acampamentos dos sem-terra ou debaixo das marquises e dos viadutos.(4)

Daí as possibilidades da criação artística como fonte para buscarmos saciar a fome de justiça e de beleza(5), e na perspectiva de neutralizarmos a força das idéias ou expressões estéticas que além de nos empobrecer culturalmente, insistem em querer nos afastar permanentemente do contato com a realidade, reforçando o individualismo, desvalorizando tudo aquilo que se refere aos cuidados com a coisa pública, a preservação dos bens naturais e o legado cultural que herdamos dos nossos ancestrais. (6)

Tudo isso lamentavelmente disseminado também através de linguagens artísticas, principalmente da música e de pregações (discursos) que abusam de elementos cênicos/teatrais.

Artigo originalmente publicado no jornal Cinform em fevereiro de 2005 com o titulo: Arte na cesta básica de todos.

NOTAS:
(1) Marcelo Barros é monge beneditino e um dos mais fecundos intelectuais gerados no seio da igreja católica, numa época (anos 70) em que a instituição buscava se abrir e dialogar com o mundo, ao contrário dos tempos atuais em que os conflitos com os setores progressistas da política, da ciência e do mundo das artes tem sido a tônica. A despeito disso, Marcelo Barros tem buscado abrir pontes e até “viadutos” para o diálogo com outras crenças, como as de matriz africana, orientais e com os grupos religiosos contemporâneos, além de cientistas e setores políticos vinculados ao altermundismo. É também um brilhante escritor e em muitos de seus artigos e das suas obras literárias, o tema do diálogo inter-religioso e intercultural é tratado com muito esmero, carinho e profundidade. O monge Marcelo Barros é herdeiro espiritual de um grande poeta, místico e amante das artes e da luta pela justiça, Dom Hélder Câmara, bispo nordestino cujo exemplo de cristão e de pastor inspira os ideais e comportamento de milhares de pessoas no mundo inteiro, dentre as quais me incluo.
(2) Frei Betto é frade dominicano e muitas das palavras aplicadas a Marcelo Barros se aplicam a ele também, evidentemente salvas algumas distinções próprias, porém, como este é mais conhecido, recomendo o seguinte link, para a busca de mais informações sobre ele. Logo após Lula assumir o governo, Frei Betto foi convidado para coordenar o setor de mobilização social do Fome Zero, e foi nesta condição que ele esteve em Sergipe, sendo que quase dois anos depois solicitava afastamento do governo em função de não se avançar no combate às causas estruturais da fome. Recentemente, em artigo na revista Caros Amigos, para a qual escreve mensalmente, Frei Betto afirma: “Concebeu-se o Fome Zero como um leque de políticas capaz de alterar a arcaica estrutura social brasileira e permitir aos beneficiários vir a produzir a própria renda. Assim, a reforma agrária se impunha como prioridade. Não se pretendia saciar apenas a fome de pão, mas também a de beleza, ou seja, aprimorar culturalmente os beneficiários e torná-los protagonistas do aperfeiçoamento de nossa democracia. O controle do programa cabia à sociedade civil através dos Comitês Gestores.(...) Em 2005, os Comitês Gestores foram cancelados e o governo federal repassou às prefeituras a responsabilidade de controle dos recursos destinados aos beneficiários. Decisão que, segundo o Tribunal de Contas da União, fez aumentar os indícios de corrupção nas administrações municipais.”
(3) Lembro no início dos anos 80, ainda morando no Rio de Janeiro e em uma reunião do grupos de jovens, ter utilizado uma música de Chico Buarque: “O casamento dos pequenos burgueses” como mote para levantar a discussão sobre o tema do casamento.
Também no final dessa década, a Pastoral de Jovens do Meio Popular, ligada a Arquidiocese de Olinda e Recife, na época sob os cuidados de Dom Hélder, publicou um pequeno livro com letras de músicas da "MPB" e com roteiro de perguntas apropriado para fomentar o debate sobre temas sociais nos grupos de jovens e comunidades de base.
(4) - O argumento defendido aqui, não se restringe somente as músicas que contém letras, sejam elas "engajadas ou não" mas incorpora a obra de Bach, Beethovem, Mozart, Villa-Lobos, Egberto Gismonti, Pink Floyd, Genesis, Enya e etc.
(5) Um artista que consegue realizar o Ideal da síntese que defendemos aqui, em termos estéticos e éticos, é o poeta, cantor, compositor, arte-educador popular e missionário Zé Vicente, que foi gestado no ventre das comunidades eclesiais de base, na década de 70, no Ceará, e que já gravou mais de uma dezena de CD’s e que será motivo de uma apresentação para os leitores do Overmundo dentro de alguns dias. Na opinião do bispo católico, Dom Dulcênio, atualmente responsável pela Diocese de Palmeira dos Indios (AL) a qualidade da produção artística do Zé Vicente para a música cristã pode ser equiparada a de Luiz Gonzaga para a música popular brasileira.
Neste post trazemos para o deleite de vocês a composição Utopia e quem quiser ouvir mais composições de autoria do Zé Vicente pode clicar aqui.

(6) Como aspecto positivo, atualmente temos a incorporação de músicas do cancioneiro popular por parte do Padre Fábio de Melo, que tem se utilizado de obras de artistas como Fábio Junior, Lulu Santos, Renato Russo, dentre outros, em seus programas transmitidos pela TV Canção Nova e em shows por esse Brasil afora, tendo inclusive gravado um CD somente de músicas de compositores “laicos” brasileiros. Importante ressaltar que a pregação do Fábio de Melo difere em alguns aspectos do discurso da maioria dos padres recém ordenados, embasados por uma teologia que reforça o individualismo quando apresenta a solução dos problemas humanos, tão somente pela via do recurso à oração individual, deixando de considerar também a interdependência que muitos desses problemas mantêm com as questões sócio-políticas estruturais. Quanto a Fábio de Melo, nas oportunidades em que o vi falar, percebi que tem um olhar menos restrito e um pouco mais amplo, chegando próximo do chamado modelo do pensamento “sistêmico”, quando comenta os dramas pessoais que se constituem na matéria prima de seu programa de televisão.

Leia também:

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Romero Venancio via facebook‎
Um documentário que diz muito da arte de Chico Buarque ou da busca por uma país que perdeu a delicadeza por trezentas e tantas situações históricas ou “por um país em que a poesia ficou suja, cruel”... O que mais gosto neste filme é o lugar da melancolia que busca algo bem ao estilo Walter Benjamin e nem exatamente do objeto da busca... Haveremos de amanhecer um dia. Recomendo neste dia


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