segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

São Paulo recebe Semana de Arte contra a Barbárie pela liberdade cultural

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Diversos artistas participam de maratona cultural que ocorre a partir desta terça (11) e segue até o dia 18, com apresentações no Teatro Municipal e na Avenida Paulista 

  11:16  
 
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"Nós vamos com alegria conversar com a população. É nossa função ser esse retrato da nossa sociedade rica", destaca idealizadora da Semana de Arte contra a Barbárie
São Paulo – Em defesa da liberdade de expressão, centenas de artistas participam a partir desta terça-feira (11) da Semana de Arte contra a Barbárie. Um evento gratuito, organizado pelo Movimento Artigo Quinto (MA5º) que até o dia 18 de fevereiro apresenta manifestações teatrais e de dança, artes plásticas, cinema e literatura nas escadarias do Teatro Municipal, no centro da cidade de São Paulo, em protesto contra o desmonte da cultura, à censura e suas tentativas com a ascensão de governos autoritários.
A maratona artística, que movimentará a cidade pelos próximos oitos dias, ocorrerá diariamente das 12h até as 15h, com a participação de diversas personalidades como Denise Fraga, Clarisse Abujamra, Fabiana Cozza, o bloco afro Ilú Obá de Min, Chico César, Marisa Orth, Zeca Baleiro e coletivos como a companhia de circo-teatro Rocokóz. A Avenida Paulista também será palco do evento no domingo (16), quando o dia será dedicado à poesia.
Em 1922, a mesma escadaria que será ocupada pelos artistas também foi palco da Semana de Arte Moderna, que durante os mesmos dias impulsionaram uma renovação na arte brasileira com artistas como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Mário de Andrade, entre outros. Dessa vez, a nova semana de arte resgata esse histórico para se opor ao autoritarismo que tem sido a marca de governos como o de Jair Bolsonaro (sem partido), João Doria (PSDB)Marcelo Crivella (Republicanos), ou ainda Marco Rocha (PSL), o caso mais recente do governador que mandou recolher livros históricos em Rondônia, mas depois recuou.
“É tão perigoso um governo sentir espaço para fazer isso. A tentativa de censura é tão grave quanto a censura, porque significa que a sociedade está com espaço aberto para fascismo”, avalia a diretora teatral Regina Galdino, uma das idealizadoras da Semana de Arte contra a Barbárie e integrante do MA5º, movimento criado em 2019, em Belo Horizonte, e que se espalhou pelo Brasil em defesa do quinto artigo da Constituição, que institucionaliza a liberdade de expressão.
À jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual, Regina explica que a Semana de Arte já era pensada antes mesmo da polêmica do ex-secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, que fez uma citação nazista em vídeo. Mas, de acordo com ela, desde o ano passado, quando o evento começou a ser idealizado, o intuito também é de marcar oposição ao plano nacional divulgado por Alvim como “de maior importância que a Semana de Arte Moderna de 22”.
“Todo mundo está engasgado vendo esse desmonte da cultura, os casos e as tentativas de censura. Vamos na frente do Teatro Municipal conseguir falar com as pessoas, que estão passando na hora do almoço, para falar desses casos. Então nós vamos com alegria conversar com a população. É nossa função ser esse retrato da nossa sociedade rica”, destaca a diretora teatral.
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Um comentário:

Anderson Del Duque disse...

Muito importante ótima iniciativa