sábado, 4 de junho de 2022

Morre Teixeira Coelho! Um dos influenciadores intelectuais da ação cultural desenvolvida pela AMABA nas décadas de 1980 e 1990


A primeira nota a respeito chegou nesta manhã por meio do mural do historiador e gestor cultural  Célio Turino no facebook

Acabo se saber sobre o falecimento do professor Teixeira Coelho. Grande estudioso da Cultura, formou gerações. Inclusive Eu! (fui aluno dele na primeira turma de pós graduação em Administração Cultural no país, em 1986) À família enlutada e todo povo da cultura, meus sentimentos!

Aí lembrei.....

O Professor Teixeira Coelho é base.. Lembro de ter lido o livro "Usos da Cultura" e debatido com os meus camaradinhas da AMABA:Círculo de Cultura. Isso na década de 1980.   Eu era jovem na época.. Estava relendo um dos livros dele nestes últimos dias, "O  que é Ação Cultural" pretendendo inclusive repassá-lo para um novo velho camarada que me pediu livro de referências sobre politicas culturais.... Vai fazer muita falta.. "Que a terra lhe  seja leve" como os  mais velhos costumavam dizer nestas horas..

No inicio da tarde de hoje, a jornalista e produtora cultural  Marta Porto publicou o seguinte, também no facebook.

Morreu hoje José Teixeira Coelho, um dos pensadores que mais contribuíram para a compreensão das políticas culturais no Brasil e  na América Latina.

Tenho profunda gratidão pelas trocas e escutas que tivemos ao longo de 30 anos. Mesmo quando havia discordância (salve a boa divergência quando ela te faz pensar), nosso diálogo era respeitoso e creio, feito com admiração mútua.

Lamento muito a perda de Teixeira. Aos familiares, alunos e amigos, meu abraço carinhoso.

Abaixo a matéria publicada no site do Itaú Cultural

Morre Teixeira Coelho, aos 78 anos

NOTÍCIAS  gestão cultural  efemérides 
publicado em:
04/06/2022 - 12:50

 
Morreu em São Paulo, aos 78 anos, o crítico de arte, curador, escritor, gestor cultural, pesquisador e professor Teixeira Coelho. O velório acontece neste sábado, 4 de junho, das 14h às 18h, no Funeral Arce Unidade Morumbi, na capital paulista.

Sua relação com o Itaú Cultural foi duradoura e frutífera, tendo sido ele, desde 2008, o coordenador das onze turmas do Curso de Especialização em Gestão e Política Cultural do Observatório Itaú Cultural, em colaboração com a Cátedra Unesco Políticas Culturais e Cooperação da Universidade de Girona, da Espanha. No curso, Teixeira Coelho aprofundou a ideia de gestão cultural como um conjunto de iniciativas inovadoras e criadoras, relacionando os contextos locais com a sociedade global.

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“Um pensador da cultura extremamente original.” Assim era o professor da USP e crítico de arte José Teixeira Coelho Netto – que morreu na madrugada deste sábado, dia 4, aos 78 anos, vítima de câncer na medula -, na opinião do professor Martin Grossmann, docente da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e ex-aluno de Teixeira Coelho.

Para Grossmann, a originalidade de Teixeira Coelho está presente nas suas ideias sobre cultura contemporânea, expostas nos 44 livros que publicou ao longo de mais de 50 anos de atividade acadêmica. Entre essas obras está O Que é Ação Cultural, lançado em 1989 pela Editora Brasiliense. Nesse livro, que Grossmann considera “fundamental”, Teixeira Coelho aborda questões que então começavam a ser discutidas na Europa, relacionadas com a figura do usuário da cultura não como mero consumidor, mas como produtor. “Ele mostrou que, na arte pós-moderna, a audiência não é passiva, e sim atuante, partícipe do fazer cultural, o que exige dela inteligência e crítica”, afirma Grossmann. “Não havia reflexão no Brasil sobre isso.”

O trabalho de Teixeira Coelho foi essencial para a concepção de políticas públicas na área da cultura no Brasil, continua Grossmann. Nos anos 80, como fundador e coordenador do Observatório de Políticas Culturais da ECA – o primeiro núcleo desse tipo no País -, ele e sua equipe elaboraram o Dicionário Crítico de Políticas Culturais, publicado em 1997 pela Editora Iluminuras e depois lançado no México e na Espanha. “Essa obra estabeleceu o vocabulário necessário para verbalizar a ação cultural”, explica Grossmann. “O Observatório serviu também para formar gerações de agentes culturais.”

Grossmann destaca ainda a atuação de Teixeira Coelho como gestor cultural. Entre 1998 e 2002, ele dirigiu o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP com “planos audaciosos” – como expor obras do acervo do museu na Avenida Paulista, para torná-lo conhecido do público – e, como curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo (Masp), de 2006 a 2014, foi responsável pela recuperação daquela instituição ao mudar o padrão da gestão, segundo o professor. “Ele era um intelectual independente, um polímata. Não dá para classificá-lo apenas como historiador ou filósofo da arte.”

A vice-reitora da USP, professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, concorda com Grossmann em que Teixeira Coelho foi um dos mais importantes pensadores da cultura do Brasil. “Ele foi pioneiro, primeiro, nos estudos sobre os meios de comunicação e, depois, nas áreas da crítica de arte e da curadoria”, destaca Maria Arminda. Ela lembra também a contribuição de Teixeira Coelho para os institutos culturais no País, como o Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, onde deu conferências, organizou eventos e editou publicações. “Ele fez uma reflexão filosófica muito significativa sobre as possibilidades artísticas dos novos meios de informação, as relações entre arte e tecnologia e todo o andamento da cultura na pós-modernidade.”

Nascido na capital paulista em 1944, Teixeira Coelho era professor da Escola de Comunicações e Artes da USP – onde recebeu o título de Professor Emérito em 2015 – desde 1973. Curador de exposições no Brasil e no exterior – como a Bienal de Curitiba (PR) de 2015 -, ele se dedicou também à ficção: é autor de História Natural da Ditadura (Iluminuras, 2006), que ganhou o Prêmio Portugal Telecom 2007. No início de abril deste ano, assumiu o cargo de coordenador do tema Cultura e Artes, no Programa Eixos Temáticos da USP.

Sobre a ação cultural na AMABA/Projeto Reculturarte....

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Teixeira Coelho - O passado e o futuro da política cultural brasileira (2014)


Podemos discordar a priori do Professor Teixeira Coelho sobre a discussão do papel do estado na cultura, mas não se pode negar a pertinência de suas criticas. Pensar em um estado que induza o desenvolvimento cultural, mas com descentralização institucional  e empoderamento da sociedade civil e dos micros e pequenos empreendedores  me parece uma ideia bastante atraente...  
Isso pode ser creditado como um dos principais legados da Lei Aldir Blanc..
Zezito de Oliveira



2 comentários:

Cícero Alberto disse...

Que Deus o abençoe com muita luz e paz e conforte seus familiares e amigos.

AÇÃO CULTURAL disse...

Amém!!