Com a operação da Polícia Federal contra Cláudio Castro, o Rio volta a ver um ex-governador eleito no centro de uma investigação
Por Quintino Gomes Freire -15 de maio de 2026Com a operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (15) contra o ex-governador Cláudio Castro (PL), o Rio de Janeiro volta a conviver com uma cena que se tornou frequente nas últimas décadas: um ex-ocupante do Palácio Guanabara no centro de uma crise judicial. As informações são d´O Globo.
Castro foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua casa, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A ação, batizada de Operação Sem Refino, também mira o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, grupo que controla a antiga Refinaria de Manguinhos. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suspeitas de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e envio irregular de recursos ao exterior no setor de combustíveis.
A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
A entrada de Castro nessa lista amplia uma sequência incômoda para a política fluminense. Desde Moreira Franco, todos os governadores eleitos do Rio passaram por operações, prisões, cassação, inelegibilidade ou processos de impeachment. A lista ajuda a explicar por que o estado se tornou um caso à parte na política nacional.
Wilson Witzel
Antecessor de Cláudio Castro, Wilson Witzel governou o Rio entre 2019 e 2021. Ele foi eleito na mesma chapa em que Castro era vice-governador.
Witzel foi o primeiro governador do Rio a perder o mandato em um processo de impeachment. O Tribunal Especial Misto decidiu, por unanimidade, pela cassação em abril de 2021, sob acusação de crime de responsabilidade na gestão de recursos da Secretaria Estadual de Saúde durante a pandemia de Covid-19. Ele também ficou impedido de exercer função pública por cinco anos.
Antes do impeachment, Witzel já havia sido alvo da Operação Placebo, da Polícia Federal, que cumpriu mandados no Palácio Laranjeiras e na residência onde ele morava antes de ser eleito. Ele sempre negou as acusações.
Luiz Fernando Pezão
Luiz Fernando Pezão, governador entre 2015 e 2018, foi preso em novembro de 2018, quando ainda estava no cargo. A prisão ocorreu em um desdobramento da Lava Jato no Rio.
A investigação apontava que Pezão teria integrado o núcleo político de uma organização criminosa ligada ao ex-governador Sérgio Cabral. Segundo a PGR, havia registros de pagamentos em espécie ao então governador, em valores incompatíveis com seu patrimônio declarado.
Pezão foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. O caso reforçou a imagem de colapso político do governo estadual, que já vinha de uma crise fiscal profunda e de sucessivos escândalos.
Sérgio Cabral
Antes de Pezão, Sérgio Cabral comandou o estado entre 2007 e 2014. Ele se tornou o principal símbolo da derrocada política do PMDB fluminense.
Cabral foi preso em 2016 e virou réu em vários processos ligados à Lava Jato. As acusações envolveram corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude em licitação e recebimento de propina em contratos públicos.
Em um dos casos, o TRF-2 manteve condenação da Operação Calicute, que apurou esquema de corrupção no governo estadual. A Corte registrou condenação por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Rosinha Garotinho
Rosinha Garotinho, governadora entre 2003 e 2006, também entrou para a lista de ex-chefes do Executivo fluminense presos pela Polícia Federal.
Ela foi presa em novembro de 2017, ao lado do marido, Anthony Garotinho, em uma investigação eleitoral. O caso apurava suspeitas de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação de contas eleitorais.
A investigação mirava a arrecadação de recursos para campanhas do grupo político ligado à família Garotinho em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
Anthony Garotinho
Anthony Garotinho, governador do Rio entre 1999 e 2002, foi preso pela primeira vez em 2016, no âmbito da Operação Chequinho, que investigou suspeita de compra de votos em Campos dos Goytacazes.
No ano seguinte, voltou a ser preso em investigação eleitoral que também atingiu Rosinha Garotinho. A Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral apuravam suspeitas de corrupção, organização criminosa e arrecadação irregular para campanhas.
Garotinho sempre negou as acusações e atribuiu as operações a perseguição política.
Moreira Franco
Antes dessa sequência mais recente, Moreira Franco, governador entre 1987 e 1991, também teve o nome envolvido em desdobramentos da Lava Jato.
Ele foi preso em 2019, na mesma operação que atingiu o ex-presidente Michel Temer, por suspeitas ligadas a contratos da Eletronuclear e a possíveis fraudes investigadas pela força-tarefa no Rio. A prisão durou poucos dias, após decisão judicial que mandou soltar os acusados.
Em 2025, Moreira Franco foi absolvido em uma ação de improbidade relacionada à Eletronuclear, em decisão que também beneficiou Temer e outros réus.
Entenda a operação desta sexta-feira
A Operação Sem Refino apura a atuação de um conglomerado econômico do setor de combustíveis. Segundo a Polícia Federal, o grupo é suspeito de usar estruturas societárias e financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.
Além de Cláudio Castro, estão entre os alvos o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad.
Castro renunciou ao governo no fim de março, na véspera da conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que o tornou inelegível. Desde então, o estado é governado de forma provisória pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto.
Procurado, o advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Castro, afirmou que “ainda não tem conhecimento da motivação da busca e apreensão, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes”. Segundo a TV Globo, o ex-governador estava em casa no momento da operação.
Com a renúncia de Castro, Ricardo Couto assumiu o governo porque a linha sucessória do estado estava comprometida. O vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, e o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, havia sido afastado após operação da Polícia Federal.
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