Na manhã deste dia 22 de junho, representantes de diversas comunidades católicas e movimentos sociais dos municípios de Poço Redondo, Porto da Folha, Monte Alegre de Sergipe, Graccho Cardoso, Gararu, Nossa Senhora de Lourdes e Canhoba estiveram na Cúria Diocesana de Propriá para protocolar uma carta dirigida ao Bispo Diocesano, Dom George Luiz.
O documento, subscrito por 493 fiéis, manifesta apoio ao Frei Roberto Eufrásio de Oliveira, missionário com longa trajetória de serviço pastoral na Diocese de Propriá, e solicita a abertura de um espaço de escuta, diálogo e reconciliação diante do anúncio de que o religioso estaria impedido de exercer atividades em parte do território diocesano.
As comunidades destacam que Frei Roberto faz parte da história da Diocese, tendo desenvolvido sua missão junto ao povo sertanejo, inspirado pelas orientações da Igreja Católica, pelo Concílio Vaticano II, pelas Conferências Episcopais de Medellín e Puebla e pela experiência das Comunidades Eclesiais de Base.
Na carta, os fiéis pedem que sejam ouvidas as comunidades envolvidas e que a situação seja reavaliada à luz da caridade pastoral, da misericórdia e do compromisso com a verdade, valores fundamentais da caminhada cristã.
Segundo os representantes das comunidades, a expressiva adesão ao documento demonstra o reconhecimento, a confiança e o apreço que os fiéis mantêm pelo trabalho missionário desenvolvido por Frei Roberto ao longo de décadas de evangelização no sertão sergipano.
Histórico de atuação
- Opção pelos pobres: Ao lado de Dom José Brandão de Castro (primeiro bispo de Propriá), ele ajudou a estruturar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) Mangue Jornalismo.
- Conflitos agrários: Atuou diretamente junto à Comissão Pastoral da Terra (CPT) Mangue Jornalismo mediando conflitos contra elites latifundiárias Mangue Jornalismo. Apoiava os pequenos agricultores no "Caso Betume" Mangue Jornalismo e nas contestações contra obras da Codevasf IHU.
- Causa Indígena: Participou ativamente da mobilização histórica de 1978 que resultou na retomada das terras sagradas dos indígenas Xokó, localizadas na Ilha de São Pedro, em Porto da Folha Mangue Jornalismo.
- Perseguição: Em razão de seu compromisso social, foi agredido fisicamente em latifúndios Mangue Jornalismo e figurou formalmente na lista de religiosos investigados pelo aparato de repressão da Ditadura Militar em Sergipe Mangue Jornalismo.
- Formação na Paraíba: Nos anos 1980, estendeu seus trabalhos à Arquidiocese de João Pessoa, a convite de Dom José Maria Pires, colaborando na formação teológica e no Centro de Formação Missionária em Serra Redonda UFS.
- Escola Missionária: Manteve colaboração estreita com o teólogo belga padre José Comblin na coordenação de escolas de formação pastoral popular Repositório UFPB.
- Obras publicadas: Registrou os aprendizados da caminhada nos livros "Caminhando com Jesus: uma experiência missionária no Nordeste" RI UFPE e "Experiência missionária no Nordeste do Brasil: Manual do Missionário e da Missionária" Plínio Corrêa de Oliveira.

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