quarta-feira, 10 de junho de 2026

Palácio Inácio Barbosa: Quando o Abandono Ameaça a Memória de Aracaju. Por Emanuel Rocha*


 10 de junho de 2026  

Preservar o palácio e a memória: uma oportunidade para criar o Museu da Imagem e do Som de Sergipe.

Publicado primeiro nos blogs  RoAcontece e Folha de Sergipe

No centro histórico de Aracaju encontra-se um dos mais importantes edifícios públicos da capital. O Palácio Inácio Barbosa, durante décadas, abrigou a administração municipal e testemunhou decisões, projetos e acontecimentos que ajudaram a construir a história da cidade. Hoje, porém, o que deveria ser motivo de orgulho tornou-se símbolo do abandono e do esquecimento do patrimônio histórico.

Mais do que uma construção antiga, o Palácio Inácio Barbosa representa parte da memória coletiva dos aracajuanos. Suas paredes acompanharam o crescimento da capital, as transformações urbanas e as mudanças políticas que marcaram Sergipe ao longo do século XX. O edifício recebeu o nome de Inácio Joaquim Barbosa, responsável pela transferência da capital de Sergipe para Aracaju em 1855, tornando-se uma homenagem permanente a um dos personagens mais importantes da história sergipana.

O abandono de um patrimônio histórico vai além da deterioração física. Quando um prédio como esse é deixado de lado, perde-se também a oportunidade de fortalecer a identidade cultural e preservar a memória das gerações que ajudaram a construir a cidade. Monumentos históricos não são apenas construções antigas. São testemunhos vivos da trajetória de um povo.

Enquanto diversas cidades brasileiras recuperam seus edifícios históricos e lhes dão novas funções culturais, o Palácio Inácio Barbosa permanece aguardando um projeto que esteja à altura de sua importância. Sua restauração não deve ser vista apenas como uma obra de engenharia, mas como um compromisso com a história de Aracaju e de Sergipe.

A memória de um povo não se mantém apenas nos livros. Ela também está presente nos edifícios, nas praças, nos monumentos, nas fotografias, nos documentos e nos registros que atravessam o tempo. Quando esses elementos desaparecem ou são esquecidos, parte da história coletiva corre o risco de ser apagada.

O que está em jogo não é apenas a conservação de um prédio antigo. O que está em jogo é a preservação de uma parte importante da história da capital sergipana. Cada dia de abandono representa uma nova perda para o patrimônio cultural da cidade e um passo a mais em direção ao esquecimento.

Quem sabe o futuro do Palácio Inácio Barbosa não esteja justamente naquilo que Sergipe ainda não possui plenamente: um grande espaço de preservação da memória audiovisual. Em uma parceria entre a Prefeitura de Aracaju e o Governo do Estado, o edifício poderia abrigar um Museu da Imagem e do Som, reunindo fotografias, filmes, gravações, jornais, documentos e depoimentos que ajudam a contar a história dos sergipanos. Seria uma forma de preservar simultaneamente dois patrimônios: o prédio histórico e a memória do povo que ele representa.

Além de valorizar o centro histórico da capital, um Museu da Imagem e do Som permitiria que estudantes, pesquisadores, jornalistas, artistas e a população em geral tivessem acesso a um acervo organizado da história sergipana. Fotografias da antiga Aracaju, registros de manifestações culturais, entrevistas, programas de rádio, imagens de festas populares e tantos outros materiais poderiam ser preservados para as futuras gerações.

O Palácio Inácio Barbosa não precisa ser lembrado apenas como um prédio abandonado. Ele pode voltar a ser um espaço vivo, dedicado à cultura, à educação e à preservação da memória. O que falta não é potencial, nem propostas. Falta vontade política, compromisso com a preservação do patrimônio histórico e respeito à memória dos sergipanos. Transformar essa realidade em algo diferente depende de decisões concretas, antes que o tempo faça desaparecer aquilo que ainda pode ser salvo.

Depois, quando as paredes caírem e a história sobreviver apenas em fotografias amareladas, virão os discursos lamentando o que foi perdido. Mas patrimônio não se salva com discursos, salva-se com atitude.

* Emanuel Rocha é Historiador, poeta popular, escritor  e repórter fotográfico

Saiba mais sobre a História do Palácio Inácio Barbosa na Wikipédia, aqui

Para assinar a petição pública online, aqui 

📢 QUEM AMA ARACAJU PARTICIPA! 🏛️💔

Você sabia que o histórico Palácio Inácio Barbosa (o Prédio Antigo da Prefeitura, no Centro) está abandonado, sem telhado e virando foco de dengue?    https://www.instagram.com/p/DZTlDvmjYGC/

Como diria João Cabral de Melo Neto: " Um galo sozinho não tece uma manhã". A nossa cultura só vai resistir se a gente unir forças! 💪🐓

Assine o abaixo-assinado urgente para exigir da Secretaria e do Conselho Municipal de Cultura:

1️⃣ Vistoria e laudo técnico imediato do prédio.

2️⃣ Projeto de reforma e revitalização em até 90 dias.

3️⃣ Criação de um Complexo Cultural (proposta de um Teatro Municipal e Museu da Imagem e do Som - MIS).

Não podemos trocar nossa história por um estacionamento! Salvar esse patrimônio é gerar emprego, turismo e orgulho para a nossa capital.

✍️ Acesse o link, assine e compartilhe nos seus grupos:

https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR159994

Reencaminhe esta mensagem! Quem ama Aracaju cuida do seu patrimônio! 🕊️🎨

Tecendo a manhã

                                                                           João Cabral de Melo Neto


Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro; de um outro galo

que apanhe o grito de um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos.


E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

(In: A educação pela pedra)

Nenhum comentário: