O Cineclube Realidade, em parceria com o Sindomestico-SE, realiza neste sábado, 12 de setembro de 2026, uma sessão especial do documentário "Como Ela Faz? – Episódio 1: O Trabalho", dirigido por Tatiana Villela. A exibição acontece na Casa da Doméstica, em Aracaju, e integra a programação de formação do Setembro Amarelo, campanha de valorização da vida e prevenção ao suicídio.
O documentário acompanha um dia na vida de 13 mulheres – entre astrônomas, jogadoras de futebol, filósofas, enfermeiras, professoras, diaristas e executivas – para mostrar o significado amplo e complexo da palavra trabalho. A produção revela como a dupla ou tripla jornada, a carga mental e a desigualdade de gênero atravessam o cotidiano feminino, especialmente o das trabalhadoras domésticas.
Documentário Como Ela Faz? – O Trabalho abre reflexão sobre sobrecarga, saúde mental e valorização das trabalhadoras domésticas no Setembro Amarelo
Falar de saúde mental é também falar de trabalho, direitos, relações sociais e condições de vida. Para muitas mulheres, especialmente as trabalhadoras domésticas, o dia começa cedo e parece não terminar nunca.
É nesse contexto que o Cineclube Realidade em parceria com Sindomestica -SE propõe, durante uma programação de formação integrada ao Setembro Amarelo, a exibição do primeiro episódio do documentário Como Ela Faz?, “O Trabalho”, dirigido por Tatiana Villela.
A produção apresenta histórias de mulheres e especialistas e coloca em discussão uma realidade ainda muito presente: mesmo quando termina a jornada profissional, muitas mulheres continuam trabalhando em casa, cuidando dos filhos, dos familiares e das tarefas domésticas.
É a chamada dupla ou tripla jornada — trabalho remunerado, trabalho doméstico e trabalho de cuidado.
O trabalho que não termina
O documentário ajuda a perceber que nem todo trabalho aparece na carteira de trabalho ou no contracheque. Existe também o trabalho de cuidar, organizar, planejar e manter a vida cotidiana funcionando.
Para as trabalhadoras domésticas, essa questão ganha uma dimensão especial. Elas cuidam das casas e das famílias de outras pessoas e, muitas vezes, precisam assumir novamente essas responsabilidades quando chegam às suas próprias casas.
Essa rotina pode gerar cansaço físico e emocional, principalmente quando não há tempo suficiente para descanso, lazer, convivência e cuidado consigo mesma.
Durante muito tempo, a sociedade ensinou às mulheres que ser forte era “dar conta de tudo”. Mas ninguém deveria precisar chegar ao limite para provar sua força.
Carga mental também é trabalho
Há ainda uma parte da sobrecarga que não é visível: a necessidade de lembrar, planejar, organizar e antecipar as necessidades da família.
Quem vai buscar a criança? O que falta em casa? Quando é preciso pagar uma conta? Quem precisa de atendimento médico? O que será feito para o almoço?
Essa responsabilidade permanente é conhecida como carga mental e também pode provocar desgaste.
Reconhecer essa sobrecarga é importante porque permite perceber que determinados sentimentos — como irritação constante, insônia, tristeza, ansiedade, falta de energia ou sensação de não conseguir mais dar conta — não devem ser simplesmente ignorados.
Setembro Amarelo: falar também é prevenir
A proposta do Setembro Amarelo é fortalecer a valorização da vida e a prevenção do suicídio. Uma das formas de prevenção é criar espaços onde as pessoas possam falar sobre seus sentimentos, reconhecer seus limites e procurar ajuda.
Nesse sentido, a escolha de Como Ela Faz? – O Trabalho é especialmente significativa.
O episódio não parte de situações extremas. Ele olha para o cotidiano e para os fatores que podem produzir sofrimento ao longo do tempo. Ao mostrar mulheres reais enfrentando as pressões da vida e do trabalho, o documentário ajuda a quebrar a ideia de que o sofrimento é sinal de fraqueza.
Cansaço não é fracasso. Pedir ajuda não é fraqueza.
Buscar apoio de pessoas de confiança, dos serviços de saúde, de profissionais especializados e das redes comunitárias pode fazer diferença. Ninguém precisa enfrentar uma situação de sofrimento sozinha.
Cuidar de quem cuida
A formação promovida pelo Sindomestica parte de uma pergunta simples, mas profunda:
Quem cuida de quem cuida?
Valorizar as trabalhadoras domésticas significa reconhecer a importância do seu trabalho e também defender condições dignas, direitos, respeito, remuneração justa, descanso e saúde.
Cuidar da saúde mental não pode ser visto apenas como uma responsabilidade individual. Também precisamos olhar para as condições sociais e de trabalho que produzem sobrecarga e sofrimento.
Por isso, uma atividade de formação como esta é mais do que uma exibição de filme. É uma oportunidade para conversar, ouvir, compartilhar experiências, conhecer direitos e fortalecer a organização coletiva.
Porque cuidar de si também é um direito.
E nenhuma mulher precisa carregar o mundo inteiro sozinha.
Assista o trailler AQUI
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