sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Como em Eduardo e Mônica do Legião Urbana vamos ao cinema assistir um filme sobre Godard? Em Aracaju no Cinema do Centro

 


Blog do Cinema

Nostalgia da revolução
18 de dezembro de 2025 | José Geraldo Couto
O filme Nouvelle vague, de Richard Linklater, está em cartaz em janeiro nos cinemas do IMS Paulista e IMS Poços.
 
Fico sempre com um pé atrás diante de filmes que buscam reconstituir “fatos reais” e/ou retratar figuras históricas conhecidas. Esse ímpeto mimético tende a apequenar o próprio cinema, reduzindo-o a uma função meramente ilustrativa. O filme passa a ser avaliado por sua capacidade de imitar caninamente o real: “Olha como o ator fulano está igualzinho ao sicrano que ele interpreta”.

Dito isso, vamos a Nouvelle vague, o filme de Richard Linklater que retrata os bastidores da produção de O acossado (1960), de Jean-Luc Godard, marco do cinema moderno e uma das obras fundadoras da... Nouvelle vague.

Vemos ali, em ação, a personalidade efervescente e imprevisível de Godard (Guillaume Marbeck), às voltas com um produtor duro na queda (Georges de Beauregard, encarnado por Bruno Dreyfürst), uma equipe atarantada e duas estrelas de personalidades díspares (Jean Seberg/Zoey Deutch e Jean-Paul Belmondo/Aubry Dullin). A missão nada modesta da trupe: subverter o cinema convencional e criar uma nova forma (ou novas formas) de expressar o real por meio de som e imagem.
 
Nosso fetichismo
A despeito do que foi dito no primeiro parágrafo, é forçoso dizer que se trata de um filme irresistível para os cinéfilos (entre os quais me incluo), talvez por conta de certo desejo fetichista de estar ali, no epicentro de uma revolução estética, política e moral. E nos deixamos levar prazerosamente por essa onda, que o próprio Godard maduro ironizaria invertendo a frase. “Une vague nouvelle”, disse ele, transformando o adjetivo em substantivo e vice-versa: uma vaga novidade.

Assim, o filme nos leva não apenas aos sets de filmagem, mas também à redação dos Cahiers du cinéma, às conversas com ídolos como Rossellini e Bresson, aos cafés e ruas do Quartier Latin, numa reconstituição cuidadosa expressa num preto e branco que mimetiza a imagem do filme original, cujo frescor, aliás, segue incólume.

Para que não se quebre o encanto, praticamente todos os diálogos são frases de efeito ditas de fato em alguma ocasião, ou expressam de modo didático as transgressões buscadas por Godard. E aqui há um paradoxo: fala-se, por exemplo, do faux-raccord e dos cortes no interior do plano, mas o filme de Linklater não os pratica em nenhum momento, resignando-se a uma decupagem essencialmente convencional, “invisível”. É um filme clássico celebrando um filme moderno.

Truffaut, o ex-amigo
Tudo somado, é uma obra a ser vista e comentada, um bom desfecho para o ano cinematográfico. Para os espectadores paulistanos, o lançamento vem com um bônus considerável: o Cinesesc programou uma mostra completa da obra de François Truffaut.

Um complemento ou contraponto mais que interessante seria o documentário Godard, Truffaut e a Nouvelle vague (2010), de Emmanuel Laurent e Antoine de Baecque, disponível em DVD da Imovision. Ali se investiga mais a fundo essa espinhosa amizade/inimizade criativa que sacudiu a história do cinema.



P.S.: 1) Vou assistir "Acossado" pela primeira vez na próxima semana via streaming, as pessoas mais próximas e que gostam de frequentar  as sessões do Cinema do Centro,  Cineclube Realidade e/ou outros, podem combinar conosco no privado para organizarmos uma exibição doméstica em grupo, como já fizemos com o Cineclube Circular em 2019.  Uma sessão que pode ser acompanhada de um bom vinho com petiscos "fin" ou "délicate".  

2 - Na sessão de exibição de ontem (sexta-feira) além de presença luxuosa do professor Romero  Venâncio (UFS) um grande  cinéfilo e admirador do cinema de Godard, encontrei  na mesma fileira em que comprei o ingresso, um casal de jovens, um dos dois,  talvez adolescentes. Quem sabe, mais  um Eduardo e Mônica da vida real. Quem vai saber... Mas fiquei feliz por isso. Por outro lado, deixo bem claro, é um filme para cinéfilos e/ou para pessoas que querem ir mais fundo na compreensão da magia da sétima arte.

Zezito de Oliveira


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

O Godard que conheci de muito ouvir falar e que agora contemplo nas reações pela sua morte.


 Comecei a ouvir falar de Godard cedo, em virtude de ter vivido como adolescente e inicio da juventude em uma certa época e em um certo lugar, além do gosto precoce pela leitura de jornais..

A época foi os meados de 1970 a até os meados de 1980. O local foi o Rio de Janeiro, um Rio não tomado pelo tráfico de drogas, milícias e fundamentalismo religioso, mas com o embrião do que veio a se tornar nestes tristes dias, misturado com as alegrias da praia, do futebol e da beleza da sua gente, da sua natureza e sua cultura..

Por gostar de ler jornais, em especial o Jornal do Brasil e os jornais da imprensa alternativa e independente, topava vez em quando com Godard e outros mestres do cinema europeu. Godard foi bastante citado..

Das leituras até o cinema, via cinemas de arte, cinemas de rua e cineclube, foi só um pulo.. Como morava distante do centro e da zona sul, locais onde podia encontrar os tipos de cinema que citei, não consegui frequentar com mais constância, porém quando podia fazer era motivo de alegria,

Dos filmes escolhidos tinha especial predileção pelos filmes censurados e depois exibidos com o afrouxamento ou fim oficial da censura...

Por gostar em primeiro lugar de música brasileira, de literatura brasileira e do cinema nacional, não buscava  assistir filmes estrangeiros, salvo alguns censurados e depois liberados... Lembro em especial de Pai Patrão (1977 - Irmãos Taviani)  e Novecento (1976 - Bernardo Bertolucci).

Leia/assista  mais em:


atualização em 02/01/2026








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